A edição de hoje
do diário francês La Croix, um jornal católico que
se publica em Paris e que tem uma alargada difusão por todo o país, para além
do seu habitual noticiário geral, inclui uma desenvolvida reportagem, que também é uma homenagem
dedicada a Robert Schuman.
Robert Schuman
(1886-1963) foi um verdadeiro europeu, pois nasceu no Luxemburgo, estudou na Alemanha e
radicou-se em França, onde exerceu advocacia e teve actividade política como
democrata-cristão. Durante a guerra integrou a Resistência Francesa e foi preso
pela Gestapo. Com o fim da II Guerra Mundial tornou-se 1º Ministro da França (1947-1948) e seu Ministro dos Negócios Estrangeiros (1948-1953), tendo nessa condição feito um
famoso discurso em Estrasburgo, no dia 9 de maio de 1950, que ficou conhecido
como a Declaração Schuman.
Nessa histórica
declaração lida quando a Europa ainda estava devastada pela guerra, Schuman disse que
qualquer guerra entre a França e a Alemanha, rivais históricos, se tornaria
"não apenas impensável, mas materialmente impossível" e declarou que
"a paz mundial não pode ser salvaguardada sem esforços criativos
proporcionais aos perigos que a ameaçam". Além disso, defendeu uma Europa
unida, o estabelecimento de relações pacíficas entre todos e propôs que a
produção franco-alemã de carvão e aço ficasse sob a alçada de uma autoridade
internacional, aberta à participação de outros países europeus, daí nascendo a
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que esteve na origem da actual
União Europeia.
Entre 1958 e
1960, Robert Schuman foi o primeiro presidente do Parlamento Europeu que, no
final do seu mandato o distinguiu com o título de Pai da Europa. Robert
Schuman não esteve sozinho na construção da “ideia de Europa” e com ele
estiveram Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gaspieri, Paul-Henri Spaak e
outros grandes estadistas, mas se Schuman hoje ressuscitasse e visse o que está
a acontecer nesta Europa de António Costa, de Ursula von der Leyen e daqueles
que os escolheram, ficaria decepcionado ao verificar que eles não estão a fazer
os “esforços criativos proporcionais aos perigos que ameaçam a Europa”, vindos de
todas as direcções.
Essa é a mensagem implícita do jornal La Croix, ao homenagear
Robert Schuman.














