sexta-feira, 17 de julho de 2026

Argentinos voltam a exigir as Malvinas

O Mundial que está a decorrer nos Estados Unidos não é apenas uma competição futebolística e um gigantesco negócio de transmissões televisivas e de publicidade, pois também é uma plataforma em que se exibem muitos políticos, maiores e menores, e em que, contrariamente ao que está regulamentado, se aproveita a exposição mediática para fazer propaganda política.
Assim aconteceu mais uma vez, quando alguns futebolistas argentinos aproveitaram a maré e trataram de exibir uma faixa em que se reclamava “las Malvinas son argentinas”, ressuscitando uma polémica em torno da posse daquelas ilhas que estão sob soberania britânica e se situam a 8.000 milhas do Reino Unido e a 300 milhas da costa continental da Argentina, O governo britânico reagiu e um seu porta-voz anunciou que “o Mundial pode não ser nosso, mas as ilhas Malvinas certamente são”, acrescentando que a autodeterminação das ilhas cabe aos seus habitantes e que a responsabilidade britânica para com eles não vacilará.
O jornal britânico The Independent destaca na sua edição de hoje esta ocorrência e recorda que em 2014 a FIFA multou a Federação Argentina de Futebol em 20.000 libras por idêntica ocorrência.
Recorda-se que em 1982 o governo militar argentino decidiu invadir e ocupar as Malvinas, a que os ingleses chamam Falklands. O governo britânico então dirigido por Margaret Thatcher reagiu e avançou para a recuperação daquelas longínquas ilhas do Atlântico Sul, de que resultou uma guerra que durou 74 dias e que terminou com a rendição dos argentinos e a vitória britânica, depois de terem morrido 649 militares argentinos e 255 militares britânicos.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Espanha e Argentina na final do Mundial

A seleção argentina de futebol venceu ontem a Inglaterra e está na final do Mundial, que vai disputar no próximo domingo com a seleção da Espanha. No seu percurso defrontou e venceu a Argélia (3-0), a Áustria (2-0), a Jordânia (3-1), Cabo Verde (3-2), Egito (3-2), Suíça (3-1) e Inglaterra (2-1), isto é, foram sete jogos e sete vitórias, sob a orientação de Lionel Messi, a estrela que já meteu 8 golos e que, embora isso custe aos fãs de Cristiano Ronaldo, talvez possa ser classificado como o melhor futebolista de todos os tempos.
Houve muito talento dos argentinos, mas também houve grande determinação, muita intensidade competitiva e muita sorte, pois a vitória sorriu-lhes nos últimos minutos em alguns jogos decisivos. A imprensa argentina festejou a vitória sobre a Inglaterra, por vezes com algum exagerado nacionalismo e publicou a fotografia de Messi aos ombros do seu colega Enzo Fernández, o que levou a euforia aos argentinos que agora “exigem” que a sua equipa vença o Mundial pela quarta vez.
O jornal La Capital, que é o “decano de la prensa argentina” e que se publica na cidade de Rosário, a capital da província de Santa Fé e onde em 1987 nasceu Lionel Messi, também dedicou toda a sua primeira página à “histórica remontada frente a Inglaterra”.
No próximo sábado vão defrontar-se as seleções da França e da Inglaterra para discutir o 3º lugar do Mundial e, no domingo, entrarão em campo as poderosas seleções da Espanha e da Argentina à procura do título de campeão mundial.
Ao vermos estas quatro equipas, ainda nos interrogamos sobre se teria sido possível à seleção portuguesa ter ido mais longe, mas os jogadores portugueses correram pouco e perderam com os espanhóis, que correram muito. Talvez por isso estejam na final...

A falência hídrica global ameaça o mundo

As estações de televisão portuguesas têm dedicado alargados espaços às quebras no abastecimento de água na rede pública em várias localidades do concelho de Almada. As populações protestaram com toda a legitimidade, mas as televisões encheram os seus espaços noticiosos com conversa da treta, enquanto as forças políticas aproveitaram para atacar a gestão municipal, isto é, não se aproveitou a ocasião para colocar a escassez de água na agenda das preocupações nacionais.O problema da escassez de água é um dos mais graves do nosso tempo, após muitos anos de uso excessivo, de poluição nos rios e nos lagos e, mais recentemente, devido aos efeitos das alterações climáticas. Assim se provocaram “danos irreversíveis” no abastecimento de água, o que levou as Nações Unidas a declarar que as actividades humanas empurraram o mundo para uma era de "falência hídrica global", porque o uso humano superou a capacidade da natureza de repor a água e cerca de metade da população mundial já sofre com a escassez severa.O cenário global da água ameaça tornar-se cada vez mais catastrófico, pois a maioria dos rios do mundo estão poluídos e recebem esgoto sem tratamento, uma situação que tanto afeta os países com grandes rios como o Brasil, como as regiões mais áridas do nosso planeta, em África e no Médio Oriente.A edição de hoje do jornal económico francês La Tribune lança um alerta aos franceses sobre a escassez de água, sobre a crise da produção mundial de alimentos que se aproxima e sobre os possíveis conflitos sociais que se desenham no horizonte.Afinal não é só em Almada que há problemas…

