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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Espanha mostra-se solidária com Ceuta

O caso de Ceuta já tem mais de um mês e continua a suscitar muitas interrogações sobre o que aconteceu, ou como foi possível que 80.000 pessoas “invadissem a cidade numa noite”. São conhecidas diversas teses sobre este caso e, embora Pedro Sánchez tenha excluído as responsabilidades de Marrocos e acusasse Israel, a Rússia e a extrema-direita, o facto é que Marrocos, bem como alguns dos seus “amigos”, parecem estar envolvidos nesta operação.
É caso para perguntar: quem quer retirar Ceuta à soberania espanhola e quem será que quer desforrar-se da independência de Pedro Sánchez? Sánchez é uma persona non grata para muita gente, porque tem carácter e pensamento próprio, reconheceu o Estado da Palestina e não pactua com os crimes israelitas em Gaza e na Cisjordânia, recusou a utilização das suas bases pelos Estados Unidos para atacar o Irão e rejeitou os ultimatos de Trump e do seu lacaio Mark Rutte quanto aos 5% do PIB em despesa militar.
Porém, o caso tem sido usado politicamente por vários membros da União Europeia para atacar Pedro Sánchez, mostrando uma grave falta de solidariedade que fragiliza ainda mais o projeto europeu, mas também pela oposição espanhola que aproveita esta oportunidade para atacar Sánchez, porque “esteve distraído” e “não foi capaz de resolver este problema".
Na passada 4ª feira realizaram-se grandes manifestações por toda a Espanha de “apoio a Ceuta” como território espanhol mas que, em alguns casos, também foram manifestações “contra Sánchez”, isto é, o apoio a Ceuta serviu de pretexto para a oposição atacar o governo. Essas manifestações “encheram” as capas de toda a imprensa espanhola, assim acontecendo com a edição de ontem do jornal Sur, el periódico de Málaga, em cuja fotografia de capa de vê, bem destacada, a bandeira gironada de oito peças de negro e prata, igual à bandeira de Lisboa, a lembrar que Ceuta foi portuguesa durante 225 anos!

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Marrocos e a cobiça sobre Ceuta e Melilla

Nos dias 30 e 31 de julho de 2026, cerca de 80.000 migrantes entraram em Ceuta a partir de Marrocos, a nado ou contornando as barreiras fronteiriças. Este número é equivalente à totalidade da população desta cidade autónoma espanhola, tendo o seu presidente Juan Jesús Vivas definido esta violação da fronteira como uma “invasão” e exigido o regresso imediato dos migrantes que eram, sobretudo, jovens marroquinos. O acontecimento tem contornos muito complexos, mas serviu para alimentar o discurso da oposição espanhola, o debate europeu sobre o combate ao tráfico de pessoas, a discussão sobre a proteção das fronteiras e, também, para algumas precipitadas críticas de alguns países europeus que não foram solidários com a Espanha nesta delicada questão.
Hoje o jornal El Pueblo de Ceuta traduz o sentimento da população da cidade ao destacar a frase “Ceuta dice hasta aquí”, que significa “Ceuta diz já chega”. No conjunto de imagens que ilustram a capa da edição pode observar-se um cartaz que diz "no quiero invasores, quiero mi libertad”, a mostrar que a "invasão" perturbou o quotidiano dos ceutences ou, como eles dizem, dos ceuties.
Na altura da referida “invasão” escrevemos que a ocorrência “não tem ar de ser espontânea e terá sido ‘organizada’ pelo governo marroquino”, mas alguns factos mais recentes evidenciam o inequívoco envolvimento do governo de Marrocos.
Há dois dias, o ministro dos Assuntos Islâmicos de Marrocos reivindicou a soberania marroquina sobre Ceuta e Melilla durante uma cerimónia religiosa realizada no Palácio Real de Rabat, perante o rei Mohamed VI e o príncipe herdeiro, tendo utilizado expressões como “territórios ocupados” e “libertação da ocupação ibérica”. Não foi a primeira vez, nem foi o único dignitário marroquino a fazer este tipo de declarações, a mostrar que Marrocos sobe de tom nas suas reivindicações sobre Ceuta e Melilla.
Afinal, mais do que um problema humanitário e de direitos humanos, a questão de Ceuta é um problema político.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Espanha atrai indústria automóvel chinesa

