O caso de Ceuta
já tem mais de um mês e continua a suscitar muitas interrogações sobre o que
aconteceu, ou como foi possível que 80.000 pessoas “invadissem a cidade numa
noite”. São conhecidas diversas teses sobre este caso e, embora Pedro Sánchez
tenha excluído as responsabilidades de Marrocos e acusasse Israel, a Rússia e a
extrema-direita, o facto é que Marrocos, bem como alguns dos seus “amigos”,
parecem estar envolvidos nesta operação.
É caso para
perguntar: quem quer retirar Ceuta à soberania espanhola e quem será que quer
desforrar-se da independência de Pedro Sánchez? Sánchez é uma persona non grata para muita gente,
porque tem carácter e pensamento próprio, reconheceu o Estado da Palestina
e não pactua com os crimes israelitas em Gaza e na Cisjordânia, recusou a utilização
das suas bases pelos Estados Unidos para atacar o Irão e rejeitou os ultimatos
de Trump e do seu lacaio Mark Rutte quanto aos 5% do PIB em despesa militar.
Porém, o caso tem
sido usado politicamente por vários membros da União Europeia para atacar Pedro
Sánchez, mostrando uma grave falta de solidariedade que fragiliza ainda mais o
projeto europeu, mas também pela oposição espanhola que aproveita esta
oportunidade para atacar Sánchez, porque “esteve distraído” e “não
foi capaz de resolver este problema".
Na passada 4ª
feira realizaram-se grandes manifestações por toda a Espanha de “apoio a Ceuta”
como território espanhol mas que, em alguns casos, também foram manifestações “contra
Sánchez”, isto é, o apoio a Ceuta serviu de pretexto para a oposição atacar o
governo. Essas manifestações “encheram” as capas de toda a imprensa espanhola,
assim acontecendo com a edição de ontem do jornal Sur, el periódico de Málaga, em cuja fotografia de capa de vê, bem destacada, a bandeira
gironada de oito peças de negro e prata, igual à bandeira de Lisboa, a lembrar
que Ceuta foi portuguesa durante 225 anos!