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Fernando Pimenta é um atleta de eleição!!!

O canoísta Fernando Pimenta participou no 2026 ICF Canoe Sprint & Paracanoe World Cup, ou mais simplesmente Taça do Mundo de Canoagem, que se realizou em Montreal entre os dias 9 e 12 de julho, tendo conquistado nada menos que duas medalhas de ouro: a primeira na prova de K1 1.000 metros realizada no dia 11 e, a segunda, na prova de K1 5.000 metros disputada no dia 12. A proeza de Fernando Pimenta é notável e, com estas duas medalhas, já soma 32 medalhas de ouro em provas da Taça do Mundo, sendo também um dos poucos atletas olímpicos portugueses duplamente medalhados, respectivamente em Londres 2012 e Tóquio 2020.
Esperava-se, naturalmente, que as edições de hoje dos jornais portugueses, sobretudo os jornais ditos desportivos, destacassem nas suas primeiras páginas as vitórias de Fernando Pimenta e as suas medalhas, pois como referiu o jornalista Rui Guimarães no jornal O Jogo, ele é “muito provavelmente o melhor atleta português de todos os tempos”. Porém, nem os jornais desportivos nem os jornais generalistas destacaram nas suas manchetes de primeira página o atleta Fernando Pimenta, preferindo destacar os futebolistas Schjelderup e Prestianni, mais o Trincão e o Pote, o regresso do Palhinha e os milhões da Arábia, numa subserviência ao futebol e aos seus interesses, vícios e negociatas.
Alguns jornais deram uma pequena notícia da proeza de Fernando Pimenta numa página interior, mas o jornal A Bola ignorou completamente este grande atleta português, preferindo promover futebolistas de quinta categoria.
Embora de nada valha, aqui deixo um protesto por estes desvios de uma imprensa dita desportiva, desonesta e míope, que nada vê para além dos interesses do futebol, deixando também o devido aplauso ao grande atleta que é Fernando Pimenta.

domingo, 12 de julho de 2026

Boston acolheu “desfile naval do século”

O estado de Massachusetts e a sua capital que é a cidade de Boston, estão a celebrar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos de forma entusiástica, conforme se pode ler na edição de hoje do jornal Boston Herald e na generalidade da imprensa da cidade.
Massachusetts foi a segunda colónia britânica mais antiga da América, depois da Virginia, tendo sido uma das treze colónias que em 1775 se revoltaram contra o poder colonial britânico. No seu território aconteceram as primeiras batalhas da guerra da independência, que a tradição história conserva como uma marca cultural daquela cidade, daquele estado e de toda a região da Nova Inglaterra.
Por isso, a comemoração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos foi organizada nesta cidade com especial cuidado e foi possível juntar na cidade muitos dos grandes veleiros históricos provenientes de mais de vinte países para participarem no desfile naval comemorativo, que aconteceu ontem no porto de Boston e nas festividades incluídas no Sail Boston 2026, que decorrerão até ao dia 16. No desfile naval participaram mais de sessenta navios que, durante cerca de seis horas, desfilaram tendo como guia a barca americana Eagle, sempre acompanhados por muitas dezenas de pequenas embarcações, sob a admiração e o aplauso de muitos milhares de espectadores. No desfile incorporaram-se, entre outros veleiros, o Americo Vespuci, o Dar Mlodziezy, o Esmeralda, o Gloria, o Gorch Fock, o Libertad e a famosa barca portuguesa Sagres, mas também os históricos May Flower II e Constitution. Segundo foi referido com assinalável exagero, foi o sail of the century, ou o “desfile do século”.
As festividades continuaram com um espectáculo pirotécnico e continuarão nos próximos dias com actividades dedicadas às tripulações dos navios.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A ambição chinesa e o domínio do Pacífico

