segunda-feira, 11 de maio de 2026

A polémica instalação artística em Paris

Terão sido iniciados hoje em Paris os trabalhos de montagem de La Caverne du Pont Neuf, uma instalação temporária de arte urbana concebida pelo artista JR e que vai “transformar” a Pont Neuf, a mais antiga ponte que atravessa o rio Sena na cidade de Paris e que foi construída em finais do século XVI.
A arte urbana ou street art popularizou-se nos últimos anos nos espaços públicos em todo o mundo, desde os mais simples graffiti até às mais complexas instalações (krafts), que combinam arquitectura, escultura, multimedia e até pessoas, de forma a envolver emocionalmente o visitante.
La Caverne du Pont Neuf terá 120 metros de comprimento e presta homenagem aos artistas Christo e Jeanne-Claude, que em 1985 “embrulharam” aquela ponte e, mais tarde, revestiram o Arco do Triunfo. Agora o artista JR vai transformá-la numa gigantesca caverna que estará aberta ao público gratuitamente, de dia e de noite, de 6 a 28 de junho, mas onde não haverá circulação de automóveis e apenas poderão transitar peões e ciclistas.
A estrutura terá a aparência de uma massa rochosa, cuja estrutura será apoiada em módulos têxteis insufláveis, pesará cinco toneladas e não exigirá fundações invasivas. O ar será o principal material utilizado para minimizar o peso, o transporte e o impacto no local. Os 18.900 metros quadrados de tecido foram impressos com tintas à base de água e, em seguida, trabalhados artesanalmente por 25 artesãos numa empresa da Bretanha.
O diário Le Parisien dedica a primeira página da sua edição de hoje a esta iniciativa artística que é muito polémica e daí que a sua edição online tivesse sido “invadida” por comentários, de que transcrevemos apenas dois:

- Quanto custa tudo isso? Esta ponte é linda por si só. Por que estragá-la, mesmo que temporariamente? Esse dinheiro poderia ser usado de forma mais inteligente. Para salvar igrejas, castelos, monumentos em perigo... Chambord, por exemplo!

- Excelente iniciativa, original, extremamente criativa e ambiciosa, tudo em homenagem ao trabalho de Christo e Jeanne-Claude. Mal posso esperar para estar lá.

É caso para dizer que “o mundo fala de tudo tenha ou não tenha razão”, como nos ensina a fábula de ”O Velho, o Rapaz e o Burro”.

sábado, 9 de maio de 2026

O separatismo também ameaça o Canadá

Alberta é uma das dez províncias do Canadá, tem 661.848 km² de extensão (sete vezes maior que Portugal) e, com quase cinco milhões de habitantes, é a quarta província mais populosa do país depois de Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica. É a região mais rica do Canadá, com abundantes recursos naturais, designadamente carvão, petróleo e gás, mas há quem queira torná-la independente, conforme revela a edição de hoje do jornal National Post, que se publica em Toronto.
Embora as reivindicações independentistas sejam correntes na Europa, por exemplo na Catalunha, na Escócia, na Flandres, na Córsega ou no País Basco, são uma verdadeira surpresa no Canadá, mas o facto é que o jornal alerta os seus leitores com a manchete “why Canadians need to take Alberta’s Separatist Movement seriously”.
Segundo o jornal, há razões históricas para alimentar o movimento separatista, pois os albertenses acusam as províncias ocidentais e os Liberais que têm governado o país, de “alienação ocidental”, isto é, de uma contínua sabotagem ao seu desenvolvimento e de aproveitamento dos seus recursos naturais, que serão mais dirigidos para a economia nacional do que para a economia local. Daí que o movimento separatista Stay Free Alberta, dirigido por Mitch Sylvestre, tenha apresentado uma petição formal para a realização de um plebiscito pela independência de Alberta, que deverá ser realizado ainda no corrente ano. Era necessário recolher 178 mil assinaturas para o efeito (10% dos eleitores de Alberta), mas os organizadores da petição terão recolhido mais de 300 mil. Porém, também há movimentos activos que resistem à ameaça de ser separados do Canadá, ou de se tornarem no 51º estado americano, que afirmam “chegou a hora de defender o Canadá e dizer 'não' ao separatismo”. Um desses movimentos é o Forever Canadian que já recolheu 404.293 assinaturas dos que querem manter-se no Canadá.
O tema está na ordem do dia e justifica-se a manchete do jornal, isto é, o separatismo no Canadá deve ser olhado seriously

A Roménia quer o regresso da Monarquia?

