Mostrar mensagens com a etiqueta FESTAS E ROMARIAS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FESTAS E ROMARIAS. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Campo Maior: a festa da cultura popular

As Festas do Povo de Campo Maior, também conhecidas por Ruas Floridas, são uma das mais vivas expressões da cultura popular portuguesa, que a Unesco reconheceu em 2021 como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A sua inauguração aconteceu no dia 8 de agosto com a presença do Presidente da República e o evento vai decorrer até ao dia 16 de agosto.
Desde 1889 que as festas se realizam com periodicidade irregular e sempre que o povo de  Campo Maior decide ornamentar as ruas e as praças da sua vila com milhões de flores de papel feitas de forma artesanal pelos moradores durante semanas ou meses, que proporcionam um singular panorama de arte popular e de múltiplas formas e cores, provocando um verdadeiro deslumbramento estético. A preparação deste espetacular exemplo de genuína cultura popular também é um fator de coesão social para a população desta vila alentejana, que recebe com simpatia e evidente satisfação as muitas centenas de milhar de visitantes portugueses e estrangeiros, sobretudo espanhóis da vizinha Comunidade Autónoma da Extremadura.
As casas são caiadas e os pavimentos limpos, enquanto as ruas “enramadas” se transformam e se enchem de criatividade e de originalidade, proporcionando um cenário inesquecível de beleza para quem o idealizou e preparou, mas também para quem o visita.
Ontem a imprensa da Extremadura deu destaque às Festas do Povo, designadamente o jornal Hoy, que se publica em Badajoz.
Hoje tive o privilégio de ter estado em Campo Maior devido à generosidade do ASV e da ML, guias e companheiros experimentados, que nos proporcionaram uma excelente prova de “turismo cá dentro”, com grande proveito e muita satisfação.

sábado, 18 de julho de 2026

Festas do Povo regressam a Campo Maior

Onze anos depois, regressam a Campo Maior as Festas do Povo, também conhecidas como Festa das Flores, o que é um acontecimento cultural importante. Desde o dia 8 até ao dia 16 de agosto o centro histórico da vila alentejana vai cobrir-se com milhões de flores de papel, feitas artesanalmente pelos moradores de cada rua ao longo de vários meses de preparação. 
As ruas transformam-se e enchem-se de cor e criatividade, com as casas caiadas e as ruas “enramadas” que transformam a vila de Campo Maior num jardim florido e proporcionam um cenário único e inesquecível para quem o idealizou e preparou, mas também para os milhares de visitantes que não perdem a oportunidade de assistir a esta espectacular mostra da cultura popular portuguesa.
As Festas do Povo já se realizam há 137 anos, sem periodicidade certa e apenas quando o povo assim entende e, por isso, neste século XXI apenas se realizaram em 2000, 2004, 2011 e 2015. Porém, em dezembro de 2021 as Festas do Povo de Campo Maior foram classificadas como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, o que representou o reconhecimento da importância cultural deste evento e veio aumentar o entusiasmo, a dedicação e o brio dos campomaiorenses pela realização da Festa das Flores.
As Festas do Povo de Campo Maior são um acontecimento singular no panorama da cultura popular portuguesa pela originalidade, pela estética, pela arte e pela indiscutível beleza que proporcionam, pelo que merecem ser visitadas. Porém, há que evitar os dias e as horas de ponta, em que a vila é demasiado pequena para receber tanta gente… Faltam 19 dias!

domingo, 21 de junho de 2026

Uma festa a valer – Sanjoaninas 2026

As Sanjoaninas são as festas realizadas em honra de São João na cidade de Angra do Heroísmo e que são, porventura, as festas profanas mais espectaculares das muitas que são realizadas em todas as ilhas dos Açores.
Classificada pela Unesco como património mundial, Angra do Heroísmo é a mais importante cidade da ilha Terceira, que é uma das nove ilhas dos Açores, embora por vezes se diga que “os Açores são oito ilhas e um parque de diversões que é a ilha Terceira”, num reconhecimento pelo entusiasmo terceirense por todas as festas, nomeadamente o Carnaval, o Divino Espírito Santo e os Santos Populares, com os bailinhos, as marchas populares e as corridas à corda, que são marcas da identidade cultural terceirense.
A bela cidade espera e prepara durante muitos meses as Sanjoaninas e, neste ano de 2026, entre os dias 19 e 28 de junho enche-se de vida e transforma-se num enorme palco de cultura, cor, tradição e alegria, com espaços gastronómicos, muitos concertos e espectáculos ao vivo, torneios desportivos, exposições, animação de rua, corridas de touros e corridas à corda, cortejos e desfiles temáticos, regatas e um sempre apreciado espectáculo pirotécnico. A população da ilha e muitos visitantes convergem com alegria e entusiasmo para a histórica cidade, que se espraia pela orla da baía que lhe deu o nome e à sombra do Monte Brasil. Os números são bem expressivos, pois desfilarão 49 marchas populares com 4.500 marchantes, das quais 12 são provenientes de outras ilhas, da Madeira e do Canadá, havendo também 78 espaços gastronómicos espalhados pelo centro histórico da cidade.
As Sanjoaninas são sempre associadas a efemérides ou temas culturais e com o tema “Angra e a Açorianidade”, as Sanjoaninas 2026 foram associadas às comemorações do cinquentenário da Autonomia, que constitui um instrumento de valorização e dignificação da condição insular e a concretização de uma justa aspiração das populações açorianas, que só o 25 de Abril de 1974 tornou possível.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O 25 de Abril é o dia mais bonito do ano

