sexta-feira, 31 de julho de 2026

"Ceuta, invadida", obriga-nos a pensar

A pressão migratória sobre a Europa continua a ser muito intensa e esse é um dos temas políticos, económicos e humanitários mais complexos da actualidade, colocando desafios à gestão das fronteiras, à integração dos migrantes nas sociedades de acolhimento e à cooperação entre os diferentes estados-membros da União Europeia. 
Este movimento migratório tem raízes essencialmente económicas, mas também resulta do crescimento demográfico, de conflitos armados, de efeitos das alterações climáticas e de perseguição política ou religiosa, mas representa sempre uma fuga à pobreza, à fome e, de uma forma geral, às condições indignas em que vivem milhões de pessoas no mundo, esquecidas pelos ricos e poderosos que se vão ocupando a fazer guerras. A Grécia, a Itália e a Espanha são os destinos mais procurados pelos migrantes através do mar Mediterrâneo mas, actualmente, a rota do Mediterrâneo Ocidental parece ser a que está a ser mais usada e, por terra ou por mar, a cidade autónoma espanhola de Ceuta é um dos objectivos dos migrantes legais ou ilegais que querem entrar na Europa.
Nas últimas horas, segundo informaram as autoridades espanholas, cerca de 49.000 migrantes entraram no enclave de Ceuta em apenas 24 horas, a nado ou saltando vedações, havendo já o registo de 19 mortos. Este número de entradas representa um aumento de quase 50% na população da cidade que tem 83.600 habitantes, resultando numa pressão insustentável sobre alojamentos e alimentos, vendo-se muitas centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas, enquanto mais migrantes continuam a entrar no território. 
O jornal ABC diz hoje que Ceuta foi “invadida”, mas toda a imprensa espanhola se mostrou alarmada. E tem boas razões de alarme, porque se trata uma de violação da integridade territorial da Espanha e do espaço comunitário, que não tem ar de ser espontânea e terá sido "organizada" pelo governo marroquino. Esta situação vem provar quão irresponsáveis e incompetentes são os líderes europeus que continuam a assustar-nos com a ameaça russa e que não sabem o que são direitos humanos, nem que há outros tipos de ameaças ao nosso modo de vida e bem estar. 
Como dizia o Velho do Restelo no Canto IV d’Os Lusíadas, “deixas criar às portas o inimigo, por ires buscar outro de tão longe”.  Nem mais, nem menos.

Infantino, Trump e o futebol como negócio


O Mundial de 2026 já terminou há quase duas semanas com a vitória da selecção da Espanha, mas o balanço do evento começa agora a ser feito, mostrando números inéditos de público nos estádios e de audiências televisivas. Estima-se que nos estádios estiveram 6,81 milhões de espectadores, o que representa uma média de 65.490 espectadores por cada um dos 104 jogos disputados e uma taxa de ocupação dos estádios de 99,7%, apesar dos preços exorbitantes ou mesmo escandalosos dos bilhetes. Estima-se, também, que cerca de 5,2 mil milhões de pessoas – quase dois terços da população mundial – assistiu pelo menos uma vez às transmissões televisivas.
A FIFA previa uma “equação económica” simples para o Mundial: do lado das receitas esperavam-se mais de 7 mil milhões de euros (um crescimento de 56% em relação ao Mundial de 2022), incluindo 3,5 mil milhões de euros de direitos televisivos, enquanto do lado das despesas estavam orçamentados 3,2 mil milhões de euros, nelas se incluindo os prémios às seleções, aos clubes que cederam os jogadores e aos próprios jogadores, mas também as ofertas a Donald Trump e aos seus familiares e amigos. A ser assim, a FIFA terá tido um lucro da ordem dos 3 a 4 mil milhões de euros!
Gianni Infantino, o presidente da FIFA, e Donald Trump, o dono da Trump Tower e presidente do Estados Unidos, devem ter ficado deslumbrados com estes números e “embrulharam-se” em favores e elogios. Infantino atribuiu a Trump o primeiro Prémio da Paz da FIFA e Trump quer ver Infantino como secretário-geral das Nações Unidas, isto é, favor com favor se paga. Agora Infantino quer vender 20% dos direitos comerciais do Mundial, com Trump e a sua família a quererem comprar, embora Trump queira muito mais desta “galinha dos ovos de ouro” que é o futebol.
O jornal L’Équipe pergunta onde é que eles vão parar, nesta corrida que já foi chamada o “negócio do século da FIFA” e que, uma vez mais, vem mostrar o que o futebol é um negócio onde domina a grande corrupção. 

