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quinta-feira, 31 de julho de 2025

A continuada submissão da Europa

Apesar de ainda ser uma espécie de “farol da civilização”, há uma lenta agonia da Europa na sua relação com a América e com a Ásia, como prova a irrelevância que vai tendo em todas as matérias internacionais de natureza política, económica e militar.
Depois de quatro meses de incerteza tarifária, aconteceu no passado domingo na Escócia um acordo entre Donald Trump e Ursula von der Leyen, pelo qual os Estados Unidos vão aplicar uma taxa alfandegária de 15% à generalidade das exportações da União Europeia, que ainda fica obrigada a investir 600 mil milhões de dólares nos Estados Unidos, sobretudo em energia e armamento. Embora a taxa de 15% seja mais leve do que os 25% que já vigoravam para a indústria automóvel, representa um forte aumento em relação à taxa de 2,5% que estava em vigor.
Este acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia, começou por ser aplaudido pelos dois lados do Atlântico, mas rapidamente surgiram dúvidas sobre se foi uma capitulação, como escreveu o jornal La Dépêche du Midi, ou se foi simplesmente um caso de pragmatismo. Para alguns pragmáticos, a União Europeia estava ameaçada com taxas de 30% e ao conseguir taxas de 15% conseguiu um bom acordo, embora o Reino Unido tivesse conseguido taxas de 10%. Porém, muitos líderes políticos e empresariais europeus já criticaram o acordo em termos muito duros e consideraram-no escandaloso, tendo o primeiro-ministro francês dito que foi “um dia sombrio” e que a União Europeia, que é “uma aliança de povos livres se resignou à submissão”. Mais curioso e mais realista foi o comentário do empresário francês Arnaud Bertrand que disse que o acordo é “uma transferência unilateral de riqueza” e que "se parece bastante com o tipo de tratado desigual que as potências coloniais costumavam impor no século XIX, só que, desta vez, a Europa é a vítima". 
Donald Trump impôs a sua vontade e não fez qualquer cedência, enquanto Ursula von der Leyen lhe deu uma boa ajuda para ele levar por diante o Make America Great Again. Muita asneira tem feito esta senhora, o que nos faz pensar sempre em Jacques Dellors, um "Senhor Europa" como não houve outro.

sábado, 14 de junho de 2025

Um “milagre” em tragédia aérea na Índia

Um moderno avião de passageiros Boeing 787-8 Dreamliner da Air India despenhou-se na passada quinta-feira numa zona residencial da cidade indiana de Ahmedabad, cerca de um minuto depois de descolar com destino a Londres. O voo AI171 transformou-se numa enorme tragédia pois seguiam a bordo 242 passageiros e tripulantes, dos quais apenas um sobreviveu, tendo também morrido pelo menos oito pessoas que em terra foram atingidas pelos destroços do avião.Apesar dos modernos aviões terem padrões de segurança muito elevados, de vez em quando acontecem acidentes e todos querem saber se isso resultou de erro humano ou de falha técnica. No caso do voo AI171 tudo indica que houve uma perda de potência dos motores do avião que não lhe permitiram ganhar altitude, mas as causas do acidente estão a ser investigadas pelas autoridades e pelo fabricante Boeing, cuja reputação pode estar ameaçada.
O único sobrevivente desta tragédia chama-se Vishwash Kumar Ramesh, é um homem de origem indiana que tem passaporte britânico. Diversos jornais britânicos, como por exemplo o Daily Express, destacaram “o milagre do homem do assento 11A” que, entretanto, já contou como conseguiu abandonar o avião e salvar a vida, em circunstâncias que toda a imprensa britânica destacou e considerou que se salvou por milagre.
A bordo encontravam-se sete pessoas possuidoras de passaporte português, embora nenhum deles tivesse família residente em Portugal.

terça-feira, 8 de abril de 2025

O caos que o DT semeou e o pânico geral

A questão das tarifas decretadas pelo DT no quadro da sua política do MAGA para limitar ou desencorajar as importações de produtos provenientes do Canadá e do México, da Europa e da China, do Japão e do Brasil e da generalidade dos países, estão a causar muitos embaraços às economias mundiais e a dar origem a medidas de retaliação, enquanto se teme por uma quebra significativa no comércio internacional, na produção interna e no emprego de muitos paises, bem como no aparecimento de um surto inflacionista à escala global. Uma recessão mundial está no horizonte, em muitos países já se sente a emergência económica e, no caso de Portugal, que tem 4.231 empresas que exportam para os Estados Unidos, a situação pode trazer grandes dificuldades à economia.
Uma das características das modernas economias é a actividade accionista ou actividade bolsista que se desenvolve através das Bolsas de Valores e por intermédio do sistema bancário, permitindo que as grandes empresas se financiem e que o público aplique as suas poupanças por forma a conseguir melhores rendimentos, quer pelo recebimento de lucros e dividendos, quer pela valorização das acções que tenha adquirido. No mercado bolsista compram-se e vendem-se acções, cujo valor ou cotação depende de factores diversos da empresa e dos factores envolventes e das expectativas. 
As cotações da bolsa são actualmente um importante indicador económico: quando sobem também a economia está em crescimento e os agentes económicos estão confiantes; quando descem a economia cai e não há confiança nos agentes económicos.   
Hoje, a capa do jornal financeiro francês La Tribune mostra a evolução das bolsas mundiais e, perante a queda brutal que se verifica, ou “o caos semeado por Donald Trump”, o jornal escolheu o título “panique sur les marchés”. 
São, realmente, tempos de muita incerteza.