Como os portugueses sabem, sobretudo os mais velhos, desde que em 1999 se concretizou a transferência da administração portuguesa de Macau para a República Popular da China, que muitos dirigentes portugueses visitaram aquele território e trataram de fazer afirmações sobre a “plataforma privilegiada para negócios com a China”, ou para a “entrada de empresas portuguesas na Ásia e em particular na China” ou, ainda, assinalando o papel de Macau como “ponte económica e financeira estratégica entre a China e Portugal”. Alguns até utilizaram a expressão "porta giratória". Para esses dirigentes – e foram muitos – o território de Macau não era um espaço de memória cultural portuguesa mas, sobretudo, era um espaço de oportunidade e de privilégio comercial para a economia portuguesa, mas esses visionários esqueceram que a economia portuguesa não tem dimensão, nem escala, para “entrar na China”. Porém, poderia acontecer que a China utilizasse essa "ponte" ou essa "porta" para potenciar os seus negócios na Europa através de Portugal, mas não temos sido diligentes nem competentes e, assim, isso não tem acontecido.
A notícia que o jornal Negócios hoje divulga é demolidora, ao anunciar que “gigantes chineses avançam em força para fábricas de carros em Espanha”. De facto, a Espanha já conta com cinco fábricas chinesas de produção automóvel, em operação ou em projecto, localizadas ou a localizar, no Ferrol, Barcelona, Valência, Saragoça e Linares (Jaén). A economia espanhola agradece.
Qual será a razão por que os nossos “amigos” chineses escolhem a Espanha e ignoram Portugal? Há que concluir que o sacrifício de Tomé Pires, o boticário que em 1516 chefiou a primeira embaixada portuguesa ao imperador da China, de pouco valeu. Contudo, ainda há alguns construtores automóveis chineses em vias de decidir aumentar o seu investimento na Europa, designadamente a BYD que já produz os seus apreciados veículos eléctricos na Hungria e na Turquia...
Como nota final e segundo anuncia o jornal Negócios, actualmente a produção automóvel espanhola é de 2,3 milhões de unidades anuais, enquanto Portugal fabrica cerca de 300.000 automóveis por ano.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Ceuta, assalto all’Europa

O problema surgido com a “invasão” de Ceuta “obriga-nos a pensar”, como escrevemos no último texto que aqui publicamos pois tem interpretações muito diversas, embora seja evidente que não se tratou de um acto espontâneo de cerca de 60 mil pessoas, sobretudo jovens, que de repente decidiram abandonar Marrocos e entrar na cidade autónoma de Ceuta, historicamente território espanhol, mas que o reino de Marrocos reivindica como território marroquino. 
Naturalmente, alguém instrumentalizou muitos daqueles jovens que procuram uma vida melhor e cujos direitos humanos devem ser respeitados, mas o que se passou terá sido “organizado” com a participação das redes sociais e pode ter sido um ensaio patrocinado pelo governo marroquino para avaliar as reações espanhola e da União Europeia, mas também pode ter sido “um plano pérfido de Marrocos contra a União Europeia” como escreveu o jornal austríaco Kronen Zeitung.
Porém, o jornal italiano La Stampa, que se publica em Turim, escolheu como manchete da sua edição a frase “Ceuta, o assalto à Europa”, havendo também abundante noticiário internacional que liga o que aconteceu com as relações íntimas entre Donald Trump, Benjamin Netanyahu e o rei de Marrocos, insinuando que os serviços secretos destes países prepararam esta “invasão” para criar dificuldades a Pedro Sánchez, o único chefe de governo da União Europeia que teve a coragem de condenar Netanyahu e de contrariar Donald Trump, designadamente ao não aceitar as orientações do presidente americano e do seu lacaio Mark Rutte, para gastar 5% do PIB em despesas militares.
Ainda ninguém explicou, com verdade e credibilidade, o que realmente se passou, mas objectivamente foi um assalto à Europa, como salientou o diário La Stampa. Os acontecimentos de Ceuta são de uma enorme gravidade, são um aviso e um alerta para a soberania europeia, mas serviram apenas para evidenciar a decadência da Europa, para mostrar a fragilidade dos seus vaidosos líderes e para excitar os extremistas europeus e os seus ideais xenófobos.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