A República Popular da China tem dados passos no sentido de se tornar a principal superpotência mundial até meados do século XXI e, para satisfazer essa sua ambição, procura um crescimento económico sustentado, a modernização militar, a reunificação com Taiwan, a expansão da sua influência global através de grandes redes de infraestruturas internacionais e o domínio do Pacífico ocidental.
Porém, por si só e como aliada dos Estados Unidos, a Austrália também quer ter um papel importante na região, pelo que o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, assinou uma aliança militar histórica com a República das Fiji, como parte da sua estratégia para conter a influência chinesa na região sul do Pacífico. A República das Fiji é independente desde 1970, sendo constituída por 332 ilhas, com cerca de 18 mil km2 de superfície e menos de um milhão de habitantes.
Esta tão pequena dimensão das Fiji parece mostrar que não se trata de uma aliança clássica, mas de uma estratégia australiana para dominar a região. A China não gostou do anúncio desta aliança militar e, poucas horas depois, tratou de disparar um míssil balístico com capacidade nuclear a partir de um submarino, como forma de intimidação e como aviso aos outros estados insulares para que não assinem quaisquer acordos militares com a Austrália.
Assim, estamos perante um braço de ferro entre a China e a Austrália pelo domínio do Pacífico sul, a que o jornal The West Australian, que se publica na cidade australiana de Perth desde 1833, chamou Battle for the Pacific.
O facto é que a ambição chinesa parece ser cada vez mais evidente e mais afirmativa.

terça-feira, 7 de julho de 2026

O Mundial acabou para os portugueses

Acabou – foi a palavra escolhida para título da sua edição de hoje pelo jornal Record
Portugal perdeu com a Espanha, com um golo sofrido já depois dos 90 minutos de jogo e não chegou aos quartos de final do Mundial. Ficou triste e desolado o país futebolístico, mas também o país anestesiado pela televisão e pelos comentadores, que nos venderam a ideia que seríamos campeões mundiais. Portugal e a Espanha eram duas equipas muito iguais e tudo podia acontecer. Saímos derrotados pela mesma porta por onde saíram o Brasil e os Estados Unidos, por onde já tinham saído a Alemanha, a Suécia, os Países Baixos e o Uruguai e por onde nem sequer tinham passado a Itália, a Dinamarca, a Hungria, a Grécia e a Polónia. 
Estivemos nos 16 melhores do mundo, mas não entramos na galeria dos 8 melhores. Que bom seria se também estivéssemos nos 16 melhores em prosperidade económica, em qualidade de vida e em confiança nas instituições. Foi pena e até houve portugueses que choraram, mas por isso não veio mal ao mundo, nem ao país. Os jogadores lutaram com brio e com dignidade e não há que lhes atribuir culpas, nem tão pouco ao selecionador, nem sequer ao Cristiano e, muito menos, ao guarda redes Diogo Costa. É futebol, uns ganham, outros perdem. Simplesmente, o Mundial acabou para os portugueses
Lamentavelmente, as televisões passaram horas a fio a falar daquele jogo, entrevistando meio mundo, querendo saber quem iria marcar os golos, confundindo o dever de informar e o nosso direito a ser informados. Foi um sufoco que também acabou.
Com 41 anos de idade, Cristiano Ronaldo tornou-se o único futebolista a marcar golos em seis Mundiais e, com as suas qualidades e os seus defeitos, tornou-se um símbolo do futebol português e até da própria portugalidade, como tantas vezes vimos nas reportagens televisivas. Chorou e a fotografia do seu desalento encheu a primeira página de muitos jornais mundiais. Aqui lhe deixo o meu aplauso.

domingo, 5 de julho de 2026

Ainda sobre a festa nos Estados Unidos

Os americanos celebraram ontem o dia 4 de julho de 1776 e os 250 anos da sua independência, com muitos eventos e muitas boas razões, tendo-se mais uma vez destacado o narcisismo de Donald Trump, que continua perturbado pela sua vaidade cega. 
Porém, nem todos alinharam no espectáculo preparado pelo Donald e a edição de ontem do jornal The Philadelphia Inquirer, que é publicado desde 1829, é um excelente exemplo dessa recusa, ao ignorar as festividades patrocinadas pelo Donald e ao dedicar a sua primeira página à “Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América” assinada pelos 56 “Pais Fundadores da nação”, transcrevendo parte do seu famoso preâmbulo:

We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness.

(Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas: que todos os homens são criados iguais, que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade).