sábado, 28 de dezembro de 2024

Os obscenos lucros da banca portuguesa

A manchete da edição de ontem do Diário de Notícias destaca que a “banca portuguesa vai ter ano mais lucrativo de sempre em 2024”, o que parece ser uma boa notícia, pois todos se recordam dos tempos difíceis por que passou a banca depois da falência do banco norte-americano Lehman Brothers, acontecida em 2008.
Aquela falência deu origem a uma grande crise financeira internacional que chegou a Portugal e afectou a débil banca portuguesa, daí resultando a falência do BPN (2008), do BPP (2010), do BES (2014) e do BANIF (2015), ainda agravadas por gestão fraudulenta ou incompetente. Seguindo a orientação preconizada pelas instituições financeiras internacionais, os sucessivos governos portugueses trataram de inscrever anualmente nos Orçamentos do Estado uma previsão de despesa para salvar ou apoiar a banca. Estima-se que, até agora, os contribuintes portugueses já tenham avançado com mais de 20 mil milhões de euros. No caso da CGD que precisou de se capitalizar em 2017, a ajuda do Estado ascendeu a 2.500 milhões de euros que, segundo foi divulgado, já foram totalmente pagos.
Significa, portanto, que a banca portuguesa está a cumprir o seu papel na relação entre a Economia e a Sociedade ou a servir a população, ao assegurar a gestão dos depósitos bancários e das poupanças, articulando-os com o crédito bancário e o financiamento dos investimentos.
Porém, quando se anunciam 6,6 mil milhões de lucros no terceiro trimestre de 2024, com destaque para os 1,4 mil milhões de euros apresentados pela CGD, o maior banco português e que é público, ficamos perplexos, pois é uma quase obscenidade num país onde ainda há tanta pobreza. Embora uma boa parte deste lucro regresse ao accionista Estado sob a forma de dividendos, a CGD comporta-se como um vulgar banco comercial, pois retira-se das pequenas localidades porque “não são rentáveis” e castiga os seus clientes, não lhes pagando juros justos pelos seus depósitos, enquanto lhes cobra exorbitantes valores por manutenção de contas. Um abuso! Ocorre-me o “Poemarma”, o poema de 1967 que Manuel Alegre incluíu n’O Canto e as Armas e que diz:
- Que [o poema] chegue ao banco e grite: abaixo a pança!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Carlos Tavares e o abandono da Stellantis

Desde que se consolidou o regime democrático em Portugal e o nosso país deixou de estar isolado e “orgulhosamente só”, os portugueses deixaram de ter o estigma do emigrante pobre que procurava no estrangeiro aquilo que a sua terra não lhe proporcionava e passaram a “competir” internacionalmente em várias actividades, atingindo níveis nunca dantes alcançados. Os portugueses passaram a mostrar que eram tão capazes como os outros e a ser reconhecidos. Podem citar-se José Saramago e Cristiano Ronaldo, Paula Rego e Álvaro Siza Vieira e, sobretudo, aqueles que ocupam posições de grande notoriedade mundial como António Guterres e António Costa, embora outros nomes pudessem ser mencionados.
Hoje, vários jornais franceses e italianos, entre os quais o Vosges matin, um diário regional que se publica na cidade de Épinal, situada no nordeste da França, destacam o gestor português Carlos Tavares por se ter demitido do cargo de administrador executivo da Stellantis, um gigantesco grupo multinacional do sector automóvel que, entre outras, possui as marcas Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, Fiat, Jeep, Lancia, Maserati, Opel. Peugeot e Vauxhall. É uma grande nau e por isso susceptível de grande tormenta.
Acontece que o sector automóvel europeu está em crise considerada grave. Essa crise chegou à Stellantis que baixou as suas vendas em 8,6%, o que se revelou catastrófico num grupo que oferece 12,9 milhões de postos de trabalho e é responsável por mais de 7% do produto interno bruto da União Europeia. Carlos Tavares não resistiu e demitiu-se. Era, provavelmente, o mais importante gestor português, muito reconhecido no sector automóvel europeu. 
Pode ser que agora regresse a este jardim à beira-mar plantado e que nos ajude a sair da cepa torta.

