quarta-feira, 11 de março de 2026

O petróleo e a crise provocada por Trump

Na sua edição de ontem Le Journal de Montréal destaca na sua primeira página que, num mês, o petróleo subiu de 50 para 120 dólares e que “a culpa é do presidente Trump”, pelo que o título principal é, simplesmente, Merci Donald.
Estamos perante mais um choque petrolífero. Esta subida exponencial do preço do petróleo tem repercussões graves em todas as economias e, portanto, vai perturbar os mercados, aumentar os custos de produção e os preços e, certamente, também vai conduzir a recessões e ao consequente desemprego, a não ser que a situação se altere rapidamente, isto é, até que o fanfarrão Donald Trump e o seu parceiro israelita parem com a injustificada agressão a um estado soberano, embora seja dominado por um regime ditatorial, cruel e sanguinário, que se inspira num fundamentalismo religioso. Porém, não é este exibicionismo de força e destruição, sob as ordens de dois tiranetes que actuam à revelia das Nações Unidas, que tem legitimidade para atacar o Irão.
A crise que já está a chegar à Europa, perante a submissão dos seus principais líderes às ameaças de Trump, também tenderá a transformar-se num choque alimentar, como consequência do aumento dos custos de produção agrícolas, sobretudo adubos e fertilizantes, enquanto os consumidores passarão a defrontar-se com a escassez de produtos e os preços mais elevados nos supermercados.
Portanto, tudo aponta para uma crise global em que só a indústria do armamento irá prosperar e em que Donald Trump e os filhos continuarão a enriquecer, agora com a sua ligação à indústria de produção de drones...
Porém, os canadianos do Quebec que acusam Donald Trump pelo aumento do petróleo e pela crise que já está a gerar, não estão sozinhos. 

Mudança em Belém: gratidão e confiança

Há menos de 48 horas aconteceu o render da guarda em Belém, isto é, aconteceu a mudança do titular do mais alto cargo da nação portuguesa, deixado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa após ter cumprido dois mandatos entre 2016 e 2026, substituído pelo novo presidente António José Seguro, depois de ter jurado defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República.
A presidência de Marcelo Rebelo de Sousa foi globalmente positiva e foi dominada por uma íntima ligação afetiva aos portugueses, acompanhando-os nos momentos em que foram vítimas das tragédias naturais que nos aconteceram, mas também nos momentos de grande euforia nacional e de celebração de vitórias desportivas. Muitas vezes, o presidente Marcelo pareceu um de nós, na sua simplicidade, irreverência e proximidade mas, quando necessário, também soube afirmar-se como um homem de cultura erudita, um académico e um cosmopolita. Ele soube defender a Liberdade e a Democracia, esteve sempre e sem equívocos ao lado dos valores do 25 de Abril, o que nem sempre aconteceu no seio da sua família política. Não foi perfeito e demasiadas vezes falou demais e nunca ficou esclarecido o seu papel em algumas “conspirações”, como foi a queda do governo de António Costa.
Porém, a presidência de Marcelo merece a nossa gratidão.
António José Seguro chega a Belém como o presidente que conseguiu a maior vitória presidencial de sempre, com um discurso de serenidade e de moderação, com palavras mobilizadoras e agregadoras, livre, independente e “atento às desigualdades e comprometido com a justiça social e a dignidade humana”. Leva consigo para Belém uma diversificada carreira política, um singular conhecimento dos nossos desequilíbrios regionais e de um “interior abandonado e esquecido” e, last but not the least, leva consigo para Belém o espírito e os valores de Abril, tendo saudado “os Capitães de Abril, homens de coragem que abriram as portas da esperança a Portugal e devolveram a liberdade ao povo português”.
A presidência de Seguro merece a nossa confiança.