terça-feira, 28 de julho de 2026

O Brasil e os brasileiros que se cuidem...

As declarações insultuosas para o presidente Lula da Silva e para o Brasil, feitas no passado sábado na cidade de S. Paulo por Javier Milei, o presidente da Argentina, estão a dar origem a “uma escalada sem precedentes de crise diplomática entre os dois países”, segundo salienta a edição de hoje do centenário jornal paulista Folha de S. Paulo.
Javier Milei participou na convenção nacional do Partido Liberal que declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, tendo-se referido ao presidente do Brasil como “ladrão” e “presidiário” e a Alexandre de Moraes, que é professor catedrático e ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, como “lixo careca”.
O governo brasileiro reagiu a estes insultos proferidos em território brasileiro e chamou o seu embaixador em Buenos Aires para consultas, segundo a fórmula usada nestes casos pela diplomacia, o que é considerado um gesto diplomático de elevada gravidade.
A atitude de Milei foi também criticada na Argentina, onde Axel Kicillof, o governador da província de Buenos Aires e potencial candidato peronista à presidência da Argentina nas eleições do próximo dia 24 de outubro, repudiou a postura de insultuosa e ofensiva de Milei e disse ter tido “vergonha” das suas afirmações, que “não representam o sentir do povo argentino”. Além disso, Kicillof lembrou que o Brasil é o principal parceiro económico da Argentina e que as declarações de Milei podem colocar em risco empregos, investimentos e interesses argentinos, ao fazer aquelas “palhaçadas” apenas para “apoiar um candidato por ordem de Trump”.
Significa que Bolsonaro já tem o apoio de Donald Trump, de Javier Milei e do Netanyahu, o carniceiro que tem um mandato de captura internacional expedido pelo TPI.
É caso para dizer aos brasileiros que se cuidem…

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ele é o maior ciclista de todos os tempos

Terminou a 113ª edição do Tour de France que é, seguramente, um dos maiores espectáculos desportivos da actualidade, sobretudo pela excelência das suas transmissões televisivas, que nos permitem acompanhar a prova com bastante detalhe informativo, observar o entusiasmo popular que suscita e ver muitas imagens do património natural e arquitectónico francês.
Naturalmente, há competições desportivas que atraem o interesse e o entusiasmo de públicos mais numerosos, como acontece com os Jogos Olímpicos, os grandes torneios de futebol da FIFA e da UEFA, os torneios de ténis do Grand Slam ou as corridas de Formula 1, mas pode afirmar-se que o entusiasmo mobilizador do Tour de France é único. 
Nesta ano de 2026 os ciclistas pedalaram 3.320,7 quilómetros desde Barcelona até Paris, repartidos por 21 etapas das quais oito em alta montanha, nos Pirinéus, no Maciço Central, nos Vosges, no Jura e nos Alpes.
O vencedor foi o ciclista esloveno Tadej Pogačar que, com 27 anos de idade, juntou o seu nome ao lote de pentacampeões do Tour de France, de que fazem parte os franceses Jacques Anquetil e Bernard Hinault, o belga Eddy Merckx e o espanhol Miguel Induráin. Os jornais desportivos franceses e espanhóis, designadamente a Marca, com que ilustramos este texto, mas também alguns jornais generalistas, destacaram a vitória deste excepcional atleta que já é considerado o maior ciclista de todos os tempos.
Como curiosidade registamos que o único português que participou nesta edição do Tour de France foi o ciclista Nélson Oliveira da equipa espanhola Movistar. Terminou na 65ª posição entre os 158 ciclistas que concluíram a prova, mas bateu um recorde, ao tornar-se no primeiro ciclista a cumprir 24 grandes Voltas consecutivas sem abandonos. É obra!