domingo, 4 de agosto de 2024

A escandalosa voracidade da nossa banca

A imprensa anunciou ontem que a banca portuguesa, que no ano de 2023 registara os seus maiores lucros de sempre, está a repetir esses lucros históricos em 2024. É uma boa notícia para a banca e para os banqueiros, mas é uma triste notícia para os depositantes e para quem necessita de crédito para a sua vida corrente, que se vê diariamente extorquido pelos apetites vorazes da banca, incluindo a banca pública.
A notícia apareceu na edição do oje – jornal económico, mas também foi destacada noutros periódicos: os cinco maiores bancos portugueses – BCP, BPI, CGD, Novo Banco e Santander – lucraram mais de 2619 milhões de euros no 1º semestre do ano de 2024, o que significa um lucro diário de 14 milhões de euros e um crescimento de 31% nos lucros relativamente ao ano anterior. A CGD teve o maior crescimento absoluto de lucro pois conseguiu 889 milhões de euros, o que significa um aumento de 281 milhões de euros relativamente ao 1º semestre de 2023, enquanto o Santander foi o banco cujos lucros mais cresceram em termos relativos, ao registar um lucro de 547,7 milhões de euros, correspondentes a um crescimento de 64,2% do seu lucro.
Os banqueiros explicam estes números com a margem financeira, o indicador que mede a diferença entre os juros cobrados nos créditos concedidos e os juros pagos nos depósitos, que atingiu 1426 milhões de euros durante o semestre, mas também nos proveitos com as comissões que atingiram 289 milhões de euros.
De facto, estes escandalosos resultados resultam da voracidade da banca e assentam na margem financeira e na cobrança de comissões por tudo e por nada, como por exemplo na “comissão de manutenção de conta”, uma verdadeira prática de extorsão praticada contra os depositantes e que, mensalmente, me vai ao bolso. Embora esses resultados também resultem de um maior dinamismo comercial e da melhoria operacional da estrutura da banca, da situação económica do país e da significativa redução das imparidades dos créditos, a prepotência da banca é mesmo um verdadeiro escândalo.
Estes números parecem referir-se a um país de grande actividade económica, de enorme riqueza e de muita prosperidade, mas na verdade referem-se a Portugal e recordam-nos “O Canto e as Armas”, uma obra publicada em 1967 por Manuel Alegre, certamente o livro mais cantado em Portugal, que inclui o Poemarma e o verso que apela a “que o poema [...] chegue ao banco e grite: abaixo a pança!”. Um belo poema!

terça-feira, 26 de março de 2024

A gestão lucrativa mas anti-social da CGD

Os bancos portugueses obtiveram no ano de 2023 os maiores lucros da sua história e, há alguns dias atrás, a imprensa registava que esses lucros atingiram quase 12 milhões de euros diários. O contributo da banca pública para esses resultados foi significativo, pois a Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentou um lucro líquido de 1.291 milhões de euros, correspondentes a cerca de 3,5 milhões de euros diários, o que tem sido assinalado como um enorme sucesso e como um marco histórico, pois vai permitir que, para além dos impostos legais, o Estado ainda venha a arrecadar 525 milhões de euros de dividendos.
Estes lucros que muito boa gente considera escandalosos, foram impulsionados pela principal fonte de receitas que é a margem financeira, isto é, a diferença entre os juros cobrados no crédito e os juros pagos nos depósitos, a que se junta a abusiva e injusta cobrança de vários serviços, como por exemplo a manutenção de contas bancárias. Chama-se a isto esmifrar ou extorquir a clientela.
Acontece que a gestão da CGD alinha numa lógica de competição com os outros bancos comerciais e, muitas vezes, ignora a sua função social, actuando no mercado segundo a mesma lógica mercantil e de maximização de resultados. Segundo refere a edição de hoje do jornal i que dedicou aos “ricos bancos”, a CGD procurou modernizar-se e reestruturar-se através das novas tecnologias e da redução de balcões e de trabalhadores. Assim, segundo o jornal, entre os anos de 2010 e 2023, a CGD passou de 9672 para 6423 trabalhadores (menos 35%) e de 869 para 515 agências (menos 40%).
Estes números falam por si e mostram como a CGD tem adoptado uma gestão contrária ao interesse nacional em vários aspectos, designadamente com o encerramento de balcões em zonas remotas, o que viola a sua obrigação de prestar um serviço social às populações, sobretudo as mais envelhecidas.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Os jornais e o ex-jornalismo independente

