quinta-feira, 2 de julho de 2026

Trump, o negócio e o declínio da América

O diário espanhol El País destaca na sua edição de hoje que Donald Trump “ganó 1.200 millones com las criptomonedas em 2025”, mas os grandes jornais de referência americanos, como por exemplo o The New York Times e o Los Angelers Times referem que foram 2 mil milhões de dólares os lucros obtidos pelo seu presidente com o negócio das criptomoedas.
Donald Trump está a ser acusado de comportamento eticamente reprovável e de estar a enriquecer através do uso indevido da sua posição política, mas tem-se mostrado indiferente a essas acusações porque, afirma, já era rico antes de ser presidente. Segundo foi divulgado pela revista Forbes o património pessoal de Donald Trump quase triplicou entre 2024 e 2026, ao passar de 2,3 para 6,5 mil milhões de dólares, pelo que está a ser acusado de conflito de interesses, por ter investido nas criptomoedas, ao mesmo tempo que tomava várias medidas para desregulamentar o sector, fazendo disparar o preço dos seus activos. Aos lucros com as criptomoedas acrescentou os lucros com os produtos da marca Trump, que vão desde o vestuário e os seus bonés, até aos autocolantes para para-choques, mas também as bíblias vendidas em parceria com um cantor célebre.
Os rendimentos de Melania Trump também cresceram muito e incluem 10 milhões de dólares por um documentário que lhe é dedicado e que foi transmitido online pela Amazon, além de mais 500 mil dólares pelo livro “Melania”.
Isto não é apenas corrupção, mas é também um sinal de uma Democracia e de um Estado de Direito que não funcionam e, em última análise, é o declínio da América.
Perante este quadro, em que Donald Trump junta uma corrupção absoluta a um estilo pessoal narcisista, ganancioso, grosseiro e fanfarrão, é caso para dizer que a melhor maneira que os americanos teriam para celebrar os 250 anos da sua independência era demiti-lo. Ganhavam os Estados Unidos e ganhava o mundo.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Venezuela sofre com sismos destruidores

No passado dia 24 de junho o território venezuelano, sobretudo a cidade de Caracas e o estado costeiro de La Guaira, foi devastado por um duplo abalo sísmico de grande intensidade, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, que aconteceram com apenas 39 segundos de intervalo. Mais tarde, foi anunciado que já se registaram 138 réplicas desde a ocorrência dos dois sismos.
As primeiras notícias sobre o sismo anunciavam uma catástrofe e informavam sobre a enorme destruição causada e, algumas delas, referiam que “o número de vítimas pode chegar a 100 mil”. Porém, de forma prudente, na sua edição de 25 de junho, o jornal Diário 2001 que se publica em Caracas, limitou-se a anunciar em manchete que “dos terremotos sacuden el país”, informando que a presidente Delcy Rodriguez “reportó 32 fallecidos y más de 700 heridos”, que “La Guaira es un caos” e que “Donald Trump ofreció ayuda a Venezuela”.
As imagens divulgadas mostram muita destruição e a ansiedade das pessoas que procuram familiares e amigos desaparecidos, certamente bloqueados pelos destroços dos prédios que ruíram. Vários países mobilizaram-se com equipas especializadas para ajudar na busca de sobreviventes e com auxílios materiais diversos.
Cinco dias depois da tragédia, estão contabilizados 1.450 mortos e 3.150 feridos, mas mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas. As operações de busca e salvamento já resgataram com vida 33 pessoas que estavam soterradas. Na importante comunidade portuguesa que vive na Venezuela estão registadas 53 mortos e 89 desaparecidos.
Muito duros têm sido os tempos recentes para a Venezuela e para os venezuelanos!

