A guerra entre a
Rússia e a Ucrânia já dura há muito tempo – 1.670 dias desde o dia em que a
Rússia invadiu o território ucraniano (24 de fevereiro de 2022), ou 4.596 dias
desde o dia em que as forças russas reagiram à violência ucraniana contra a
minoria russa do Donbass e ocuparam a Crimeia (20 de fevereiro de 2014).
Considerando que a Grande Guerra durou 1.567 dias e que a 2ª Guerra Mundial
durou 2.193 dias, é caso para dizer que a disputa entre Moscovo e Kiev já dura
há muito tempo.
Como aqui temos
escrito desde há mais de quatro anos, é preciso parar e negociar. É preciso
pensar e abandonar a lógica da polarização que domina o discurso ocidental – ou
se é por Zelenkky ou por Putin. Somos pela paz para ucranianos e para russos.
É
preciso seguir os princípios de Robert Schuman que defendeu que “a paz mundial
não pode ser salvaguardada sem esforços criativos proporcionais aos perigos que
a ameaçam”, ou de Henry Kissinger, que escreveu que a questão ucraniana não é
de saber se “a Ucrânia se junta ao Oriente ou ao
Ocidente”, porque “deve funcionar como uma ponte entre eles”, pelo que “devemos
buscar a reconciliação, não o domínio de uma facção”.
Porém,
Boris Johnson, Olaf Scholz, Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen e mais alguns
outros líderes europeus, por vezes contra a vontade dos seus eleitorados,
abdicaram do seu dever de defender a paz e de moderar, apaziguar ou arbitrar o
conflito, tornando-se parte muito activa dele, para lá canalizando muito
dinheiro para mísseis, para drones, para mercenários e para muita corrupção. A
indústria do armamento aplaude e o conflito parece agravar-se, porque a Europa
está com líderes medíocres e sem coragem.
O recente ataque a Moscovo com mais de mil drones foi a maior campanha de drones da História
e o maior ataque que a cidade sofreu desde 1942, conforme relata hoje o The Wall
Street Journal, com uma expressiva fotografia de primeira página.
Esta operação
mostra como o conflito está intenso e como os líderes europeus nele estão envolvidos,
arrastando os seus países para uma guerra de consequências imprevisíveis e sem que
os seus povos tenham sido ouvidos sobre essa matéria.