A Roménia é uma república situada no leste europeu que ocupa uma área de cerca de 238 mil quilómetros quadrados com cerca de 20 milhões de habitantes e que tem fronteira com a Hungria, Sérvia, Ucrânia, Moldávia e Bulgária. Faz parte da NATO desde 2004 e da União Europeia desde 2007. O seu território integrou o Império Otomano que “por cerca de 600 anos se expandiu por três continentes” e governou territórios que actualmente constituem a Roménia, mas também a Turquia, o Egipto, a Bulgária, a Grécia, a Hungria, a Jordânia, o Líbano, a Síria, Israel, Albânia, Chipre, Sérvia, Iraque e alguns outros.
Em meados do século XIX o Império Otomano estava em declínio e havia várias guerras no leste europeu. Nesse quadro de conflito, no dia 10 de maio de 1866 as tropas prussianas de Carlos de Hohenzollern-Sigmaringen entraram em Bucareste pela Ponte Mogoșoaiei e, no mesmo dia, na Colina Mitropoliean, ele prestou juramento, afirmando a sua "devoção ilimitada à minha nova pátria e o respeito inabalável pela lei, que absorvi no exemplo do meu povo. Cidadão hoje, amanhã, se necessário, soldado, compartilharei convosco a boa e a má sorte". 
O jovem príncipe, que era irmão da rainha D. Estefânia que casou com o rei D. Pedro V de Portugal, “era três quartos prussiano, da família Hohenzollern, e um quarto francês, por parte de sua avó materna”, tendo-se tornado governante dos Principados Unidos da Moldávia e Valáquia e, mais tarde, em 1881, rei da Roménia, sob o nome de Carlos ou Carol I. Desde então e até 1947, o dia 10 de maio foi comemorado como o Dia Nacional da Roménia, como nos informa a edição de ontem do diário romeno Adevarul que se publica em Bucareste e que o Google Tradutor nos ajuda a ler.
O jornal explica como Carlos I “conseguiu transformar a Roménia de ‘problema oriental’ em ‘potência regional’, elogia o seu longo reinado de 48 anos, defende o regresso do dia 10 de maio como Dia Nacional da Roménia e, até certo ponto, sugere o regresso da Monarquia que foi extinta em 1947, quando Miguel I (1921-2017), que reinou de 1940 a 1947, foi forçado a abdicar pelo regime comunista apoiado pela União Soviética e a Roménia se tornou uma república.
A edição de fim-de-semana do Adevarul não só “ressuscita” Carlos I e lembra “os tempos gloriosos da monarquia”, como mostra que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e que “todo o mundo é composto de mudança”, como escreveu o nosso Luís de Camões.   

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Gente que conta: “Le monde selon Vhils”

Alexandre Manuel Dias Farto é um artista português nascido em 1987 no Seixal, que se tem destacado nas áreas do graffiti e da street art, sobretudo através dos seus “rostos” que são esculpidos ou pintados em muros e paredes. Assina as suas obras como Vhils e é por esse nome que é conhecido, aqui e além-mar, pois os seus trabalhos encontram-se em inúmeros países e, naturalmente em Portugal, onde retratou Zeca Afonso e Amália, Sofia e Saramago, entre muitas outras figuras e factos. Recentemente, foi escolhido por Marcelo Rebelo de Sousa para fazer o seu retrato que figura na Galeria dos Presidentes no Palácio de Belém, o que lhe aumentou a notoriedade nacional.
Agora, a prestigiada revista francesa Courrier International decidiu escolher como “invité spécial” da sua edição nº 1853 de 7 de maio, esta “figura maior da arte urbana” e escolheu como capa um dos rostos que desenhou e, como manchete, a frase “Le monde selon Vhils”. A reportagem que é abundantemente ilustrada com obras de Vhils espalhadas pelo mundo, salienta:
“É importante destacar que esta edição com Vhils é inédita em vários aspetos. Em primeiro lugar, é a primeira vez na história do Courrier International que           convidamos um artista para colaborar connosco. Mas é também a primeira vez que concebemos o nosso jornal em parceria entre dois países. Durante quase quatro meses, as nossas equipas e as equipas de Vhils, sediadas em Portugal, trabalharam em conjunto para criar esta edição”.
E aqui está como uma figura da arte e da cultura portuguesa atravessa fronteiras e tem “quelques œuvres majeures autour du monde”, em cidades como Lisboa e Porto, Londres e Los Angeles, Bruxelas e São Paulo, Macau e México City, Pequim e Shanghai, Praia e Cincinnati, Hong Kong e Paris, Rio de Janeiro e San Diego, Fremantle e Dubai. 
Bravo!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau é atracção para o turismo chinês