Os tradicionais meios de comunicação social ou mass media são a imprensa, a rádio e a televisão, mas com o aparecimento de novos suportes como a internet e as redes sociais, a imprensa e a rádio têm perdido influência no espaço mediático. Dessa forma, esses meios de comunicação têm menos leitores e menos ouvintes, as suas audiências regridem, as suas receitas publicitárias descem e as suas equações económicas tornam-se mais difíceis de resolver. Por isso, o jornalismo e os jornais independentes são cada vez mais raros, sendo os leitores e os ouvintes confrontados com manipulações e inverdades de toda a ordem.
No caso dos jornais – mas não só nos jornais – a sobrevivência “obriga” a que os seus espaços cedam a lógica noticiosa e informativa, às lógicas da publicidade comercial e da propaganda política. Assim, para que possam “sobreviver”, os jornais disponibilizam e vendem cada vez mais o seu espaço para fins não informativos, deixando de ser suportes com notícias, para se transformarem em plataformas ao serviço de quem paga para vender produtos, serviços ou ideias. É, evidentemente, o fim do jornalismo independente.
No passado dia 19 de Setembro a primeira página do The New York Times era ocupada com um anúncio das malas de alumínio da marca Rimowa e no dia 21 de Setembro o diário espanhol ABC cedia toda a sua primeira página para expressar a sua gratidão à Coca-Cola, “por estos 25 años juntos”. Ontem foi a Folha de S. Paulo e outros jornais brasileiros, que publicaram em primeira página, um “informe publicitário” relativo à reunião do G20 do próximo ano no Rio de Janeiro, numa evidente cedência à propaganda do governo brasileiro.
Nestes casos, o The New York Times, o ABC e a Folha de S. Paulo puderam facturar muitos milhares para equilibrar a sua tesouraria, mas cada um deles “violou” a sua independência jornalística e abalou a sua credibilidade junto dos seus leitores.  

terça-feira, 6 de junho de 2023

O maior navio do mundo é o MSC Loreto

O diário EuropaSur que se publica na cidade de Algeciras, na província espanhola de Cádiz, destaca na sua edição de hoje a presença no seu porto do MSC Loreto, o maior portacontentores do mundo, que pertence à Mediterranean Shipping Company (MSC).
O navio tem bandeira de conveniência liberiana, tem 399 metros de comprimento e 60 metros de largura, pelo que “a superfície do seu convés é de cerca de 24.000 metros quadrados, o que equivale a 3,5 campos de futebol”. Foi construído na China pelos Yangzijiang Yangzi Xinfu Shipbuilding, tendo entrado ao serviço em 2023. Na sua primeira viagem para a Europa largou do porto chinês de Ningbo no dia 19 de Abril e depois de Roterdão, Antuérpia e Felixstowe, visitou o porto de Algeciras. 
O navio tem uma tripulação de 25 profissionais altamente qualificados e tem capacidade para transportar 24.346 TEU (Twenty-foot Unit Equivalent), o que aproximadamente significa que o navio pode receber 24.346 contentores de 20 pés de comprimento, por 8 pés de largura e 8 pés de altura.
A imponência do navio despertou a curiosidade pública pelo que as autoridades portuárias de Algeciras organizaram cinco visitas guiadas nas quais 750 pessoas tiveram a oportunidade de visitar demoradamente o navio, com a curiosidade das inscrições para a visita se terem esgotado rapidamente. O MSC Loreto impressiona por tudo, principalmente pelos seus 399 metros de comprimento, pelos 24.346 contentores que pode transportar e, sobretudo, por ter uma tripulação de apenas 25 elementos!

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Após a crise, aí está a retoma da Airbus

A aviação comercial foi uma das actividades mais afectadas pela crise pandémica e pelo consequente abrandamento da economia e do turismo, mas os resultados anunciados pelo fabricante europeu Airbus, relativos aos primeiros nove meses do ano, causaram uma onda de entusiasmo. A empresa que tem sede em Toulouse anunciou um montante de 2,6 mil milhões de euros de lucro nos primeiros nove meses do corrente ano e este resultado financeiro resulta do incremento das suas principais variáveis de gestão: as entregas e as encomendas de novas aeronaves. São números que anunciam a boa convalescença da empresa, como escreveu o jornal La Dépêche du Midi que se publica em Toulouse.
Em 2020 a empresa entregara 566 aviões, quando no ano anterior entregara 863, o que representou uma quebra de 34%. Nos primeiros nove meses do corrente ano já foram entregues 424 aviões, quando no mesmo período do ano passado tinham sido entregues 341, o que significa uma melhoria de 24%, esperando-se que até ao fim do ano sejam entregues seiscentas unidades. Neste quadro, as previsões da empresa já apontam para que a normalidade aconteça até 2024, mas para isso será necessário acelerar a produção, até porque há 5600 aviões A320 com a entrega atrasada.
A estratégia seguida por Guillaume Faury, que desde 2019 é o CEO do Grupo Airbus, pretende voltar a tornar a Airbus o maior fabricante aeronáutico mundial, aproveitando os problemas que perseguem a Boeing, designadamente a segurança do 737 Max e as dificuldades técnicas do 787 Dreamliner.
Portanto, após a crise, aí está a descolagem da Airbus, como titula hoje o La Dépêche du Midi.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Thomas Cook não resistiu aos tempos