domingo, 26 de julho de 2026

As eleições presidenciais no Brasil

Ontem, na cidade brasileira de S. Paulo, o senador Flávio Bolsonaro anunciou a sua candidatura às eleições que se realizarão no próximo dia 4 de outubro para escolher o próximo presidente da República Federativa do Brasil. Há alguns meses, o actual presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha anunciado a sua intenção de se candidatar a um novo mandato, pelo que se antevê uma disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro pelo Partido Liberal (PL) e Luiz Lula da Silva pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária, após condenação por tentativa de golpe de Estado na sequência da derrota eleitoral de 2022, tendo sido escolhido pelo pai e tido o apoio expresso do extremista Benjamin Netanyahu e do seu pai, este apresentado através de uma mensagem gerada por inteligência artificial. Outro importante apoio que Bolsonaro recebeu veio da presença em S. Paulo do presidente argentino Javier Milei que, ao estilo trumpiano e com grande despudor, pois se encontrava em solo brasileiro, classificou o presidente Lula da Silva como “basura y ladrón”, isto é, como lixo e ladrão, conforme destacou a edição de hoje do jornal argentino Clarín.  
Segundo as mais recentes sondagens da Datafolha, o mais importante instituto de pesquisas brasileiro, nenhum dos candidatos será eleito à primeira volta e, numa segunda volta a realizar no dia 25 de outubro, o agora candidato Flávio Bolsonaro tem 43% de intenções de voto, enquanto o candidato Lula da Silva regista 48% das intenções de voto.
A imprensa brasileira não deu particular destaque ao anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro, nem aos apoios que recebeu, mas as declarações incendiárias e insultuosas de Javier Milei e do seu afilhado Flávio, fazem antever uma dura batalha eleitoral, que se espera seja ganha pelo Brasil.

sábado, 25 de julho de 2026

França: sem água e com fogos florestais

Tal como está a acontecer em outros países da Europa ocidental, os incêndios florestais também estão a lavrar intensamente em várias regiões da França, o que é noticiado em toda a sua imprensa nacional e regional. 
A edição de hoje do jornal Le Parisien escolheu como título de primeira página a frase “La France en feu”, mas outro jornal regional francês escolheu como manchete “Incendies: un été d’apocalypse”, referindo que são “incêndios XXL”, que estão fora de controlo e que já obrigaram à evacuação de 110 mil pessoas. As zonas mais atingidas por esta devastadora tragédia localizam-se no sul do país, sobretudo nos departamentos de Gironda (Bordéus), das Landes (Mont-de-Marsan) e do Var (Toulon).
Este fenómeno dos fogos florestais vem juntar-se à falta de água e à seca, por vezes extrema, que tem alarmado a França nas últimas semanas e que, a propósito de uma lei de urgência agrícola e de armazenamento de água em discussão pública, fez manchete em diversos jornais com títulos como “La France à sec”, “la guerre de l’eau”, ou “il faudra partager l’eau”.
Significa que os fogos florestais, a seca e a escassez de água são problemas que, nos últimos anos, se têm acentuado na França, mostrando que a França também é vítima das alterações climáticas.
Apesar da sua grandeza histórica, da robustez da sua economia, da sua capacidade tecnológica e da exibição de poder que fez ao mundo no passado dia 14 de julho, a França também tem muitos problemas, que vão desde a diversidade do tecido social à enorme dívida pública, entre os quais assumem uma crescente importância os efeitos das alterações climáticas.

Espanha: el fuego nos está comiendo!