As comemorações do 52º aniversário do 25 de Abril foram uma grande festa popular e confirmaram o que o jornal Expresso escrevera dois dias antes ao referir-se à ”tarde mais bonita do ano na avenida da Liberdade - e noutros pontos do país”.
Embora tenham acontecido as mais diversas cerimónias comemorativas por todo o país – sessões solenes e manifestações, jantares e almoços, exposições e concertos, colóquios e conferências, arraiais e concursos, corridas e outros eventos desportivos, para não referir essa parolice bizantina de ligar o teatro e um só actor ao 25 de Abril – o ponto alto das comemorações do 25 de Abril continua a ser o grandioso desfile popular que sempre se realiza na avenida da Liberdade em Lisboa, com milhares de pessoas, em grande unidade e de cravo na mão, a celebrar a Liberdade e a Democracia, sendo evidente o envolvimento das novas gerações, de que é exemplo aquele jovem que empunhava um simples cartaz em que afirmava ”eu não estava lá, mas agora estou aqui!”.
Por tudo isto, o 25 de Abril está vivo e povo gritou bem alto: “25 de Abril sempre!”.
Porém, os festejos deste 52º aniversário também tiveram um novo aliciante, que foi ver o Presidente da República de cravo ao peito e de se afirmar, sem quaisquer equívocos, um homem do 25 de Abril e de assumir a defesa dos valores de Abril, não deixando de ser curioso e eloquente que, na sessão solene da Assembleia da República, a sua mulher vestisse de vermelho e a mulher do primeiro-ministro vestisse de preto...
As televisões estiveram bem ao divulgar as imagens essenciais da grande festa, mas a imprensa esteve distraída e até o jornal Público, que destacou a festa do 25 de Abril com uma fotografia na sua primeira página a cinco colunas, se limitou a escrever em tímida manchete que “o Presidente falou para os jovens e as ruas encheram-se de cor”. É pouco, para descrever o que se viu…

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Feira de Sevilha já anima a Andaluzia

A Feira de Sevilha é uma das festas mais internacionais e populares das famosas festividades espanholas e começa hoje à noite com o Alumbrado, ou iluminação de mais de 28 mil  lâmpadas coloridas do recinto de Los Remedios e da sua entrada principal, ou Portada, que tem cerca de 50 metros de altura e todos os anos é diferente. Hoje, a edição de Sevilha do diário ABC tem como legenda a frase “hoje e sempre” e publica em primeira página a fotografia da Portada, que este ano é “dedicada al Pabellón de Portugal”.
Até ao dia 26 de abril a cidade de Sevilha vai viver para a feira e receber muitos milhares de visitantes, com muita música, dança, gastronomia e animados convívios de familiares e amigos em tendas coloridas, enquanto as pessoas se passeiam em ricas carruagens pelas avenidas principais da cidade e usam trajes típicos da Andaluzia, isto é, os homens com roupas tradicionais do campo e as mulheres com trajes flamencos ou ciganos. Durante o dia, centenas de amazonas e cavaleiros passeiam a cavalo pelo recinto da feira e, o turista mais abonado ou mais interessado, também pode alugar um cavalo. Um outro elemento essencial da festa são as corridas de touros na Plaza de Toros de la Maestranza com um programa diário que atrai milhares de aficionados, embora este ano esteja prejudicado pela colhida do famoso matador Morante de la Puebla, acontecida ontem na corrida de abertura da feira e que o jornal ABC e outros jornais relatam com fotografia em primeira página.
A Feria de Sevilla é uma grande festa que atrai muitos portugueses e é uma das grandes celebrações do país vizinho.

