Portugal está a viver tempos muito difíceis, com uma sucessão de fenómenos meteorológicos pouco comuns que têm afetado o país com ventos ciclónicos e destruições, mas também com chuvas diluvianas e inundações, que causaram algumas mortes, muitos desalojados e incalculáveis prejuízos materiais. As tempestades e o enorme desespero que provocaram, foram devidas à passagem das depressões Kristin e Leonardo, que têm sido classificadas como ciclones, sem que haja cuidados na utilização do termo científico mais adequado a cada uma das situações.
A depressão Kristin foi uma ocorrência que atingiu a região centro do país com ventos de grande violência, que destruíram habitações e telhados, edifícios, muitas infraestruturas empresariais, que arrancaram árvores e partiram postes eléctricos, deixando milhares de pessoas sem abrigo, sem energia e sem trabalho.
Inicialmente poucos imaginaram a dimensão da destruição, inclusive o próprio governo e essa coisa que é a Proteção Civil, o que contribuiu para a angústia e para o sofrimento de milhares de pessoas. Escreveu-se que foi “a força da natureza associada à incompetência e irresponsabilidade”. Diz o povo que “uma desgraça nunca vem só” e logo apareceu a depressão Leonardo, que embora não tenha tido a fúria destruidora da depressão Kristin, deixou o país novamente em sobressalto, com muita chuva, inundações, desabamentos de terras e isolamento de algumas povoações ribeirinhas, como não havia memória de antes ter acontecido.
Hoje, com destaque, o Jornal de Notícias publica uma fotografia de Ereira, uma aldeia do concelho de Montemor-o-Velho, que está absolutamente isolada pela cheia do rio Mondego. É apenas um exemplo das dificuldades que se atravessam e que revelam duas realidades bem diferentes em Portugal: de um lado o povo que sofre e aqueles que, voluntários e solidários o ajudam, enquanto do outro lado andam figurões com títulos diversos, que não sabem nem percebem o que se passa, mas que insistem em aparecer na televisão.