Como aqui se referiu recentemente, as alterações climáticas já não são uma ameaça distante, porque são uma evidência do nosso tempo. Essa realidade está hoje patente em Espanha, sobretudo nas regiões de Madrid e Ávila, onde estão a acontecer alguns dos maiores fogos florestais que alguma vez ali ocorreram, o que levou o governo espanhol a declarar, pela primeira vez em democracia, a situação de emergência nacional.
Estão contabilizadas mais de 63 mil pessoas desalojadas ou evacuadas das zonas mais críticas, mas também há alguns milhares de pessoas que estão confinadas nas suas povoações. A preocupante situação levou o governo espanhol a acionar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, pelo que alguns aviões de combate a incêndios gregos e italianos já estão a reforçar as operações de combate.
Toda a imprensa espanhola destaca a gravidade da situação por que passa o país e, na sua edição de hoje, o diário La Razón publica uma expressiva fotografia dos incêndios e, como manchete, escolheu a frase “el fuego nos está comiendo”.
Apesar de estar a ser combatido por muitos meios, o fogo não tem sido travado e configura uma situação de “tempestade perfeita”, porque está a ser alimentado por uma combinação de temperaturas muito altas, ventos fortes e variáveis e, também, por uma vegetação abundante e muito seca.  
Há sete anos, a revista TIME escolheu António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, para capa da sua edição de 24 de junho de 2019, vestido de fato e gravata e água pelos joelhos, a alertar para as consequências das alterações climáticas. Disse então que o combate contra as alterações climáticas era “a batalha das nossas vidas” e essa tem sido uma das bandeiras do seu mandato. O mundo não lhe deu ouvidos, mas ele tinha razão.
Definitivamente parece ser a altura de todos darmos mais atenção a este problema das alterações climáticas e sermos mais exigentes com quem nos governa.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Alterações climáticas ameaçam a Europa

O problema das alterações climáticas está na ordem do dia, pelo menos desde a Cimeira de Paris de 2015, quando 195 países assinaram um acordo destinado a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Porém, o compromisso assumido tem sido ignorado ou adiado por alguns dos seus subscritores, devido a factores muito diversos em que se destacam as práticas das poderosas indústrias dos combustíveis fósseis e os seus lobbies, bem como os governos focados em interesses de curto prazo ou sem ambição reformista.
O facto é que nos anos mais recentes, os efeitos das alterações climáticas se estão a agravar em todo o nosso planeta, com ondas de calor e calores extremos, incêndios florestais que devastam extensas áreas, secas severas, tempestades com alto poder destruidor e inundações repentinas e incontroláveis, assim como o degelo acelerado de glaciares e a consequente subida do nível da água do mar. Tudo isto acontece no mundo, mas também na Europa como regularmente é relatado pela imprensa.
Há dois dias, a edição do diário escocês The National, que se reclama ser “the newspaper that supports an independent Scotland”, quase ignora o novo primeiro-ministro britânico e dedica a sua edição às alterações climáticas, escolhendo para manchete a frase “climate change is no longer a distant threat”, isto é, as alterações climáticas já não são uma ameaça distante. Para justificar esse título, o jornal informa, em subtítulo da mesma primeira página, que os activistas alertam que os escoceses estão a dormir e não estão atentos aos incêndios alimentados pelo aquecimento global que estão a devastar a Escócia”.
Afinal, a ideia dos europeus que as alterações climáticas era um problema da Europa mediterrânica, não corresponde à verdade.

