A Ucrânia celebra
hoje o 35º aniversário da sua independência – o que aqui se saúda.
A independência
foi declarada pelo parlamento ucraniano no dia 24 de agosto de 1991 e aconteceu
na sequência da perestroika, um plano
de reforma estrutural da União Soviética conduzido por Mikhail Gorbachev que, quatro
meses depois, renunciou ao seu cargo de presidente. Em 1990 Gorbachev tinha
sido distinguido com o Prémio Nobel da Paz e, depois da "guerra fria", esperava-se que houvesse desanuviamento, cooperação e paz.
O que se passou
depois, tanto na antiga União Soviética, como nas suas duas principais
ex-repúblicas da Rússia e da Ucrânia, é complexo e não se enquadra na análise
do evento que hoje se celebra em Kiev que, como a história nos ensina, é uma
cidade que é o berço cultural comum para ucranianos, bielorrussos e russos.
Entretanto,
durante alguns anos, a Rússia e a NATO aproximaram-se, estabeleceram estruturas
de cooperação e chegou a ser equacionada a integração russa na NATO. Porém, os violentos
acontecimentos de 2014 na Praça Maidan, em Kiev, embora tenham contornos ainda desconhecidos,
marcaram o futuro político da Ucrânia e a crescente polarização entre as forças
sociais e políticas ucranianas, tanto pró-Europa como pró-Rússia.
Hoje, sabemos que
há uma guerra desde 2022, ou mesmo desde 2014, que é quase uma guerra civil; que
essa guerra tem levado a morte e a destruição a muitas cidades ucranianas; que
há muita gente na Rússia que se opõe a Putin e à guerra; que há muita gente na
Ucrânia que se opõe a Zelensky e à guerra; que circula muita notícia falsa e muita
desinformação; que há narrativas de suporte a todas as conveniências; que quase metade dos europeus (39%), segundo a última edição do Eurostat, discorda do apoio à Ucrânia para aquisição de equipamento militar; que estão
a ser gastos biliões de euros em armamento que são pagos pelos contribuintes e
pelos consumidores europeus e que estão a engordar os lucros das indústrias de
guerra.
Como aqui sempre
foi salientado, nunca haverá vencedores nesta guerra e todas as partes perderão,
sobretudo o povo ucraniano, que merece toda a solidariedade.
Hoje, o jornal
polaco Gazeta Wyborcza, que se publica em Varsóvia, assinala o 35º
aniversário da independência da Ucrânia com a manchete Wolności i pokoju que, traduzido, significa Liberdade e paz.
Hoje, também os líderes europeus
visitaram Kiev, mas pouco falaram de paz e continuaram a alimentar a guerra ao prometerem
mais dinheiro e mais armamento.
António Costa afirmou mesmo que, no conflito entre Moscovo e Kiev, ou entre Putin e Zelensky, a Europa não é neutra. Porém, deveria ser neutra, mediadora, pacificadora e, naturalmente, um árbitro capaz.
