domingo, 12 de abril de 2026

Lula e o Brasil reconhecidos na Europa

A revista francesa Challenges que é especializada em assuntos económicos e negócios, na sua mais recente edição destacou em manchete de forma muito elogiosa o presidente do Brasil, a quem chamou Lula superstar.
Numa época em que as manchetes das grandes revistas internacionais são ocupadas pelos líderes da Ucrânia e da Rússia, de Israel e do Líbano e, também, do Irão e principalmente dos Estados Unidos, o aparecimento do Brasil e do seu presidente na capa de uma prestigiada revista europeia deve encher de orgulho metade do país e deve deixar os bolsonaristas muito irritados, porque significa que o Brasil e o seu presidente são ouvidos, procurados e respeitados no exterior. 
A revista dedicou a sua capa ao Brasil e ao presidente Lula numa reportagem que se estende por 15 páginas, evidenciando o êxito que foi a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ou COP30, que se realizou em novembro de 2025 na cidade de Belém e que juntou cerca de duas centenas de países, mas também em relação ao Acordo Comercial EU-Mercosul, acelerado pelo Brasil e assinado no Paraguai no dia 9 de janeiro de 2026. Este acordo que abre boas perspectivas comerciais foi negociado durante cerca de 26 anos e espera-se que venha a dinamizar a integração das economias da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai que, com os seus 270 milhões de habitantes, constituem o 6º maior bloco económico do mundo.
O trabalho jornalístico da Challenges também destaca a Embraer, uma “joia da coroa” brasileira que, embora de forma limitada, começa a desafiar o duopólio Airbus-Boeing.
Aqui deixamos o nosso aplauso pelo justo reconhecimento internacional que vem sendo feito ao Brasil e de que os portugueses também muito se orgulham.

O estreito de Ormuz e Afonso Albuquerque

O mundo tem estado suspenso pelo que se passa no Irão e, sobretudo, pelo que se passa no estreito de Ormuz, que é dominado pela ilha de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, destinado principalmente à China, à Índia, ao Japão e à Coreia do Sul.
O estreito liga o golfo Pérsico ao mar Arábico e tem uma largura média inferior a 40 quilómetros mas, no seu ponto mais estreito, que é um corredor por onde os navios podem navegar, tem apenas 3,2 quilómetros de extensão em cada direção, o que o torna facilmente congestionável e perigoso para a segurança da navegação.
O tráfego marítimo no estreito de Ormuz é controlado pelo Irão e, como diz o jornal francês Libération na sua edição de ontem - que publica na capa uma expressiva fotografia do estreito captada por satélite - Ormuz é a “carte maîtresse de l’Iran”, ou o cartão de crédito do Irão. Perante a agressão israelo-americana, as autoridades iranianas tomaram a decisão de “fechar o estreito” para combater os países que acolhem bases militares americanas no golfo Pérsico, o que também introduziu uma grave perturbação na economia mundial.
Há 500 anos este estreito era controlado pelos portugueses, o que significa que “D. Manuel I chegou antes de Trump”, como escreveu a revista Sábado, com base nas crónicas coevas de João de Barros e de Fernão Lopes de Castanheda. O terribil Afonso de Albuquerque ocupou Ormuz em 1507 e iniciou a construção de uma fortaleza, mas teve que abandonar a ilha. Depois conquistou Goa e Malaca e, em 1515, regressou a Ormuz, que dominou e onde fez concluir o forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz que, embora em ruinas, ainda existe.
O estreito de Ormuz está hoje no centro das atenções mundiais, mas entre 1515 e 1622 foi dominado pelos portugueses. Agora é para dominar o estratégico jogo do petróleo, antes era para dominar o negócio das pérolas do Bahrein e dos cavalos persas.
O que a História nos ensina…