sábado, 27 de junho de 2026

O Canadá está em festa, mas sob ameaça

Aproxima-se o Dia do Canadá, o dia em que se celebra a constituição de uma federação nascida no dia 1 de julho de 1867, quando se uniram quatro regiões da Província Unida do Canadá (o Ontário, que era o Canadá Ocidental e o Quebec que era o Canadá Oriental), com a Nova Escócia e a Nova Brunswick, provavelmente como forma de dissuasão de qualquer tentativa de anexação por parte dos Estados Unidos. 
Estas quatro províncias constituíram então o Domínio do Canadá, que era um reino que fazia parte do Império Britânico mas que, ao longo da história, cresceu até às atuais dez províncias e três territórios, quase todas ex-colónias britânicas, constituindo o segundo maior país do mundo em território, embora tenha apenas 40 milhões de habitantes. Apesar de ser parte do Império Britânico, o Canadá adquiriu um nível crescente de controlo político e de governação sobre os seus assuntos internos, enquanto o poder colonial se exercia na área da defesa nacional, das relações externas e nos assuntos constitucionais. Em 1982, com a aprovação da Lei Constitucional de 1982, o Canadá adquiriu a sua completa soberania.
O jornal National Post, que se publica em Toronto, antecipou a celebração dos 159 anos do que chama o Dominion of Freedom com uma ilustração que nos sugere a festa dos canadianos, mas também escreve em manchete que “mais do que oito em cada dez continuam orgulhosos de ser canadianos, embora muitos temam que o país não se mantenha unido”.
Realmente, com um vizinho poderoso e sob a governação de um homem ambicioso, tudo é possível e sem grande alarido para manipular a vontade política dos canadianos, bastando usar as novas tecnologias informáticas, as redes sociais e a exposição televisiva, acompanhadas pela mentira e pelo silenciamento da voz do adversário. Sem qualquer ameaça militar ou guerra económica.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A longevidade futebolística de CR7

Depois de uma exibição descolorida, desinspirada e medíocre contra a República Democrática do Congo e de fortes críticas internas que lhe foram dirigidas, a seleção nacional de futebol defrontou a equipa do Uzbequistão e ganhou por 5-0, com uma exibição e golos que entusiasmaram os portugueses.
Foi um caso em que, com toda a propriedade, os jogadores passaram de bestas a bestiais. Marcar cincos golos num jogo do Mundial é uma coisa rara, mas aconteceu com naturalidade, o que veio animar aqueles que acham que a equipa portuguesa pode ganhar a competição. “A idade não perdoa” mas, ao contrário do que tem acontecido nos últimos tempos, os 41 anos de idade de Cristiano Ronaldo estiveram ativos, ele jogou com a equipa e marcou dois golos. Em 2006 tinha marcado um golo ao Irão, em 2010 à Coreia do Norte, em 2014 ao Gana, em 2018 à Espanha (três golos) e a Marrocos e, em 2022, marcou ao Gana. Com os dois golos agora marcados ao Uzbequistão somou dez golos e ultrapassou Eusébio como o melhor marcador português em Mundiais, tornando-se o primeiro futebolista a marcar golos em seis campeonatos do mundo. A imprensa internacional destacou este feito histórico e alguns jornais desportivos internacionais escolheram a sua fotografia para ilustrar as suas primeiras páginas, como aconteceu com o diário mexicano esto, impressionados com a longevidade de CR7 e com o desempenho do jogador de campo mais velho deste Mundial.
Apesar desta unanimidade em torno do singular historial futebolístico de Cristiano Ronaldo, que faz dele o mais famoso português de todos os tempos, é necessário respeitar a sua idade e fazer a sua gestão desportiva de forma equilibrada, para evitar danos emocionais irreparáveis ao próprio e aos seus admiradores.
Entretanto, o Mundial vai continuar

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Dez anos de Brexit: cansaço e fracasso