domingo, 15 de março de 2026

Memória e devoção a S. Francisco Xavier

Quase 15.000 peregrinos reuniram-se ontem à volta do castelo de Javier, na Comunidade Foral de Navarra, para celebrar a figura de S. Francisco Xavier, conforme relata a edição de hoje do Diário de Navarra, que se publica em Pamplona.
Celebrava-se o 86º aniversário da Javierada, uma peregrinação que é organizada pelo Arcebispado de Pamplona e Tudela desde 1940, mas cuja origem remonta ao século XIX, quando foi atribuída a S. Francisco Xavier a responsabilidade por livrar o povo navarro de uma epidemia de cólera. A peregrinação acontece todos os anos durante os dois primeiros fins-de-semana de março, quando milhares de peregrinos, sobretudo fiéis católicos e outros seguidores da sua obra missionária, inundam as estradas que levam ao castelo de Javier para venerar o santo.
Francisco de Azpilcueta (1506-1552) nasceu no castelo de Xavier, estudou em Paris e foi um dos fundadores da Companhia de Jesus. Em 1540 instalou-se em Lisboa, em 1541 embarcou para a Índia na nau Santiago e em 1543 foi nomeado como superior das missões orientais desde o cabo da Boa Esperança até à China. A partir de Goa e em missão de evangelização viajou depois para a costa do Coromandel, Malaca, Molucas, Macau, China e Japão. Faleceu na ilha chinesa de Sanchoão, mas as suas relíquias foram trazidas para Goa.
Em 1622 foi canonizado pelo Papa Gregório XV e em 1748 foi declarado Padroeiro do Oriente pelo Papa Bento XIV. É o “santo de Goa” e para os católicos goeses é o Goencho Saib. O seu túmulo encontra-se na Basílica do Bom Jesus, em Velha Goa, sendo visitado anualmente por cerca de dois milhões de peregrinos de todas as religiões, que querem ver o seu corpo e pedir a sua proteção.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A tradição baiana cumpre-se no Bonfim

O Estado da Bahia fica situado no nordeste brasileiro, tendo uma paisagem tropical na costa atlântica e um interior sertanejo mas, provavelmente, é o estado com a marca cultural mais intensa de todo o país, tanto pela diversidade da sua população, como pelo seu património histórico, em que se destaca a arquitectura colonial do século XVII, sobretudo na cidade de Salvador, ou Salvador da Bahia.
O centro histórico de Salvado foi o palco principal da fusão das culturas portuguesa, africana e ameríndia, tendo sido a capital do Brasil desde 1549 a 1763, estando classificado como património mundial pela Unesco desde 1985. A região é a parte mais antiga do Brasil colonial e foi aí que os portugueses chegaram em 1500 e que, em consequência da sua influência e interacção religiosa e cultural, nasceu a devoção ao Senhor do Bonfim trazida por um capitão português. Na actualidade, essa devoção atrai multidões à capital baiana por ser uma festa que é um dos maiores símbolos de fé dos baianos.
A festa é celebrada em Janeiro na Basílica do Senhor do Bonfim, um templo católico que é um dos mais importantes monumentos de Salvador, nela se incluindo a tradicional “lavagem do Bonfim”, ou lavagem das escadarias da basílica com água de cheiro feita por baianas, em que se confundem o catolicismo e o candomblé. Associada a esta devoção também existe a tradição das “fitas do Senhor do Bonfim” que se usam amarradas ao pulso e com três nós, correspondentes a três pedidos que, quando a fita se desfaz ou rompe, os pedidos são satisfeitos.
Ontem, a edição do jornal A Tarde que se publica em Salvador, destacou em manchete a fé e a festa da Senhora do Bonfim, publicando uma fotografia em que se vê a Basílica do Bonfim, construída a partir de 1745.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A festa da Cabalgata de los Reyes Magos