Os americanos e a guerra do Irão

O futebol e o Mundial mobilizaram todas as atenções do mundo e os mass media quase ignoraram os problemas importantes, como as guerras da Ucrânia e do Irão, as alterações climáticas, as migrações descontroladas ou a instabilidade económica global.
Agora todos esses temas regressam às agendas da comunicação internacional e, em relação às guerras, ficamos a saber que está tudo na mesma, ou talvez não.
De facto, os maiores jornais americanos, entre os quais o The Wall Street Journal, publicam hoje com destaque de primeira página, uma fotografia da chegada a Dover, no Delaware, das urnas de quatro militares americanos mortos na guerra do Irão, onde foram recebidas pelo presidente Donald Trump e por Peter Hegseth, o ex-apresentador de televisão que é Secretário de Defesa dos Estados Unidos. 
Ao contrário dos nossos comentadores encartados de política internacional – que têm andado desaparecidos dos écrãs televisivos – nós pouco sabemos do que se passa nas guerras em curso, porque só sabemos aquilo que as agências noticiosas e aqueles que as controlam querem que nós saibamos e tudo nos é servido para consumo, isto é, as verdades e as mentiras, a informação e a desinformação.
Porém, a fotografia da chegada das urnas dos militares americanos vai agitar o subconsciente americano e recordar a tragédia que foi a guerra do Vietnam (1955-1975) e a derrota americana, mas também vai abalar ainda mais o decadente prestígio interno de Donald Trump, cuja continuada fanfarronice em relação aos sucessos contra o Irão parece não ter fundamento.
Dizem muitos especialistas que os Estados Unidos perderam a guerra do Vietnam porque perderam o apoio da sua opinião pública, que assistia pela televisão às trágicas e brutais imagens da guerra. Os tempos são outros, mas a fotografia hoje publicada na imprensa americana vai certamente produzir efeitos na opinião pública americana

terça-feira, 21 de julho de 2026

Os faróis e a nossa herança marítima

No passado domingo, em que todas as atenções se concentravam no futebol e na final do Mundial, o jornal Açoriano Oriental, que se publica na cidade de Ponta Delgada e que no seu cabeçalho afirma ser “o mais antigo jornal português fundado em 1835 por Manuel António de Vasconcelos", dedicou uma “grande reportagem” aos faróis açorianos que “continuam a orientar quem navega pelo Atlântico”. 
Para ilustrar a sua primeira página, foi escolhida uma fotografia do belíssimo farol do Arnel, localizado na ponta nordeste da ilha de S. Miguel e que está em funcionamento desde 1876. Depois, a reportagem reparte-se por três páginas e assenta em duas entrevistas feitas a Rui Melo e Mário Riscado, dois dos 31 faroleiros que asseguram a operação e a manutenção dos faróis do arquipélago dos Açores e que, nesta reportagem, explicam a especificidade técnica da sua profissão e transmitem ao leitor uma exemplar postura de dedicação a este serviço público.
A reportagem é muito esclarecedora quanto à importância dos faróis, pela confiança que transmitem aos navegantes apesar das modernas ajudas à navegação em que se destaca o Global Positioning System, vulgarmente conhecido como GPS, mas também pelo seu enquadramento na paisagem marítima.
Na Ode Marítima, um dos mais conhecidos e inspirados poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Álvaro de Campos, o poeta evoca “o olhar humanitário dos faróis na distância da noite” e, de facto, sobretudo em condições meteorológicas adversas, os faróis são um sinal de hospitalidade para a comunidade marítima e para aqueles que se aproximam de terra, depois de horas ou dias de muito desconforto e de perigo.
Os faróis são, portanto, indispensáveis à navegação, mas também são uma memória histórica e um elemento patrimonial único da paisagem marítima.
Aqui deixo expressa a minha gratidão e o meu aplauso aos faróis e aos faroleiros, Que sejam mantidos e protegidos em nome da nossa herança cultural marítima.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Mundial de futebol… e que viva a Espanha!