No dia 23 de junho de 2016 realizou-se no Reino Unido um referendo sobre a permanência do país na União Europeia, em que votaram cerca de 33 milhões de eleitores, depois de uma intensa campanha. Apurados os resultados, verificou-se que 48,11% dos eleitores votaram na permanência (remain) mas que 51,89% escolheram sair (leave), isto é, o Brexit venceu e, depois de demoradas negociações, o Reino Unido abandonou a União Europeia. 
Dez anos depois, os britânicos estão muito insatisfeitos e há uma progressiva onda de apoio ao regresso à União Europeia, como se vai verificando na imprensa diária, o que também foi revelado por um estudo feito pelo European Council on Foreign Relations (ECFR), que agora foi divulgado, que mostra que dois terços dos britânicos considera que o Brexit foi um erro e um fracasso e que a decisão teve consequências negativas para o país, tanto a nível económico como social. Os britânicos associam a sua saída da União Europeia ao agravamento de diversos problemas considerados centrais para o país, incluindo o aumento do custo de vida, o abrandamento económico, a redução de oportunidades para os mais jovens, as dificuldades comerciais e uma gestão menos eficaz da imigração ilegal. Além disso, também defendem uma maior aproximação económica à União Europeia e, até no domínio da segurança e defesa, só 18% dos britânicos considera os Estados Unidos como o seu principal aliado. 
Na sua edição de hoje, o jornal The Independent diz que “uma geração inteira foi traída” e exibe em primeira página as fotografias de Boris Johnson e de Nigel Farage, que continuam no activo e são os grandes responsáveis pelo Brexit e por outras maldades, incluindo o incentivo para que não houvesse acordo no conflito da Ucrânia.

terça-feira, 23 de junho de 2026

A França sufoca com o calor e nós também

O solstício de verão ocorreu há cerca de 48 horas, o que significa que em Lisboa aconteceu o dia maior do ano com luz solar durante 14 horas e 52 minutos, enquanto nas cidades de Murmansk (Rússia) e de Bodø (Noruega), não houve noite e os seus residentes estiveram 24 horas consecutivas a ver o sol. 
O hemisfério norte do nosso planeta recebe agora maior incidência solar e as temperaturas são mais altas, embora a desigual distribuição de continentes e oceanos altere as condições locais, mas tudo isto acontece num quadro anual repetitivo e que a ciência geofísica prevê com antecipação e rigor. 
Porém, o fenómeno das alterações climáticas que vai acontecendo, está a contrariar cada vez mais os ciclos meteorológicos e sucedem-se chuvas torrenciais, ciclones destruidores, inundações diluvianas e ondas de calor extremo, sempre com consequências mais ou menos trágicas.
Actualmente há uma onda de calor histórica na frente ocidental da Europa com temperaturas muito altas – acima de 40 graus – tendo sido emitidos alertas em Itália, no Reino Unido, na Alemanha, na Bélgica, na Espanha e em Portugal, mas de acordo com a imprensa francesa, será em França que a situação é mais preocupante. Quase todos os jornais franceses referem a palavra canicule e a edição de hoje do diário La Dépêche du Midi, que se publica em Toulouse, diz que a França sufoca com as temperaturas a ultrapassar os 40 graus e que os franceses estão assustados, com as escolas fechadas, os transportes públicos afectados, a economia perturbada e com os serviços de saúde de prevenção. As cidades de Toulouse (41,9º) e Poitiers (41,2º) foram aquelas onde se registaram as temperaturas mais altas, mas nas regiões ibéricas da Andaluzia e do Alentejo estiveram um pouco acima.
Assim, para quem ande por esta frente ocidental da Europa, há que evitar o sol e aumentar a hidratação.

domingo, 21 de junho de 2026

Uma festa a valer – Sanjoaninas 2026

As Sanjoaninas são as festas realizadas em honra de São João na cidade de Angra do Heroísmo e que são, porventura, as festas profanas mais espectaculares das muitas que são realizadas em todas as ilhas dos Açores.
Classificada pela Unesco como património mundial, Angra do Heroísmo é a mais importante cidade da ilha Terceira, que é uma das nove ilhas dos Açores, embora por vezes se diga que “os Açores são oito ilhas e um parque de diversões que é a ilha Terceira”, num reconhecimento pelo entusiasmo terceirense por todas as festas, nomeadamente o Carnaval, o Divino Espírito Santo e os Santos Populares, com os bailinhos, as marchas populares e as corridas à corda, que são marcas da identidade cultural terceirense.
A bela cidade espera e prepara durante muitos meses as Sanjoaninas e, neste ano de 2026, entre os dias 19 e 28 de junho enche-se de vida e transforma-se num enorme palco de cultura, cor, tradição e alegria, com espaços gastronómicos, muitos concertos e espectáculos ao vivo, torneios desportivos, exposições, animação de rua, corridas de touros e corridas à corda, cortejos e desfiles temáticos, regatas e um sempre apreciado espectáculo pirotécnico. A população da ilha e muitos visitantes convergem com alegria e entusiasmo para a histórica cidade, que se espraia pela orla da baía que lhe deu o nome e à sombra do Monte Brasil. Os números são bem expressivos, pois desfilarão 49 marchas populares com 4.500 marchantes, das quais 12 são provenientes de outras ilhas, da Madeira e do Canadá, havendo também 78 espaços gastronómicos espalhados pelo centro histórico da cidade.
As Sanjoaninas são sempre associadas a efemérides ou temas culturais e com o tema “Angra e a Açorianidade”, as Sanjoaninas 2026 foram associadas às comemorações do cinquentenário da Autonomia, que constitui um instrumento de valorização e dignificação da condição insular e a concretização de uma justa aspiração das populações açorianas, que só o 25 de Abril de 1974 tornou possível.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Socos e pontapés no aniversário do Donald

