O problema surgido com a “invasão” de Ceuta “obriga-nos a pensar”, como escrevemos no último texto que aqui publicamos pois tem interpretações muito diversas, embora seja evidente que não se tratou de um acto espontâneo de cerca de 60 mil pessoas, sobretudo jovens, que de repente decidiram abandonar Marrocos e entrar na cidade autónoma de Ceuta, historicamente território espanhol, mas que o reino de Marrocos reivindica como território marroquino. Naturalmente, alguém instrumentalizou muitos daqueles jovens que procuram uma vida melhor e cujos direitos humanos devem ser respeitados, mas o que se passou terá sido “organizado” com a participação das redes sociais e pode ter sido um ensaio patrocinado pelo governo marroquino para avaliar as reações espanhola e da União Europeia, mas também pode ter sido “um plano pérfido de Marrocos contra a União Europeia” como escreveu o jornal austríaco Kronen Zeitung.Porém, o jornal italiano La Stampa, que se publica em Turim, escolheu como manchete da sua edição a frase “Ceuta, o assalto à Europa”, mas havendo também abundante noticiário internacional que liga o que aconteceu com as relações íntimas entre Donald Trump, Benjamin Netanyahu e o rei de Marrocos, insinuando que os serviços secretos destes países prepararam esta “invasão” para criar dificuldades a Pedro Sánchez, o único chefe de governo da União Europeia que teve a coragem de condenar Netanyahu e de contrariar Donald Trump, designadamente ao não aceitar as orientações do presidente americano e do seu lacaio Mark Rutte, para gastar 5% do PIB em despesas militares.Ainda ninguém explicou, com verdade e credibilidade, o que realmente se passou, mas objectivamente foi um assalto à Europa, como salientou o diário La Stampa. Os acontecimentos de Ceuta são de uma enorme gravidade, são um aviso e um alerta para a soberania europeia, mas serviram apenas para evidenciar a decadência da Europa, para mostrar a fragilidade dos seus vaidosos líderes e para excitar os extremistas europeus e os seus ideais xenófobos.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Ceuta, assalto all’Europa
sexta-feira, 31 de julho de 2026
"Ceuta, invadida", obriga-nos a pensar
A pressão
migratória sobre a Europa continua a ser muito intensa e esse é um dos temas
políticos, económicos e humanitários mais complexos da actualidade, colocando
desafios à gestão das fronteiras, à integração dos migrantes nas sociedades de acolhimento e à cooperação
entre os diferentes estados-membros da União Europeia.
Este movimento
migratório tem raízes essencialmente económicas, mas também resulta do
crescimento demográfico, de conflitos armados, de efeitos das alterações
climáticas e de perseguição política ou religiosa, mas representa sempre uma
fuga à pobreza, à fome e, de uma forma geral, às condições indignas em que
vivem milhões de pessoas no mundo, esquecidas pelos ricos e poderosos que se
vão ocupando a fazer guerras. A Grécia, a
Itália e a Espanha são os destinos mais procurados pelos migrantes através do
mar Mediterrâneo mas, actualmente, a rota do Mediterrâneo Ocidental parece ser a
que está a ser mais usada e, por terra ou por mar, a cidade autónoma espanhola
de Ceuta é um dos objectivos dos migrantes legais ou ilegais que querem entrar na Europa.
Nas últimas
horas, segundo informaram as autoridades espanholas, cerca de 49.000 migrantes
entraram no enclave de Ceuta em apenas 24 horas, a nado ou saltando vedações, havendo já
o registo de 19 mortos. Este número de entradas representa um aumento de quase
50% na população da cidade que tem 83.600 habitantes, resultando numa pressão
insustentável sobre alojamentos e alimentos, vendo-se muitas centenas de jovens
migrantes a dormir nas ruas, enquanto mais migrantes continuam a entrar no
território.
O jornal ABC diz hoje que Ceuta foi
“invadida”, mas toda a imprensa espanhola se mostrou alarmada. E tem boas
razões de alarme, porque se trata uma de violação da integridade territorial da Espanha e do espaço comunitário, que não tem ar de ser espontânea e terá sido "organizada" pelo governo marroquino. Esta situação vem provar quão irresponsáveis e
incompetentes são os líderes europeus que continuam a assustar-nos com a ameaça
russa e que não sabem o que são direitos humanos, nem que há outros tipos de ameaças ao nosso modo de vida e bem estar.