sábado, 11 de abril de 2026

O grande sucesso da missão Artemis II

Depois de uma viagem espacial que durou dez dias, a cápsula Orion mergulhou nas águas do oceano Pacífico, ao largo de San Diego, suspensa por três enormes paraquedas, assim terminando a missão da Artemis II. Pouco depois os quatro astronautas saíram da cápsula com evidente desembaraço e esse foi o sinal mais evidente do grande sucesso científico e operacional da sua missão, em que foram mais longe da Terra do que qualquer ser humano antes tinha estado e viram (e fotografaram) a face oculta da Lua).
Os tripulantes da Orion - Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen – formaram uma equipa singular, diversificada e multinacional, que a NASA escolheu para mostrar as mudanças havidas na sociedade e na cooperação internacional. Nesta missão, pela primeira vez voaram até à Lua uma mulher, um astronauta negro e um não americano, o que mostra uma visão do mundo bem diferente daquela que a actual administração americana pretende impor.  Os quatro astronautas regressaram sãos, salvos e com a missão cumprida, o que representou um enorme sucesso para a NASA, “após dezenas de milhares de milhões de dólares, anos de atraso e muitas dúvidas sobre o interesse em relançar a conquista lunar”.
O regresso da missão Artemis II processou-se com toda a perfeição a velocidades que são inimagináveis e foi transmitido em directo pela televisão. Numa altura de grande tensão no mundo e em que se desenha uma possível crise económica no horizonte, o mundo assistiu com alegria a este grande momento da história do homem.
Hoje, a imprensa imprensa mundial destacou a amaragem bem-sucedida da Orion, assim acontecendo com o diário texano Houston Chronicle, que se publica na cidade onde a NASA desenvolve o seu trabalho principal.

O ‘duo infernale’ e o regresso à barbárie

A expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras” é muito utilizada nos modernos processos de comunicação, porque é sabido que as imagens facilitam a compreensão e são processadas no cérebro humano muito mais rapidamente do que qualquer texto ou explicação verbal.
Por isso, a capa da última edição da revista alemã Stern recorreu a esse princípio da comunicação para definir as figuras de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu, que classifica como o duo infernale, mostrando as suas expressões furiosas e agressivas, que dizem mais do que tudo o que se possa escrever a respeito da forma violenta, brutal, cruel e desumana como conduzem as suas injustas e destruidoras guerras.
Na história recente da Humanidade não há quaisquer outros exemplos de agressividade, brutalidade e crueldade como as que são exibidas diariamente por aquele duo infernale, tanto nas suas atitudes ameaçadoras e boçais, como nos bombardeamentos que ordenam sem piedade e sem compaixão, que tudo arrasam e que levam a morte a milhares de pessoas indefesas, o que representa uma enorme falta de respeito pela lei internacional e uma contínua violação dos direitos humanos. Há cada vez mais gente a denunciar este duo infernale pela prática de crimes de guerra, pois assim se define o sistemático e cruel ataque que autorizam contra populações e instalações não militares, incluindo escolas e hospitais. Assim, é muito preocupante assistirmos à indiferença, ou ao apoio explícito que estes tiranos têm nas agências noticiosas internacionais, mas também nas televisões portuguesas onde têm demasiado tempo de antena, considerando-se natural que Trump declare que “uma civilização inteira vai morrer esta noite”, ou que Netanyahu afirme que vai destruir o Líbano, como fez em Gaza. 
O que aconteceu em Gaza, tal como o que está a acontecer no Líbano e no Irão, envergonha a Humanidade, é um regresso à barbárie e à lei da selva, enquanto a Europa e os seus líderes assistem a esta regressão civilizacional com uma chocante cumplicidade, com a excepção honrosa da Espanha, que aqui se saúda.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O sonho vivo de uma grande Catalunha

