terça-feira, 5 de abril de 2011

A volta ao Mundo em 339 dias

Integrada no seu regular plano de actividades, a Academia de Marinha promoveu no dia 5 de Abril uma conferência, na qual o comandante Luís Proença Mendes relatou a viagem de circum-navegação efectuada em 2010 pelo navio-escola Sagres, por ele comandado.
O navio-escola Sagres é um navio de apoio à formação marinheira dos futuros oficiais da Marinha, mas constitui também uma embaixada itinerante e uma plataforma de apoio à diplomacia portuguesa.
A viagem prolongou-se por 339 dias, durante a qual o navio visitou 19 países e foi visitado por cerca de 300 mil pessoas.
Na sua interessante exposição, o comandante Proença Mendes destacou os desafios náuticos da passagem do Cabo Horn, a travessia do Pacífico e os fortíssimos temporais no Mediterrâneo. Como aspectos de promoção mais salientes, citou as comemorações do 10 de Junho em São Diego (Estados Unidos), em que milhares de portugueses e luso-descendentes se juntaram à festa, a celebração dos 150 anos do Tratado de Amizade entre Portugal e o Japão e a visita à Exposição de Xangai.
O comandante sublinhou ter verificado a grande aceitação que Portugal e os portugueses têm em todo o Mundo, sobretudo na Ásia, destacando as escalas em Díli e em Goa, mas também em Malaca e em Jacarta, onde ainda há pessoas a falar a nossa língua, a dançar o nosso folclore e a sentir saudades de um Portugal que nunca visitaram.
Com o desprestígio internacional a que os nossos políticos nos têm conduzido, o navio-escola Sagres terá que fazer muitas mais viagens desta natureza.
E viva a Marinha!

Privilégios no BPN

O BPN foi nacionalizado em Novembro de 2008 devido à situação “excepcional”, “delicada” e “anómala” que vivia, com perdas acumuladas que rondavam os 700 milhões de euros e numa situação muito perto da iminente ruptura de pagamentos.
A situação foi-se clarificando com o tempo e, embora sejam apontados diferentes números para quantificar o fraudulento buraco que foi criado pelos desvarios de Oliveira e Costa & Dias Loureiro, essa nacionalização parece ir custar aos portugueses cerca de 4 mil milhões de euros, isto é, mais de 2% do PIB.
Ainda ninguém foi responsabilizado com uma exemplar punição por essa situação, mas os principais autores dessa fraude enriqueceram, andam por aí e os seus patrimónios continuam sem ser beliscados.
Passados mais de dois anos, veio a actual administração do BPN emitir uma sensata ordem de serviço para a recolha de 300 automóveis que estavam atribuídos a chefes de delegação, gerentes, alguns directores e ex-administradores. Porquê só agora?
Alguns destes beneficiários estavam sem funções atribuídas e, nas desgraçadas circunstâncias actuais do banco, ainda são os sindicatos dos bancários que reagem e defendem esses 300 indivíduos contra os interesses de quase 10 milhões.
Chamam a isto sindicalismo?