quinta-feira, 9 de abril de 2026

Canhões ou manteiga? O povo que escolha.

Embora já se soubesse, até porque é uma evidência e para ver isso nem é preciso ter estudado Economia, a edição de hoje do quase bicentenário Diário de Notícias vem anunciar na sua primeira página o que o FMI se prepara para dizer, “que a despesa militar vai obrigar a cortes brutais na Saúde, Educação e apoios sociais”.
Esta reação do FMI resulta de um “estudo muito amplo”, em que foram analisados dados históricos desde 1946 a 2024, referentes a várias dezenas de países.
A anunciada corrida à despesa com a defesa nos países da NATO acontece devido à pressão de Donald Trump que “exige” que seja aumentada substancialmente, acrescentada com o apoio irresponsável do sabujo holandês que é o Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, que até teve a ousadia de “exigir” que seja comprado armamento americano.
O facto preocupante é que, em junho de 2025, os estados-membros da NATO se comprometeram a elevar até 2036, a despesa anual com a defesa e áreas relacionadas com a segurança para 5% do PIB, que é mais do dobro da anterior meta de 2%. Com esta decisão, em que a maioria dos líderes dos países “assobiaram para o lado”, talvez à espera que passe o tempo do Donald, terá de haver “cortes brutais na Saúde, Educação e apoios sociais”, como diz o FMI. Nos outros países não sei o que aconteceu, mas aqui em Portugal os governantes também “assobiaram para o lado”.
Estamos perante opções importantes pelo que deve ser o povo soberano a decidir. É preciso saber se o povo português quer canhões ou quer manteiga, utilizando o famoso dilema de Paul Samuelson, que foi prémio Nobel da Economia, porque os portugueses são soberanos e não têm de não seguir os diktats de Trump e de Rutte.  

Missão Artemis II viu a outra face da Lua

A missão Artemis II da NASA está em curso desde o dia 1 de abril com grande sucesso e já ultrapassou o momento mais importante de toda a sua viagem em direcção à Lua, tendo sido a primeira vez que um ser humano viu o Sol eclipsar-se atrás do satélite natural da Terra. 
Nunca o ser humano tinha estado tão longe do nosso planeta e os astronautas da Artemis II já bateram o recorde da maior distância à Terra e já viram o lado oculto da Lua.
A missão Artemis II é o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis que planeia levar astronautas à Lua em 2028, representado um novo incremento no avanço da Ciência e na descoberta espacial.
Recorda-se, aqui, que foram as missões Apollo da NASA que em 1969 levaram Neil Armstrong e Buzz Aldrin a pisar pela primeira vez o solo lunar e que, depois, houve mais dez astronautas que também estiveram na Lua, mas que há mais de cinquenta anos que o programa espacial americano estava desactivado.
As impressionantes fotografias captadas pelos astronautas em que se podem ver a Lua e a Terra, foram publicadas pela imprensa mundial de todas as latitudes, aparecendo na edição de ontem do diário Hoy que se publica na vizinha cidade espanhola de Badajoz.
Se Júlio Verne tivesse assistido a tudo isto, não tinha precisado de ter tanta imaginação na sua criação literária.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O recuo de Trump e o fanatismo do Donald