A Catalunha é uma das 17 comunidades autónomas da Espanha e, tal como acontece com o País Basco, com a Galiza e com outras regiões peninsulares, nela existe um acentuado sentimento independentista, resultante da sua história, da sua língua e da sua cultura e, naturalmente, do seu distanciamento geográfico em relação ao centralismo de Madrid. Dizem os roteiros que a sua capital é Barcelona e que a região tem 7,5 milhões de habitantes, distribuídos pelas províncias de Barcelona, Girona, Lérida e Tarragona.
Porém, a grande Catalunha, ou a pàtria catalana, é uma entidade cultural e linguística que se estende para além dos limites geográficos da comunidade autónoma que tem a capital em Barcelona, prolongando-se para sul até à Comunidade Valenciana e para norte até à Catalunha Francesa, ou Catalunya del Nord, e ainda para as ilhas Baleares e para a parte oriental da ilha italiana da Sardenha.
Numa das suas edições mais recentes, o jornal El Punt Avuidiari independent, català, comarcal i democratic – publicou uma extensa reportagem sobre a população catalã destas regiões e que neste primeiro quarto de século XXI, embora de forma assimétrica, se aproxima dos 16 milhões de cidadãos espanhóis, franceses e italianos que, sob o ponto de vista linguístico e cultural, são catalães.
Naturalmente, por razões de sensibilidade política, a ilustração da capa do jornal ignora a Catalunha Francesa e a parte oriental da ilha Sardenha, designadamente a região de Alghero, que aqui designamos como a Catalunha Italiana, mas esta reportagem jornalística mostra que o sonho de uma Catalunha independente e com pleno assento na União Europeia não morreu com a desastrada tentativa de independência que Carles Puigdemont encabeçou em 2017.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Canhões ou manteiga? O povo que escolha.

Embora já se soubesse, até porque é uma evidência e para ver isso nem é preciso ter estudado Economia, a edição de hoje do quase bicentenário Diário de Notícias vem anunciar na sua primeira página o que o FMI se prepara para dizer, “que a despesa militar vai obrigar a cortes brutais na Saúde, Educação e apoios sociais”.
Esta reação do FMI resulta de um “estudo muito amplo”, em que foram analisados dados históricos desde 1946 a 2024, referentes a várias dezenas de países.
A anunciada corrida à despesa com a defesa nos países da NATO acontece devido à pressão de Donald Trump que “exige” que seja aumentada substancialmente, acrescentada com o apoio irresponsável do sabujo holandês que é o Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, que até teve a ousadia de “exigir” que seja comprado armamento americano.
O facto preocupante é que, em junho de 2025, os estados-membros da NATO se comprometeram a elevar até 2036, a despesa anual com a defesa e áreas relacionadas com a segurança para 5% do PIB, que é mais do dobro da anterior meta de 2%. Com esta decisão, em que a maioria dos líderes dos países “assobiaram para o lado”, talvez à espera que passe o tempo do Donald, terá de haver “cortes brutais na Saúde, Educação e apoios sociais”, como diz o FMI. Nos outros países não sei o que aconteceu, mas aqui em Portugal os governantes também “assobiaram para o lado”.
Estamos perante opções importantes pelo que deve ser o povo soberano a decidir. É preciso saber se o povo português quer canhões ou quer manteiga, utilizando o famoso dilema de Paul Samuelson, que foi prémio Nobel da Economia, porque os portugueses são soberanos e não têm de não seguir os diktats de Trump e de Rutte.  