A Espanha venceu a Argentina na final do Mundial ontem disputada em East Rutherford, New Jersey e hoje toda a imprensa espanhola, mas também alguma imprensa internacional, destacam essa notícia acompanhada pela fotografia dos campeões. 
O diário monarquista madrileno La Razón, publicou como manchete a frase “Espanã, el mejor equipo del mundo” e parece ter sido o único jornal que escolheu uma fotografia para ilustrar a edição em que os novos campeões do mundo estão com os reis de Espanha e se vê a alegria com que Filipe VI segura a Taça do Mundo.
Provavelmente, a Espanha é a melhor equipa do mundo e os seus jogadores correram sempre mais do que os seus adversários. Ultrapassaram Cabo Verde (0-0), Arábia Saudita (4-0), Uruguai (1-0), Áustria (3-0), Portugal (1-0), Bélgica (2-1) e França (2-0). Sofreram apenas um golo e chegaram à final para defrontar Lionel Messi e os seus companheiros argentinos que, embora talentosos e fazendo uso de habilidades diversas, foram vulgarizados pela ambição espanhola.
Parabéns à Espanha que festejou euforicamente esta vitória, mas parece que Portugal também se associou a essa grande festa.
A equipa portuguesa perdeu uma boa oportunidade para brilhar neste Mundial apesar do apoio presencial que teve do primeiro-ministro, mas esse é um tema para ser tratado pelos especialistas. O que não pode passar em claro é o feito caboverdiano por ter sido o único adversário que não foi vencido pelos espanhóis. Agora que venha o descanso. 
Foi futebol a mais, foi um exagero de notícias e um insuportável corrupio de comentadores nas nossas televisões. Safa!, como se diria em Boliqueime!
… e que viva a Espanha!

domingo, 19 de julho de 2026

Pogačar dominador no Tour de France

Enquanto todas as atenções futebolísticas e outras, estão concentradas no Mundial e na final que hoje se vai disputar entre as equipas da Espanha e da Argentina, os franceses vivem o Tour de France com enorme euforia e com o seu habitual entusiasmo, não só porque se trata de uma das maiores competições desportivas do mundo, mas também porque lhes serve para esquecer a desilusão por não estarem hoje na final como tanto desejavam.
O Tour de France que este ano está na sua 113ª edição, iniciou-se em Barcelona no dia 4 de julho e terminará em Paris no dia 26 de julho. Já estão disputadas 14 das 21 etapas da prova e, nesta altura, o ciclista esloveno Tadej Pogačar enverga a camisola amarela e já venceu quatro etapas, exibindo uma tão grande superioridade sobre os seus adversários que a crítica já o considera “o maior ciclista da história”. Ontem, na etapa que ligou Mulhouse a Le Markstein e que introduzia os Alpes na corrida, Tadej Pogačar voltou a vencer isolado no alto da montanha, deixando para trás o dinamarquês Jonas Vingegaard e o belga Remco Evenepoel, que são os ciclistas que mais o poderiam incomodar. 
Na sua edição de hoje, o jornal L’Alsace, um quotidiano que se publica em Mulhouse, destacou a proeza de Tadej Pogačar e escolheu como manchete que “esta etapa ficará nas memórias”, mas um outro diário escolheu como manchete que “o espectáculo começou”.
Nos últimos anos habituámo-nos a ver um ciclista português chamado João Almeida, a pedalar entre os melhores ciclistas mundiais, mas este ano esteve ausente do Giro de Italia e do Tour de France. Será que o teremos na Vuelta?

sábado, 18 de julho de 2026

Festas do Povo regressam a Campo Maior

Onze anos depois, regressam a Campo Maior as Festas do Povo, também conhecidas como Festa das Flores, o que é um acontecimento cultural importante. Desde o dia 8 até ao dia 16 de agosto o centro histórico da vila alentejana vai cobrir-se com milhões de flores de papel, feitas artesanalmente pelos moradores de cada rua ao longo de vários meses de preparação. 
As ruas transformam-se e enchem-se de cor e criatividade, com as casas caiadas e as ruas “enramadas” que transformam a vila de Campo Maior num jardim florido e proporcionam um cenário único e inesquecível para quem o idealizou e preparou, mas também para os milhares de visitantes que não perdem a oportunidade de assistir a esta espectacular mostra da cultura popular portuguesa.
As Festas do Povo já se realizam há 137 anos, sem periodicidade certa e apenas quando o povo assim entende e, por isso, neste século XXI apenas se realizaram em 2000, 2004, 2011 e 2015. Porém, em dezembro de 2021 as Festas do Povo de Campo Maior foram classificadas como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, o que representou o reconhecimento da importância cultural deste evento e veio aumentar o entusiasmo, a dedicação e o brio dos campomaiorenses pela realização da Festa das Flores.
As Festas do Povo de Campo Maior são um acontecimento singular no panorama da cultura popular portuguesa pela originalidade, pela estética, pela arte e pela indiscutível beleza que proporcionam, pelo que merecem ser visitadas. Porém, há que evitar os dias e as horas de ponta, em que a vila é demasiado pequena para receber tanta gente… Faltam 19 dias!