Donald Trump completou 80 anos de idade no dia 14 de junho e decidiu celebrar o acontecimento de uma forma peculiar. Podia ter organizado um jantar familiar, um comício com apoiantes, ou um grande concerto, mas decidiu associar-se ao Ultimate Fighting Championship (UFC) para receber sete combates de artes marciais mistas (MMA) no relvado da Casa Branca. Foi uma escolha que mostra o nível deste homem que os americanos elegeram para seu presidente, uma coisa “outrora inimaginável”. 
Para concretizar esta ideia foi instalada uma plataforma cercada de rede – o octógono – uma jaula onde os lutadores enclausurados trocam socos e pontapés, num chocante espectáculo de “vale tudo” e numa exibição de violência e de brutalidade que ofende a condição humana. Para agravar ainda mais esta insólita celebração, este deprimente espectáculo faz parte das comemorações do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, o que certamente deixou perplexos, tanto George Washington como Thomas Jefferson. 
A famosíssima e centenária revista The New Yorker tratou de ridicularizar esta iniciativa presidencial e, na sua última edição, fez capa com o “octógono” de Trump, onde sob seu olhar estão a lutar J.D.Vance e Marco Rubio, considerados os seus delfins.  
No dia seguinte a esta grotesca forma de celebrar aniversários, Donald Trump estava em Evian na cimeira do G7 e as televisões mostraram o servilismo com que foi tratado pelos líderes europeus, talvez incomodados por não terem sido convidados para o 80º aniversário do Donald.
Vi e só me ocorreu o Fado da Tristeza, uma inspirada canção de José Mário Branco.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Il re é sempre Lionel Andrés Messi

Os jornais argentinos e espanhóis, mas também de alguns outros países, destacaram o talento e a eficácia futebolística de Lionel Andrés Messi, que com 38 anos de idade, meteu os três golos com que a Argentina bateu a Argélia no seu primeiro jogo para o Mundial, disputado ontem em Kansas City. O famoso diário italiano La Gazzetta dello Sport, que se publica em Milão desde 1896 e é o mais antigo jornal desportivo da Europa, dedica-lhe a sua edição de hoje com a manchete “il re é sempre Leo”, isto é, o rei é sempre Leo.
Esta afirmação é demolidora para Cristiano Ronaldo que, no mesmo dia, teve uma exibição decepcionante contra a República Democrática do Congo em Houston e que, segundo o mesmo jornal, “tropeça em campo, não causa impacto, decepciona, nunca marca golo”.
Ao longo dos anos, Ronaldo e Messi sempre se encararam de frente, conquistando Bolas de Ouro e Ligas dos Campeões, “mas agora parecem mais distantes do que nunca, porque no mesmo dia um marca três golos e o outro decepciona”. O jornal escreve que, enquanto em Portugal “não perdoam” a Cristiano Ronaldo, na Argentina deliram com Messi que “se candidatasse amanhã à presidência da Argentina, teria 80% dos votos”.
Cristiano Ronaldo é o português mais famoso de toda a nossa história de nove séculos e merece a nossa admiração e o nosso respeito, pelo que é tão doloroso ler este tipo de comentários, como assistir a um jogo como aquele que a equipa nacional ontem disputou, sem alegria, sem ambição e sem vontade de vencer, o que deixou os portugueses em estado de choque, porque os mass media e os comentadores do regime os convenceram que iriam ser campeões do mundo.   Agora, como dizem os futebolistas quando perdem, “é preciso levantar a cabeça”

