quarta-feira, 4 de março de 2015

O drama humanitário da imigração ilegal

Embora o drama humanitário da imigração ilegal que atravessa o Mediterrâneo venha sendo muito divulgado pelos meios de comunicação, poucas fotografias serão tão expressivas como aquela que é hoje publicada na edição do diário Le Figaro, que ilustra bem o que tem sido essa aventura das pessoas que procuram um futuro melhor na Europa. De entre as várias rotas que conduzem ao espaço europeu, a mais utilizada está a ser a Rota do Mediterrâneo Central, cuja porta de entrada é o sul da Itália e que, só no passado ano de 2014, terá sido utilizada por mais de 200 mil imigrantes ilegais que tentaram chegar à Europa em pequenas embarcações, sem quaisquer condições de segurança e à mercê de traficantes sem escrúpulos, vindo a traduzir-se em pelo menos 3419 mortes.
Ao longo do milenar processo histórico que moldou a nossa civilização, o Mediterrâneo desempenhou sempre um papel determinante, tendo sido uma área privilegiada de contactos culturais e relações comerciais, mas também de confrontos de natureza diversa. Nas suas margens floresceram muitas das antigas civilizações, nomeadamente a egípcia, a fenícia, a grega e a cartaginesa, mas sobretudo a civilização romana que lhe chamou o mare nostrum. Até aos nossos dias, o Mediterrâneo continuou a ser um ponto de confluência de muitos interesses e um quase centro do mundo, mas nos últimos anos é a sua utilização pelos fluxos migratórios ilegais que mais tem chamado a atenção. Esse fluxo está associado às recentes perturbações políticas da margem sul e oriental do Mediterrâneo e às suas regiões vizinhas, tendo-se acentuado depois das “primaveras árabes” e, mais recentemente, com a grave situação que se vive na Síria e na Líbia. Por razões humanitárias a Itália empenhou-se na operação Mare Nostrum que desde Outubro de 2013 salvou mais de 100 mil pessoas, mas em Novembro de 2014 iniciou-se a operação Tritão, vocacionada para o policiamento, com financiamento europeu e coordenação do Frontex, a agência europeia de gestão da cooperação operacional nas fronteiras comunitárias, na qual estão envolvidos diversos países, entre os quais Portugal. De qualquer forma, esta imigração está  a ser um drama humanitário que continua sem respostas apropriadas.