De vez em quando rebentam grandes bombas no mundo dos negócios, como foi caso do Lehman Brothers em 2008 ou, a uma escala mais modesta, o nosso BES que implodiu em 2014, ou as muitas companhias de aviação que desaparecem. Agora, foi a famosa agência de viagens britânica Thomas Cook que faliu, depois de ter estado durante 178 anos no mercado do turismo e em outras actividades a ele ligadas. Era uma referência mundial pois transportava todos os anos cerca de 19 milhões de turistas, mas não conseguiu concorrer com a venda directa online que com ela concorria com preços mais favoráveis. O seu modelo de negócio estava em crise há alguns anos porque não se adaptou aos novos tempos das plataformas digitais, pois quem viaja passou a utilizar o modelo it yourself, em que as reservas de passagens aéreas, hotéis e outros serviços associados são feitas online, o que significa que os serviços prestados pelas agências de viagens têm cada vez menos procura. Os défices de exploração e o passivo da empresa foram-se acumulando e surgiu um ultimato bancário para o qual eram necessários 227 milhões de euros. Ninguém lhe deu a mão, nomeadamente o accionista chinês Fosun, nem o governo de Boris Johnson. Um frio comunicado foi emitido ontem:
Thomas Cook has confirmed that all of the UK companies in its group have ceased trading including Thomas Cook Airlines. As a result, we are sorry to inform you that holydays and flights provided by these companies have been cancelled and are no longer operating. All Thomas Cook’s retail shops have also closed.
Havia 600.000 clientes em viagem, um pouco por todo o mundo, que não sabem como regressar ao seu país e, provavelmente, alguns milhares de hotéis que não vão receber pelos serviços que prestaram aos clientes da Thomas Cook. Há 22.000 funcionários que perderam o emprego. Uma frota de 34 aviões Airbus 321 e 330 parou. Um jornal português diz que “gigante falido deixa calotes a hotéis portugueses”, um jornal das Canárias anuncia que “a falência da Thomas Cook representa a perda de 15 mil empregos” e o jornal económico francês La Tribune diz que esta falência foi "um terramoto para o turismo". Neste caso, como vem sendo hábito nas grandes empresas que vão à falência, os seus gestores receberam salários e bónus de muitos milhões de euros, mesmo quando a falência já estava no horizonte. O problema é que os terramotos costumam ter réplicas...

segunda-feira, 15 de abril de 2019

A indiferença face à coesão territorial

Entre os principais problemas portugueses estão as assimetrias regionais que continuam a agravar-se, embora também haja casos em que houve uma real inversão dessa situação devido à localização de novas actividades criadoras de emprego, mas também por fixação de polos universitários e politécnicos que atraíram estudantes ou, até, por alterações da base económica das regiões.
Para o agravamento das assimetrias regionais e para a desertificação de muitas regiões do interior, têm contribuido duas instituições – CGD e CTT – que parecem viver numa indiferença pela coesão territorial e praticam uma lógica empresarial de rentabilidade financeira e se alheiam da rentabilidade social. Ora, na perspectiva das modernas sociedades democráticas, as actividades empresariais, públicas ou privadas, devem regular-se tanto rentabilidade financeira como pela rentabilidade social. Esse tem que ser um imperativo de todos, porque só faz sentido haver empresas quando satisfazem uma necessidade e quando servem as populações, o que não parece ser a atitude da CGD e dos CTT, que apenas querem ganhar dinheiro. Acontece que, segundo hoje divulgou o Jornal de Notícias, no ano de 2018 a CGD fechou 65 das suas agências bancárias, enquanto no mesmo ano os CTT encerraram 70 estações dos correios. Daí resultou que, pelo menos em 12 concelhos, tanto a CGD como os CTT deixaram de existir, havendo 33 concelhos onde já não existe qualquer estação dos correios.
Assim, podem ser gastos milhões na construção de infraestruturas ou no apoio às iniciativas empresariais, mas na primeira linha do abandono, do desinteresse e da indiferença pela coesão territorial estão as políticas da CGD e dos CTT, que afectam directamente as necessidades das populações. Parece que todos se esquecem do artigo 66º da Constituição que diz que incumbe ao Estado "ordenar e promover o desenvolvimento do território, tendo em vista uma correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento socioeconómico e paisagens biologicamente equilibradas".