Através do jornal ponto final. que é um dos jornais em língua portuguesa que se publica na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, vamos conhecendo alguma coisa do que por lá se passa, quando já são decorridos 26 anos desde o fim da soberania portuguesa no território.
A mais recente edição do jornal destaca na capa uma fotografia das Ruinas de São Paulo, isto é, da antiga Igreja da Madre de Deus e do anexo Colégio de São Paulo, que em 1835 foram destruídos por um incêndio, dando notícia da Semana Dourada e do movimento turístico no território. A Semana Dourada abrange os cinco dias de feriado do Dia do Trabalhador que se festeja no território continental da China e, nesses dias, o território de Macau atrai ainda mais multidões de chineses. 
De acordo com as autoridades macaenses, nos primeiros três dias e meio da Semana Dourada o território recebeu 772 mil visitantes e, só no dia 2 de maio, entraram cerca de 248 mil visitantes, mais 20 mil que no mesmo dia do ano anterior, o que representava o número máximo de visitantes de Macau num só dia.
Nos nove postos fronteiriços de acesso ao território, as Portas do Cerco concentraram quase metade (49,3%) do total de entradas registadas nos três primeiros dias de feriado, em que foram contabilizadas 2.481.619 entradas e saídas de visitantes e não visitantes, perfazendo uma média diária de 827.206 movimentos transfronteiriços diários, o que significa que há milhares de chineses que todos os dias entram e saem de Macau, uns como turistas e outros para trabalhar, estudar ou fazer compras.
Macau, que muitos portugueses bem conhecem, tem atualmente cerca de 700 mil habitantes e em 2025 recebeu 40,1 milhões de turistas, enquanto Portugal recebe anualmente cerca de 30 milhões de turistas. Estes números mostram que Macau é uma atracção para o turismo chinês, mas que continua a ser uma bela memória da expansão marítima portuguesa.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Donald Trump, o aproveitador

A mais recente edição do jornal Libération é demolidora para Donald Trump, tanto pela sua acusadora manchete ao afirmar que “desde a sua reeleição, segundo a revista Forbes, o presidente dos Estados Unidos e sua família teriam embolsado 1,4 mil milhões de dólares”, mas também pela imagem da capa que mostra uma estátua de Donald Trump feita de metal maciço banhado a ouro, em que a personagem se apresenta de punho erguido – “une image qui fait presque mal aux yeux”. 
A jornalista Alexandra Schwartzbrod chama-lhe ”aproveitador” e desvenda a mistura de interesses e de negócios deste homem de excessos, de narcisismo doentio e de fanfarronice, que usa a desinformação e a ameaça para satisfazer os seus interesses. Convencido de que está protegido por uma capa de invencibilidade e de super-herói, ele confunde os limites e explora a sua posição presidencial para cobrar por tudo o que leva o seu nome, desde os seus caricatos bonés até aos hotéis e campos de golfe que lhe pertencem, ou que controla, nos quais as suas iniciais aparecem estampadas em letras douradas. O mesmo acontece com o seu famoso resort Mar-a-Lago, na Florida, onde são cobrados preços exorbitantes pela condição de membro, ou por quaisquer alugueres.
O trabalho jornalístico também trata das guerras de Trump e dos que delas beneficiam, referindo que “o Pentágono está a esvaziar os seus cofres ao despejar o equivalente a mais de mil milhões de dólares em bombardeamentos no Irão todos os dias, segundo estimativas da Forbes”. A indústria da guerra floresce e Donald Trump e os seus amigos aproveitam. 
Porém, o remate mais incisivo no demolidor texto do Libération está na seguinte frase: “Basicamente, seja você um chefe de Estado ou um empresário, se quiser um favor de Trump, basta pagar”.
Nos seus túmulos, os pais fundadores da nação que em 1766 assinaram em Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos, devem dar voltas…

