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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

A crise da aviação à sombra dos Pirinéus

Um pequeno jornal regional de nome L’Éclair des Pyrénées, que se publica na cidade francesa de Pau, na região Pyrénées-Atlantique, destaca na sua edição de hoje que há “dezenas e dezenas de aviões de todo o mundo” no aeroporto de Tarbes, que está transformado num enorme parque de estacionamento, enquanto se espera que o tráfego aéreo mundial regresse à normalidade.
A fotografia que ilustra aquela notícia de primeira página mostra dois aviões da TAP estacionados entre muitos outros, sendo visíveis num segundo plano as montanhas nevadas da cordilheira dos Pirinéus. Os dois aviões "abandonados" junto das montanhas pirenaicas, são uma das expressões da grave crise que atravessa a transportadora aérea nacional. 
Os aviões estão à guarda da empresa Tarmac Aerosave, que é a maior empresa europeia que se dedica a esta actividade, mas com a crise causada pela pandemia do covid-19, a empresa viu aumentar a procura dos seus espaços que já existiam em Tarbes (Pyrénées-Atlantique), em Teruel (Espanha) e em Toulouse (Occitânia), abrindo um novo estacionamento em Vatry (Marne). A empresa presta serviços de armazenagem e guarda dos aviões, assegura a sua manutenção, protege os seus sistemas electrónicos mais sensíveis, isto é, o avião não fica abandonado e mantém-se capaz de voar a todo o momento. 
Actualmente, a empresa guarda 230 aviões nos seus quatro estacionamentos mas, segundo é referido na notícia do L’Éclair des Pyrénées, há uma longa lista de aviões e de companhias aéreas em espera. Porém, se necessário, a empresa também assegura a reciclagem dos aparelhos e há a convicção de que muitos dos aviões guardados pela Tarmac Aerosave não voltarão a voar.

sábado, 28 de março de 2020

Os aviões em terra, são sinal de crise

Na situação de crise económica que se avizinha por todo o mundo, têm aparecido alguns estudos prospectivos que traçam cenários sobre o que nos espera nos tempos mais ou menos próximos. Um desses estudos foi feito pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), com sede em Montreal, que representa as companhias aéreas de todo o mundo.
Segundo esta associação, a actual pandemia já arrasou o transporte aéreo mundial e, se durar três meses, estima-se que irá traduzir-se numa perda global de receitas da ordem dos 240 mil milhões de euros – um pouco mais do que o PIB português – colocando em risco cerca de 2,7 milhões de empregos directos e cerca de 65 milhões de empregos indirectos. É, provavelmente, um dos sectores em que mais se evidenciam as consequências da actual crise e que mais nos preocupam, pelos efeitos que tem sobre a economia e, em especial, sobre o turismo e sobre o modelo de civilização em que temos vivido. Daí que a IATA afirme que as companhias aéreas estão a precisar “desesperadamente de dinheiro”, porque a crise provocada pela pandemia de covid-19 está a afectar 98% do transporte aéreo mundial, que corre o risco de falência se não houver ajudas financeiras em massa que compensem as suas brutais quebras de tesouraria.
A edição desta semana da revista Et cetera destaca os ”aviões em terra” e mostra dois planisférios onde se pode observar a intensidade da circulação aérea mundial, antes e depois da pandemia que nos cerca. Muitas das frotas das companhias aéreas estão em terra devido às restrições de circulação impostas e às quebras na procura, enquanto em Portugal, tanto a TAP como a SATA, estarão certamente a atravessar a situação revelada pela IATA. São nuvens muito negras no horizonte.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A Venezuela de Maduro ataca a TAP