"Ceuta, invadida", obriga-nos a pensar

A pressão migratória sobre a Europa continua a ser muito intensa e esse é um dos temas políticos, económicos e humanitários mais complexos da actualidade, colocando desafios à gestão das fronteiras, à integração dos migrantes nas sociedades de acolhimento e à cooperação entre os diferentes estados-membros da União Europeia. 
Este movimento migratório tem raízes essencialmente económicas, mas também resulta do crescimento demográfico, de conflitos armados, de efeitos das alterações climáticas e de perseguição política ou religiosa, mas representa sempre uma fuga à pobreza, à fome e, de uma forma geral, às condições indignas em que vivem milhões de pessoas no mundo, esquecidas pelos ricos e poderosos que se vão ocupando a fazer guerras. A Grécia, a Itália e a Espanha são os destinos mais procurados pelos migrantes através do mar Mediterrâneo mas, actualmente, a rota do Mediterrâneo Ocidental parece ser a que está a ser mais usada e, por terra ou por mar, a cidade autónoma espanhola de Ceuta é um dos objectivos dos migrantes legais ou ilegais que querem entrar na Europa.
Nas últimas horas, segundo informaram as autoridades espanholas, cerca de 49.000 migrantes entraram no enclave de Ceuta em apenas 24 horas, a nado ou saltando vedações, havendo já o registo de 19 mortos. Este número de entradas representa um aumento de quase 50% na população da cidade que tem 83.600 habitantes, resultando numa pressão insustentável sobre alojamentos e alimentos, vendo-se muitas centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas, enquanto mais migrantes continuam a entrar no território. 
O jornal ABC diz hoje que Ceuta foi “invadida”, mas toda a imprensa espanhola se mostrou alarmada. E tem boas razões de alarme, porque se trata uma de violação da integridade territorial da Espanha e do espaço comunitário, que não tem ar de ser espontânea e terá sido "organizada" pelo governo marroquino. Esta situação vem provar quão irresponsáveis e incompetentes são os líderes europeus que continuam a assustar-nos com a ameaça russa e que não sabem o que são direitos humanos, nem que há outros tipos de ameaças ao nosso modo de vida e bem estar. 
Como dizia o Velho do Restelo no Canto IV d’Os Lusíadas, “deixas criar às portas o inimigo, por ires buscar outro de tão longe”.  Nem mais, nem menos.

sábado, 25 de julho de 2026

Espanha: el fuego nos está comiendo!

Como aqui se referiu recentemente, as alterações climáticas já não são uma ameaça distante, porque são uma evidência do nosso tempo. Essa realidade está hoje patente em Espanha, sobretudo nas regiões de Madrid e Ávila, onde estão a acontecer alguns dos maiores fogos florestais que alguma vez ali ocorreram, o que levou o governo espanhol a declarar, pela primeira vez em democracia, a situação de emergência nacional.
Estão contabilizadas mais de 63 mil pessoas desalojadas ou evacuadas das zonas mais críticas, mas também há alguns milhares de pessoas que estão confinadas nas suas povoações. A preocupante situação levou o governo espanhol a acionar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, pelo que alguns aviões de combate a incêndios gregos e italianos já estão a reforçar as operações de combate.
Toda a imprensa espanhola destaca a gravidade da situação por que passa o país e, na sua edição de hoje, o diário La Razón publica uma expressiva fotografia dos incêndios e, como manchete, escolheu a frase “el fuego nos está comiendo”.
Apesar de estar a ser combatido por muitos meios, o fogo não tem sido travado e configura uma situação de “tempestade perfeita”, porque está a ser alimentado por uma combinação de temperaturas muito altas, ventos fortes e variáveis e, também, por uma vegetação abundante e muito seca.  
Há sete anos, a revista TIME escolheu António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, para capa da sua edição de 24 de junho de 2019, vestido de fato e gravata e água pelos joelhos, a alertar para as consequências das alterações climáticas. Disse então que o combate contra as alterações climáticas era “a batalha das nossas vidas” e essa tem sido uma das bandeiras do seu mandato. O mundo não lhe deu ouvidos, mas ele tinha razão.
Definitivamente parece ser a altura de todos darmos mais atenção a este problema das alterações climáticas e sermos mais exigentes com quem nos governa.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Mundial de futebol… e que viva a Espanha!

A Espanha venceu a Argentina na final do Mundial ontem disputada em East Rutherford, New Jersey e hoje toda a imprensa espanhola, mas também alguma imprensa internacional, destacam essa notícia acompanhada pela fotografia dos campeões. 
O diário monarquista madrileno La Razón, publicou como manchete a frase “Espanã, el mejor equipo del mundo” e parece ter sido o único jornal que escolheu uma fotografia para ilustrar a edição em que os novos campeões do mundo estão com os reis de Espanha e se vê a alegria com que Filipe VI segura a Taça do Mundo.
Provavelmente, a Espanha é a melhor equipa do mundo e os seus jogadores correram sempre mais do que os seus adversários. Ultrapassaram Cabo Verde (0-0), Arábia Saudita (4-0), Uruguai (1-0), Áustria (3-0), Portugal (1-0), Bélgica (2-1) e França (2-0). Sofreram apenas um golo e chegaram à final para defrontar Lionel Messi e os seus companheiros argentinos que, embora talentosos e fazendo uso de habilidades diversas, foram vulgarizados pela ambição espanhola.
Parabéns à Espanha que festejou euforicamente esta vitória, mas parece que Portugal também se associou a essa grande festa.
A equipa portuguesa perdeu uma boa oportunidade para brilhar neste Mundial apesar do apoio presencial que teve do primeiro-ministro, mas esse é um tema para ser tratado pelos especialistas. O que não pode passar em claro é o feito caboverdiano por ter sido o único adversário que não foi vencido pelos espanhóis. Agora que venha o descanso. 
Foi futebol a mais, foi um exagero de notícias e um insuportável corrupio de comentadores nas nossas televisões. Safa!, como se diria em Boliqueime!
… e que viva a Espanha!

