O Reino de
Espanha inclui no seu território as cidades de Ceuta e de Melilla, que se
situam na costa norte de África e que estão encravadas entre o mar Mediterrâneo
e o Reino de Marrocos. Distam entre si cerca de 225 quilómetros, têm áreas semelhantes
da ordem da dezena e meia de quilómetros quadrados, têm ambas cerca de 80 mil
habitantes e, desde 1995, têm o estatuto de cidades autónomas de Espanha, sendo
as únicas fronteiras terrestres da União Europeia no continente africano.
Ceuta foi conquistada
em 1415 pelo rei D. João I de Portugal e em 1640, depois da dissolução da União
Ibérica, a cidade optou por ficar ligada a Espanha. Melilla foi ocupada em 1497
pelos exércitos dos Reis Católicos, durante o período da reconquista cristã,
depois de já terem expulso os
marroquinos de Granada e da Andaluzia.
Quando o Reino de
Marrocos se tornou independente em 1956, as duas cidades continuaram sob soberania
espanhola, mas não demorou muito tempo para que Marrocos começasse
a reclamar a sua soberania sobre os dois enclaves espanhóis com base em
direitos históricos, mas o governo da Espanha tem recusado qualquer negociação
e tem reafirmado que os territórios são intocáveis, o que gera alguma tensão
entre os dois reinos.
A “invasão” de
Ceuta ocorrida entre os dias 30 e 31 de julho de 2026, veio colocar o problema na ordem
do dia, com um ministro marroquino a defender a “libertação” dos enclaves
espanhóis numa cerimónia presidida pelo rei Mohamed VI, ao mesmo tempo que o
governo espanhol endurecia o seu discurso com a ministra da Defesa a afirmar
que as cidades autónomas “são Espanha” e são “intocáveis”. O assunto despertou
o nacionalismo espanhol e têm sido realizadas muitas manifestações populares a
defender a soberania espanhola sobre as duas cidades.
Hoje, a edição do jornal Melilla Hoy, anuncia que a cidade
“se prepara para vivir un dia para la Historia: los Reyes Don Felipe y Doña
Letizia visitarán la ciudad el 14 de octubre”.
Aí está como a
Monarquia espanhola não hesita em tomar posição e dá o seu contributo para o reforço da unidade e da coesão espanholas,
em tempos que podem ser complexos.


