O Jorge Barros
deixou-nos ontem aos 81 anos de idade, depois de uma longa e corajosa luta
contra o infortúnio. Conterrâneo e colega de escola e de turma, mantive com o
António Jorge Pinto da Costa Barros – tínhamos o hábito de muitas vezes nos tratarmos
pelos nossos extensos nomes – uma amizade que perdurou durante mais de setenta
anos e, entre outras causas comuns como a ligação à terra alcobacense e o culto
pela liberdade e pela justiça social, tinhamos a atracção pelos Açores, pela
sua paisagem natural e pela sua riqueza cultural. Às ilhas dos Açores dedicou
boa parte da sua obra, percorrendo todas as ilhas demoradamente e muitas vezes, conversando com as pessoas, fotografando festas e fajãs, picos e enseadas, faróis e embarcações, baleeiros, romeiros e espantalhos.
Nada escapou à sua atenta objectiva.
O jornal Público
chamou-lhe “o fotógrafo de Portugal e do Atlântico”, porque durante muitos anos
fotografou tudo com atenção e talento – as nossas raízes e as nossas gentes, as
nossas paisagens e os nossos monumentos, além das mais peculiares práticas culturais
e religiosas do nosso Portugal – com arte, com sensibilidade e com
inteligência, como mostram as três dezenas de livros que publicou e a sua participação
em mais de três centenas de exposições. Muitas das suas obras estão associadas
a autores como Orlando Ribeiro, Fernando Pessoa e Raul Brandão, mas também a
outros nomes consagrados da escrita, como Eugénio de Andrade, Fernando Assis
Pacheco, João de Melo, José Cardoso Pires, Lídia Jorge, Manuel Alegre, Mário
Cláudio e Sofia de Melo Breyner.
Homem discreto,
quase a roçar a humildade, escondia uma enorme sabedoria que resultava de muita
leitura e de muita observação, mas era também um conversador inteligente, um contador de estórias e um amigo atento.
Caro Jorge: não
nos voltaremos a encontrar nem por aqui, nem nas Lajes do Pico de que tanto
gostavas.
R. I. P.















