Dois
meses e meio depois da entrada massiva de imigrantes em Ceuta e em tempo de
grande tensão, aquela cidade autónoma espanhola recebeu ontem a visita dos Reis
de Espanha, que foram recebidos com grande entusiasmo popular, até porque desde
2007 que um chefe de Estado espanhol não visitava as cidades autónomas de
Ceuta e Melilla. O significado desta visita é politicamente muito importante e é
ainda mais relevante porque os reis de Espanha não só estão de visita às duas
cidades, como pernoitaram em Ceuta, uma coisa que nunca tinha acontecido com
qualquer chefe de Estado espanhol.
Toda
a imprensa espanhola dá grande destaque a esta visita e, na sua edição de hoje,
o jornal ABC destaca em manchete as palavras de Felipe VI: “la soberania de
nuestro país no es negociable”, numa clara advertência às pretensões de Marrocos.
O processo histórico
da Península Ibérica foi muito complexo e teve disputas entre muitos povos, dando
origem a várias nações e a dois estados independentes, mas tem algumas
peculiaridades, como são as cidades autónomas de
Ceuta e Melilla que, estando fisicamente no norte de África, estão sob
soberania espanhola há mais de cinco séculos. Porém, há outras peculiaridades ibéricas
como acontece com o território ultramarino de Gibraltar que os britânicos
ocupam desde 1713, ou com o território do município português de Olivença que
os espanhóis ocupam ilegalmente desde 1801. Para todos estes casos há argumentos
de toda a espécie, mas para todos eles se aplica o princípio da soberania popular,
isto é, será que os ceutis e os melillenses querem ser marroquinos, ou que
os gibraltinos querem ser espanhóis, ou
que os oliventinos querem voltar a ser
portugueses?
Contudo, o que não
parece adequado ao século XXI são as iniciativas como aquelas que o governo de Marrocos
objectivamente patrocinou em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho de 2026.