terça-feira, 16 de junho de 2026

Vozinha e a boa surpresa de Cabo Verde

As equipas nacionais de Cabo Verde e da Espanha empataram ontem sem golos, no jogo que disputaram em Atlanta para o Grupo I do Mundial e o resultado constituiu o primeiro grande choque deste Mundial e fez de Cabo Verde “o lugar mais feliz do mundo neste momento”.
A Espanha é a actual campeã da Europa, é a equipa número 2 do ranking da FIFA e é a grande favorita para vencer o Mundial, enquanto Cabo Verde é estreante e ocupa apenas a posição 67 daquele ranking. Por isso, o jogo Espanha-Cabo Verde era apenas mais um jogo do Mundial de futebol e um duelo previsivelmente bastante desequilibrado e com um vencedor quase inevitável, mas não foi isso que aconteceu. A imprensa internacional elogiou a estreia histórica dos “tubarões azuis”, onde se destacam vários futebolistas que jogam em Portugal, sobretudo o guarda-redes Vozinha, que foi eleito o MVP (Most Valuable Player) do primeiro jogo de Cabo Verde numa fase final de um Mundial. Trata-se de um jogador do Desportivo de Chaves, que nasceu no Mindelo e tem 40 anos de idade, cujo nome completo é Josimar José Évora Dias. 
Na sua edição de hoje o jornal português Record fez manchete com o seu nome, escrevendo “Vozinha cala Espanha”. Porém, a exibição do guarda-redes caboverdiano foi muito elogiada em muitos jornais estrangeiros, nomeadamente n'O Globo (“Vozinha cala a favorita”), no Estado de S. Paulo (“Vozinha cala a Espanha”) e até no The Washington Post (“A hero for Cape Verde”), no The New York Times (“Vozinha, the 40-year-old Cape Verde hero”) e no The Wall Street Journal (“The 40-year-old goalkeeper who just shut out the World Cup favorites”).
A imprensa espanhola classificou o resultado do jogo com Cabo Verde como “petardazo”, “chasco”, “deprimente empate” ou “desilusionante debut”, enquanto o diário desportivo AS escreveu: “El muro caboverdiano y el cuarentón Vozinha provocan la primera gran sorpresa del Mundial”.
Grande Vozinha!

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Acordo de paz entre o Irão e os EUA

Foi anunciado o imediato cessar-fogo e a reabertura do estreito de Ormuz para pôr fim ao conflito entre o Irão e os Estados Unidos que se prolongava há vários meses e essa grande notícia faz a manchete da edição de hoje do jornal espanhol El País, curiosamente com maior destaque do que fazem as edições do The New York Times e do The Washington Post, o que pode ter algum significado.
Se houve um acordo, quer dizer que essa foi a vontade das partes e que não há vencedores nem vencidos, que a dignidade das partes foi acautelada e que pode estar aberto um ciclo de desanuviamento na região. 
Porém, o regime extremista de Netanyahu não deve ter gostado nada deste acordo, pois não mostra sinais de contenção nem de respeito pela soberania dos vizinhos, o que pode configurar a continuação da sua agressão ao Líbano com o apoio dos americanos. Só o tempo dirá se este acordo entre o Irão e os Estados Unidos “tem pernas para andar”, ou se é apenas uma manobra para Donald Trump se exibir internamente e para menorizar os líderes que vão estar com ele na reunião do G7.
A credibilidade de Donald Trump está muito baixa e muitos têm dúvidas sobre este acordo. Há poucos dias, um canal televisivo referiu-se às “palavras vazias de Trump” e avançava com o conteúdo das suas declarações sobre a guerra no Irão: “acordo iminente (38 vezes), Irão derrotado (55 vezes), Irão destruído (35 vezes) e estreito de Ormuz aberto (25 vezes)”. Com tão intensa e tão mentirosa propaganda, muita gente desconfia. Porém, se o acordo vingar como desejam os amantes da paz, representará um passo importante para a redução das tensões no Médio Oriente, embora continuem por resolver questões relacionadas com o programa nuclear iraniano e outros pontos estratégicos, que deverão ser discutidos numa nova fase de negociações, dos quais Israel será certamente o mais importante.