Missão Artemis II viu a outra face da Lua

A missão Artemis II da NASA está em curso desde o dia 1 de abril com grande sucesso e já ultrapassou o momento mais importante de toda a sua viagem em direcção à Lua, tendo sido a primeira vez que um ser humano viu o Sol eclipsar-se atrás do satélite natural da Terra. 
Nunca o ser humano tinha estado tão longe do nosso planeta e os astronautas da Artemis II já bateram o recorde da maior distância à Terra e já viram o lado oculto da Lua.
A missão Artemis II é o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis que planeia levar astronautas à Lua em 2028, representado um novo incremento no avanço da Ciência e na descoberta espacial.
Recorda-se, aqui, que foram as missões Apollo da NASA que em 1969 levaram Neil Armstrong e Buzz Aldrin a pisar pela primeira vez o solo lunar e que, depois, houve mais dez astronautas que também estiveram na Lua, mas que há mais de cinquenta anos que o programa espacial americano estava desactivado.
As impressionantes fotografias captadas pelos astronautas em que se podem ver a Lua e a Terra, foram publicadas pela imprensa mundial de todas as latitudes, aparecendo na edição de ontem do diário Hoy que se publica na vizinha cidade espanhola de Badajoz.
Se Júlio Verne tivesse assistido a tudo isto, não tinha precisado de ter tanta imaginação na sua criação literária.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O recuo de Trump e o fanatismo do Donald

O presidente dos Estados Unidos anunciou um cessar-fogo por duas semanas no conflito que o opõe ao Irão, na sequência dos esforços diplomáticos do Paquistão. Ambos os países reclamam vitória, mas o importante é que a guerra está parada e fica atenuada a hipótese de uma crise económica global. 
O diário The Wall Street Journal, mas também outros jornais americanos, destaca o recuo de Donald Trump e exibe uma fotografia em que se destaca a bandeira do Irão e não a bandeira dos Estados Unidos, mostrando assim que estão do lado do agredido e não apoiam o agressor. O fanfarrão Donald Trump recuou, mas deve ter ficado aliviado porque tinha afirmado e repetido que iria “destruir o Irão esta noite se o estreito de Ormuz não for reaberto” e ter acrescentado, também, que “uma civilização inteira morrerá esta noite”. A sua ameaça é uma declaração criminosa que viola todas as regras da guerra que protegem civis, feridos e prisioneiros, tendo sido tão grave que Paul Krugman, um prémio Nobel da Economia, veio dizer que “a civilização que pode ser destruída esta noite é a nossa”. 
Agora que a agressão está suspensa, começaram a ouvir-se mais vozes denunciando a credibilidade e a moralidade de Donald Trump e da sua equipa, particularmente dessa figura igualmente sinistra que é Pete Hegseth, o secretário da Defesa, ou da Guerra, que foi denunciado pelo ex-presidente Bill Clinton por defender neste conflito “no quarter, no mercy”, isto é, não prisioneiros, não piedade, não misericórdia”. Ora isto é crime de guerra, como disse Bill Clinton que criticou sabiamente os desvarios de Trump.
Donald Trump nunca teve o apoio da maioria dos americanos para fazer esta guerra como mostram as sondagens e basta ver a imprensa americana para constatar essa verdade. Inexplicavelmente, as nossas televisões estão cheias de comentadores que apreciam e elogiam Trump e Hegseth, para além do criminoso Netanyahu, numa postura de evidente subdesenvolvimento cultural.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A voz do Papa também chega à América

Alguns jornais de referência americanos, nomeadamente The Philadelphia Inquirer, mas também o The Washington Post, o The Boston Globe e o Los Angeles Times, destacaram nas suas edições de hoje a imagem do Papa Leão XIV, que até há bem pouco tempo era o cardeal americano Robert Francis Prévost Martinez, repetindo e ampliando o apelo à paz que fez nas cerimónias pascais, ontem realizadas em Roma – choose Peace!
Como notícia secundária, esses jornais referem o resgate do piloto americano que foi abatido no Irão e as continuadas ameaças de Donald Trump que, aparentemente, está fora de si por não ter tido o resultado militar com que sonhou, por ter a opinião pública americana cada vez mais contrária à sua política e porque começa a sofrer internamente o efeito de recessão económica que resultou da crise que provocou com o seu ataque ilegal ao Irão.
O presidente dos Estados Unidos está a ficar encurralado e a tornar-se muito perigoso, não só para o mundo, mas também para os próprios americanos. Exige que os iranianos "abram" o estreito de Ormuz e ameaça destruir o Irão numa só noite, vangloriando-se pessoalmente de tudo o que os militares americanos têm feito. Hoje é evidente que ele não tem agenda, nem propósitos, nem maneiras. É grosseiro e boçal. Envergonha a América. Exibe o seu instinto de narcisismo doentio e de fanfarronice serôdia, seguindo os diktats do criminoso e fanático tirano que é Benjamin Netanyahu.  
A Europa e os seus líderes estão escandalosamente calados – à excepção de Pedro Sánchez – porque, eventualmente têm medo de Trump, mas já não se entende o silêncio cúmplice destes líderes em relação ao criminoso de guerra que é Netanyahu.
E como é triste ver o papel do presidente do Conselho Europeu e, naturalmente, também dessa pequena espécie de estadista que é um tal Rangel…