A mensagem transmitida pelo The Philadelphia Inquirer, é exemplar porque é portadora de um sentido pedagógico para os americanos, para as suas raízes históricas e para os seus ideais democráticos mais profundos, parecendo um aviso para os que vivem subjugados pelos interesses do “Complexo Militar-Industrial Americano”, identificado em 1961 por Dwight Eisenhower, mas também para os seguidores do actual “vale-tudo” do modelo “Make America Great Again”, inventado por Donald Trump, que tanto agitado o mundo e tanto tem aumentado a sua fortuna pessoal.

sábado, 4 de julho de 2026

Os 250 anos da independência americana

No dia 4 de julho de 1776 foi aprovada a Declaração de Independência dos Estados Unidos pelos delegados das 13 colónias britânicas reunidos no Pennsylvania State House, em Filadélfia. Esses delegados são conhecidos como os “Pais Fundadores da Nação” e rejeitaram em definitivo o poder colonial britânico e as suas raízes.
A independência americana nasceu em resposta às tensões entre os colonos e o poder colonial devido aos excessivos impostos, nomeadamente o Stamp Act de 1765, mas também em protesto contra a ausência de representação política. Depois, os confrontos foram-se acumulando, com destaque para o massacre de Boston de 1770 em que os soldados britânicos mataram cinco colonos e para o Boston Tea Party de 1773, quando os colonos atiraram chá ao mar em protesto contra os impostos coloniais. Em 1775 os colonos passaram à luta armada e foram bem sucedidos nas batalhas de Lexington e de Concord. A Declaração de Independência foi o passo seguinte, tendo sido também a expressão de uma nova era de liberdade, pois a revolução americana de 1776 ficou na História como a primeira revolta do colonizado contra o colonizador.
A história dos Estados Unidos não cabe neste texto, mas a guerra hispano-americana de 1898, a participação na Grande Guerra a partir de 1917 e a decisiva entrada na 2ª Guerra Mundial depois de 1941, fizeram dos Estados Unidos a superpotência mundial nos domínios económico, científico e militar.
Hoje os americanos celebram o 250º aniversário da sua independência e a revista alemã Der Spiegel dedicou-lhe a primeira página da sua edição de ontem, com George Washington a dançar sob os olhares desconfiados de Donald Trump.
Há 50 anos os americanos celebraram o Bicentenário e eu estava em Filadélfia a tomar parte na festa.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Ronaldo: nome e marca de um superstar

Os portugueses passaram a última noite em frente dos televisores, em casa, nos cafés ou nas praças públicas, para ver o encontro entre as equipas de Portugal e da Croácia dos 16 avos de final do Campeonato Mundial de Futebol da FIFA que se disputou em Toronto, uma cidade canadiana onde vivem milhares de portugueses.
Era um jogo de mata-mata, uma expressão popularizada em Portugal pelo antigo selecionador nacional Luiz Felipe Scolari, que significa que o vencedor passa à fase seguinte, mas que o derrotado sai da competição, ou seja, é o “tudo ou nada” para cada uma das equipas. A equipa portuguesa esteve bem e foi mais feliz que a equipa adversária. Dominou mas sofreu um golo, reagiu e empatou através de uma grande penalidade que Cristiano Ronaldo converteu. Já no período de descontos, aos 94 minutos de jogo, surgiu o segundo golo da equipa portuguesa que foi marcado por Gonçalo Ramos que, finalmente, teve a oportunidade de jogar, pois o selecionador Martinez insiste em utilizar Ronaldo para além dos seus limites naturais. Embora Ronaldo e Ramos sejam “oficiais do nesmo ofício”, um com 41 anos e outro com 25 anos de idade, este jogo parece ter mostrado que, no plano futebolístico, têm rendimentos diferentes…
Provavelmente, a grande figura do jogo foi Diogo Costa, o guarda-redes que “se fartou de defender”, mas a imprensa canadiana, mexicana e de vários outros países sul-americanos destacaram Ronaldo como “a figura do jogo”, o que mostra que Ronaldo, embora seja um futebolista em fim de carreira, é uma marca valiosa e que é a mais conhecida marca portuguesa nesta aldeia global em que habitamos.
O jornal Toronto Sun de formato tablóide e de grande circulação, publicou com destaque de primeira página a fotografia de CR7 e escreveu que ele “ajudou a destruir as esperanças da Croácia”. É verdade, mas outros terão ajudado mais…

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Trump, o negócio e o declínio da América