Como dizia o Velho do Restelo no
Canto IV d’Os Lusíadas, “deixas criar
às portas o inimigo, por ires buscar outro de tão longe”. Nem mais, nem menos.
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Infantino, Trump e o futebol como negócio
O Mundial de 2026
já terminou há quase duas semanas com a vitória da selecção da Espanha, mas o
balanço do evento começa agora a ser feito, mostrando números inéditos de
público nos estádios e de audiências televisivas. Estima-se que nos estádios
estiveram 6,81 milhões de espectadores, o que representa uma média de 65.490
espectadores por cada um dos 104 jogos disputados e uma taxa de ocupação dos
estádios de 99,7%, apesar dos preços exorbitantes ou mesmo escandalosos dos
bilhetes. Estima-se, também, que cerca de 5,2 mil milhões de pessoas – quase
dois terços da população mundial – assistiu pelo menos uma vez às transmissões
televisivas.
A FIFA previa uma
“equação económica” simples para o Mundial: do lado das receitas esperavam-se
mais de 7 mil milhões de euros (um crescimento de 56% em relação ao Mundial de
2022), incluindo 3,5 mil milhões de euros de direitos televisivos, enquanto do
lado das despesas estavam orçamentados 3,2 mil milhões de euros, nelas se
incluindo os prémios às seleções, aos clubes que cederam os jogadores e aos
próprios jogadores, mas também as ofertas a Donald Trump e aos seus familiares
e amigos. A ser assim, a FIFA terá tido um lucro da ordem dos 3 a 4 mil milhões
de euros!
Gianni Infantino,
o presidente da FIFA, e Donald Trump, o dono da Trump Tower e presidente do
Estados Unidos, devem ter ficado deslumbrados com estes números e
“embrulharam-se” em favores e elogios. Infantino atribuiu a Trump o primeiro
Prémio da Paz da FIFA e Trump quer ver Infantino como secretário-geral das
Nações Unidas, isto é, favor com favor se paga. Agora Infantino quer vender 20%
dos direitos comerciais do Mundial, com Trump e a sua família a quererem
comprar, embora Trump queira muito mais desta “galinha dos ovos de ouro” que é
o futebol.
O jornal L’Équipe
pergunta onde é que eles vão parar, nesta corrida que já foi chamada o “negócio
do século da FIFA” e que, uma vez mais, vem mostrar o que o futebol é um
negócio onde domina a grande corrupção.
terça-feira, 28 de julho de 2026
O Brasil e os brasileiros que se cuidem...
As declarações
insultuosas para o presidente Lula da Silva e para o Brasil, feitas no passado
sábado na cidade de S. Paulo por Javier Milei, o presidente da Argentina, estão
a dar origem a “uma escalada sem precedentes de crise diplomática entre os dois
países”, segundo salienta a edição de hoje do centenário jornal paulista Folha
de S. Paulo.
Javier Milei
participou na convenção nacional do Partido Liberal que declarou apoio à
candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, tendo-se referido ao presidente
do Brasil como “ladrão” e “presidiário” e a Alexandre de Moraes, que é professor
catedrático e ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, como
“lixo careca”.
O governo
brasileiro reagiu a estes insultos proferidos em território brasileiro e chamou
o seu embaixador em Buenos Aires para consultas, segundo a fórmula usada nestes
casos pela diplomacia, o que é considerado um gesto diplomático de elevada
gravidade.
A atitude de
Milei foi também criticada na Argentina, onde Axel Kicillof, o governador da
província de Buenos Aires e potencial candidato peronista à presidência da
Argentina nas eleições do próximo dia 24 de outubro, repudiou a postura de insultuosa e ofensiva de Milei e disse ter tido “vergonha” das suas afirmações, que “não representam o
sentir do povo argentino”. Além disso, Kicillof lembrou que o Brasil é o
principal parceiro económico da Argentina e que as declarações de Milei podem colocar
em risco empregos, investimentos e interesses argentinos, ao fazer aquelas “palhaçadas”
apenas para “apoiar um candidato por ordem de Trump”.