O presidente dos Estados Unidos anunciou um cessar-fogo por duas semanas no conflito que o opõe ao Irão, na sequência dos esforços diplomáticos do Paquistão. Ambos os países reclamam vitória, mas o importante é que a guerra está parada e fica atenuada a hipótese de uma crise económica global. 
O diário The Wall Street Journal, mas também outros jornais americanos, destaca o recuo de Donald Trump e exibe uma fotografia em que se destaca a bandeira do Irão e não a bandeira dos Estados Unidos, mostrando assim que estão do lado do agredido e não apoiam o agressor. O fanfarrão Donald Trump recuou, mas deve ter ficado aliviado porque tinha afirmado e repetido que iria “destruir o Irão esta noite se o estreito de Ormuz não for reaberto” e ter acrescentado, também, que “uma civilização inteira morrerá esta noite”. A sua ameaça é uma declaração criminosa que viola todas as regras da guerra que protegem civis, feridos e prisioneiros, tendo sido tão grave que Paul Krugman, um prémio Nobel da Economia, veio dizer que “a civilização que pode ser destruída esta noite é a nossa”. 
Agora que a agressão está suspensa, começaram a ouvir-se mais vozes denunciando a credibilidade e a moralidade de Donald Trump e da sua equipa, particularmente dessa figura igualmente sinistra que é Pete Hegseth, o secretário da Defesa, ou da Guerra, que foi denunciado pelo ex-presidente Bill Clinton por defender neste conflito “no quarter, no mercy”, isto é, não prisioneiros, não piedade, não misericórdia”. Ora isto é crime de guerra, como disse Bill Clinton que criticou sabiamente os desvarios de Trump.
Donald Trump nunca teve o apoio da maioria dos americanos para fazer esta guerra como mostram as sondagens e basta ver a imprensa americana para constatar essa verdade. Inexplicavelmente, as nossas televisões estão cheias de comentadores que apreciam e elogiam Trump e Hegseth, para além do criminoso Netanyahu, numa postura de evidente subdesenvolvimento cultural.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A voz do Papa também chega à América

Alguns jornais de referência americanos, nomeadamente The Philadelphia Inquirer, mas também o The Washington Post, o The Boston Globe e o Los Angeles Times, destacaram nas suas edições de hoje a imagem do Papa Leão XIV, que até há bem pouco tempo era o cardeal americano Robert Francis Prévost Martinez, repetindo e ampliando o apelo à paz que fez nas cerimónias pascais, ontem realizadas em Roma – choose Peace!
Como notícia secundária, esses jornais referem o resgate do piloto americano que foi abatido no Irão e as continuadas ameaças de Donald Trump que, aparentemente, está fora de si por não ter tido o resultado militar com que sonhou, por ter a opinião pública americana cada vez mais contrária à sua política e porque começa a sofrer internamente o efeito de recessão económica que resultou da crise que provocou com o seu ataque ilegal ao Irão.
O presidente dos Estados Unidos está a ficar encurralado e a tornar-se muito perigoso, não só para o mundo, mas também para os próprios americanos. Exige que os iranianos "abram" o estreito de Ormuz e ameaça destruir o Irão numa só noite, vangloriando-se pessoalmente de tudo o que os militares americanos têm feito. Hoje é evidente que ele não tem agenda, nem propósitos, nem maneiras. É grosseiro e boçal. Envergonha a América. Exibe o seu instinto de narcisismo doentio e de fanfarronice serôdia, seguindo os diktats do criminoso e fanático tirano que é Benjamin Netanyahu.  
A Europa e os seus líderes estão escandalosamente calados – à excepção de Pedro Sánchez – porque, eventualmente têm medo de Trump, mas já não se entende o silêncio cúmplice destes líderes em relação ao criminoso de guerra que é Netanyahu.
E como é triste ver o papel do presidente do Conselho Europeu e, naturalmente, também dessa pequena espécie de estadista que é um tal Rangel…

sábado, 4 de abril de 2026

O erro do Donald e o sorriso de Xi Jinping

A capa da mais recente edição da revista The Economist é ilustrada com uma fotomontagem que mostra o presidente chinês Xi Jinping a sorrir atrás de Donald Trump, enquanto a manchete ajuda a esclarecer ainda mais aquele sorriso: "Nunca interrompa o seu inimigo quando ele está a cometer um erro".
O texto principal da edição explica que foram consultados diplomatas, académicos e especialistas e que quase todos consideram a guerra no Irão como “um grave erro americano”, acrescentando que “muitos chineses dizem que a guerra acelerará o declínio dos Estados Unidos”, o que reforça a ideia dominante na China de que caminham para a perda da sua hegemonia no cenário mundial. Apesar de ser aliada do Irão, a China mantém o seu princípio da não intervenção e defende o fim imediato das hostilidades, esperando vir a tirar proveito do desgaste americano que já se começa a notar.
De facto, já passou mais de um mês desde o início da ilegal agressão americano-israelita ao Irão e são muito contraditórias as notícias que nos chegam da guerra, com ambas as partes a afirmar que vão destruir o adversário. O fanfarrão Donald anda desorientado e diz tudo e o seu contrário, enquanto o fanático Netanyahu continua a matar e destruir barbaramente os seus vizinhos, sem que a Europa o condene com clareza pelo seu comportamento criminoso e atentatório dos direitos humanos.
A iniciativa de Trump foi criticada por alguns líderes como António Guterres, Pedro Sánchez, Emmanuel Macron e poucos mais, mas nos Estados Unidos são cada vez mais as vozes que condenam a guerra e a loucura do Donald, com destaque para Robert de Niro e Bruce Springsteen.
Como mostra The Economist o sorriso de Xi Jinping vale mais do que mil palavras.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Ciência e tecnologia em direcção à Lua