Hoje é o Dia de Reis que, segundo a tradição religiosa espanhola, constitui o dia mais importante da quadra natalícia, tendo como episódio mais relevante a Cabalgata de los Reyes Magos, um cortejo tradicional que se realiza ao final da tarde do dia 5 de janeiro com carros alegóricos, nos quais são transportados os três Reis Magos – Melchior, Gaspar e Baltazar. Este cortejo realiza-se em quase todas as cidades e vilas espanholas e, dizem os jornais, é “uma noite mágica” para todos, especialmente para as crianças, pois o animado “cortejo real” é animado por dançarinos e músico, percorrendo as ruas com os pajens a recolher as últimas cartas das crianças e a oferecer rebuçados e doces a quem assiste.
Os cortejos das principais cidades são transmitidos em directo pelas cadeias de televisão nacionais e regionais, o que tem contribuído para o crescente entusiasmo dos espanhóis por essa manifestação de arte e cultura popular.
De acordo com a tradição cristã, os Reis Magos eram sábios que vinham do Oriente montados nos seus camelos e guiados por uma estrela, para adorar o Menino Jesus que tinha nascido em Belém, uma povoação da Judeia, na actual Palestina. A visita aconteceu no dia 6 de janeiro e os Reis Magos traziam presentes para oferecer ao Menino Jesus – ouro, incenso e mirra – simbolizando realeza, divindade e humanidade.
Uma boa parte da imprensa nacional e regional espanhola, como aconteceu com o Diario de Mallorca, destacou nas suas edições a Cabalgata de los Reyes Magos e, pelo menos por umas horas, esqueceu a grave crise internacional resultante da lamentável e grave iniciativa de Donald Trump na Venezuela.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Salvador e o Bom Jesus dos Navegantes

A cidade de Salvador é a capital do estado brasileiro da Bahia e foi a primeira capital do Brasil colonial, sendo o cenário onde, desde a década de 1740, se realiza a Festa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, que é uma das mais antigas e simbólicas celebrações religiosas e populares do Nordeste brasileiro. Nascida da devoção das irmandades marítimas e da fé dos marinheiros que pediam a protecção divina para enfrentar o mar, a festa inclui diversas celebrações católicas, mas o seu ponto alto é a procissão marítima realizada nas águas da grande Baía de Todos-os-Santos, na qual a imagem do Bom Jesus dos Navegantes segue numa embarcação devidamente ornamentada, que é escoltada por uma festiva e colorida frota de outras embarcações.
Até 1891 a embarcação que transportava a imagem era cedida pelo Estado, mas a partir de então passou a ser utilizada, como galeota oficial da procissão, uma artística galeota expressamente construída para o efeito e que foi baptizada como “Gratidão do Povo”. No ano de 2019 a centenária embarcação apresentava alguns problemas de estrutura, pelo foi objecto de restauro e continuou a cumprir a sua função.
A procissão marítima é um espectáculo impressionante de religiosidade e de cultura popular que ocorre nos dias 31 de dezembro e 1 de janeiro, para exprimir a gratidão baiana pelo ano que termina e para pedir a protecção e a benção divina para o novo ano.
O jornal Correio*, antigo Correio da Bahia, é um jornal diário que se publica em Salvador e que dedica a sua edição de hoje à grande festa católica e afro-brasileira de origem portuguesa que é a a Festa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, com uma fotografia da procissão marítima, tendo escolhido a frase “mar de gratidão” para manchete dessa reportagem.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um novo ano de 2026 com paz e progresso

Hoje é o último dia do ano de 2025, mas enquanto muitos jornais fazem balanços dos últimos doze meses, uma coisa que nos faz lembrar algumas guerras, várias tragédias e muita crueldade, há outros jornais que optam por simplesmente desejar um Bom Ano novo aos seus leitores. É o caso do Diario de Burgos, o principal jornal da histórica cidade de Burgos, que pertence à Comunidade Autónoma de Castilla y Léon, cuja capital é Valladolid e que é a maior das 17 comunidades espanholas em área territorial, isto é, maior do que Portugal.
O jornal publica uma fotografia da imponente catedral de Burgos e do casario da cidade, cobertas de neve numa imagem de serenidade, desejando Feliz 2026 aos seus leitores.
Também aqui, neste pequeno espaço da blogosfera que é a Rua dos Navegantes, se deseja que o mundo retome os caminhos da paz entre as nações e da harmonia entre os povos, que combata a pobreza, a doença e a desigualdade, que proteja os direitos de todos os seres humanos e que encontre soluções para se proteger das alterações climáticas que nos ameaçam. A vertigem belicista, que as televisões alimentam pouco responsavelmente e que reina um pouco por todo o mundo, conduz ao sofrimento, à destruição e não tem sentido, devendo dar lugar ao apaziguamento e à cooperação.
Nesta aldeia global em que todos vivemos e em que todos dependemos do outro, são os valores da paz, da liberdade, da democracia, da igualdade, da justiça social e da solidariedade que devem prevalecer sobre as pequenas questiúnculas do quotidiano, tanto nacional como mundial.
O povo simples tem razão quando, com a sua sabedoria, diz que “a falar é que a gente se entende” e, por isso, é preciso que aqueles que governam, tratem de falar para se entenderem e se deixem de egoísmos e de vaidades.
Aos meus leitores, aqui deixo votos de um feliz ano de 2026!