sábado, 4 de abril de 2026

O erro do Donald e o sorriso de Xi Jinping

A capa da mais recente edição da revista The Economist é ilustrada com uma fotomontagem que mostra o presidente chinês Xi Jinping a sorrir atrás de Donald Trump, enquanto a manchete ajuda a esclarecer ainda mais aquele sorriso: "Nunca interrompa o seu inimigo quando ele está a cometer um erro".
O texto principal da edição explica que foram consultados diplomatas, académicos e especialistas e que quase todos consideram a guerra no Irão como “um grave erro americano”, acrescentando que “muitos chineses dizem que a guerra acelerará o declínio dos Estados Unidos”, o que reforça a ideia dominante na China de que caminham para a perda da sua hegemonia no cenário mundial. Apesar de ser aliada do Irão, a China mantém o seu princípio da não intervenção e defende o fim imediato das hostilidades, esperando vir a tirar proveito do desgaste americano que já se começa a notar.
De facto, já passou mais de um mês desde o início da ilegal agressão americano-israelita ao Irão e são muito contraditórias as notícias que nos chegam da guerra, com ambas as partes a afirmar que vão destruir o adversário. O fanfarrão Donald anda desorientado e diz tudo e o seu contrário, enquanto o fanático Netanyahu continua a matar e destruir barbaramente os seus vizinhos, sem que a Europa o condene com clareza pelo seu comportamento criminoso e atentatório dos direitos humanos.
A iniciativa de Trump foi criticada por alguns líderes como António Guterres, Pedro Sánchez, Emmanuel Macron e poucos mais, mas nos Estados Unidos são cada vez mais as vozes que condenam a guerra e a loucura do Donald, com destaque para Robert de Niro e Bruce Springsteen.
Como mostra The Economist o sorriso de Xi Jinping vale mais do que mil palavras.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Ciência e tecnologia em direcção à Lua

Ontem pelas 18h 36m locais descolou do Centro Espacial Kennedy da NASA em Cape Canaveral, na Florida, o foguetão SLS levando acoplada a nave espacial Orion. É a primeira nave espacial tripulada a sair da órbita da Terra desde 1972, quando a Apollo 17 permaneceu 75 horas na superfície lunar. No seu interior seguiram quatro astronautas – os americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch e o canadiano Jeremy Hansen – que cumprem o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis, com a duração de dez dias e que os levará a dar a volta à Lua. O grupo inclui pela primeira vez uma mulher, um astronauta afrodescendente e um não americano.
Esta é a missão Artemis II, um voo preliminar da missão Artemis IV que está planeada para 2028 e em que se prevê um desembarque lunar.
Numa altura em que muitos americanos e grande parte do mundo contestam as políticas de Donald Trump e a forma como vem desprestigiando os Estados Unidos, através do uso da força e da insensatez com que trata a comunidade internacional, o lançamento da missão Artemis II é um acontecimento que demonstra a capacidade científica e tecnológica americana e a sua capacidade de desenvolver projectos virados para o futuro da humanidade.
O acontecimento foi transmitido em directo por muitas estações televisivas e a generalidade dos jornais de todo o mundo deram notícia fotográfica do lançamento da nave espacial Orion. Por ser uma das mais expressivas, escolhemos a edição de hoje do jornal La Provincia, o diário da cidade canária de Las Palmas, que publica uma fotografia do lançamento e escreve que “La Luna, objetivo en tiempos convulsos”.