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

A manhosa caixa que mudou o mundo

A  caixa que mudou o mundo, fórmula que os profissionais da televisão gostam de usar para valorizar o seu trabalho, é o mais poderoso meio de comunicação de massa do mundo moderno, abrindo janelas, quebrando fronteiras e divulgando informação cultural, económica e política. Nessas circunstâncias, a televisão tornou-se uma presença permanente nas sociedades contemporâneas e o seu poder de formar e de informar, mas também de educar e de divertir, são enormes nas modernas sociedades, em que há dezenas de canais televisivos ao dispor do público, uns generalistas e outros temáticos. Em Portugal também é assim, embora o espectro televisivo seja dominado por três grandes canais: a RTP, a SIC e a TVI.
Porém, nos últimos tempos, todos estes canais enveredaram por uma programação medíocre, muitas vezes a roçar a foleirice, enchendo manhãs e tardes com programações em que são cultivados os valores mais rascas da nossa realidade cultural. Há, evidentemente, algumas excepções honrosas a essa mediocridade, mas são cada vez mais raras.
No plano informativo, a programação destes canais parece estar entregue a estagiários a quem foi imposta a missão de criar factos controversos ou sensacionalistas, em vez de relatar a verdade com isenção e rigor. Chega a parecer que ninguém tem mão na situação e que não há responsáveis pela verdadeira desgraça que é a informação televisiva, muitas vezes manhosa e desonesta. Nos seus alinhamentos noticiosos, os nossos canais televisivos repetem muitas vezes, dezenas de vezes, a mesma notícia, mesmo quando a realidade já ultrapassou a situação noticiada. Assim, tornou-se normal que um espectador veja uma mesma notícia vezes sem conta e durante vários dias, seja a declaração de um político ou um golo no futebol, uma anomalia na CP ou um abraço presidencial.
Como diria um amigo meu, as nossas televisões são uma boa porcaria e oferecem-nos diariamente um espectáculo demasiado ridículo e manhoso.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

O “milagre” de Carlos Tavares na Opel

A última edição do jornal económico francês La Tribune publica na sua primeira página a fotografia do gestor português Carlos Tavares e destaca em título “la méthode Tavares que a sauvé Opel”.
Nas páginas interiores, o jornal inclui um artigo intitulado “Opel: autópsia de um espectacular salvamento industrial”, no qual salienta que ninguém esperava uma tão rápida recuperação da Opel, uma marca que desde 2000 até ao Verão de 2017, quando foi vendida pela General Motors à PSA, tinha perdido cerca de 15 mil milhões de euros. Em entrevista ao jornal, Carlos Tavares explicou que o plano que aplicou à Opel foi exactamente o mesmo plano que tinha aplicado na PSA, quando em 2014 assumiu a sua presidência, isto é, reduzir custos fixos, reduzir custos variáveis e melhorar os preços de venda para aumentar as receitas. Ora isto é o que está nos mais elementares livros de Economia e não se percebe como não é aplicado em todas as empresas em dificuldades, nomeadamente em Portugal.
Porém, Carlos Tavares esclarece que não tem sido fácil a sua tarefa, pois tem obrigado a aposentações antecipadas, despedimentos por acordo mútuo e duras negociações com os sindicatos. Paralelamente, os novos modelos foram adaptados às necessidades do mercado e as economias de escala entre as diferentes marcas do grupo têm aumentado, enquanto em menos de um ano, a margem operacional passou de -2,5% para 5%.
O “milagre” de Carlos Tavares não passou ao lado do mercado financeiro e na terça-feira, dia 24 de Julho, os títulos da PSA subiram quase 10%.
Que pena não termos muitos Tavares destes em Portugal…

terça-feira, 5 de junho de 2018

Mais um caso de pouca vergonha

As manchetes dos jornais destinam-se a chamar a atenção das pessoas, a suscitar o seu interesse e a fazer com que comprem os jornais. Têm, quase sempre, uma certa dose de sensacionalismo e, por vezes, nem sequer correspondem a factos verdadeiros e não passam de meras especulações. Porém, como diria o poeta António Aleixo, “para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade”. Nesse sentido, mesmo as mais sensacionalistas manchetes têm sempre qualquer coisa de verdade e, por isso, a repetida frase que nos diz que uma imagem vale mais que mil palavras, bem pode dar origem a uma curiosa derivação e talvez possamos passar a dizer que uma manchete vale mais do que mil palavras. 
Isto vem a propósito da manchete da edição de hoje do jornal i que vem dizer-nos que as ajudas aos bancos custaram o equivalente a 23 Pontes Vasco da Gama. Ficamos absolutamente arrepiados com essa informação e com essa pouca vergonha, só possível pelas cumplicidades e pela promiscuidade que tem havido entre a Banca e a Política. Sabemos que a banca arranjou muitos empregos aos políticos e aos protegidos dos políticos, que distribuiu milhões em dividendos aos accionistas e outros tantos milhões em remunerações e prémios aos seus incompetentes ou desonestos gestores que continuam a andar por aí. Sabemos como os quadros superiores da banca continuam a disfrutar de benesses e mordomias como mais nenhum outro sector de actividade usufrui em Portugal. E, no entanto, nada muda e vivemos nesta angustiante realidade em que os contribuintes pagam os prejuízos da banca, enquanto ela absorve os lucros que tem e que não tem.
É ou não é uma pouca vergonha?