domingo, 14 de junho de 2026

Narendra Modi e os seus 12 anos de poder

Há muitos países que, embora não estando representados no Mundial de Futebol, continuam presentes nas agendas mediáticas mundiais e um deles é a Índia.
A Índia ou União Indiana é uma república constituída por 28 estados e sete territórios da União, tem uma grande diversidade em termos culturais, étnicos e linguísticos, sendo o país mais populoso do mundo.
Independente desde 1947, é uma democracia parlamentar que foi dirigida durante muitos anos por Nehru, pela sua família e pelo Partido do Congresso, que tinham lutado contra o domínio colonial britânico. Em 1980 nasceu o  Bharatiya Janata Party ou BJP, um partido populista da direita radical, de base religiosa e cultural hindu, ultranacionalista e conservador que, com 180 milhões de membros, reclama ser “o maior partido político do mundo”. Tem associada uma temida organização paramilitar de voluntários de extrema-direita que é o Rashtriva Swavamsevak Sangh (RSS), que mantém grande hostilidade e violência para com as comunidades muçulmanas e católicas do país. O BJP teve sucesso popular e hoje governa 22 dos 28 estados indianos e, desde há 12 anos, tem Narendra Modi como primeiro ministro da União.
A Índia aspira tornar-se a potência dominante da Ásia do Sul e tem fortalecido as suas Forças Armadas, pelo que todos os grandes fabricantes de armamento – Estados Unidos, Rússia, França e Reino Unido – se aproximam de Narendra Modi e esquecem o seu patrocínio às actividades violentas dos fanáticos do RSS.
Na Índia é vulgar que as empresas publiquem anúncios laudatórios dirigidos aos dirigentes políticos… A propósito dos seus 12 anos de governo, a empresa Apollo Tyres Ltd publicou um anúncio de felicitações a Narendra Modi no jornal Hindustan Times, que tem sede em Nova Delhi. É apenas um entre muitos anúncios, talvez a desejar que Modi se conserve no poder por muito mais tempo.

sábado, 13 de junho de 2026

A Espanha recebeu Leão XIV em euforia

No dia 21 de abril de 2025 foi anunciado o falecimento do Papa Francisco aos 88 anos de idade e 17 dias depois, no dia 8 de maio, os cardeais reunidos em Conclave elegeram Robert Francis Prevost como o 267º Papa da Igreja Católica, que escolheu o nome de Leão XIV. Como quase sempre acontece, esta escolha dos cardeais foi uma surpresa e na sua biografia, que rapidamente foi publicada pelo jornalista Christophe Henning, o novo Papa foi classificado como “o Sucessor Inesperado”.
O Cardeal Robert Prevost é americano e era pouco conhecido.
Durante os primeiros meses do seu pontificado, o Papa Leão XIV foi muito discreto, mas em novembro realizou a primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano, depois esteve um dia no Mónaco e seguiu-se uma longa viagem à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Nessas viagens falou de paz, criticou a guerra e apelou à reconciliação, o que não agradou ao seu compatriota Donald Trump que o criticou. Porém, o Papa declarou não ter medo do governo de Trump e com essa corajosa declaração mostrou que o Papa e a Igreja Católica são confiáveis.
Agora, entre 6 e 12 de junho, o Papa realizou uma importante viagem apostólica a Espanha com passagens por Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canaria e Santa Cruz de Tenerife, tendo levado consigo uma mensagem de união para toda a Espanha, enquanto importante país de maioria católica, mas também a afirmação do direito dos migrantes a serem tratados com dignidade, tendo inaugurado a imponente torre central da Basílica da Sagrada Família em Barcelona.
Toda a imprensa espanhola acompanhou a visita do Papa Leão XIV e a euforia com que foi recebido, mas o jornal El Día de Santa Cruz de Tenerife publicou uma edição especial alusiva à sua passagem pela ilha de Tenerife, que foi a primeira visita realizada por um Papa àquela ilha e que aconteceu no dia 12 de junho de 2026.