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Argentinos voltam a exigir as Malvinas

O Mundial que está a decorrer nos Estados Unidos não é apenas uma competição futebolística e um gigantesco negócio de transmissões televisivas e de publicidade, pois também é uma plataforma em que se exibem muitos políticos, maiores e menores, e em que, contrariamente ao que está regulamentado, se aproveita a exposição mediática para fazer propaganda política.
Assim aconteceu mais uma vez, quando alguns futebolistas argentinos aproveitaram a maré e trataram de exibir uma faixa em que se reclamava “las Malvinas son argentinas”, ressuscitando uma polémica em torno da posse daquelas ilhas que estão sob soberania britânica e se situam a 8.000 milhas do Reino Unido e a 300 milhas da costa continental da Argentina, O governo britânico reagiu e um seu porta-voz anunciou que “o Mundial pode não ser nosso, mas as ilhas Malvinas certamente são”, acrescentando que a autodeterminação das ilhas cabe aos seus habitantes e que a responsabilidade britânica para com eles não vacilará.
O jornal britânico The Independent destaca na sua edição de hoje esta ocorrência e recorda que em 2014 a FIFA multou a Federação Argentina de Futebol em 20.000 libras por idêntica ocorrência.
Recorda-se que em 1982 o governo militar argentino decidiu invadir e ocupar as Malvinas, a que os ingleses chamam Falklands. O governo britânico então dirigido por Margaret Thatcher reagiu e avançou para a recuperação daquelas longínquas ilhas do Atlântico Sul, de que resultou uma guerra que durou 74 dias e que terminou com a rendição dos argentinos e a vitória britânica, depois de terem morrido 649 militares argentinos e 255 militares britânicos.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Espanha e Argentina na final do Mundial

A seleção argentina de futebol venceu ontem a Inglaterra e está na final do Mundial, que vai disputar no próximo domingo com a seleção da Espanha. No seu percurso defrontou e venceu a Argélia (3-0), a Áustria (2-0), a Jordânia (3-1), Cabo Verde (3-2), Egito (3-2), Suíça (3-1) e Inglaterra (2-1), isto é, foram sete jogos e sete vitórias, sob a orientação de Lionel Messi, a estrela que já meteu 8 golos e que, embora isso custe aos fãs de Cristiano Ronaldo, talvez possa ser classificado como o melhor futebolista de todos os tempos.
Houve muito talento dos argentinos, mas também houve grande determinação, muita intensidade competitiva e muita sorte, pois a vitória sorriu-lhes nos últimos minutos em alguns jogos decisivos. A imprensa argentina festejou a vitória sobre a Inglaterra, por vezes com algum exagerado nacionalismo e publicou a fotografia de Messi aos ombros do seu colega Enzo Fernández, o que levou a euforia aos argentinos que agora “exigem” que a sua equipa vença o Mundial pela quarta vez.
O jornal La Capital, que é o “decano de la prensa argentina” e que se publica na cidade de Rosário, a capital da província de Santa Fé e onde em 1987 nasceu Lionel Messi, também dedicou toda a sua primeira página à “histórica remontada frente a Inglaterra”.
No próximo sábado vão defrontar-se as seleções da França e da Inglaterra para discutir o 3º lugar do Mundial e, no domingo, entrarão em campo as poderosas seleções da Espanha e da Argentina à procura do título de campeão mundial.
Ao vermos estas quatro equipas, ainda nos interrogamos sobre se teria sido possível à seleção portuguesa ter ido mais longe, mas os jogadores portugueses correram pouco e perderam com os espanhóis, que correram muito. Talvez por isso estejam na final...