terça-feira, 1 de março de 2022

A Europa Unida no apoio à Ucrânia

As imagens que as televisões nos mostram de milhares de refugiados, sobretudo mulheres e crianças, que procuram segurança na Polónia e na Roménia, impressionam mais do que as imagens de tanques ou de viaturas destruídas, ou que as notícias de combates à volta das cidades ucranianas. Essas imagens, que mostram a face mais desumana e mais cruel da guerra, têm sido o elemento mobilizador da opinião pública mundial na solidariedade e no apoio ao povo ucraniano. Muitos milhares de pessoas em inúmeras cidades europeias e não europeias, têm vindo para a rua protestar contra a guerra e contra os desígnios de Vladimir Putin, que parece não ter sequer o apoio da maioria da população russa. Ao mesmo tempo, a União Europeia veio mostrar um sentido de unidade que não lhe era habitual, ao adoptar sanções económicas severas contra a Rússia e medidas de apoio à Ucrânia, onde se inclui o fornecimento de material letal. Em edição especial, o jornal Le Monde destaca hoje a união da Europa no apoio à Ucrânia como um facto notável, pois representa a vontade europeia de actuar autonomamente em relação aos Estados Unidos e à NATO. As vozes dos falcões atlantistas como são as figuras de  Joe Biden ou de Jens Stoltenberg têm-se apagado, enquanto as vozes europeístas de Ursula von der Leyen, Josep Borrell, Emmanuel Macron ou Charles Michel têm sido ouvidas com mais insistência, a mostrar que o problema ucraniano é um problema europeu.
Apesar de já se terem dado alguns passos no sentido de um cessar-fogo, a situação é muito complexa e até mesmo perigosa, mas todos havemos de confiar que uma boa solução possa estar a caminho, sobretudo se o assunto for tratado como um problema entre europeus, o que dispensa o irritante da participação directa e injustificada da NATO e dos americanos na solução desta crise.