A Venezuela é um grande problema internacional devido à grave situação económica e à instabilidade política por que passa, pois enquanto meio mundo está ao lado de Nicolas Maduro, o outro meio mundo apoia Juan Guaidó, o auto-proclamado presidente do país. Internamente, a situação também é complexa pois não se conhecem exactamente os apoios que tem cada uma destas facções.
Acontece que na Venezuela vivem três centenas de milhar de portugueses e de luso-descendentes e, por isso, a questão venezuelana é importante para Portugal que, com sensatez e prudência, tem acompanhado as posições da União Europeia e tem evitado criar fricções com as autoridades venezuelanas. Apesar disso, a Venezuela decidiu ontem suspender as operações da TAP por 90 dias nos seus aeroportos, com o argumento de ter havido irregularidades no voo TP173 que ligou Lisboa a Caracas e de ser necessário “proteger a segurança da Venezuela”. Hoje a notícia merece grande destaque na imprensa venezuelana, nomeadamente no El Periodiquito que se publica em Maracay, no estado de Aragua.
Depois de um périplo político pelos Estados Unidos e pela Europa, Juan Guaidó regressou à Venezuela no referido voo da TAP, sendo acompanhado por um tio. À chegada a Caracas foi esperado por manifestações de apoio e as autoridades chavistas não gostaram, pelo que acusaram a TAP de ter ocultado a sua identidade e de ter permitido que o seu tio transportasse material explosivo em diversos objectos.
Quer a TAP, quer o governo português, já mostraram a sua surpresa por esta iniciativa do regime de Maduro que, naturalmente, afecta os portugueses que vivem na Venezuela e vão ser vítimas desta evidente provocação de Nicolas Maduro a Portugal.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Há um mau jornalismo que envergonha

Hoje, a capa do jornal i é um exemplo de muito mau jornalismo, ao anunciar com grande destaque que a TAP é a quinta pior companhia do mundo e que a SATA é a pior, o que não é apenas um disparate mas é, também, uma falta de respeito para com os leitores do jornal e para com os trabalhadores e os passageiros daquelas companhias. Os quatro cidadãos que, no cabeçalho do jornal, colocam os seus nomes com o pomposo título de directores estavam distraídos ou são incompetentes.
Todos sabemos que são frequentes as comparações internacionais entre companhias aéreas e que, anualmente, são publicados rankings das melhores e das piores, das mais seguras, das mais pontuais ou das mais confortáveis, mas os jornais respeitáveis só divulgam esses rankings como curiosidades, porque essas classificações são subjectivas e muitas vezes manipuladas, pelo que não têm qualquer credibilidade. São, isso mesmo, curiosidades. Recentemente, houve três dessas curiosidades em que aparece a TAP.
[1] A Skytrax World Airline Awards anunciou que as melhores companhias aéreas estavam na Ásia e no Pacífico e que os World Airline Awards, considerados os “óscares da aviação comercial” tinham distinguido a Qatar Airways, a Singapore Airlines e a Cathay Pacific. Na lista das Top 100 airlines a TAP aparecia em 70º lugar, à frente de algumas companhias europeias e note-americanas.
[2] Na passada semana a Jet Airline Crash Data Evaluation Centre (JACDEC), uma organização alemã que analisa a segurança da aviação comercial, divulgou o seu relatório sobre segurança aérea e, entre sessenta companhias aéreas mundiais, colocou a TAP no 10º lugar do seu JACDEC Safety Index 2016.
[3] Há poucos dias, a revista norte-americana Fortune publicou um estudo que o Diário de Notícias divulgou que, entre setenta companhias aéreas, considera a TAP a quarta companhia “mais amada” do mundo nas redes sociais.
Nenhum jornal português deu relevo a essas curiosidades, o que é normal. O que não é normal é a capa da edição de hoje do jornal i que é sensacionalista, disparatada e envergonha o jornalismo.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A venda da TAP foi obra de fanáticos