Começou o Mundial e são 38 dias de festa

A 23ª edição do Campeonato Mundial de Futebol da Federação Internacional de Futebol (FIFA) começou no dia 11 de junho na Cidade do México e vai decorrer até ao dia 19 de julho. Pela primeira vez a competição será disputada em três países e terá a presença de 48 equipas nacionais, divididas por 12 grupos de quatro equipas. Serão disputados 104 jogos em 16 cidades-sede: Cidade do México, Guadalajara e Monterrey (México), Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova Iorque/Nova Jersey, Filadélfia, Baía de São Francisco e Seattle (Estados Unidos) e Toronto e Vancouver (Canadá).
O mundo acompanha este Mundial com grande curiosidade e muito entusiasmo, com as guerras e as políticas a passar para segundo plano, mas o mundo dos negócios está atento e tem as suas garras afiadas, sobretudo no maior dos países anfitriões onde tudo tem que gerar rendimento e onde o Donald Trump vai aproveitar para se promover interna e internacionalmente e, certamente, para juntar mais alguns milhões à sua conta pessoal.
A seleção portuguesa está presente e os entendidos dizem que é uma das favoritas à vitória. Não sei se assim é mas, tal como a generalidade dos portugueses, vou acompanhar o Mundial com entusiasmo e vou desejar que tudo corra bem e que marquem mais golos do que os que tiverem que sofrer. Os nossos compatriotas vibram com a “equipa das quinas” e com as prestações artísticas dos seus ídolos. Se a “equipa de todos nós” tiver bons resultados, desperta uma onda de alegria e felicidade nos portugueses e anestesia-os das dores que sofrem diariamente com os baixos salários, o custo de vida, o aumento dos combustíveis, as esperas no SNS, a ausência de oiliciamento na via pública, a sujidade urbana e a mediocridade e impreparação de muitos políticos.
A imprensa mundial tem dedicado edições especiais a este fenómeno desportivo, mediático e comercial, assim acontecendo com o jornal italiano Corriere dello Sport que, não podendo falar da “escandalosa” ausência da Itália, evoca a rivalidade entre os “históricos” ícones Ronaldo e Messi, que vão ter “the last dance”, apontando como favoritos à vitória a França, a Argentina e a Espanha.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Um míssil que não chegou ao seu destino

Embora as notícias sejam muito contraditórias e estejam viciadas pela propaganda, parece evidente que Israel, a pretexto de garantir a sua segurança, está a seguir uma política expansionista agressiva e ilegal, que passou pela destruição de Gaza, pela presença militar activa na Cisjordânia que é solo palestiniano, pela ocupação de território de um país soberano que é a Síria e, mais recentemente, pela operação em curso que quer fazer ao sul do Líbano o mesmo que fez em Gaza. Como argumento, o regime do carniceiro Netanyahu invoca o seu direito para combater o Hamas e o Hezbollah, bem como a humilhação permanente da Autoridade Nacional Palestiniana, criada em 1994 e que, desde 2012, tem assento nas Nações Unidas com o estatuto de observador.
Porém, na sua desenfreada e criminosa corrida bélica contra tudo o que não se lhe submeta, o carniceiro de Israel decidiu atacar a cidade de Beirute, até porque continua a tirar partido da hipocrisia europeia e dos seus líderes medíocres e desprovidos de coragem, que uma vez mais se calaram. O mesmo não fez o Irão, cujo regime é controlado de forma autoritária e opressiva por líderes religiosos fanáticos, que, em solidariedade para com o Líbano, decidiu responder à ofensiva israelita com uma vaga de mísseis, no primeiro ataque desde o cessar-fogo de abril. Acontece que, no dia 8 de junho, um grande míssil balístico iraniano lançado contra Israel, caiu e ficou encravado no solo perto de Jericó, na Cisjordânia. 
Muitos jornais internacionais, como por exemplo o diário belga DeMorgen, ilustraram as suas primeiras páginas com a insólita fotografia do míssil iraniano.