A banca
portuguesa está em festa porque os seus lucros continuam num nível muito
elevado, como se a sua actividade decorresse num país economicamente rico e
socialmente equilibrado, com recursos abundantes e sustentáveis, com uma boa
base tecnológica e industrial, com grande capacidade exportadora e com
empresários empreendedores e com mão-de-obra qualificada.
Hoje, toda a
imprensa portuguesa de referência anunciou esse sucesso: o Jornal de Notícias
informou em manchete que “maiores bancos cobram aos clientes sete milhões por
dia em comissões”, o Diário de Notícias
destacou em primeira página que “cinco maiores bancos lucram meio milhão de
euros por hora” e o Público anunciou que
os “bancos lucram mais de dois mil milhões semestrais pelo quarto ano
consecutivo”. É muito dinheiro e não há milagres.
Estes resultados
são escandalosos e obscenos, porque como escreve o Jornal de Notícias as “comissões salvam lucros dos bancos e
clientes pagam a conta”. Não está em causa a legitimidade da banca para cobrar
taxas e comissões pelos serviços que presta, mas não é aceitável a autêntica
extorsão que é a cobrança de comissões, sobretudo as chamadas despesas de
manutenção de conta e as anuidades dos cartões de crédito a que não temos alternativa, que penalizam o pequeno
depositante e fazem inchar os lucros da banca. Dizem os banqueiros que os
preços destas comissões não sobem, mas o facto é que também não descem, depois
de terem sido aumentadas durante anos consecutivos.
Os pequenos
depositantes conhecem bem a injustiça que é o diferencial entre juros passivos
(que o cliente paga ao banco pelos empréstimos que contraiu) e os juros activos
(que o cliente recebe pelo dinheiro que empresta ou deposita no banco), porque
é a imagem mais fiel das práticas de extorsão bancária em Portugal.
Por isso, eu digo ao gestor Macedo a mesma coisa que diz a publicidade do Continente: "Assim também eu!".
Nestas circunstâncias, ocorre-nos O Canto e as Armas de Manuel Alegre,
publicado em novembro de 1967 que, no belo Poemarma, diz:
“Que o poema […] chegue ao banco e grite: abaixo a pança!"














