sábado, 24 de junho de 2017

O incêndio trágico e as responsailidades

Passou uma semana desde o trágico incêndio que enlutou o país, roubando 64 vidas ao nosso convívio, queimando aldeias e floresta, destruindo muito património em vários concelhos do centro do país. O balanço é dramático e, para além dos seus duros aspectos emocionais, é também uma consequência do continuado processo de desertificação e de abandono das regiões interiores do nosso país, cada vez mais esquecidas.
Muita gente procura respostas para as dúvidas que persistem quanto ao que aconteceu em Pedrógão e nos concelhos vizinhos, enquanto alguns políticos, acolitados por abutres disfarçados de jornalistas, procuram avidamente por responsáveis para queimar adversários políticos. Lamentável. Contudo, a responsabilidade que os abutres procuram para vender jornais ou para destruir adversários políticos, até pode ser encontrada nas condições meteorológicas excepcionais, na deficiência de funcionamento da SIRESP, a operadora da Rede Nacional de Emergência e Segurança, ou na eventual inconpetência de um ou outro agente que não actou eficazmente, mas a verdadeira explicação está nos nossos comportamentos de risco e nas nossas imprevidências, mas também nos políticos que escolhemos, porque durante décadas não tiveram coragem para enfrentar o problema do ordenamento florestal, que é muito complexo e cuja solução rouba votos. De facto, se o diagnóstico está feito há muito tempo, é caso para perguntar porque razão são adiadas as medidas que se impõem quanto ao ordenamento florestal e à limpeza das florestas?
Ao olharmos para a fotografia hoje publicada na capa da edição do jornal Público facilmente compreendemos, sem ser necessário ser especialista nestas matérias, que a estrada EN 236 bem como muitas outras estradas que existem em Portugal, são verdadeiras ciladas montadas para quem nelas circula no Verão, devido ao denso arvoredo que as envolve até junto das bermas.