Significa que
Bolsonaro já tem o apoio de Donald Trump, de Javier Milei e do Netanyahu, o
carniceiro que tem um mandato de captura internacional expedido pelo TPI.
É caso para dizer
aos brasileiros que se cuidem…
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Ele é o maior ciclista de todos os tempos
Terminou a 113ª
edição do Tour de France que é,
seguramente, um dos maiores espectáculos desportivos da actualidade, sobretudo
pela excelência das suas transmissões televisivas, que nos permitem acompanhar
a prova com bastante detalhe informativo, observar o entusiasmo popular que
suscita e ver muitas imagens do património natural e arquitectónico francês.
Naturalmente, há
competições desportivas que atraem o interesse e o entusiasmo de públicos mais
numerosos, como acontece com os Jogos Olímpicos, os grandes torneios de futebol
da FIFA e da UEFA, os torneios de ténis do Grand Slam ou as corridas de Formula
1, mas pode afirmar-se que o entusiasmo mobilizador do Tour de France é
único.
Nesta ano de 2026
os ciclistas pedalaram 3.320,7 quilómetros desde Barcelona até Paris, repartidos
por 21 etapas das quais oito em alta montanha, nos Pirinéus, no Maciço Central,
nos Vosges, no Jura e nos Alpes.
O vencedor foi o
ciclista esloveno
Tadej Pogačar que, com 27 anos de idade, juntou o seu nome ao lote de
pentacampeões do Tour de France, de
que fazem parte os franceses Jacques Anquetil e Bernard
Hinault, o belga Eddy Merckx e o espanhol Miguel Induráin. Os jornais
desportivos franceses e espanhóis, designadamente a Marca, com que ilustramos
este texto, mas também alguns jornais generalistas, destacaram a vitória deste
excepcional atleta que já é considerado o maior ciclista de todos os tempos.
Como curiosidade registamos que o único português que
participou nesta edição do Tour de France
foi o ciclista Nélson Oliveira da equipa espanhola Movistar. Terminou na 65ª
posição entre os 158 ciclistas que concluíram a prova, mas bateu
um recorde, ao tornar-se no primeiro ciclista a cumprir 24 grandes Voltas
consecutivas sem abandonos. É obra!
domingo, 26 de julho de 2026
As eleições presidenciais no Brasil
Ontem, na cidade brasileira
de S. Paulo, o senador Flávio Bolsonaro anunciou a sua candidatura às eleições
que se realizarão no próximo dia 4 de outubro para escolher o próximo
presidente da República Federativa do Brasil. Há alguns meses, o actual
presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha anunciado a sua intenção de se
candidatar a um novo mandato, pelo que se antevê uma disputa presidencial entre
Flávio Bolsonaro pelo Partido Liberal (PL) e Luiz Lula da Silva pelo Partido
dos Trabalhadores (PT).
Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária, após condenação por tentativa
de golpe de Estado na sequência da derrota eleitoral de 2022, tendo sido
escolhido pelo pai e tido o apoio expresso do extremista Benjamin Netanyahu e do
seu pai, este apresentado através de uma mensagem gerada por inteligência
artificial. Outro importante apoio que Bolsonaro recebeu veio da presença em S.
Paulo do presidente argentino Javier Milei que, ao estilo trumpiano e com grande despudor, pois se encontrava em solo brasileiro,
classificou o presidente Lula da Silva como “basura y ladrón”, isto é, como lixo
e ladrão, conforme destacou a edição de hoje do jornal argentino Clarín.
Segundo as mais recentes sondagens da Datafolha, o mais importante
instituto de pesquisas brasileiro, nenhum dos candidatos será eleito à primeira
volta e, numa segunda volta a realizar no dia 25 de outubro, o agora candidato
Flávio Bolsonaro tem 43% de intenções de voto, enquanto o candidato Lula da
Silva regista 48% das intenções de voto.
