Terão sido iniciados hoje em Paris os
trabalhos de montagem de La Caverne du
Pont Neuf, uma instalação temporária de arte urbana concebida pelo artista
JR e que vai “transformar” a Pont Neuf, a mais antiga ponte que atravessa o rio
Sena na cidade de Paris e que foi construída em finais do século XVI.
A arte urbana ou street art popularizou-se nos últimos
anos nos espaços públicos em todo o mundo, desde os mais simples graffiti até às mais complexas
instalações (krafts), que combinam arquitectura,
escultura, multimedia e até pessoas, de forma a envolver emocionalmente o
visitante.
La Caverne du Pont Neuf terá 120 metros
de comprimento e presta homenagem aos artistas Christo e Jeanne-Claude, que em
1985 “embrulharam” aquela ponte e, mais tarde, revestiram o Arco do Triunfo.
Agora o artista JR vai transformá-la numa gigantesca caverna que estará aberta
ao público gratuitamente, de dia e de noite, de 6 a 28 de junho, mas onde não
haverá circulação de automóveis e apenas poderão transitar peões e ciclistas.
A estrutura terá a aparência de uma massa rochosa, cuja
estrutura será apoiada em módulos têxteis insufláveis, pesará cinco toneladas e
não exigirá fundações invasivas. O ar será o principal material utilizado para
minimizar o peso, o transporte e o impacto no local. Os 18.900 metros quadrados
de tecido foram impressos com tintas à base de água e, em seguida, trabalhados
artesanalmente por 25 artesãos numa empresa da Bretanha.
O diário Le Parisien dedica a primeira página
da sua edição de hoje a esta iniciativa artística que é muito polémica e daí que
a sua edição online tivesse sido “invadida”
por comentários, de que transcrevemos apenas dois:
- Quanto custa tudo isso? Esta ponte é linda por si só. Por
que estragá-la, mesmo que temporariamente? Esse dinheiro poderia ser usado de
forma mais inteligente. Para salvar igrejas, castelos, monumentos em perigo...
Chambord, por exemplo!
-
Excelente iniciativa, original, extremamente criativa e ambiciosa, tudo em
homenagem ao trabalho de Christo e Jeanne-Claude. Mal posso esperar para estar
lá.
É caso para dizer que “o mundo fala de tudo tenha ou não tenha razão”, como nos ensina a fábula de ”O Velho, o Rapaz e o Burro”.