sábado, 13 de junho de 2026

A Espanha recebeu Leão XIV em euforia

No dia 21 de abril de 2025 foi anunciado o falecimento do Papa Francisco aos 88 anos de idade e 17 dias depois, no dia 8 de maio, os cardeais reunidos em Conclave elegeram Robert Francis Prevost como o 267º Papa da Igreja Católica, que escolheu o nome de Leão XIV. Como quase sempre acontece, esta escolha dos cardeais foi uma surpresa e na sua biografia, que rapidamente foi publicada pelo jornalista Christophe Henning, o novo Papa foi classificado como “o Sucessor Inesperado”.
O Cardeal Robert Prevost é americano e era pouco conhecido.
Durante os primeiros meses do seu pontificado, o Papa Leão XIV foi muito discreto, mas em novembro realizou a primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano, depois esteve um dia no Mónaco e seguiu-se uma longa viagem à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Nessas viagens falou de paz, criticou a guerra e apelou à reconciliação, o que não agradou ao seu compatriota Donald Trump que o criticou. Porém, o Papa declarou não ter medo do governo de Trump e com essa corajosa declaração mostrou que o Papa e a Igreja Católica são confiáveis.
Agora, entre 6 e 12 de junho, o Papa realizou uma importante viagem apostólica a Espanha com passagens por Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canaria e Santa Cruz de Tenerife, tendo levado consigo uma mensagem de união para toda a Espanha, enquanto importante país de maioria católica, mas também a afirmação do direito dos migrantes a serem tratados com dignidade, tendo inaugurado a imponente torre central da Basílica da Sagrada Família em Barcelona.
Toda a imprensa espanhola acompanhou a visita do Papa Leão XIV e a euforia com que foi recebido, mas o jornal El Día de Santa Cruz de Tenerife publicou uma edição especial alusiva à sua passagem pela ilha de Tenerife, que foi a primeira visita realizada por um Papa àquela ilha e que aconteceu no dia 12 de junho de 2026.

terça-feira, 2 de junho de 2026

A China vai fabricar automóveis na Galiza

A partir de 2028 a conhecida marca MG vai voltar a produzir automóveis na Europa e escolheu a Galiza para localizar a sua fábrica, segundo informou a edição de hoje do centenário jornal La Voz de Galicia, que se publica na cidade de La Coruña. Trata-se de um investimento de 200 milhões de euros, que criará 2.300 postos de trabalho e terá uma produção de 120.000 automóveis por ano.
A MG foi fundada em 1924 no Reino Unido, mas em 2005 foi adquirida por uma sociedade chinesa e passou a ter a sua sede na China, mas em 2007 foi comprada pelo grupo SAIC Motor (Shanghai Automobile Industry Corporation), o gigante chinês da indústria automóvel. Em 2016 deixou de produzir automóveis no Reino Unido, apesar de ter mantido a matriz britânica nos seus automóveis e de estar muito presente no mercado europeu, embora passasse a utilizar a engenharia de ponta chinesa.
A decisão da localização deste importante investimento chinês na Galiza, certamente ponderou todas as variáveis que determinam este tipo de escolhas, que vão desde o preço do terreno e das acessibilidades, até à existência de um bom porto (Ferrol), passando pela qualidade da mão-de-obra disponível, fiscalidade e ambiente político, entre muitos outros, incluindo a persuasão/pressão das autoridades locais e as contrapartidas que estas oferecem ao investidor. 
Portugal parece que ficou a ver navios. Porém, sempre ouvimos dizer que Macau era uma porta giratória para o investimento chinês em Portugal e até temos a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, responsável pelo acolhimento de projectos de investimento estrangeiro, para o que dispõe de cerca de 500 funcionários e um orçamento de 547 milhões de euros em 2025.
Palavras para quê?

domingo, 3 de maio de 2026

Sagrada Família: uma obra com 144 anos!