sábado, 27 de dezembro de 2025

O Natal que se celebra no mundo islâmico

Um pouco por todo o mundo, a festa do Natal já ultrapassou o seu significado religioso há muito tempo e foi capturada pela lógica economicista e pelo consumismo, inclusive nos países e regiões dominadas pela religião muçulmana.
Assim acontece na Malásia, um país do sueste asiático que ocupa uma parte da península da Malásia e uma parte da ilha de Bornéu, com cerca de 36 milhões de habitantes e que, na sua quase totalidade, professam a religião muçulmana e cuja bandeira nacional inclui a lua crescente, o símbolo do Islão. 
Na sua história há muitas referências europeias, porque os portugueses ocuparam Malaca entre 1511 e 1641, depois os holandeses expulsaram os portugueses da região e, em finais do século XVIII, foram os ingleses que ali se estabeleceram, pelo que o país tem influências culturais malaias, europeias, chinesas e indianas. Porém, a Malásia tornou-se mais conhecida dos europeus através da literatura e do cinema de ficção, tratados nas aventuras do mais famoso pirata dos mares – Sandokan, o Tigre da Malásia – uma personagem criada em finais do século XIX por Emilio Salgari e que foi objecto de uma séria televisiva italiana que foi estreada em 1976, com grande sucesso pelos valores que promovia.
Hoje a Malásia é um país próspero. A sua capital é a cidade de Kuala Lumpur, localizada a cerca de 150 km para norte da antiga cidade portuguesa de Malaca, onde em paralelo com os edifícios coloniais se encontram modernos arranha-céus, o mais conhecido dos quais são as Petronas Twin Towers que, com 451 metros de altura, foram até há pouco tempo as torres mais altas do planeta.
Neste país publica-se diariamente um jornal em língua inglesa chamado The Star, a partir da cidade de Petaling Jaya. Na sua edição de ontem o jornal The Star – people’s paper, dedicou toda a sua primeira página ao Natal com a mensagem Merry Christmas & Happy New Year, o que num país marcadamente muçulmano é bem curioso e um quase paradoxo. 
Porém, os tempos que vivemos estão cheios de paradoxos…

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O Natal é sempre que um homem quiser.

Hoje vai celebrar-se a noite de Natal que, embora continue a ser um símbolo de religiosidade muito forte para os cristãos, também se tornou numa grande operação de carácter comercial, embora seja, sob todas as perspectivas, uma data festiva para as famílias de raiz cristã.
Na época natalícia as famílias, mais restritas ou mais alargadas, convivem e participam em actos religiosos, reúnem em consoada, consomem as iguarias mais tradicionais, trocam presentes e fazem votos de saúde e de prosperidade para o novo ano que se aproxima. O Natal é, por isso, um ritual de convívio, de paz, de harmonia e de solidariedade.
As casas são decoradas de forma apropriada com símbolos natalícios, tanto religiosos como profanos, destacando-se essa anomalia do marketing comercial que são as imagens simbólicas da neve, das renas e dos trenós que trazem o Pai Natal desde a Lapónia, bem como as árvores de Natal que vandalizam a floresta, enquanto os presépios parecem despertar menos interesse como símbolos ou objectos decorativos.  
Com o desenvolvimento das telecomunicações e a movimentação internacional da força do trabalho e das populações das áreas desfavorecidas para as áreas mais prósperas, o Natal passou a ser também uma monumental operação de correio – postal, telefónico e electrónico – em que cada pessoa emite e recebe dezenas de mensagens para e de todo o mundo, constituindo um elo que nos revela que o nosso planeta é, cada vez mais, a aldeia global de que falou Marshall McLuhan. Essa aldeia e o sentido de que "estamos todos no mesmo barco" exigem-nos que acabem as guerras e haja paz, harmonia, solidariedade, democracia, respeito pelos direitos humanos, luta contra a pobreza, protecção do ambiente e da paisagem e amizade entre os povos.
Da minha parte, aproveito a manchete da edição de hoje do jornal Le Télégramme, que se publica na cidade bretã de Brest, para desejar um Joyeux Noël aos meus leitores, embora o Natal seja sempre que um homem quiser.

sábado, 9 de agosto de 2025

Romaria d’Agonia: havemos de ir a Viana!