terça-feira, 5 de maio de 2026

A China consolida posições estratégicas

O jornal The New York Times destaca hoje na sua edição internacional que “a China está a transformar um recife num posto avançado”, publicando uma série de imagens satélite que mostram como têm evoluído os trabalhos de aterro e expansão no Antelope reef. Este recife faz parte das ilhas Paracel, que se situam no Mar do Sul da China, onde a China, Taiwan, Vietname e Filipinas disputam espaço e influência. Porém, os chineses não perdem tempo e estão a criar uma ilha artificial de considerável dimensão, para nela instalar um grande posto militar avançado com capacidade para receber infraestruturas de grande porte, incluindo pistas de aviação e portos.
A campanha de construção de ilhas artificiais no Mar do Sul da China pelos chineses, sobretudo nas ilhas Spratly e Paracel, tinha começado em meados da década de 2010, esteve suspensa durante alguns anos, mas agora arrancou com força, devido às novas circunstâncias internacionais, em que a China quer consolidar posições estratégicas.
A mesma edição do jornal The New York Times inclui dois importantes artigos de opinião, os chamados “guest essay” ou ensaio de convidado. Um deles é assinado por Scott Anderson e tem o curioso título “Operação Fúria Épica, conheça a Operação Erro Colossal”; o outro, que é assinado por Christopher Caldwell e que tem destaque de primeira página, tem por título “Os Estados Unidos são oficialmente um império em declínio”
Aqui está, como dois artigos de opinião publicados num importante jornal americano, contrariam tudo o que as nossas televisões diariamente nos impingem sobre Donald Trump e a sua governação, deixando tantos portugueses enganados.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Vem aí a época dos incêndios florestais

A edição de ontem do diário catalão el Periódico publica uma sugestiva ilustração em que o território espanhol da Península Ibérica aparece cercado pelo fogo e que, em manchete, escreve que “España olvida outra vez la prevención de incendios”.
Qualquer português que observe esta ilustração, ou que leia esta notícia, interroga-se sobre o que está, ou não está, a ser feito em Portugal para nos prevenirmos dessa calamidade que são os incêndios florestais que todos os anos nos ameaçam e que têm devastado vidas e bens. Porém, há que destacar que em Portugal o assunto não tem sido esquecido e que até está na ordem do dia.
Há cerca de um mês o ministro da Administração Interna (MAI) reconhecia que “o Verão vai ser muito duro” e elogiava o trabalho que estava a ser feito para prevenir os incêndios florestais, sobretudo nas zonas devastadas pelas recentes tempestades, porque “podem vir a ser seriamente afetadas”. Também estão a decorrer muitas acções de sensibilização e de esclarecimento da população para a defesa da floresta, lembrando sempre que o prazo legal para execução dos trabalhos de limpeza florestal termina a 30 de junho.
Entretanto, foi criado o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), com os Ministérios da Defesa, da Administração Interna e da Agricultura a juntar esforços na prevenção de fogos florestais e para assegurar a necessária eficácia e uma boa articulação de meios e esforços, tendo o MAI avisado que “tem de ser um combate de todos” e que “é possível trabalharmos em equipa” através de uma “mudança de mentalidade”.
Espera-se que estas medidas não sejam apenas de propaganda e que haja vontade de acabar com os excessos de protagonismos de políticos, bombeiros, proteção civil, autarcas e até alguns militares, mas cá estaremos para ver o que vai acontecer…

domingo, 3 de maio de 2026

Sagrada Família: uma obra com 144 anos!