Celebrando 50 anos da nossa Constituição

Há 50 anos, no dia 2 de abril de 1976, os 250 deputados que integravam a Assembleia Constituinte votaram e aprovaram por 234 votos, correspondentes a 93,6% do plenário constituinte, a nova Constituição da República Portuguesa, verificando-se que apenas os 16 deputados do CDS votaram contra aquele documento, que consagra a liberdade e os direitos fundamentais dos portugueses.
A Constituição da República Portuguesa entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, exactamente dois anos depois do “dia inicial, inteiro e limpo” e foi preparada num contexto complexo de transição de uma ditadura repressiva para uma democracia, com um processo revolucionário também muito complexo, mas resultou num documento fundador da nossa democracia que concretiza os “valores de Abril” e um regime político democrático, assente na soberania popular, no pluralismo e no Estado de direito. Meio século depois e apesar de já ter passado por sete processos de revisão constitucional – 1982, 1989, 1992, 1997, 2001, 2004 e 2005 – a Constituição da República Portuguesa continua a ser a matriz do nosso sistema político, a protetora dos direitos fundamentais dos cidadãos e a “expressão mais duradoura do pacto cívico e social que emergiu da Revolução de Abril”.
Hoje é dia de festa e o jornal Público associou-se à efeméride reproduzindo na primeira página da sua edição de hoje uma parte do preâmbulo do texto constitucional que foi preparado por uma comissão presidida pela deputada Sophia de Mello Breyner Andresen e de que foi relator o deputado Manuel Alegre, que começa da forma seguinte:

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa 
resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos,
derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma 
transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

Evocar a Constituição da República Portuguesa é evocar o 25 de Abril e os seus valores de Liberdade, Democracia, Paz, Progresso e Solidariedade.
Viva a Constituição da República Portuguesa!

terça-feira, 31 de março de 2026

Portugal e Cabo Verde unidos e fraternos

A última edição do semanário Expresso das Ilhas que se publica na cidade da Praia, inclui uma desenvolvida reportagem sobre o primeiro transplante renal realizado em Cabo Verde, que “foi um sucesso”. É um marco histórico na medicina em Cabo Verde que aconteceu no dia 24 de março no Hospital Universitário Agostinho Neto e, segundo a equipa médica, tanto a dadora como o receptor que são irmãos, estão a recuperar bem da intervenção. A intervenção durou cerca de três horas e contou com uma equipa de cerca de 30 pessoas cabo-verdianas e portuguesas, chefiada pelo cirurgião português António Norton de Matos que, há 43 anos, realizou o primeiro transplante renal na cidade do Porto.
Evandro Monteiro, o gestor do Hospital Universitário Agostinho Neto, reconheceu o mérito da parceria estabelecida entre Cabo Verde e Portugal nesta matéria, com  o empenho da equipa cabo-verdiana e da equipa portuguesa, “sobretudo do Hospital de Santo António, no Porto, que estiveram directamente envolvidos no processo de preparação e realização do transplante” e afirmou que “é para continuar”.
A mesma edição do Expresso das Ilhas noticia, também em primeira página, que o jornal assegura a distribuição em exclusivo em Cabo Verde de uma edição especial de “Os Lusíadas”, no âmbito das comemorações do V Centenário de Luís de Camões. Essa edição será publicada em fascículos a serem distribuídos na última edição do jornal de cada mês, durante dez meses.
Esta edição mostra que, tanto no plano da cooperação médico-cientifica, como nas vertentes culturais, é realmente enorme a proximidade (e a fraternidade) entre Portugal e Cabo Verde e que não passa apenas pela emoção da morna, ou a da gula pela cachupa.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Os americanos em protesto contra Trump