sábado, 12 de maio de 2018

A China e o seu apetite pela ex-lusa EDP

A EDP – Energias de Portugal é uma grande empresa do sector energético com actividade ao nível da produção, distribuição e comercialização de electricidade, e comercialização  de gás que nasceu em 1976 como resultado da fusão de 14 sociedades exploradoras do serviço público de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica que tinham sido nacionalizadas no dia 15 de Abril de 1975.
A empresa cresceu, diversificou actividades e em 1996 iniciou um processo de internacionalização que teve como contrapartida a privatização de uma parte do seu capital, numa altura em que as privatizações estavam na moda. Foram então alienados 30% do capital da empresa numa operação em que a procura superou a oferta em mais de trinta vezes e que foi considerada como um sucesso do chamado capitalismo popular, pois cerca de 800 mil portugueses tornaram-se accionistas da EDP. Depois, sucedeu-se a privatização de outras fatias do capital social, embora se mantivesse o controlo do Estado até que, em 2011, os direitos especiais do Estado ou golden share  foram eliminados por imposição da troika que por aí andou.
Nessa altura, uma empresa estatal chinesa - China Three Gorges Corporation  - assegurou a maioria do capital da sociedade, na qual cerca de 40% são controlados por estados ou capitais estrangeiros, designadamente dos Estados Unidos, de Espanha, Holanda, Argélia, Qatar, Abu Dhabi e Noruega.
A EDP é um nó na garganta para muitos portugueses que não compreendem como é possível que a maior empresa portuguesa possa estar nas mãos e servir interesses do capital estrangeiro, gerando enormes lucros para os seus accionistas chineses, americanos, espanhóis e outros.
Agora apareceu um outro grupo chinês a querer comprar toda a EDP e fez uma (quase) irrecusável Oferta Pública de Aquisição (OPA) de 7.700 milhões de euros, que não é mais do que uma verdadeira aposta estratégica da China na "conquista" da Europa e não no desenvolvimento do nosso pequeno Portugal do Mexia, do Catroga e dos amigos que estão com eles nos cadeirões da EDP.
O curioso é que esta OPA é mais noticiada em Espanha, sobretudo nos jornais das Astúrias onde a EDP tem interesses, do que no nosso Portugal.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

As boas notícias e o mau jornalismo

Penso que não exagero quando afirmo que a generalidade do jornalismo e da imprensa portuguesa estão a atingir patamares insuportáveis de mediocridade, de incompetência e de crescente alinhamento com interesses partidários e de outra natureza. O dever de informar com isenção e rigor está a deixar de ser a norma e os gatekeepers ou os editores parecem não perceber a sua função.
Ontem, no Fórum Económico Mundial que decorre em Davos, o primeiro-ministro António Costa anunciou que a multinacional norte-americana Google vai instalar em Oeiras a partir de Junho, um centro de serviços e hub tecnológico para a Europa, Médio Oriente e África, que criará de imediato cerca de 500 empregos altamente qualificados, sobretudo engenheiros.
A decisão resultou de uma competição internacional muito dura porque havia muitos candidatos a querer atrair o investimento da Google e, por isso, Paddy Cosgrave, o fundador da Web Summit, foi um dos primeiros a congratular-se com a decisão, enquanto por cá apenas Isaltino Morais se congratulou com a notícia.
É certo que nestas coisas é de boa prudência esperar para ver porque já se viu  que algunas vezes "a montanha pariu um rato", mas num país periférico e carente de investimento que crie emprego qualificado, a notícia é relevante e não pode deixar ninguém indiferente. Porém, o facto é que só o Diário de Notícias se referiu ao assunto num canto “escondido” da sua primeira página e que nenhum outro jornal a destacou, preferindo escolher títulos irrelevantes. Lamentável ou talvez um caso de má fé. Começamos a ficar habituados a uma imprensa da treta, que não se cansa de falar em Tancos e na legionella, mas que não enfatiza a redução progressiva e acentuada do défice, a redução da dívida, a antecipação de pagamentos ao FMI, a melhoria dos ratings das agências de notação financeira ou os novos investimentos estrangeiros em Portugal. É mesmo muito lamentável.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Bima Suci: o novo navio-escola indonésio