O Temple Expiatori de la Sagrada Família, ou simplesmente Sagrada Família, é um grande templo católico em construção em Barcelona, que foi desenhado pelo arquitecto catalão Antoni Gaudi e que foi iniciado em 1882, isto é, está em construção há 144 anos. Com a recente instalação da parte mais alta da cruz que mede 17 metros de altura e 13,5 metros de largura, o templo passa a ter 172,5 metros, tornando-se a construção mais alta de Barcelona e a igreja mais alta do mundo.
A longa duração da construção resulta do seu financiamento resultar de doações e venda de ingressos, mas também da complexidade da obra com três fachadas principais e 18 torres, entre outras circunstâncias incluindo a guerra civil de Espanha,
No próximo dia 10 de junho – dia em que se evocam 100 anos da morte de Gaudi – o Papa Leão XIV irá abençoar a Torre de Jesús, a última a ficar concluída. A visita papal e o avanço da obra despertaram o interesse de todos os espanhóis, mas também dos mass media internacionais. O jornal La Vanguardia que se publica em Barcelona publicou uma extensa reportagem da jornalista Sara Sans sobre o entusiasmo que a visita do Papa está a suscitar e refere que a lotação da basílica “está esgotada” até essa data, o que supera todas as expectativas. Essa reportagem anuncia, também, que no ano passado “entraron en el interior de la basilica 4,87 millones de visitantes (un 89% extranjeros), lo que se tradujo en unos ingressos de 130 millones de euros”.
A Sagrada Família é, de facto, um caso único no mundo.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cuba e a sua fidelidade a Fidel Castro

O jornal Granma, o “organo oficial del Comité Central del Partido Comunista de Cuba, dedicou a sua edição de hoje a Fidel Castro, que era filho de emigrantes galegos e liderou a guerrilha que tomou o poder em Cuba em 1959, quando tinha 33 anos de idade. Morreu em 2016, mas continua a ser o símbolo da Cuba socialista e anti-imperialista, numa altura em que já decorrem as celebrações do centenário do seu nascimento, cujo ponto alto acontecerá em agosto.
Nessa edição, a propósito do Dia Internacional de los Trabajadores, o presidente Miguel Diaz-Canel convocou o povo cubano para “un desfile por la paz” e, inspirando-se numa frase de Fidel Castro, disse que “la Patria se defiende en calles y plazas este viernes Primero de Mayo al amanecer” e exortou “trabajadores, campesinos, estudiantes, intelectuales, artistas, deportistas, cubanas y cubanos todos”, para desfilar hoje “contra el bloqueo genocida y en defensa de la paz”.
Este tipo de mobilização é habitual em regimes autoritários e personalistas, tanto de esquerda como de direita, assim tendo acontecido com as figuras de Lenine na União Soviética, de Adolfo Hitler na Alemanha, ou de Mao Tse-Tung na República Popular da China, mas também com o português António Salazar, cujas frases infectaram várias gerações de portugueses. Se Fidel Castro procurou a unidade cubana com a frase “La Patria se defiende”, o homem de Santa Comba Dão decretava a unidade nacional em torno da frase “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”, procurando impor-se como “Salvador da Pátria” com a sua famosa declaração – “Sei muito bem o que quero e para onde vou”. 
Parafraseando uma conhecida figura política portuguesa, dir-se-ia que, em termos de culto da personalidade, as figuras históricas de Lenine, Mao, Salazar e Fidel foram “farinha do mesmo saco”.

Uma notável proeza de um atleta queniano

Foi no dia 26 de abril que Sabastian Kimaru Sawe, um maratonista queniano de 31 anos de idade, conseguiu a extraordinária proeza atlética de correr os 42,195 quilómetros da Maratona de Londres em 1.59:30. Tratou-se de um resultado histórico pois nunca ninguém completara esta prova em menos de duas horas e o jornal espanhol Marca deu-lhe honras de primeira página e, por um dia, esqueceu o futebol.
A maratona é uma prova que interessa os portugueses que tiveram em Carlos Lopes e Rosa Mota os seus grandes campeões, ambos com medalhas de ouro olímpicas.
No dia 12 de agosto de 1984 – já lã vão quase 42 anos – todos rejubilamos quando Carlos Lopes conseguiu a primeira medalha olímpica de ouro para Portugal ao vencer a Maratona de Los Angeles em 2.09:21, o que na altura constituiu um novo recorde olímpico.
Agora, este queniano gastou quase 10 minutos a menos para fazer o mesmo percurso, o que é verdadeiramente notável. Porém, há uma curiosidade em torno desta proeza. As grandes marcas desportivas vinham procurando criar umas sapatilhas especiais e a Adidas parece que se adiantou à Nike. Sabastian Sawe correu com sapatilhas Adizero Adios Pro Evo 3, o modelo da Adidas com menos de 100 gramas que foi desenvolvido para maximizar a eficiência energética e que cria um efeito de retorno de energia que reduz o custo fisiológico ao longo da prova. “O ténis é muito bom, muito leve, confortável e oferece bastante suporte, além de impulsionar para frente”, disse o Sabastian. Não se lhe tira o mérito, mas