O Temple Expiatori de la Sagrada Família, ou simplesmente Sagrada Família, é um grande templo católico em construção em Barcelona, que foi desenhado pelo arquitecto catalão Antoni Gaudi e que foi iniciado em 1882, isto é, está em construção há 144 anos. Com a recente instalação da parte mais alta da cruz que mede 17 metros de altura e 13,5 metros de largura, o templo passa a ter 172,5 metros, tornando-se a construção mais alta de Barcelona e a igreja mais alta do mundo.
A longa duração da construção resulta do seu financiamento resultar de doações e venda de ingressos, mas também da complexidade da obra com três fachadas principais e 18 torres, entre outras circunstâncias incluindo a guerra civil de Espanha,
No próximo dia 10 de junho – dia em que se evocam 100 anos da morte de Gaudi – o Papa Leão XIV irá abençoar a Torre de Jesús, a última a ficar concluída. A visita papal e o avanço da obra despertaram o interesse de todos os espanhóis, mas também dos mass media internacionais. O jornal La Vanguardia que se publica em Barcelona publicou uma extensa reportagem da jornalista Sara Sans sobre o entusiasmo que a visita do Papa está a suscitar e refere que a lotação da basílica “está esgotada” até essa data, o que supera todas as expectativas. Essa reportagem anuncia, também, que no ano passado “entraron en el interior de la basilica 4,87 millones de visitantes (un 89% extranjeros), lo que se tradujo en unos ingressos de 130 millones de euros”.
A Sagrada Família é, de facto, um caso único no mundo.

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Feira de Sevilha já anima a Andaluzia

A Feira de Sevilha é uma das festas mais internacionais e populares das famosas festividades espanholas e começa hoje à noite com o Alumbrado, ou iluminação de mais de 28 mil  lâmpadas coloridas do recinto de Los Remedios e da sua entrada principal, ou Portada, que tem cerca de 50 metros de altura e todos os anos é diferente. Hoje, a edição de Sevilha do diário ABC tem como legenda a frase “hoje e sempre” e publica em primeira página a fotografia da Portada, que este ano é “dedicada al Pabellón de Portugal”.
Até ao dia 26 de abril a cidade de Sevilha vai viver para a feira e receber muitos milhares de visitantes, com muita música, dança, gastronomia e animados convívios de familiares e amigos em tendas coloridas, enquanto as pessoas se passeiam em ricas carruagens pelas avenidas principais da cidade e usam trajes típicos da Andaluzia, isto é, os homens com roupas tradicionais do campo e as mulheres com trajes flamencos ou ciganos. Durante o dia, centenas de amazonas e cavaleiros passeiam a cavalo pelo recinto da feira e, o turista mais abonado ou mais interessado, também pode alugar um cavalo. Um outro elemento essencial da festa são as corridas de touros na Plaza de Toros de la Maestranza com um programa diário que atrai milhares de aficionados, embora este ano esteja prejudicado pela colhida do famoso matador Morante de la Puebla, acontecida ontem na corrida de abertura da feira e que o jornal ABC e outros jornais relatam com fotografia em primeira página.
A Feria de Sevilla é uma grande festa que atrai muitos portugueses e é uma das grandes celebrações do país vizinho.

domingo, 19 de abril de 2026

Pedro Sánchez, o novo superstar europeu

A cidade de Barcelona assistiu ontem a uma cimeira progressista “em defesa da Democracia” em que, para além de outros dirigentes internacionais, se destacou a presença de Lula da Silva, que disse que “nenhum país, por maior que seja, tem o direito de impor regras aos outros”, e de Pedro Sánchez, que afirmou que “não basta resistir, temos de propor”. 
A cimeira visou a constituição de uma frente internacional das esquerdas e dos centro-esquerdas mundiais contra Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas também contra os outros líderes da extrema-direita que são seus aliados. Na sua edição de hoje o jornal El País destacou este acontecimento em primeira página e transcreve algumas das declarações produzidas durante a cimeira.
- “Gracias por haber salvado el alma de Europa”, disse Giacomo Filibeek, o secretário-geral do Partido Socialista Europeu;
- “Gracias Pedro por tu liderazgo, gracias por demostrar que la agenda progresista funciona, gracias por defender nuestra dignidad com cuatro palabras “no a la guerra”, disse a italiana Elly Schlein, a grande rival de Giorgia Meloni.
O presidente brasileiro Lula da Silva disse que “não se pode dormir e acordar todos os dias com um Presidente ameaçando o mundo” e elogiou Pedro Sánchez “porque tuvo la valentia de no permitir que los aviones de guerra de EE UU salieran de aquí para bombardear Irán”.
A cimeira teve a participação da presidente mexicana Claudia Sheinbaum e do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Dos Estados Unidos chegaram apoios à iniciativa de Pedro Sánchez e de Lula da Silva, designadamente de vários democratas como Tim Walz, Zohran Mamdani, Bernie Sanders e Hillary Clinton, afirmando que esta iniciativa é “o trabalho da nossa era”, mas Tim Walz, que foi candidato presidencial derrotado em 2024, destacou-se ao afirmar que Trump "é um ditador" e que "o fascismo está pelo mundo". 
Na linha do Papa Leão XIV que disse não ter medo de Trump, surgiu Pedro Sánchez como o mais destacado e corajoso opositor europeu dos desmandos e das ilegalidades de Donald Trump, cujo ataque ao Irão parece estar a ser um fiasco, sobretudo… nos Estados Unidos. 
Pedro Sánchez tornou-se de facto num superstar europeu.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O sonho vivo de uma grande Catalunha