O diário espanhol El País destaca na sua edição de hoje que Donald Trump “ganó 1.200 millones com las criptomonedas em 2025”, mas os grandes jornais de referência americanos, como por exemplo o The New York Times e o Los Angelers Times referem que foram 2 mil milhões de dólares os lucros obtidos pelo seu presidente com o negócio das criptomoedas.
Donald Trump está a ser acusado de comportamento eticamente reprovável e de estar a enriquecer através do uso indevido da sua posição política, mas tem-se mostrado indiferente a essas acusações porque, afirma, já era rico antes de ser presidente. Segundo foi divulgado pela revista Forbes o património pessoal de Donald Trump quase triplicou entre 2024 e 2026, ao passar de 2,3 para 6,5 mil milhões de dólares, pelo que está a ser acusado de conflito de interesses, por ter investido nas criptomoedas, ao mesmo tempo que tomava várias medidas para desregulamentar o sector, fazendo disparar o preço dos seus activos. Aos lucros com as criptomoedas acrescentou os lucros com os produtos da marca Trump, que vão desde o vestuário e os seus bonés, até aos autocolantes para para-choques, mas também as bíblias vendidas em parceria com um cantor célebre.
Os rendimentos de Melania Trump também cresceram muito e incluem 10 milhões de dólares por um documentário que lhe é dedicado e que foi transmitido online pela Amazon, além de mais 500 mil dólares pelo livro “Melania”.
Isto não é apenas corrupção, mas é também um sinal de uma Democracia e de um Estado de Direito que não funcionam e, em última análise, é o declínio da América.
Perante este quadro, em que Donald Trump junta uma corrupção absoluta a um estilo pessoal narcisista, ganancioso, grosseiro e fanfarrão, é caso para dizer que a melhor maneira que os americanos teriam para celebrar os 250 anos da sua independência era demiti-lo. Ganhavam os Estados Unidos e ganhava o mundo.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Venezuela sofre com sismos destruidores

No passado dia 24 de junho o território venezuelano, sobretudo a cidade de Caracas e o estado costeiro de La Guaira, foi devastado por um duplo abalo sísmico de grande intensidade, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, que aconteceram com apenas 39 segundos de intervalo. Mais tarde, foi anunciado que já se registaram 138 réplicas desde a ocorrência dos dois sismos.
As primeiras notícias sobre o sismo anunciavam uma catástrofe e informavam sobre a enorme destruição causada e, algumas delas, referiam que “o número de vítimas pode chegar a 100 mil”. Porém, de forma prudente, na sua edição de 25 de junho, o jornal Diário 2001 que se publica em Caracas, limitou-se a anunciar em manchete que “dos terremotos sacuden el país”, informando que a presidente Delcy Rodriguez “reportó 32 fallecidos y más de 700 heridos”, que “La Guaira es un caos” e que “Donald Trump ofreció ayuda a Venezuela”.
As imagens divulgadas mostram muita destruição e a ansiedade das pessoas que procuram familiares e amigos desaparecidos, certamente bloqueados pelos destroços dos prédios que ruíram. Vários países mobilizaram-se com equipas especializadas para ajudar na busca de sobreviventes e com auxílios materiais diversos.
Cinco dias depois da tragédia, estão contabilizados 1.450 mortos e 3.150 feridos, mas mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas. As operações de busca e salvamento já resgataram com vida 33 pessoas que estavam soterradas. Na importante comunidade portuguesa que vive na Venezuela estão registadas 53 mortos e 89 desaparecidos.
Muito duros têm sido os tempos recentes para a Venezuela e para os venezuelanos!

sábado, 27 de junho de 2026

O Canadá está em festa, mas sob ameaça

Aproxima-se o Dia do Canadá, o dia em que se celebra a constituição de uma federação nascida no dia 1 de julho de 1867, quando se uniram quatro regiões da Província Unida do Canadá (o Ontário, que era o Canadá Ocidental e o Quebec que era o Canadá Oriental), com a Nova Escócia e a Nova Brunswick, provavelmente como forma de dissuasão de qualquer tentativa de anexação por parte dos Estados Unidos. 
Estas quatro províncias constituíram então o Domínio do Canadá, que era um reino que fazia parte do Império Britânico mas que, ao longo da história, cresceu até às atuais dez províncias e três territórios, quase todas ex-colónias britânicas, constituindo o segundo maior país do mundo em território, embora tenha apenas 40 milhões de habitantes. Apesar de ser parte do Império Britânico, o Canadá adquiriu um nível crescente de controlo político e de governação sobre os seus assuntos internos, enquanto o poder colonial se exercia na área da defesa nacional, das relações externas e nos assuntos constitucionais. Em 1982, com a aprovação da Lei Constitucional de 1982, o Canadá adquiriu a sua completa soberania.
O jornal National Post, que se publica em Toronto, antecipou a celebração dos 159 anos do que chama o Dominion of Freedom com uma ilustração que nos sugere a festa dos canadianos, mas também escreve em manchete que “mais do que oito em cada dez continuam orgulhosos de ser canadianos, embora muitos temam que o país não se mantenha unido”.
Realmente, com um vizinho poderoso e sob a governação de um homem ambicioso, tudo é possível e sem grande alarido para manipular a vontade política dos canadianos, bastando usar as novas tecnologias informáticas, as redes sociais e a exposição televisiva, acompanhadas pela mentira e pelo silenciamento da voz do adversário. Sem qualquer ameaça militar ou guerra económica.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A longevidade futebolística de CR7