Poucas vezes terão acontecido em Portugal negócios tão cinzentos como os que foram conduzidos pelo governo de Passos e Portas que, por motivos ideológicos, trataram de vender algumas das melhores fatias do nosso património empresarial, com enorme importância estratégica para o país, mas também com muito valor simbólico para os portugueses que as ajudaram a construir. Por vezes, o governo argumentou que a política de privatizações tinha como objectivo a redução da dívida pública, mas o facto é que esta nunca deixou de aumentar, apesar das vendas ao desbarato que Passos e Portas fizeram. Nunca se viu o destino dos encaixes financeiros, se os houve.
Todos nos lembramos da lucrativa EDP que foi vendida aos chineses, mas essa venda nunca foi bem explicada. Da mesma forma, nunca se percebeu porque foi vendida a ANA, nem porque os nossos governantes se desfizeram dos CTT. Agora venderam a TAP e trataram de arranjar justificações em que ninguém acredita. Venderam porque esse era o seu programa ideológico. Venderam porque rejeitaram pedir apoio à Comissão Europeia. Venderam à pressa e já demitidos, provavelmente já no campo da ilegalidade, porque quiseram levar o seu fanatismo privatizador até ao fim, desculpando-se com os problemas de tesouraria da empresa. Os espertalhões governamentais quiseram livrar-se da TAP para se livrarem dos 750 milhões de euros de dívidas e acabaram por ficar com elas. Absolutamente inaceitável. Os novos donos agradeceram tudo isto e, em nome da reestruturação da empresa, vão agora vender os terrenos que a TAP possui junto ao aeroporto avaliados em 146 milhões de euros, que lhe pertenciam desde 1991 e tinham sido desafectos do domínio público aeroportuário.
O governo foi demitido e a hipótese de venderem a Torre de Belém e os Jerónimos está abortada. Mas o que de mal foi foi feito fica assim, sem ser denunciado?

domingo, 22 de novembro de 2015

Ainda a vergonha que é a venda da TAP

No passado dia 10 de Novembro a maioria parlamentar votou contra o programa do XX Governo Constitucional e o governo de Passos e Portas foi demitido. Porém, dois dias depois e de forma muito estranha, pelas 23 horas e 30 minutos, foi anunciado que numa cerimónia realizada à porta fechada, o governo demitido tinha assinado um acordo relativo à venda de 61% da TAP ao consórcio Atlantic Gateway.
A venda da TAP é um assunto controverso e há uma larga percentagem da população portuguesa que discorda da sua privatização devido ao valor económico, simbólico e estratégico da empresa. Porém, mesmo demitida, a parelha Passos e Portas não parou na sua obcessão privatizadora.
Acontece que a TAP tem uma dívida à banca que se estima em 770 milhões de euros e, segundo foi divulgado pela imprensa, em caso de incumprimento ou de desequilíbrio financeiro da empresa, ficou acordado que os bancos têm a dívida assegurada pelo Estado, que o mesmo é dizer por todos nós. Foi um grande negócio para o grupo privado, porque o risco da dívida não ser paga aos bancos ficou totalmente do lado do Estado. É uma compra sem risco para o comprador e com todo o risco para todos nós, porque nos levam a carne e nos deixam os ossos. Segundo refere a imprensa, por parte do governo estiveram presentes na assinatura do acordo a secretária de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco e o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Miguel Pinto Luz, isto é, duas figuras governamentais de segundo plano que estavam demitidas há 24 horas, mas que se prestaram a esta triste figura. Esta estranha pantomina nem sequer justificou a presença de um qualquer ministro ou mesmo da parelha que agora se esconde das malfeitorias que nos faz.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A TAP e a teimosia das privatizações