A Catalunha é uma das 17 comunidades autónomas da Espanha e, tal como acontece com o País Basco, com a Galiza e com outras regiões peninsulares, nela existe um acentuado sentimento independentista, resultante da sua história, da sua língua e da sua cultura e, naturalmente, do seu distanciamento geográfico em relação ao centralismo de Madrid. Dizem os roteiros que a sua capital é Barcelona e que a região tem 7,5 milhões de habitantes, distribuídos pelas províncias de Barcelona, Girona, Lérida e Tarragona.
Porém, a grande Catalunha, ou a pàtria catalana, é uma entidade cultural e linguística que se estende para além dos limites geográficos da comunidade autónoma que tem a capital em Barcelona, prolongando-se para sul até à Comunidade Valenciana e para norte até à Catalunha Francesa, ou Catalunya del Nord, e ainda para as ilhas Baleares e para a parte oriental da ilha italiana da Sardenha.
Numa das suas edições mais recentes, o jornal El Punt Avuidiari independent, català, comarcal i democratic – publicou uma extensa reportagem sobre a população catalã destas regiões e que neste primeiro quarto de século XXI, embora de forma assimétrica, se aproxima dos 16 milhões de cidadãos espanhóis, franceses e italianos que, sob o ponto de vista linguístico e cultural, são catalães.
Naturalmente, por razões de sensibilidade política, a ilustração da capa do jornal ignora a Catalunha Francesa e a parte oriental da ilha Sardenha, designadamente a região de Alghero, que aqui designamos como a Catalunha Italiana, mas esta reportagem jornalística mostra que o sonho de uma Catalunha independente e com pleno assento na União Europeia não morreu com a desastrada tentativa de independência que Carles Puigdemont encabeçou em 2017.

domingo, 15 de março de 2026

Memória e devoção a S. Francisco Xavier

Quase 15.000 peregrinos reuniram-se ontem à volta do castelo de Javier, na Comunidade Foral de Navarra, para celebrar a figura de S. Francisco Xavier, conforme relata a edição de hoje do Diário de Navarra, que se publica em Pamplona.
Celebrava-se o 86º aniversário da Javierada, uma peregrinação que é organizada pelo Arcebispado de Pamplona e Tudela desde 1940, mas cuja origem remonta ao século XIX, quando foi atribuída a S. Francisco Xavier a responsabilidade por livrar o povo navarro de uma epidemia de cólera. A peregrinação acontece todos os anos durante os dois primeiros fins-de-semana de março, quando milhares de peregrinos, sobretudo fiéis católicos e outros seguidores da sua obra missionária, inundam as estradas que levam ao castelo de Javier para venerar o santo.
Francisco de Azpilcueta (1506-1552) nasceu no castelo de Xavier, estudou em Paris e foi um dos fundadores da Companhia de Jesus. Em 1540 instalou-se em Lisboa, em 1541 embarcou para a Índia na nau Santiago e em 1543 foi nomeado como superior das missões orientais desde o cabo da Boa Esperança até à China. A partir de Goa e em missão de evangelização viajou depois para a costa do Coromandel, Malaca, Molucas, Macau, China e Japão. Faleceu na ilha chinesa de Sanchoão, mas as suas relíquias foram trazidas para Goa.
Em 1622 foi canonizado pelo Papa Gregório XV e em 1748 foi declarado Padroeiro do Oriente pelo Papa Bento XIV. É o “santo de Goa” e para os católicos goeses é o Goencho Saib. O seu túmulo encontra-se na Basílica do Bom Jesus, em Velha Goa, sendo visitado anualmente por cerca de dois milhões de peregrinos de todas as religiões, que querem ver o seu corpo e pedir a sua proteção.

terça-feira, 3 de março de 2026

A exemplar autonomia política da Espanha

Antigamente, dizia-se que não se podia esperar da Espanha, “nem bom vento, nem bom casamento”, mas esses tempos já estão muito distantes porque da Espanha soberana, independente e orgulhosa, nos chegam estimulantes exemplos de uma política externa própria e de não subserviência aos arrogantes disparates, como aquele que está a ser conduzido por Donald Trump contra o Irão, talvez por causa do petróleo, talvez pelo caso Epstein, ou sabe-se lá porquê. Tal como a guerra do Iraque em 2003, também agora se inventou uma ameaça enquanto se negociava. Ao contrário do que acontece com outros países europeus e como hoje anuncia a manchete do jornal El País, a “España rechaza las bases para los ataques de EE UU a Irán”, mas esta recusa já levou o fanfarrão a anunciar o corte de todas as relações comerciais com a Espanha. Há poucos meses, o governo de Espanha acusou o regime de Netanyahu de “exterminar o povo palestiniano” e anunciou medidas contra Israel, porque “da mesma forma que condenou o Hamas, também condena o genocídio em Gaza”, quando toda a Europa se calou perante a destruição e as atrocidades cometidas pelos extremistas de Israel no território de Gaza.
Os espanhóis são uns valentes, mas não só na festa brava em que enfrentam os touros. A sua política externa também é corajosa e merece todo o respeito, até porque compara com a generalizada subserviência europeia às ameaças e às excentricidades belicosas de Donald Trump. Daí que a situação nos evoque o texto que José de Almada Negreiros escreveu em 1915 e que intitulou Manifesto anti-Dantas, em que criticou com ironia o escritor teatral Júlio Dantas e escreveu:

    O Dantas é o escárnio da Consciência!
    O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!
    O Dantas é a meta da decadência mental!
    Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A festa da Cabalgata de los Reyes Magos

Hoje é o Dia de Reis que, segundo a tradição religiosa espanhola, constitui o dia mais importante da quadra natalícia, tendo como episódio mais relevante a Cabalgata de los Reyes Magos, um cortejo tradicional que se realiza ao final da tarde do dia 5 de janeiro com carros alegóricos, nos quais são transportados os três Reis Magos – Melchior, Gaspar e Baltazar. Este cortejo realiza-se em quase todas as cidades e vilas espanholas e, dizem os jornais, é “uma noite mágica” para todos, especialmente para as crianças, pois o animado “cortejo real” é animado por dançarinos e músico, percorrendo as ruas com os pajens a recolher as últimas cartas das crianças e a oferecer rebuçados e doces a quem assiste.
Os cortejos das principais cidades são transmitidos em directo pelas cadeias de televisão nacionais e regionais, o que tem contribuído para o crescente entusiasmo dos espanhóis por essa manifestação de arte e cultura popular.
De acordo com a tradição cristã, os Reis Magos eram sábios que vinham do Oriente montados nos seus camelos e guiados por uma estrela, para adorar o Menino Jesus que tinha nascido em Belém, uma povoação da Judeia, na actual Palestina. A visita aconteceu no dia 6 de janeiro e os Reis Magos traziam presentes para oferecer ao Menino Jesus – ouro, incenso e mirra – simbolizando realeza, divindade e humanidade.
Uma boa parte da imprensa nacional e regional espanhola, como aconteceu com o Diario de Mallorca, destacou nas suas edições a Cabalgata de los Reyes Magos e, pelo menos por umas horas, esqueceu a grave crise internacional resultante da lamentável e grave iniciativa de Donald Trump na Venezuela.

domingo, 23 de novembro de 2025

A bandeira de Ceuta é memória lusitana

A edição de ontem do jornal El Faro de Ceuta publica na sua primeira página uma fotografia em que Pedro Sánchez, o presidente do governo de Espanha, abraça Juan Jesús Vivas, o prefeito-presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, durante a sua quarta visita oficial àquele território, destacando-se nessa fotografia as bandeiras de Espanha e da Cidade Autónoma.
A bandeira da Cidade Autónoma de Ceuta tem uma forte ligação emocional a Portugal, porque o seu desenho gironado de oito peças de negro e prata é igual ao da cidade de Lisboa. Essa ligação é ainda mais evidente no brasão colocado no centro da bandeira, que representa as armas portuguesas, tal como eram representadas no século XV.
A história desta bandeira “nasceu” no dia 22 de agosto de 1415, durante a conquista de Ceuta pelos portugueses, quando foi pedido a João Vasques de Almada que hasteasse a bandeira no ponto mais alto da cidade como símbolo da vitória alcançada.
Depois, com a cidade a depender do rei de Portugal, a cidade continuou a hastear aquela bandeira, inclusive no período filipino da União Ibérica (1580-1640). Quando em 1640 aconteceu a restauração da independência de Portugal, a cidade de Ceuta optou por não regressar à soberania do novo rei de Portugal e jurou fidelidade a Filipe IV, mas manteve a sua bandeira e o seu brasão, que chegaram até à actualidade. Esses símbolos constituem um curioso sinal da história da expansão marítima portuguesa, iniciada exactamente com a tomada de Ceuta em 1415, quando o reino de Granada ou Emirado Nacérida de Granada, localizado do outro lado do estreito, ainda era dominado pelos muçulmanos do rei Maomé XII.