Já passou um mês desde que a aliança Netanyahu-Trump decidiu atacar o Irão e, apesar destes dois fanfarrões anunciarem vitórias todos os dias, não parece que os seus adversários estejam derrotados. O evidente controlo da informação que a referida aliança deixa passar todos os dias para os mass media não nos permite saber o que realmente se passa no campo de batalha.
O que é sabido desde o primeiro dia é que não houve justificação para atacar um regime brutal de um país soberano e que, tal como aconteceu com o Iraque em 2003, o ataque ao Irão resulta de uma mentira grosseira. A maioria dos americanos está contra a agressão americana ao Irão desde o primeiro dia e parece que perdeu a paciência com o Donald e com o seu estilo autoritário de governo, com a guerra do Irão que pode ser trágica e humilhante para os Estados Unidos, mas também com as contínuas ameaças à soberania da Venezuela e de Cuba, com a negação das alterações climáticas e com as políticas de imigração e a violência e desumanidade com que são impostas.
No passado fim-de-semana calcula-se que cerca de nove milhões de americanos saíram à rua em todos os 50 estados americanos e sob o lema No Kings, participaram em mais de três mil eventos nas principais cidades, subúrbios e zonas rurais para protestar contra o Presidente dos Estados Unidos. Os organizadores afirmaram que "Trump quer governar-nos como um tirano, mas isto é a América e o poder pertence ao povo – não a aspirantes a reis ou aos seus comparsas bilionários". Em várias cidades do mundo, como Paris, Londres e até no Porto, realizaram-se acções de protesto contra Trump.
O jornal nova-iorquino Daily News dedicou a primeira página da sua edição de ontem ao protesto No Kings em Nova Iorque, em que participaram “tens of thousands”.
E aí está como são sábios os ensinamentos de Sun Tzu, isto é, a derrota de Trump vai acontecer dentro da própria América porque “manter um exército fora do seu país leva ao empobrecimento do povo” e os americanos não aceitam isso.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Uma mulher à frente da Igreja Anglicana

A Igreja da Inglaterra nomeou Sarah Mullally para ocupar o cargo de arcebispa de Cantuária, a posição mais alta da hierarquia da Igreja Anglicana de que passa a ser líder espiritual a nível mundial, sendo a primeira vez que uma mulher lidera aquela instituição religiosa em 1400 anos de história. O jornal The Times destaca este acontecimento com grande destaque na sua edição de hoje e não é caso para menos.
Sarah Mullally tem 63 anos de idade, foi nomeada bispa em 2015 e era a Bispa de Londres desde 2018. Antes de se tornar sacerdotisa aos 40 anos de idade, foi directora da enfermagem da Inglaterra com 37 anos de idade, tendo sido a pessoa mais jovem de sempre a ocupar o cargo.
A nova arcebispa tem um importante papel na vida pública inglesa pois tem assento na câmara alta do Parlamento (Câmara dos Lordes) e participa em em debates sobre questões sociais e religiosas e pode intervir em eventos de importância nacional. Porém, a nova arcebispa de Cantuária inicia o seu mandato num momento difícil para a Igreja Anglicana pois há muitos desacordos e controvérsias em questões sensíveis como o papel das mulheres, a benção a casais do mesmo sexo, os abusos sexuais revelados nos últimos anos e o tratamento das pessoas LGBTQ. A entronização da nova arcebispa decorreu na catedral de Cantuária, na presença do príncipe William e da mulher, do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, bem como de representantes do Vaticano, da Igreja Ortodoxa e de representantes de muitas das 42 igrejas anglicanas. 
O exemplo da Igreja Anglicana e da Inglaterra pode ser que inspire o Vaticano e a Igreja Católica a repensar o papel das mulheres no seu futuro.