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O 25 de Abril é o dia mais bonito do ano

As comemorações do 52º aniversário do 25 de Abril foram uma grande festa popular e confirmaram o que o jornal Expresso escrevera dois dias antes ao referir-se à ”tarde mais bonita do ano na avenida da Liberdade - e noutros pontos do país”.
Embora tenham acontecido as mais diversas cerimónias comemorativas por todo o país – sessões solenes e manifestações, jantares e almoços, exposições e concertos, colóquios e conferências, arraiais e concursos, corridas e outros eventos desportivos, para não referir essa parolice bizantina de ligar o teatro e um só actor ao 25 de Abril – o ponto alto das comemorações do 25 de Abril continua a ser o grandioso desfile popular que sempre se realiza na avenida da Liberdade em Lisboa, com milhares de pessoas, em grande unidade e de cravo na mão, a celebrar a Liberdade e a Democracia, sendo evidente o envolvimento das novas gerações, de que é exemplo aquele jovem que empunhava um simples cartaz em que afirmava ”eu não estava lá, mas agora estou aqui!”.
Por tudo isto, o 25 de Abril está vivo e povo gritou bem alto: “25 de Abril sempre!”.
Porém, os festejos deste 52º aniversário também tiveram um novo aliciante, que foi ver o Presidente da República de cravo ao peito e de se afirmar, sem quaisquer equívocos, um homem do 25 de Abril e de assumir a defesa dos valores de Abril, não deixando de ser curioso e eloquente que, na sessão solene da Assembleia da República, a sua mulher vestisse de vermelho e a mulher do primeiro-ministro vestisse de preto...
As televisões estiveram bem ao divulgar as imagens essenciais da grande festa, mas a imprensa esteve distraída e até o jornal Público, que destacou a festa do 25 de Abril com uma fotografia na sua primeira página a cinco colunas, se limitou a escrever em tímida manchete que “o Presidente falou para os jovens e as ruas encheram-se de cor”. É pouco, para descrever o que se viu…

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Feira de Sevilha já anima a Andaluzia

A Feira de Sevilha é uma das festas mais internacionais e populares das famosas festividades espanholas e começa hoje à noite com o Alumbrado, ou iluminação de mais de 28 mil  lâmpadas coloridas do recinto de Los Remedios e da sua entrada principal, ou Portada, que tem cerca de 50 metros de altura e todos os anos é diferente. Hoje, a edição de Sevilha do diário ABC tem como legenda a frase “hoje e sempre” e publica em primeira página a fotografia da Portada, que este ano é “dedicada al Pabellón de Portugal”.
Até ao dia 26 de abril a cidade de Sevilha vai viver para a feira e receber muitos milhares de visitantes, com muita música, dança, gastronomia e animados convívios de familiares e amigos em tendas coloridas, enquanto as pessoas se passeiam em ricas carruagens pelas avenidas principais da cidade e usam trajes típicos da Andaluzia, isto é, os homens com roupas tradicionais do campo e as mulheres com trajes flamencos ou ciganos. Durante o dia, centenas de amazonas e cavaleiros passeiam a cavalo pelo recinto da feira e, o turista mais abonado ou mais interessado, também pode alugar um cavalo. Um outro elemento essencial da festa são as corridas de touros na Plaza de Toros de la Maestranza com um programa diário que atrai milhares de aficionados, embora este ano esteja prejudicado pela colhida do famoso matador Morante de la Puebla, acontecida ontem na corrida de abertura da feira e que o jornal ABC e outros jornais relatam com fotografia em primeira página.
A Feria de Sevilla é uma grande festa que atrai muitos portugueses e é uma das grandes celebrações do país vizinho.