Na ria de Vigo, a pouco mais de trinta quilómetros da fronteira portuguesa, os estaleiros Construcciones Navales Paulino Freire, SA, preparam-se para entregar à Marinha da Indonésia o seu novo navio-escola Bima Suci.
Este novo veleiro de 110 metros de comprimento e 13,5 metros de boca tem três mastros, arma em barca e terá 3.350 metros quadrados de superfície vélica. Segundo as informações que foram divulgadas, o navio dispõe das mais modernas tecnologias e os seus alojamentos confortáveis, ou mesmo luxuosos, poderão receber 200 elementos, entre tripulantes e cadetes embarcados, mas o navio também vai servir de “embaixada flutuante” destinada a promover o país.
O imponente veleiro substituirá o Dewaruci, o pequeno navio-escola de 58 metros que serviu a Marinha indonésia nos últimos 64 anos para instruir os seus cadetes. O contrato de construção atingiu um valor de cerca de 70 milhões de euros e resultou de um concurso internacional em que participaram outros estaleiros espanhóis, mas também polacos e holandeses, tendo assegurado dois anos de trabalho a 300 pessoas.
Na sua edição de hoje o jornal Faro de Vigo destaca com uma fotografia de capa o escultor galego José Molares a dar os últimos retoques na escultura do deus Bima Suci, que deu o nome ao navio e que foi colocada como carranca na proa do navio onde, como sugere a tradição náutica, afastará os maus espíritos e acalmará as tempestades.
Entretanto, decorrem na ria de Vigo as provas de mar do navio que têm sido especialmente apreciadas (e fotografadas), porque não é habitual ver uma tão grande superfície vélica naquela ria, pois tem 200 metros quadrados a mais do que o navio-escola espanhol Juan Sebastian Elcano... e 1.415 metros quadrados mais que o navio-escola Sagres, cuja superfície vélica é de 1.935 metros quadrados.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Afinal ainda há bons gestores portugueses

Foi anunciado que o grupo francês PSA cujas marcas são a Peugeot e a Citroën e que é liderado pelo gestor português Carlos Tavares, comprou à General Motors as suas marcas Opel e Vauxhall, tornando-se a seguir à Volkswagen, o segundo maior grupo automóvel europeu com uma quota de mercado de 17% e com cerca de 17.700 milhões de euros de vendas para as suas marcas.
Desde há muito tempo que nos habituamos a ver chineses e indianos na primeira linha destes negócios e por isso a notícia surpreendeu. A segunda surpresa desta notícia é o facto de ser um português a liderar esta operação que custou 2.200 milhões de euros e que, além da compra da actividade produtiva da Opel e da Vauxhall, inclui também as operações da sucursal financeira da General Motors na Europa.
As expectativas são altas porque Carlos Tavares é apontado como sendo o maior responsável pela recuperação do grupo PSA que, há bem pouco tempo, acumulava prejuízos e tinha o seu futuro muito incerto. Por isso, todos acreditam em Carlos Tavares e nas suas opções de gestão para recuperar a marca Opel que acumulou 15 anos consecutivos de prejuizos: redução de postos de trabalho, congelamento de salários, economias de escala, eliminação de modelos não rentáveis e entendimento com os sindicatos.
Não deixa de ser curioso que a poderosa General Motors, um dos símbolos do poder económico americano, "atire a toalha ao chão" depois de tantos anos de perdas.
O jornal La Tribune, assim como imprensa económica francesa e espanhola, aplaudiu esta operação de Carlos Tavares que, se correr bem, combinará crescimento e rentabilidade. Afinal, ainda há bons gestores portugueses. É pena que andem lá por fora, porque fazem muita falta por cá.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Dinamismo e vontade geram investimento

Apesar da imprensa portuguesa andar distraída e não mostrar interesse nos surpreendentes resultados económicos positivos do ano de 2016, sobretudo no que respeita à redução do défice público, à contenção da dívida externa, à redução do desemprego e ao crescimento económico, houve quem tivesse salientado a grande quebra no investimento como aspecto negativo. Porém, todos deveriam saber, incluindo a oposição ao actual governo, que as intenções de investimento dos agentes económicos não dependem da vontade dos governos e que requerem tempo para que os agentes económicos realizem estudos de vária ordem para preparar a tomada de decisões.
Hoje, ao folhearmos o Faro de Vigo, fomos confrontados com a notícia de que irão ser investidos 430 milhões de euros no porto de Leixões para melhorar a sua competitividade e para o converter no porto de referência do noroeste peninsular. Segundo diz o jornal na sua primeira página, "o governo luso lança-se na liderança da região galaico-portuguesa".
Esse investimento decorrerá até 2026, prevê a construção de um novo terminal de contentores para duplicar a actual capacidade disponível e, em termos financeiros, utilizará fundos públicos, contributos comunitários e uma forte participação da iniciativa privada. É realmente um grande investimento que irá dinamizar a região norte do nosso país. Recorde-se que em Julho de 2015 foi inaugurado o novo Terminal de Cruzeiros que, além de ser uma notável obra de arquitectura assinada pelo Arquitecto Luís Pedro Silva, também fez aumentar em cerca de 50% o número de navios de cruzeiro e de turistas que visitaram Leixões. Significa que, nestas coisas do investimento, o papel dos governos é importante mas não é suficiente, como se vê neste caso em que tudo resulta do dinamismo e do entusiasmo da APDL. Viva a APDL!