A Comissão Europeia lançou um balde de água fria sobre os privatizadores portugueses, ao declarar que não tinha jurisdição para avaliar o negócio da venda da TAP ao abrigo das regras europeias para as fusões, pelo que o processo deverá ser avaliado pelas autoridades nacionais competentes que, neste caso, é a Autoridade da Concorrência (AdC). Os nossos privatizadores não esperavam essa decisão e pensavam poder encostar-se a Bruxelas para se justificarem desta operação que vai contra o interesse nacional e o sentimento dos portugueses. Assim, a velha desculpa das imposições comunitárias foi desmascarada e a montanha pariu um rato. De facto, depois da troika ter imposto a privatização total ou parcial da TAP no Memorando que foi negociado com a participação activa de Catroga e Moedas – como bem vimos através da televisão - e depois de dois concursos internacionais realizados, esta decisão é ridícula, lamentável e deixa os privatizadores portugueses entregues à sua obcecada cruzada. Seria a altura adequada, embora tardia, para cancelar todo o processo, em vez de o entregar à AdC, cujo órgão máximo de decisão é um Conselho constituído por um presidente e dois vogais, todos escolhidos pelo actual governo, o que pode suscitar ainda mais dúvidas quanto à transparência das suas decisões.
A obcessão pela privatização da TAP é uma questão ideológica e uma farsa conduzida por fanáticos.
A TAP é uma das nossas “jóias da coroa” e não tem de passar por estes processos, contra a vontade da opinião pública e o interesse nacional. Depois de tantos elogios da Europa ao bom aluno lusitano e depois de ter sido dito que os nossos cofres estavam cheios, pergunta-se para quê e porquê esta teimosia privatizadora quando estamos a 5 semanas das eleições legislativas? A continuar esta operação, ainda irá correr muita tinta... 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Privatizar a TAP? Não, obrigado!

Tem havido uma onda privatizadora em Portugal que, por vezes inexplicavelmente, nos tem retirado a posse de recursos e actividades estratégicas que são, ou deveriam ser, garantes de uma verdadeira independência nacional e que têm sido vendidos a capitais privados nacionais ou internacionais. Vender o património  desta maneira é uma violência e uma cedência à ganância e ao fanatismo dos abutres e da passarada que os serve.
Um país que opta por não controlar a produção e a distribuição da electricidade de que necessita, que vende a sua lucrativa exploração aeroportuária ou que se desfaz de uma instituição centenária como são os correios, entre outras empresas ou actividades essenciais, não está a zelar pela sua independência e, inversamente, está a acentuar as suas condições de dependência. Um governo que actua assim tem uma noção distorcida do que é o serviço público e está a ceder a interesses que não são os nossos. A privatização da EDP, da REN, da ANA e dos CTT são exemplos de privatizações de vínculo ideológico, até porque os encaixes realizados não tiveram qualquer significado no quadro das nossas dificuldades financeiras.
No Memorando de Entendimento assinado em 17 de Maio de 2011 estava prevista a privatização da TAP, uma operação que já foi tentada, mas que não resultou. Agora, a TAP anunciou os seus resultados operacionais e verificou-se que, no primeiro semestre de 2014, transportou 5,2 milhões de passageiros o que significa um aumento de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e que houve um melhor aproveitamento dos aviões que atingiu 80,1%, isto é, melhorou 3,2% em relação ao mesmo período de 2013. Excelentes resultados. Ao mesmo tempo, a empresa vai receber brevemente novos aviões e anunciou dez novos destinos - Nantes, Hanôver, Gotemburgo, Belgrado, Talim, São Petersburgo, Manaus, Belém, Bogotá e Cidade do Panamá. Excelente dinamismo empresarial.
A TAP é um símbolo da identidade nacional e funciona bem. Deixem a vossa pequenez e não pensem mais na sua privatização.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Privatizar a TAP? Não, obrigado!

