Todos os anos, nos primeiros dias de
outubro, gera-se um ambiente de alguma ansiedade nos meios científicos e
culturais em torno da atribuição dos Prémios Nobel, que foram instituídos em
1895 pelo cientista sueco Alfred Nobel e que distinguem pessoas ou instituições
que pesquisaram, descobriram ou contribuíram para o “maior benefício da Humanidade”.
Os prémios são estabelecidos em seis categorias – Física, Química, Economia,
Medicina, Literatura e Paz – sendo atribuídos pela Academia Real das Ciências
da Suécia e outras instituições suecas, embora o Prémio Nobel da Paz seja
concedido pelo Comité Norueguês do Nobel. Por circunstâncias diversas, a
escolha dos laureados com os Prémios Nobel da Literatura e da Paz é a que
desperta mais interesse e maiores expectativas.
O
Prémio Nobel da Paz de 2026 foi ontem atribuído a Navanethem
"Navi" Pillay, uma jurista sul-africana de origem indiana de 85 anos
de idade, que foi juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, Alta-comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, presidente de uma
comissão de inquérito da ONU que concluiu que as autoridades israelitas são responsáveis
por crimes contra a Humanidade na Faixa de Gaza e que, actualmente, é juíza no
Tribunal Internacional de Justiça, no caso em que Myanmar é acusado de
genocídio. A notícia ocupou a primeira página do jornal The Japan Times, mas
parece não ter interessado a generalidade da imprensa internacional, o que não
admira.
O Comité Norueguês do Nobel descreveu a laureada como uma pessoa
de "coragem e integridade excepcionais", com "firme compasso
moral" ao longo da sua carreira, que "abriu caminho para uma ordem
jurídica global mais abrangente" e "desempenhou um papel fundamental
para garantir que os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o
genocídio são processados". As mensagens de elogio à escolha e de
felicitações à escolhida chegaram de todo o mundo, excepto de Israel e dos
Estados Unidos.
Donald Trump, meteu a viola no saco mais uma vez e, à sua maneira
vingativa, poucas horas depois do anúncio oficial da decisão tratou de retaliar,
impondo sanções ao Tribunal Penal Internacional, enquanto Marco Rubio, o seu
ajudante e promotor de vendas de aviões, ameaçou que os Estados Unidos
“acabarão com o TPI”.
O Prémio Nobel da Paz ficou com quem a defende e não é para quem a
perturba.

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