quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O terror ataca uma Europa desnorteada

O terror e a violência chegaram agora a Berlim, a Ankara e a Zurich ou, como diz o diário escocês The Herald, os ataques terroristas atravessam toda a Europa. Antes, o terror passara por Nova Iorque, Moscovo, Madrid, Londres, Bruxelas, Paris e Nice. A ameaça terrorista parece que se está a tornar numa maldição que ataca e quer destruir a paz social e a harmonia a que aspiram cada homem e cada comunidade.
Antigamente o terrorismo tinha contornos políticos bem definidos e traduzia-se por uma luta contra os poderes ilegítimos ou ditatoriais, através de acções violentas como assassinatos, sequestros, raptos, assaltos ou explosões de bombas, mas nos tempos modernos a feição do terrorismo alterou-se. Embora utilize o mesmo tipo de violência contra alvos selectivos por forma a provocar vítimas ou a destruição de instalações, o seu objectivo principal é de natureza psicológica e destina-se a gerar o medo e o pânico nas populações, a perturbar a actividade económica e a fragilizar a vida social das comunidades.
O terrorismo que está a atravessar a Europa tem raizes e motivações que não têm sido compreendidas pelas autoridades europeias e, sobretudo, pelos governantes dos seus principais países, que têm alinhado com a desastrada política americana, primeiro de George W. Bush e depois de Barack Obama. Certamente que David Cameron, Nicolas Sarkozy e François Hollande, com a sua imprudente atitude de querer agradar aos americanos e vender armas aos países ricos do Golfo Pérsico, têm grandes responsabilidades na tragédia que está acontecer na Síria, mas também no Iraque, na Líbia e no Iémen. Os países países ricos do Golfo – Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Omã e Kuwait – não aceitam os seus irmãos sírios ou iraquianos como refugiados, mas em contrapartida compram enormes arsenais de armamento com que alimentam os grupos que se guerreiam na Síria e no Iraque. O ocidente vive nesta hipocrisia que esconde com uma propaganda mentirosa, apenas porque quer vender armamento a quem tem dinheiro para o pagar, obrigando-se em troca a aceitar os refugiados sírios e o seu desespero.
A desnorteada Europa semeou ventos, agora está a colher tempestades.