O jornal Granma, o “organo oficial del Comité Central del Partido
Comunista de Cuba, dedicou a sua edição de hoje a Fidel Castro, que era filho de emigrantes
galegos e liderou a guerrilha que tomou o poder em Cuba em 1959, quando tinha
33 anos de idade. Morreu em 2016, mas continua a ser o símbolo da Cuba
socialista e anti-imperialista, numa altura em que já decorrem as celebrações do centenário do seu
nascimento, cujo ponto alto acontecerá em agosto.
Nessa edição, a propósito do
Dia Internacional de los Trabajadores, o presidente Miguel Diaz-Canel convocou
o povo cubano para “un desfile por la paz” e, inspirando-se numa frase de Fidel
Castro, disse que “la Patria se defiende en calles y plazas este viernes
Primero de Mayo al amanecer” e exortou “trabajadores, campesinos, estudiantes,
intelectuales, artistas, deportistas, cubanas y cubanos todos”, para desfilar
hoje “contra el bloqueo genocida y en defensa de la paz”.
Este tipo de
mobilização é habitual em regimes autoritários e personalistas, tanto de
esquerda como de direita, assim tendo acontecido com as figuras de Lenine na
União Soviética, de Adolfo Hitler na Alemanha, ou de Mao Tse-Tung na República
Popular da China, mas também com o português António Salazar, cujas frases
infectaram várias gerações de portugueses. Se Fidel Castro procurou a unidade
cubana com a frase “La Patria se defiende”, o homem de Santa Comba Dão decretava
a unidade nacional em torno da frase “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”,
procurando impor-se como “Salvador da Pátria” com a sua famosa declaração – “Sei muito bem o que quero e para
onde vou”.
Parafraseando uma conhecida figura política portuguesa, dir-se-ia
que, em termos de culto da personalidade, as figuras históricas de Lenine, Mao, Salazar e Fidel foram
“farinha do mesmo saco”.