As Festas d’Agonia que ontem começaram na cidade de Viana do Castelo, são um dos maiores acontecimentos culturais e religiosos de Portugal e, desde 1772, realizam-se todos os anos. Este ano, a Romaria dedicada a Nossa Senhora da Agonia vai estender-se até ao dia 20 de agosto e, como sempre, vai atrair milhares de visitantes fascinados pela diversidade dos eventos religiosos, em que se destaca principalmente a Procissão ao mar e ao rio, em que as embarcações vianenses decoradas a preceito, transportam a imagem da Senhora da Agonia pelo rio Lima. Porém, na parte cultural da Romaria destacam-se os tapetes florais criados pela imaginação dos moradores, os sons dos Zé Pereiras, dos bombos e das concertinas, das bandas filarmónicas e dos grupos folclóricos, as arruadas, os concertos e os cantadores ao desafio. 
Porém, um dos pontos mais altos da Romaria é o concorrido e espectacular Desfile da Mordomia, que ocorrerá no dia 14 de agosto, no qual mais de mil mulheres de Viana do Castelo desfilam com os ricos trajes tradicionais minhotos. Depois, no dia 16 de agosto, ocorrerá o habitual Cortejo Histórico-Etnográfico, com mais de 3.000 figurantes que mostram as melhores tradições da cidade.
Tudo acontece num ambiente ímpar de festa e diz-se que quem esteve na Romaria não a esquece e regressa. Como escreveu o poeta Pedro Homem de Melo e Amália cantou, "havemos de ir a Viana", embora o regresso nem sempre seja possível...
Todos os anos, a Romaria é publicitada por um cartaz oficial que tem um rosto e uma imagem oficial, escolhida através de um concurso. Este ano, a imagem central do cartaz é a jovem mordoma Bruna Oliveira Torre, de 17 anos, natural de Abelheira, a envergar o traje de domingar, feito em memória do primeiro traje da família, que foi confeccionado pela avó. 
A todos os meus amigos vianenses, em especial ao FSM, aqui fica o meu aplauso por esta singular manifestação de vitalidade e dinamismo cultural.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Pamplona e as Fiestas de San Fermin

Começaram ontem em Pamplona, na região autónoma de Navarra, e vão decorrer até ao dia 14 de Julho, as Fiestas de San Fermin ou Sanfermines, que são uma das mais animadas e mais afamadas festas espanholas, pois atraem centenas de milhares de visitantes.
As Sanfermines têm origem muito antiga, mas a sua fama surgiu através da obra do escritor americano Ernest Hemingway e do seu livro The Sun Also Rises, traduzido em Portugal como Fiesta. As festas iniciaram-se ontem com o lançamento de fogo-de-artifício, ou chupinazo, lançado da sacada do palácio governamental e terminam à meia-noite do dia 14 de Julho. Entre os dias 7 e o dia 14 decorrem, todos os dias às 8 horas da manhã, os famosos encierros, isto é, largadas de touros que percorrem três ruas do centro histórico de Pamplona, na distância de 849 metros, que normalmente duram três a quatro minutos e, quase sempre, provocam acidentes mais ou menos graves no público que a eles assiste. Dizem as crónicas que, entre 1922 e 2009, morreram 15 pessoas nos encierros das Sanfermines.
A intensa mediatização internacional das Sanfermines atrai manifestações diversas, que procuram afirmar as suas mensagens na fiesta, enquanto plataforma comunicacional de excelência. Assim aconteceu ontem, quando a organização homenageou o povo da Palestina, enquanto um grupo de activistas protestou contra as touradas durante as festividades.
Porém, como mostra a edição de hoje do Diario de Navarra, as gentes de Pamplona gostam demasiado das suas Sanfermines.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

EUA nos seus 249 anos de independência

Hoje é o Dia da Independência dos Estados Unidos, um dia que celebra a Declaração de Independência de 1776 assinada em Filadélfia pelas Treze Colónias, quando estas se sublevaram e declararam a separação do Império Britânico. É o feriado mais festejado nos Estados Unidos, mas a edição de ontem do USA TODAY antecipava a festa nacional americana e destacava que em seis pequenas cidades é “sempre” o 4 de Julho – Gallup (New Mexico), Bedford (Virginia), Bristol (Rhode Island), Audubon (New Jersey), Gettysburg (Pennsylvania) e Cooperstown (New York). 
De acordo com o jornal, a festa da independência nestas seis comunidades “recorda a glória – e o sacrifício – da liberdade” e evoca os nomes dos fundadores dos Estados Unidos, em especial Thomas Jefferson, John Adams e Benjamin Franklin, mas também Abraham Lincoln, o 16º presidente dos Estados Unidos que preservou a União durante a Guerra Civil e conseguiu a emancipação dos escravos.
As festas do Dia da Independência nestas seis comunidades, como em nenhum outro lugar dos Estados Unidos, constam de paradas militares, de desfiles de bandas de música, de corporações de bombeiros e de majorettes sempre mostrando as cores vermelha, azul e branca da bandeira nacional americana, que é conhecida pela The Stars and Stripes.
Numa época de alguma turbulência nos Estados Unidos e de muita incerteza no mundo, o que se deseja é que o dia 4 de Julho de 2025 seja um dia de reflexão para os americanos e para as suas autoridades, no sentido de se encontrarem os caminhos que conduzam à paz no mundo.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Apesar de tudo, as touradas resistem...

