O problema
surgido com a “invasão” de Ceuta “obriga-nos a pensar”, como escrevemos no
último texto que aqui publicamos pois tem interpretações muito diversas, embora
seja evidente que não se tratou de um acto espontâneo de cerca de 60 mil
pessoas, sobretudo jovens, que de repente decidiram abandonar Marrocos e entrar
na cidade autónoma de Ceuta, historicamente território espanhol, mas que o
reino de Marrocos reivindica como território marroquino.
Naturalmente, alguém
instrumentalizou muitos daqueles jovens que procuram uma vida melhor e cujos
direitos humanos devem ser respeitados, mas o que se passou terá sido
“organizado” com a participação das redes sociais e pode ter sido um ensaio
patrocinado pelo governo marroquino para avaliar as reações espanhola e da
União Europeia, mas também pode ter sido “um plano pérfido de Marrocos contra a
União Europeia” como escreveu o jornal austríaco Kronen Zeitung.
Porém, o jornal
italiano La Stampa, que se publica em Turim, escolheu como manchete da
sua edição a frase “Ceuta, o assalto à Europa”, havendo também abundante
noticiário internacional que liga o que aconteceu com as relações íntimas entre
Donald Trump, Benjamin Netanyahu e o rei de Marrocos, insinuando que os
serviços secretos destes países prepararam esta “invasão” para criar
dificuldades a Pedro Sánchez, o único chefe de governo da União Europeia que
teve a coragem de condenar Netanyahu e de contrariar Donald Trump,
designadamente ao não aceitar as orientações do presidente americano e do seu
lacaio Mark Rutte, para gastar 5% do PIB em despesas militares.
Ainda ninguém
explicou, com verdade e credibilidade, o que realmente se passou, mas
objectivamente foi um assalto à Europa, como salientou o diário La
Stampa. Os acontecimentos de Ceuta são de uma enorme gravidade, são um
aviso e um alerta para a soberania europeia, mas serviram apenas para
evidenciar a decadência da Europa, para mostrar a fragilidade dos seus vaidosos
líderes e para excitar os extremistas europeus e os seus ideais xenófobos.