A imprensa brasileira não deu particular destaque ao anúncio da
candidatura de Flávio Bolsonaro, nem aos apoios que recebeu, mas as declarações
incendiárias e insultuosas de Javier Milei e do seu afilhado
Flávio, fazem antever uma dura batalha eleitoral, que se espera seja ganha pelo Brasil.
sábado, 25 de julho de 2026
França: sem água e com fogos florestais
Tal como está a
acontecer em outros países da Europa ocidental, os incêndios florestais também
estão a lavrar intensamente em várias regiões da França, o que é noticiado em
toda a sua imprensa nacional e regional.
A edição de hoje do jornal Le
Parisien escolheu como título de primeira página a frase “La France en
feu”, mas outro jornal regional francês escolheu como manchete “Incendies: un
été d’apocalypse”, referindo que são “incêndios XXL”, que estão fora de
controlo e que já obrigaram à evacuação de 110 mil pessoas. As zonas mais
atingidas por esta devastadora tragédia localizam-se no sul do país, sobretudo
nos departamentos de Gironda (Bordéus), das Landes (Mont-de-Marsan) e do Var
(Toulon).
Este fenómeno dos
fogos florestais vem juntar-se à falta de água e à seca, por vezes extrema, que
tem alarmado a França nas últimas semanas e que, a propósito de uma lei de
urgência agrícola e de armazenamento de água em discussão pública, fez manchete
em diversos jornais com títulos como “La France à sec”, “la guerre de l’eau”, ou
“il faudra partager l’eau”.
Significa que os
fogos florestais, a seca e a escassez de água são problemas que, nos últimos
anos, se têm acentuado na França, mostrando que a França também é vítima das
alterações climáticas.
Apesar da sua grandeza
histórica, da robustez da sua economia, da sua capacidade tecnológica e da
exibição de poder que fez ao mundo no passado dia 14 de julho, a França também
tem muitos problemas, que vão desde a diversidade do tecido social à enorme
dívida pública, entre os quais assumem uma crescente importância os efeitos das
alterações climáticas.
Espanha: el fuego nos está comiendo!
Como aqui se
referiu recentemente, as alterações climáticas já não são uma ameaça distante,
porque são uma evidência do nosso tempo. Essa realidade está hoje patente em
Espanha, sobretudo nas regiões de Madrid e Ávila, onde estão a acontecer alguns
dos maiores fogos florestais que alguma vez ali ocorreram, o que levou o
governo espanhol a declarar, pela primeira vez em democracia, a situação de
emergência nacional.
Estão
contabilizadas mais de 63 mil pessoas desalojadas ou evacuadas das zonas mais
críticas, mas também há alguns milhares de pessoas que estão confinadas nas
suas povoações. A preocupante situação levou o governo espanhol a acionar o Mecanismo
Europeu de Proteção Civil, pelo que alguns aviões de combate a incêndios gregos
e italianos já estão a reforçar as operações de combate.
Toda a imprensa
espanhola destaca a gravidade da situação por que passa o país e, na sua edição
de hoje, o diário La Razón publica uma expressiva fotografia dos incêndios e,
como manchete, escolheu a frase “el fuego nos está comiendo”.
Apesar de estar a
ser combatido por muitos meios, o fogo não tem sido travado e configura uma
situação de “tempestade perfeita”, porque está a ser alimentado por uma
combinação de temperaturas muito altas, ventos fortes e variáveis e, também,
por uma vegetação abundante e muito seca.
Há sete anos, a
revista TIME escolheu António
Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, para capa da sua edição de 24
de junho de 2019, vestido de fato e gravata e água pelos joelhos, a alertar
para as consequências das alterações climáticas. Disse então que o combate
contra as alterações climáticas era “a batalha das nossas vidas” e essa tem
sido uma das bandeiras do seu mandato. O mundo não lhe deu ouvidos, mas ele
tinha razão.
Definitivamente
parece ser a altura de todos darmos mais atenção a este problema das alterações
climáticas e sermos mais exigentes com quem nos governa.
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quinta-feira, 23 de julho de 2026
Alterações climáticas ameaçam a Europa
O problema das
alterações climáticas está na ordem do dia, pelo menos desde a Cimeira de Paris
de 2015, quando 195 países assinaram um acordo destinado a reduzir as emissões
de gases com efeito de estufa. Porém, o compromisso assumido tem sido ignorado
ou adiado por alguns dos seus subscritores, devido a factores muito diversos em
que se destacam as práticas das poderosas indústrias dos combustíveis fósseis e
os seus lobbies, bem como os governos
focados em interesses de curto prazo ou sem ambição reformista.