sábado, 8 de novembro de 2025

Uma réplica resgata a cultura marítima

Toda a imprensa basca de hoje, incluindo o diário El Correo, deu grande destaque ao lançamento à água da nau San Juan, uma réplica de um navio-baleeiro do século XVI com o mesmo nome, que foi construída pelo Albaola Itsas Kultur Faktoria, um museu-estaleiro localizado em Pasaia, na província de Gipuzkoa do País Basco, próximo da fronteira franco-espanhola.
Esse navio-baleeiro naufragara em 1565 nas costas atlânticas do Canadá e em 1985 foi tema de uma reportagem no National Geographic Magazine. A partir daí, com o entusiasmo de um carpinteiro naval basco, nasceu o projecto de recuperação da história marítima basca e dos seus navios-baleeiros.
Os destroços do San Juan foram localizados em Red Bay, na costa sueste da península do Labrador, graças às pesquisas realizadas pela historiadora Selma Huxley e pelos Serviços Arqueológicos Subaquáticos do Canadá, que catalogaram os milhares de peças que permitiram definir com precisão o casco e as técnicas de construção do século XVI, tornando este achado numa referência internacional da arqueologia subaquática.
Com as informações recebidas do Canadá, o Albaola Itsas Kultur Faktoria e o seu animador Xabier Agote iniciaram a construção da réplica científica do San Juan, que teve o apoio da UNESCO e demorou cerca de 12 anos. Nos próximos meses, o San Juan passará a ser um navio-museu visitável. 
Como foi afirmado na cerimónia da botadura “no es solo la reconstrucción de um barco histórico, sino la espresión del esfuerzo colectivo de una comunidad. Mediante esta iniciativa, Pasaia demuestra una vez más que un pueblo pequeño, desde sus raíces y la fuerza de su gente, puede proyectarse al mundo”.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

A ponte romana de Alcântara e nova ponte

A Ponte Romana de Alcântara que atravessa o rio Tejo na província de Cáceres, próximo da fronteira portuguesa, foi construída no ano 106 por ordem do imperador Trajano e com traço do arquitecto Caio Júlio Lacer. Durante dois mil anos, esta ponte que tem 194 metros de comprimento e cujo tabuleiro assenta sobre seis arcos assimétricos apoiados em cinco pilares com diferentes alturas sobre o terreno, serviu as populações fronteiriças. Porém, com a intensificação do tráfego rodoviário que se tem verificado nos últimos anos, surgiu a necessidade de construir uma alternativa que aliviasse a pressão e o desgate da milenária ponte romana de Alcântara e que permitisse melhorar a sua conservação. Assim surgiu o viaducto del Embalse de Alcántara, uma ponte em arco com cerca de 270 metros de comprimento que, para além de evitar o desgaste da ponte romana, também vai permitir a circulação da linha ferroviária de alta velocidade Madrid-Extremadura, que atravessa a albufeira de Alcântara e o curso do rio Tejo.
O jornal el Periódico de Extremadura que se publica em Cáceres, fez uma desenvolvida reportagem da inauguração desta infraestrutura que aconteceu recentemente, tendo a presidente do governo autónomo da Extremadura afirmado que estão em curso os trâmites para solicitar à UNESCO a classificação da ponte romana de Alcântara como Património Cultural da Humanidade, para juntar aos 44 sítios já classificados em Espanha.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Espanha ameaçada com expulsão da NATO

Quando em Janeiro deste ano Donald Trump chegou à Casa Branca com a sua divisa Make America Great Again, os vectores da sua acção governativa centraram-se na economia, que é o motor que gera os empregos, os salários e todos os outros rendimentos que alimentam materialmente o American Way of Life e conquistam o eleitorado.
Esta filosofia política do presidente Donald é alimentada pela sua própria personalidade narcisista e pela sua condição de empresário de sucesso, que faz com que trate todos os assuntos internos e internacionais americanos como um negócio. Assim, imagina-se que as decisões do presidente não assentam no direito internacional, na diplomacia, na política, ou na cultura, mas resultam apenas de análises custo-benefício, ou por outras palavras, na ponderação dos milhões que poderão ser facturados.
Nesse contexto, a ideia de pressionar os países da NATO para aumentar a despesa em Defesa, passando-a de 2% para 5% do PIB, embora seja enquadrada pela potencial ameaça russa ao flanco Leste dos países da NATO, é um objectivo para os Estados Unidos como forma de dinamizar as suas indústrias de Defesa. O caso do avião Lockheed Martin F-35, cujo custo unitário é superior a 100 milhões de dólares e cuja produção emprega 146.000 pessoas, é o símbolo maior da necessidade americana de vender material de guerra, que é o que pretende Donald Trump.
Lembremos a famosa cena de sabujice desse lambe-botas que é Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, quando disse para Trump e em directo na televisão, que “a Europa vai pagar em grande, como deve, e vai ser uma vitória sua”.
Hoje, o jornal espanhol El Mundo dá a notícia: ignorando que a Espanha é um país soberano, Donald Trump veio exigir que eleve os seus gastos militares para 5% do PIB e sugeriu a sua expulsão da NATO, se não cumprir com esse diktat. Simplesmente inacreditável, talvez mesmo ridículo.
O Donald é mesmo um grande fanfarrão!