Diz-se que “uma
imagem vale mais que mil palavras” e a capa da edição de hoje do diário catalão
El
Punt Avui que se publica em Barcelona, parece confirmar aquela frase.
A
ilustração escolhida para a capa dessa edição mostra uma águia a “atacar” o
território venezuelano com o título “sob as garras dos Estados Unidos” e, em
subtítulo, o jornal escreveu “Trump inaugura uma nova era de intervencionismo
na América Latina e em todo o hemisfério ocidental”.
Não sei se há um ano alguém
imaginava este cenário, mas o facto é que a administração de Donald Trump tem
dado passos e feito discursos que vão exactamente no sentido de uma nova era de
intervencionismo. Perante este desafio, os líderes europeus mostram-se nervosos
e incapazes de contrariar “o amigo americano”, enquanto o secretário-geral da
NATO, com o seu historial de subserviência e sabujice, continua a fazer o seu
papel de “agente duplo”. Depois vemos Netanyahu eufórico e Zelensky muito
nervoso, enquanto Putin e Xi Jinping se mostram expectantes.
A narrativa de Donald
Trump de que “a bem ou mal” a Gronelândia será o 51º estado americano, ou que é
o presidente interino da Venezuela, como se autodenominou na sua rede social,
não são só algumas das fanfarronices a que já habituou o mundo, mas são marcas
que definem um homem que quer impor a lei do mais forte, ou simplesmente
ignorar a lei, para satisfazer a sua ambição pelo poder e pelo dinheiro.
A
Venezuela tem muito barril de petróleo, mas é também um barril de pólvora. A
história recente mostrou-nos que a queda dos ditadores do Iraque, da Líbia e da
Síria, que tiveram o dedo americano, não tornaram mais felizes os iraquianos,
nem os líbios, nem os sírios. O futuro dirá o que cai acontecer com os
venezuelanos…
