segunda-feira, 24 de abril de 2017

Fixemos o nome de Emmanuel Macron

A primeira volta das eleições presidenciais francesas decorreu ontem e apurou Emmanuel Macron com 23,39% e Marine Le Pen com 22,37% dos votos para disputarem a segunda volta no dia 7 de Maio.
Os principais candidatos derrotados foram François Fillon com 19,94%, Jean-Luc Mélenchon com 19,56% e Benoit Hamon com 6,35%, que já anunciaram o seu apoio a Emmanuel Macron para a segunda volta, por forma a impedir a extrema-direita de chegar ao poder. Assim, não é difícil prever que o candidato Emmanuel Macron de 39 anos de idade, centrista, liberal, europeísta e sem partido, será o futuro Presidente da França. Antigo ministro da Economia do Presidente François Hollande, Macron afirmou não ser de esquerda nem de direita, tendo criado o movimento En Marche! para o apoiar na sua campanha eleitoral, em que defendeu uma maior integração e uma maior coesão europeias.
O jornal Le Parisien diz que ele é a “sensation Macron”. O seu discurso é o de uma nova Europa reformada, modernizada e reajustada aos novos tempos e aos novos desafios. Os franceses dirão no dia 7 de Maio qual o grau de confiança que depositam neste jovem para dirigir a França num contexto nacional e internacional muito complexo, mas que parece inspirar muita confiança num eleitorado já cansado das promessas dos velhos partidos. Provavelmente, a Europa vai respirar de alívio com a eleição de Emmanuel Macron e talvez seja possível emendar os erros e a burocracia de um passado recente, em que a Europa andou fortemente desgovernada e sem rumo.
Aparentemente Marine Le Pen será derrotada, mas o facto de disputar a segunda volta eleitoral dá-lhe um estatuto mais alto na hierarquia política francesa e isso vai ser um sinal preocupante, pois as ideias extremistas e anti-europeias da sua Frente Nacional também passam a ter maior estatuto nacional. Daí que a luta entre os ideais de Macron e de Le Pen não termine no dia 7 de Maio, até porque quase metade do eleitorado escolheu candidatos que se afirmaram contra a União Europeia.