O facto é que nos
anos mais recentes, os efeitos das alterações climáticas se estão a agravar em
todo o nosso planeta, com ondas de calor e calores extremos, incêndios
florestais que devastam extensas áreas, secas severas, tempestades com alto
poder destruidor e inundações repentinas e incontroláveis, assim como o degelo
acelerado de glaciares e a consequente subida do nível da água do mar. Tudo
isto acontece no mundo, mas também na Europa como regularmente é relatado pela
imprensa.
Há dois dias, a
edição do diário escocês The National, que se reclama ser
“the newspaper that supports an independent Scotland”, quase ignora o novo
primeiro-ministro britânico e dedica a sua edição às alterações climáticas,
escolhendo para manchete a frase “climate change is no longer a distant threat”,
isto é, as alterações climáticas já não são uma ameaça distante. Para
justificar esse título, o jornal informa, em subtítulo da mesma primeira página,
que os activistas alertam que os escoceses estão a dormir e não estão atentos
aos incêndios alimentados pelo aquecimento global que estão a devastar a
Escócia”.
Afinal, a ideia
dos europeus que as alterações climáticas era um problema da Europa
mediterrânica, não corresponde à verdade.
Os americanos e a guerra do Irão
O futebol e o
Mundial mobilizaram todas as atenções do mundo e os mass media quase ignoraram os problemas importantes, como as
guerras da Ucrânia e do Irão, as alterações climáticas, as migrações
descontroladas ou a instabilidade económica global.
Agora todos esses
temas regressam às agendas da comunicação internacional e, em relação às
guerras, ficamos a saber que está tudo na mesma, ou talvez não.
De facto, os
maiores jornais americanos, entre os quais o The Wall Street Journal,
publicam hoje com destaque de primeira página, uma fotografia da chegada a
Dover, no Delaware, das urnas de quatro militares americanos mortos na guerra
do Irão, onde foram recebidas pelo presidente Donald Trump e por Peter Hegseth,
o ex-apresentador de televisão que é Secretário de Defesa dos Estados
Unidos.
Ao contrário dos nossos
comentadores encartados de política internacional – que têm andado desaparecidos
dos écrãs televisivos – nós pouco sabemos do que se passa nas guerras em curso,
porque só sabemos aquilo que as agências noticiosas e aqueles que as controlam
querem que nós saibamos e tudo nos é servido para consumo, isto é, as verdades
e as mentiras, a informação e a desinformação.
Porém, a
fotografia da chegada das urnas dos militares americanos vai agitar o
subconsciente americano e recordar a tragédia que foi a guerra do Vietnam
(1955-1975) e a derrota americana, mas também vai abalar ainda mais o decadente
prestígio interno de Donald Trump, cuja continuada fanfarronice em relação aos
sucessos contra o Irão parece não ter fundamento.
Dizem muitos
especialistas que os Estados Unidos perderam a guerra do Vietnam porque
perderam o apoio da sua opinião pública, que assistia pela televisão às
trágicas e brutais imagens da guerra. Os tempos são outros, mas a fotografia
hoje publicada na imprensa americana vai certamente produzir efeitos na opinião
pública americana…
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terça-feira, 21 de julho de 2026
Os faróis e a nossa herança marítima
No passado
domingo, em que todas as atenções se concentravam no futebol e na final do
Mundial, o jornal Açoriano Oriental, que se publica na cidade de Ponta Delgada e
que no seu cabeçalho afirma ser “o mais antigo jornal português fundado em 1835
por Manuel António de Vasconcelos", dedicou uma “grande reportagem” aos faróis
açorianos que “continuam a orientar quem navega pelo Atlântico”.
Para ilustrar a
sua primeira página, foi escolhida uma fotografia do belíssimo farol do Arnel,
localizado na ponta nordeste da ilha de S. Miguel e que está em funcionamento
desde 1876. Depois, a reportagem reparte-se por três páginas e assenta em duas
entrevistas feitas a Rui Melo e Mário Riscado, dois dos 31 faroleiros que
asseguram a operação e a manutenção dos faróis do arquipélago dos Açores e que,
nesta reportagem, explicam a especificidade técnica da sua profissão e
transmitem ao leitor uma exemplar postura de dedicação a este serviço público.