A península Ibérica é uma região geográfica que integra dois países, várias regiões autónomas sob soberania espanhola e é composta por diferentes realidades culturais, bem visíveis em todos os domínios, incluindo a língua que é habitualmente considerada como o elemento mais importante na definição das identidades.
O território ibérico foi habitado por muitos povos bárbaros como os alanos e os suevos, os francos e os gregos, os romanos e os árabes, todos eles deixando marcas culturais nas regiões por onde passaram ou ocuparam, de que resultou uma enorme diversidade cultural nas diferentes regiões peninsulares. Daí que a Espanha, mas também Portugal, conservem costumes e tradições com fortes raízes históricas, algumas delas com o estatuto de patrimónios imateriais da Humanidade, como acontece em Espanha com a Semana Santa de Sevilha, as Fiestas de San Fermin em Pamplona, a Feria de Abril de Sevilha, as Fallas de Valencia, a Tomatina de Buñol, ou o Flamenco da Andaluzia, ou em Portugal, com as Festas da Senhora da Agonia, a Festa dos Tabuleiros, o Cante Alentejano, ou as Festas Sanjoaninas de Angra do Heroísmo. Porém, em maior ou menor grau, um outro símbolo do interesse cultural ibérico são as touradas, que têm resistido â pressão dos movimentos e dos partidos que defendem os direitos dos animais.
Na sua edição de hoje, a edição de Sevilha do diário ABC destaca a abertura da época taurina em Espanha e a figura do famoso matador e ídolo da afición que é José António Morante Camacho, conhecido nas tertúlias tauromáquicas como Morante de la Puebla, o rei dos toureiros.
Apesar de todos os movimentos contra as touradas e em defesa dos animais, a fiesta brava continua a entusiasmar os espanhóis e a merecer destaque na imprensa, embora a festa brava em Portugal seja cada vez mais marginalizada e já não tenha espaço nos jornais nem na televisão.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

A Semana Santa mobiliza toda a Espanha

O Cristianismo está a celebrar as festividades da Semana Santa, uma tradição religiosa que recorda a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, as quais decorrem entre o Domingo de Ramos (13 de Abril) e o Domingo de Páscoa (20 de Abril).
O Domingo de Ramos celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, a que se seguiram várias acções, incluindo a Última Ceia e, depois, a sua prisão, julgamento, condenação e morte na Sexta-Feira Santa. As celebrações da Semana Santa terminam no Domingo de Páscoa que é o dia da ressurreição de Jesus Cristo e que é um dia em que as famílias se reúnem para celebrar. 
Cada dia da Semana Santa tem um significado próprio e dá origem a cerimónias muito participadas, incluindo missas e procissões, em que os crentes assumem a sua fé, devoção e respeito, por vezes através de antigos rituais em que se sacrificam tal como Jesus Cristo se sacrificou.
A Espanha destaca-se de entre os países onde a tradição pascal é celebrada com mais intensidade, sobretudo nas cidades da Andaluzia e a imprensa espanhola tem dedicado algumas das primeiras páginas das suas edições à Semana Santa, assim acontecendo com a edição de Sevilha do diário ABC.
Porém, as festividades da Semana Santa ultrapassam o seu carácter religioso e têm sido transformadas em cartazes turísticos, por forma a atrair visitantes, pelo que nas multidões que participam nas diferentes cerimónias não há apenas crentes devotos, mas também muitos turistas.  