Na onda de privatizações que, explícita ou implicitamente, estão referidas no ponto 3.31 do Memorando assinado com a troika em Maio de 2011, encontram-se algumas empresas que são símbolos da identidade nacional e que o governo quer alienar por meia dúzia de milhões de euros. Dezoito meses depois da assinatura daquele documento, já é tempo para o reapreciar e arrepiar caminho.
A identidade nacional é um conjunto de sentimentos e representações simbólicas que fazem com que cada indivíduo se sinta parte integrante de uma nação: a língua, o território, os monumentos, as práticas culturais, a bandeira e o hino nacionais, entre outros. No caso português, para além daqueles factores de identidade há outros que, sobretudo no estrangeiro e no seio da diáspora, têm uma importante carga simbólica e identitária, como sucede com o Ronaldo e o Mourinho ou as Festas dos Santos Populares, mas também com o bacalhau, a sardinha assada, o pastel de nata ou o arroz doce. Nessa perspectiva, também algumas empresas são marcas da nossa identidade e do imaginário nacional, casos da TAP, dos Correios ou da RTP. Nenhum governo ocasionalmente no poder, nem nenhuma troika de funcionários de segunda linha, têm autoridade ou mandato para beliscar esses símbolos da nossa identidade e da nossa soberania.
Em nome do interesse público e da defesa da nossa secular identidade, essas empresas não podem ser alienadas. A função do Estado é assegurar a união, a coesão e a defesa da comunidade, é preservar a nossa memória histórica, é garantir a independência e a defesa nacional, a administração da justiça, a ordem pública e a salvaguarda dos interesses nacionais onde quer que eles se encontrem. Nenhum governo pode vender uma parte do território, nem hipotecar a Torre de Belém, nem desfazer-se dos Painéis de S. Vicente, nem alienar as marcas da nossa própria identidade. Privatizar a TAP? Não obrigado!

domingo, 4 de dezembro de 2011

TAP eleita como a melhor da Europa

A TAP foi distinguida como a melhor companhia aérea europeia, numa eleição organizada pela revista americana Global Traveler, na qual participaram três dezenas de companhias de notoriedade internacional e em que votaram cerca de 36 mil passageiros frequentes e passageiros executivos, que fazem em média 16 viagens internacionais e 16 viagens domésticas por ano.
Este resultado acontece quando o processo de privatização da TAP já estará a avançar, nos termos do Memorando com a troika assinado em 17 de Maio que, no seu ponto 3.31, trata da privatização da TAP e estabelece que esta deve ser feita até ao final de 2011, se as condições do mercado o permitirem.
Porém, esta distinção vem lembrar a utilidade social e a importância estratégica da TAP para a unidade nacional, para a coesão territorial e para a economia portuguesa, mas também que é uma das marcas portuguesas mais conhecidas em todo o mundo.
A TAP emprega directamente cerca de 12 mil pessoas e dá emprego indirecto a alguns milhares; o seu impacto macroeconómico é enorme em termos de rendimento e de emprego, mas também em termos de exportações, pois calcula-se que estas representem cerca de 5% das exportações portuguesas (transporte de passageiros residentes no estrangeiro, carga e correio, serviços de manutenção e de handling, etc.).
A TAP é uma empresa estratégica para assegurar o interesse nacional, desde a defesa à economia, passando pela independência nacional e pela própria ideia de soberania. Apresenta uma rentabilidade social positiva e, desde 1997, apenas recebe do Estado as indemnizações compensatórias que lhe são devidas pelo serviço que assegura com as regiões autónomas, mas esse montante é cinco vezes menor do que aquele que recebe a RTP. Então, privatizar para quê?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

TP 1844

No nosso tempo, um voo de pouco mais de duas horas nada tem de incomum e é um acto rotineiro das nossas vidas.
Porém, no caso do voo TP 1844 que liga a ilha do Faial a Lisboa, pode haver lugar a uma agradável surpresa, que só depende da meteorologia e da vontade do piloto.
Poucos minutos depois da largada do aeroporto, quando ainda está na sua fase ascensional, o avião passa ao largo da ilha do Pico e dos seus imponentes 2351 metros de altitude.
Umas vezes o avião passa mais próximo e outras vezes menos próximo da montanha que, frequentemente, não está visível porque se encontra envolvida por densas nuvens ou está mergulhada nas chuvas e nas neblinas que são características das ilhas açorianas.
Nessas condições meteorológicas de menor visibilidade, a montanha raramente se apresenta descoberta, iluminada e bem próxima de nós. Mas quando isso acontece e à vontade da meteorologia se junta a vontade do piloto, a montanha surpreende-nos com a sua agreste beleza vulcânica e parece convidar-nos a uma subida até ao topo numa outra oportunidade.
Porém, mais do que qualquer texto, é a fotografia que melhor evoca a agradável surpresa de voar com o Pico ali tão perto.