A reportagem é
muito esclarecedora quanto à importância dos faróis, pela confiança que
transmitem aos navegantes apesar das modernas ajudas à navegação em que se
destaca o Global Positioning System,
vulgarmente conhecido como GPS, mas também pelo seu enquadramento na paisagem
marítima.
Na Ode Marítima, um dos mais conhecidos e
inspirados poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Álvaro de Campos, o
poeta evoca “o olhar humanitário dos faróis na distância da noite” e, de facto,
sobretudo em condições meteorológicas adversas, os faróis são um sinal de
hospitalidade para a comunidade marítima e para aqueles que se aproximam de
terra, depois de horas ou dias de muito desconforto e de perigo.
Os faróis são,
portanto, indispensáveis à navegação, mas também são uma memória histórica e um
elemento patrimonial único da paisagem marítima.
Aqui deixo expressa a minha gratidão e o meu aplauso aos faróis e aos faroleiros, Que sejam
mantidos e protegidos em nome da nossa herança cultural marítima.
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Mundial de futebol… e que viva a Espanha!
A Espanha venceu
a Argentina na final do Mundial ontem disputada em East Rutherford, New Jersey e hoje toda a
imprensa espanhola, mas também alguma imprensa internacional, destacam essa
notícia acompanhada pela fotografia dos campeões.
O diário monarquista madrileno
La
Razón, publicou como manchete a frase “Espanã, el mejor equipo del
mundo” e parece ter sido o único jornal que escolheu uma fotografia para
ilustrar a edição em que os novos campeões do mundo estão com os reis de
Espanha e se vê a alegria com que Filipe VI segura a Taça do Mundo.
Provavelmente, a
Espanha é a melhor equipa do mundo e os seus jogadores correram sempre mais do
que os seus adversários. Ultrapassaram Cabo Verde (0-0), Arábia Saudita (4-0),
Uruguai (1-0), Áustria (3-0), Portugal (1-0), Bélgica (2-1) e França (2-0).
Sofreram apenas um golo e chegaram à final para defrontar Lionel Messi e os
seus companheiros argentinos que, embora talentosos e fazendo uso de habilidades
diversas, foram vulgarizados pela ambição espanhola.
Parabéns à Espanha
que festejou euforicamente esta vitória, mas parece que Portugal também se associou a essa grande festa.
A equipa portuguesa
perdeu uma boa oportunidade para brilhar neste Mundial apesar do apoio presencial
que teve do primeiro-ministro, mas esse é um tema para ser tratado pelos especialistas.
O que não pode passar em claro é o feito caboverdiano por ter sido o único adversário
que não foi vencido pelos espanhóis. Agora que venha o
descanso.
Foi futebol a mais, foi um exagero de notícias e um insuportável corrupio
de comentadores nas nossas televisões. Safa!, como se diria
em Boliqueime!
… e que viva a Espanha!
domingo, 19 de julho de 2026
Pogačar dominador no Tour de France
Enquanto todas as
atenções futebolísticas e outras, estão concentradas no Mundial e na final que
hoje se vai disputar entre as equipas da Espanha e da Argentina, os franceses
vivem o Tour de France com enorme
euforia e com o seu habitual entusiasmo, não só porque se trata de uma das
maiores competições desportivas do mundo, mas também porque lhes serve para
esquecer a desilusão por não estarem hoje na final como tanto desejavam.
O Tour de France que este ano está na sua
113ª edição, iniciou-se em Barcelona no dia 4 de julho e terminará em Paris no
dia 26 de julho. Já estão disputadas 14 das 21 etapas da prova e, nesta altura,
o ciclista esloveno Tadej Pogačar
enverga a camisola amarela e já venceu quatro etapas, exibindo uma tão grande
superioridade sobre os seus adversários que a crítica já o considera “o maior
ciclista da história”. Ontem, na etapa que ligou Mulhouse a Le Markstein e que introduzia os Alpes na corrida, Tadej Pogačar voltou a vencer isolado no alto da montanha, deixando para trás o
dinamarquês Jonas Vingegaard e o belga Remco Evenepoel, que são os ciclistas
que mais o poderiam incomodar.
