segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ucrânia celebra 35 anos de independência

A Ucrânia celebra hoje o 35º aniversário da sua independência – o que aqui se saúda. 
A independência foi declarada pelo parlamento ucraniano no dia 24 de agosto de 1991 e aconteceu na sequência da perestroika, um plano de reforma estrutural da União Soviética conduzido por Mikhail Gorbachev que, quatro meses depois, renunciou ao seu cargo de presidente. Em 1990 Gorbachev tinha sido distinguido com o Prémio Nobel da Paz e, depois da "guerra fria", esperava-se que houvesse desanuviamento, cooperação e paz.
O que se passou depois, tanto na antiga União Soviética, como nas suas duas principais ex-repúblicas da Rússia e da Ucrânia, é complexo e não se enquadra na análise do evento que hoje se celebra em Kiev que, como a história nos ensina, é uma cidade que é o berço cultural comum para ucranianos, bielorrussos e russos.
Entretanto, durante alguns anos, a Rússia e a NATO aproximaram-se, estabeleceram estruturas de cooperação e chegou a ser equacionada a integração russa na NATO. Porém, os violentos acontecimentos de 2014 na Praça Maidan, em Kiev, embora tenham contornos ainda desconhecidos, marcaram o futuro político da Ucrânia e a crescente polarização entre as forças sociais e políticas ucranianas, tanto pró-Europa como pró-Rússia.
Hoje, sabemos que há uma guerra desde 2022, ou mesmo desde 2014, que é quase uma guerra civil; que essa guerra tem levado a morte e a destruição a muitas cidades ucranianas; que há muita gente na Rússia que se opõe a Putin e à guerra; que há muita gente na Ucrânia que se opõe a Zelensky e à guerra; que circula muita notícia falsa e muita desinformação; que há narrativas de suporte a todas as conveniências; que quase metade dos europeus (39%), segundo a última edição do Eurostat, discorda do apoio à Ucrânia para aquisição de equipamento militar; que estão a ser gastos biliões de euros em armamento que são pagos pelos contribuintes e pelos consumidores europeus e que estão a engordar os lucros das indústrias de guerra.
Como aqui sempre foi salientado, nunca haverá vencedores nesta guerra e todas as partes perderão, sobretudo o povo ucraniano, que merece toda a solidariedade.
Hoje, o jornal polaco Gazeta Wyborcza, que se publica em Varsóvia, assinala o 35º aniversário da independência da Ucrânia com a manchete Wolności i pokoju que, traduzido, significa Liberdade e paz.
Hoje, também os líderes europeus visitaram Kiev, mas pouco falaram de paz e continuaram a alimentar a guerra ao prometerem mais dinheiro e mais armamento.
António Costa afirmou mesmo que, no conflito entre Moscovo e Kiev, ou entre Putin e Zelensky, a Europa não é neutra. Porém, deveria ser neutra, mediadora, pacificadora e, naturalmente, um árbitro capaz.