Depois de uma exibição descolorida, desinspirada e medíocre contra a República Democrática do Congo e de fortes críticas internas que lhe foram dirigidas, a seleção nacional de futebol defrontou a equipa do Uzbequistão e ganhou por 5-0, com uma exibição e golos que entusiasmaram os portugueses.
Foi um caso em que, com toda a propriedade, os jogadores passaram de bestas a bestiais. Marcar cincos golos num jogo do Mundial é uma coisa rara, mas aconteceu com naturalidade, o que veio animar aqueles que acham que a equipa portuguesa pode ganhar a competição. “A idade não perdoa” mas, ao contrário do que tem acontecido nos últimos tempos, os 41 anos de idade de Cristiano Ronaldo estiveram ativos, ele jogou com a equipa e marcou dois golos. Em 2006 tinha marcado um golo ao Irão, em 2010 à Coreia do Norte, em 2014 ao Gana, em 2018 à Espanha (três golos) e a Marrocos e, em 2022, marcou ao Gana. Com os dois golos agora marcados ao Uzbequistão somou dez golos e ultrapassou Eusébio como o melhor marcador português em Mundiais, tornando-se o primeiro futebolista a marcar golos em seis campeonatos do mundo. A imprensa internacional destacou este feito histórico e alguns jornais desportivos internacionais escolheram a sua fotografia para ilustrar as suas primeiras páginas, como aconteceu com o diário mexicano esto, impressionados com a longevidade de CR7 e com o desempenho do jogador de campo mais velho deste Mundial.
Apesar desta unanimidade em torno do singular historial futebolístico de Cristiano Ronaldo, que faz dele o mais famoso português de todos os tempos, é necessário respeitar a sua idade e fazer a sua gestão desportiva de forma equilibrada, para evitar danos emocionais irreparáveis ao próprio e aos seus admiradores.
Entretanto, o Mundial vai continuar

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Dez anos de Brexit: cansaço e fracasso

No dia 23 de junho de 2016 realizou-se no Reino Unido um referendo sobre a permanência do país na União Europeia, em que votaram cerca de 33 milhões de eleitores, depois de uma intensa campanha. Apurados os resultados, verificou-se que 48,11% dos eleitores votaram na permanência (remain) mas que 51,89% escolheram sair (leave), isto é, o Brexit venceu e, depois de demoradas negociações, o Reino Unido abandonou a União Europeia. 
Dez anos depois, os britânicos estão muito insatisfeitos e há uma progressiva onda de apoio ao regresso à União Europeia, como se vai verificando na imprensa diária, o que também foi revelado por um estudo feito pelo European Council on Foreign Relations (ECFR), que agora foi divulgado, que mostra que dois terços dos britânicos considera que o Brexit foi um erro e um fracasso e que a decisão teve consequências negativas para o país, tanto a nível económico como social. Os britânicos associam a sua saída da União Europeia ao agravamento de diversos problemas considerados centrais para o país, incluindo o aumento do custo de vida, o abrandamento económico, a redução de oportunidades para os mais jovens, as dificuldades comerciais e uma gestão menos eficaz da imigração ilegal. Além disso, também defendem uma maior aproximação económica à União Europeia e, até no domínio da segurança e defesa, só 18% dos britânicos considera os Estados Unidos como o seu principal aliado. 
Na sua edição de hoje, o jornal The Independent diz que “uma geração inteira foi traída” e exibe em primeira página as fotografias de Boris Johnson e de Nigel Farage, que continuam no activo e são os grandes responsáveis pelo Brexit e por outras maldades, incluindo o incentivo para que não houvesse acordo no conflito da Ucrânia.