Na sua edição de hoje, o jornal L’Alsace,
um quotidiano que se publica em Mulhouse, destacou a proeza de Tadej Pogačar e escolheu como manchete que “esta etapa
ficará nas memórias”, mas um outro diário escolheu como manchete que “o espectáculo começou”.
Nos últimos anos habituámo-nos a ver um ciclista português
chamado João Almeida, a pedalar entre os melhores ciclistas mundiais, mas este
ano esteve ausente do Giro de Italia
e do Tour de France. Será que o
teremos na Vuelta?
sábado, 18 de julho de 2026
Festas do Povo regressam a Campo Maior
Onze anos depois,
regressam a Campo Maior as Festas do Povo, também conhecidas como Festa das
Flores, o que é um acontecimento cultural importante. Desde o dia 8 até ao dia
16 de agosto o centro histórico da vila alentejana vai cobrir-se com milhões de
flores de papel, feitas artesanalmente pelos moradores de cada rua ao longo de
vários meses de preparação.
As ruas transformam-se e enchem-se de cor e
criatividade, com as casas caiadas e as ruas “enramadas” que transformam a vila
de Campo Maior num jardim florido e proporcionam um cenário único e
inesquecível para quem o idealizou e preparou, mas também para os milhares de
visitantes que não perdem a oportunidade de assistir a esta espectacular mostra
da cultura popular portuguesa.
As Festas do Povo
já se realizam há 137 anos, sem periodicidade certa e apenas quando o povo
assim entende e, por isso, neste século XXI apenas se realizaram em 2000, 2004,
2011 e 2015. Porém, em dezembro de 2021 as Festas do Povo de Campo Maior foram classificadas como
Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, o que representou o
reconhecimento da importância cultural deste evento e veio aumentar o
entusiasmo, a dedicação e o brio dos campomaiorenses pela realização da Festa
das Flores.
As Festas do Povo de Campo Maior são um acontecimento singular
no panorama da cultura popular portuguesa pela originalidade, pela estética,
pela arte e pela indiscutível beleza que proporcionam, pelo que merecem ser
visitadas. Porém, há que evitar os dias e as horas de ponta, em que a vila é
demasiado pequena para receber tanta gente… Faltam 19 dias!
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sexta-feira, 17 de julho de 2026
Argentinos voltam a exigir as Malvinas
O Mundial que
está a decorrer nos Estados Unidos não é apenas uma competição futebolística e
um gigantesco negócio de transmissões televisivas e de publicidade, pois também
é uma plataforma em que se exibem muitos políticos, maiores e menores, e em
que, contrariamente ao que está regulamentado, se aproveita a exposição
mediática para fazer propaganda política.
Assim aconteceu
mais uma vez, quando alguns futebolistas argentinos aproveitaram a maré e
trataram de exibir uma faixa em que se reclamava “las Malvinas son argentinas”,
ressuscitando uma polémica em torno da posse daquelas ilhas que estão sob
soberania britânica e se situam a 8.000 milhas do Reino Unido e a 300 milhas da
costa continental da Argentina, O governo britânico reagiu e um seu porta-voz
anunciou que “o Mundial pode não ser nosso, mas as ilhas Malvinas certamente
são”, acrescentando que a autodeterminação das ilhas cabe aos seus habitantes e
que a responsabilidade britânica para com eles não vacilará.
O jornal
britânico The Independent destaca na sua edição de hoje esta ocorrência e
recorda que em 2014 a FIFA multou a Federação Argentina de Futebol em 20.000
libras por idêntica ocorrência.
Recorda-se que em
1982 o governo militar argentino decidiu invadir e ocupar as Malvinas, a que os
ingleses chamam Falklands. O governo britânico então dirigido por Margaret
Thatcher reagiu e avançou para a recuperação daquelas longínquas ilhas do
Atlântico Sul, de que resultou uma guerra que durou 74 dias e que terminou com
a rendição dos argentinos e a vitória britânica, depois de terem morrido 649
militares argentinos e 255 militares britânicos.
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