domingo, 19 de abril de 2026

Pedro Sánchez, o novo superstar europeu

A cidade de Barcelona assistiu ontem a uma cimeira progressista “em defesa da Democracia” em que, para além de outros dirigentes internacionais, se destacou a presença de Lula da Silva, que disse que “nenhum país, por maior que seja, tem o direito de impor regras aos outros”, e de Pedro Sánchez, que afirmou que “não basta resistir, temos de propor”. 
A cimeira visou a constituição de uma frente internacional das esquerdas e dos centro-esquerdas mundiais contra Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas também contra os outros líderes da extrema-direita que são seus aliados. Na sua edição de hoje o jornal El País destacou este acontecimento em primeira página e transcreve algumas das declarações produzidas durante a cimeira.
- “Gracias por haber salvado el alma de Europa”, disse Giacomo Filibeek, o secretário-geral do Partido Socialista Europeu;
- “Gracias Pedro por tu liderazgo, gracias por demostrar que la agenda progresista funciona, gracias por defender nuestra dignidad com cuatro palabras “no a la guerra”, disse a italiana Elly Schlein, a grande rival de Giorgia Meloni.
O presidente brasileiro Lula da Silva disse que “não se pode dormir e acordar todos os dias com um Presidente ameaçando o mundo” e elogiou Pedro Sánchez “porque tuvo la valentia de no permitir que los aviones de guerra de EE UU salieran de aquí para bombardear Irán”.
A cimeira teve a participação da presidente mexicana Claudia Sheinbaum e do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Dos Estados Unidos chegaram apoios à iniciativa de Pedro Sánchez e de Lula da Silva, designadamente de vários democratas como Tim Walz, Zohran Mamdani, Bernie Sanders e Hillary Clinton, afirmando que esta iniciativa é “o trabalho da nossa era”, mas Tim Walz, que foi candidato presidencial derrotado em 2024, destacou-se ao afirmar que Trump "é um ditador" e que "o fascismo está pelo mundo". 
Na linha do Papa Leão XIV que disse não ter medo de Trump, surgiu Pedro Sánchez como o mais destacado e corajoso opositor europeu dos desmandos e das ilegalidades de Donald Trump, cujo ataque ao Irão parece estar a ser um fiasco, sobretudo… nos Estados Unidos. 
Pedro Sánchez tornou-se de facto num superstar europeu.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Leão XIV aos tiranos: chega de guerras!

O jornal The Washington Post é um dos mais influentes jornais dos Estados Unidos, sobretudo em questões de política internacional, sendo muito respeitado pelos seus rigorosos padrões jornalísticos.
Porém, nos tempos que correm, a leitura de jornais não é tarefa fácil. Neste respeitado jornal, como em todos os jornais, o leitor deverá ter atenção aos temas dominantes, mais ou menos sensacionalistas e mais ou menos verdadeiros, mas também deverá saber distinguir o que é opinião e o que é notícia e, neste caso, deve procurar saber se essa notícia relata um acontecimento verdadeiro, ou não verdadeiro.
Ao contrário das nossas televisões que a cada minuto nos impingem Trump, Netanyahu e a sua loucura destruidora, a edição de hoje do jornal The Washington Post tem o Papa Leão XIV e a sua viagem de dez dias a quatro países africanos como o principal tema de capa, com uma fotografia da sua chegada à República dos Camarões. A legenda da fotografia salienta que “dias depois dos insultos do presidente Donald Trump”, “o Papa nascido em Chicago”, fez “um veemente apelo à paz e condenou o que descreveu como um ‘punhado de tiranos’ que estão a devastar o mundo”.
No discurso então pronunciado, o Papa disse que “o mundo tem sede de paz” e que “chega de guerras, com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados.”
A palavra do Papa é uma lição de coragem e de lucidez perante a alucinação da aliança destruidora Trump-Netanyahu e é com alegria que vemos o influente e rigoroso jornal The Washington Post a alinhar do lado da paz e a ignorar o Donald. Porém, a palavra do Papa tem sido muito ignorada em Portugal, o que é uma vergonha num país que, no artigo 7º da sua Constituição, defende “a solução pacífica dos conflitos internacionais”.