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

A grande festa das cabalgatas de Sevilha

A Cabalgata de Reyes Magos é uma tradição natalícia que consta de um ruidoso e animado desfile de carros alegóricos, que se realiza no dia 5 ou no dia 6 de Janeiro na generalidade das cidades espanholas, em Andorra-a-Velha e em Gibraltar, mas também em algumas cidades polacas, checas, mexicanas e venezuelanas e, também, na portuguesa vila de Monção.
A tradição das cabalgatas é recente. A primeira realizou-se em 1866 no município de Alcoy, na província de Alicante da Comunidade Valenciana, mas rapidamente se estendeu por toda a Espanha, sendo uma representação da chegada dos Reis Magos – Melchior, Gaspar e Baltazar e os seus pajens – que em vistosos carros alegóricos percorrem as ruas das cidades, lançando caramelos e guloseimas para as crianças.
A cidade de Sevilha parece ser aquela onde as cabalgatas actualmente despertam mais entusiasmo, “con casi una veintena de cabalgatas”, que percorrem as ruas da cidade durante mais de três horas, sob o entusiástico aplauso de muitos milhares de pessoas, segundo anunciava o Diario de Sevilla na sua edição de ontem.
Porém, as cabalgatas também têm sido muito criticadas por se terem transformado num “produto turístico”, perdendo todo, ou grande parte, do seu significado religioso. Hoje, as cabalgatas são discutidas nesse “parlamento popular” que são as redes sociais. E se alguns protestam porque as cabalgatas perderam o seu sentido religioso e dizem “qué sacrilegio!”, outros respondem dizendo que "en esta ciudad, somos así, y que nadie nos cambie", ou que "la ciudad de la alegría, de las ganas de vivir, de la pasión. Sevilla en estado puro".

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

O Natal de 2024 como tempo de reflexão

Nesta quadra festiva que muitas vezes é demasiado consumista, costumamos saudar os amigos e desejar-lhes felicidades e prosperidades, com saúde e paz. Não fujo a essa tradição e, por isso, saúdo os leitores deste blogue, aproveitando a mensagem da edição de ontem do jornal Le Télégramme que se publica em Brest.
Através do Google Analytics sei que os leitores da Rua dos Navegantes não são muitos mas que são muito bons, pois são regulares nas visitas que fazem ao blogue. Esses leitores-amigos, ou amigos-leitores, estão sobretudo em Portugal, em particular na área de Lisboa, embora também haja alguns deles que residem no estrangeiro. Para todos eu desejo um Joyeux Noël ou umas Boas Festas, como tempo de união e de fraternidade, mas também de reflexão sobre o que se passa à nossa volta, por aqui e pelo mundo, em que as mudanças tecnológicas e culturais, bem como as transformações naturais, ocorrem a velocidades impensáveis, gerando preocupações e incertezas. 
A proliferação de guerras e as consequentes catástrofes humanas que provocam, tal como a fome e a pobreza, são imagens da forma desgovernada e muitas vezes irresponsável como o mundo caminha e são, também, um preocupante sinal dos tempos.
A nível global estamos a perder a confiança nos políticos que “governam” o mundo e que se mostram impotentes face à era da desinformação que atravessamos, em que toda a informação é manipulada para servir objectivos mais ou menos desonestos.
É sobre este quadro cinzento que devemos reflectir e, na nossa esfera de acção fazer alguma coisa, para recuperarmos a confiança, a paz e a tranquilidade que podem tornar mais felizes cada ser humano e toda a humanidade.

sábado, 14 de setembro de 2024

Cádiz tem mais de 3.000 anos de história

Vindo do golfo Pérsico há cerca de três mil anos, o povo fenício instalou-se no litoral do Mediterrâneo Oriental e fundou cidades importantes como Sidon e Tiro. A partir dessas cidades e porque eram marinheiros e comerciantes, navegaram pelo mar Mediterrânro e fundaram colónias e feitorias em toda a sua orla marítima, tendo atravessado o estreito e navegado no Atlêntico, chegando ao sudoeste das ilhas Britânicas e tendo explorado a costa ocidental africana quase até ao golfo da Guiné. 
Foi uma grande civilização da Antiguidade e as suas colónias mais importantes foram Cartago, cujas ruinas se situam próximo da capital da Tunísia, e também Gadir, que deu origem à cidade espanhola de Cádiz e cujos habitantes são conhecidos como gaditanos.
A cidade de Cádiz é uma cidade portuária da província do mesmo nome que faz parte da Comunidade Autónoma da Andaluzia e costuma celebrar o seu passado fenício. Neste fim-de-semana e sob o lema "Orgullos@s de nuestra historia”, o município de Cádiz promoveu uma grande festa de raiz histórica e de afirmação da sua identidade cultural, que incluiu a reconstituição de um desembarque fenício e um desfile com cerca de mil participantes devidamente trajados. Logo que o desfile chegou às Puertas de Tierra foi apresentado o espectáculo inaugural de som, luz e cor, intitulado “Cádiz, hace más de 3.000 años”. 
A reportagem desta festa foi publicada hoje pelo Diario de Cádiz e não lhe faltam adjectivos elogiosos. Como informação adicional regista-se que existem testemunhos arqueológicos da presença fenícia em Portugal, na costa do Algarve e nas bacias hidrográficas dos rios Sado, Tejo e Mondego.