terça-feira, 3 de março de 2026

Calem-se os canhões e avance o diálogo

O violento e brutal ataque contra o Irão que foi desencadeado pela parelha Trump-Netanyahu e está em curso, não é apenas uma grosseira violação da ordem e da lei internacionais, mas é também uma tentativa de controlar o petróleo iraniano e um crime contra as populações indefesas e, esperemos, que não seja uma provocação aos aliados do Irão, sobretudo a Rússia e a China.
Donald Trump revela cada vez mais desequilíbrios mentais, vive obcecado com a sua promessa de fazer a América grande outra vez e já afirmou várias vezes que defende os interesses americanos, isto é, a pilhagem dos recursos naturais dos outros países, seja o petróleo da Venezuela ou do Irão, sejam as terras raras da Ucrânia e da Gronelândia.
Se Luís XIV dizia que “l’État c’est moi”, o Donald sonha em poder um dia afirmar “I rule the world”. Não lhe interessam os regimes políticos desde que os países se submetam à sua vontade e para esse desígnio subversivo, usa o poder das suas armas, o terror das suas bombas, a violência da sua destruição. As imagens que nos chegam pela televisão mostram-nos mais uma vez o horror da guerra, tal como faz a primeira página do jornal britânico The Guardian, porque os jornais americanos não mostram a face hedionda da guerra e preferem enfatizar a morte do clérigo ditador Ali Khamenei, talvez para ajudar o Donald, ou por ter medo dele.
Porém, os cidadãos americanos não estão com o Donald e estão maioritariamente contra esta ação da parelha Trump/Netanyahu. Segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos há 43% dos americanos que estão contra e apenas 27% apoiam os ataques militares ao Irão, mas uma sondagem da CNN revela que 59% dos americanos desaprovam a iniciativa de Trump. 
Por isso, que se calem os canhões e que avance o diálogo.