Ontem pelas 18h 36m locais descolou do Centro Espacial Kennedy da NASA em Cape Canaveral, na Florida, o foguetão SLS levando acoplada a nave espacial Orion. É a primeira nave espacial tripulada a sair da órbita da Terra desde 1972, quando a Apollo 17 permaneceu 75 horas na superfície lunar. No seu interior seguiram quatro astronautas – os americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch e o canadiano Jeremy Hansen – que cumprem o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis, com a duração de dez dias e que os levará a dar a volta à Lua. O grupo inclui pela primeira vez uma mulher, um astronauta afrodescendente e um não americano.
Esta é a missão Artemis II, um voo preliminar da missão Artemis IV que está planeada para 2028 e em que se prevê um desembarque lunar.
Numa altura em que muitos americanos e grande parte do mundo contestam as políticas de Donald Trump e a forma como vem desprestigiando os Estados Unidos, através do uso da força e da insensatez com que trata a comunidade internacional, o lançamento da missão Artemis II é um acontecimento que demonstra a capacidade científica e tecnológica americana e a sua capacidade de desenvolver projectos virados para o futuro da humanidade.
O acontecimento foi transmitido em directo por muitas estações televisivas e a generalidade dos jornais de todo o mundo deram notícia fotográfica do lançamento da nave espacial Orion. Por ser uma das mais expressivas, escolhemos a edição de hoje do jornal La Provincia, o diário da cidade canária de Las Palmas, que publica uma fotografia do lançamento e escreve que “La Luna, objetivo en tiempos convulsos”.

Celebrando 50 anos da nossa Constituição

Há 50 anos, no dia 2 de abril de 1976, os 250 deputados que integravam a Assembleia Constituinte votaram e aprovaram por 234 votos, correspondentes a 93,6% do plenário constituinte, a nova Constituição da República Portuguesa, verificando-se que apenas os 16 deputados do CDS votaram contra aquele documento, que consagra a liberdade e os direitos fundamentais dos portugueses.
A Constituição da República Portuguesa entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, exactamente dois anos depois do “dia inicial, inteiro e limpo” e foi preparada num contexto complexo de transição de uma ditadura repressiva para uma democracia, com um processo revolucionário também muito complexo, mas resultou num documento fundador da nossa democracia que concretiza os “valores de Abril” e um regime político democrático, assente na soberania popular, no pluralismo e no Estado de direito. Meio século depois e apesar de já ter passado por sete processos de revisão constitucional – 1982, 1989, 1992, 1997, 2001, 2004 e 2005 – a Constituição da República Portuguesa continua a ser a matriz do nosso sistema político, a protetora dos direitos fundamentais dos cidadãos e a “expressão mais duradoura do pacto cívico e social que emergiu da Revolução de Abril”.
Hoje é dia de festa e o jornal Público associou-se à efeméride reproduzindo na primeira página da sua edição de hoje uma parte do preâmbulo do texto constitucional que foi preparado por uma comissão presidida pela deputada Sophia de Mello Breyner Andresen e de que foi relator o deputado Manuel Alegre, que começa da forma seguinte:

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa 
resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos,
derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma 
transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

Evocar a Constituição da República Portuguesa é evocar o 25 de Abril e os seus valores de Liberdade, Democracia, Paz, Progresso e Solidariedade.
Viva a Constituição da República Portuguesa!

terça-feira, 31 de março de 2026

Portugal e Cabo Verde unidos e fraternos

A última edição do semanário Expresso das Ilhas que se publica na cidade da Praia, inclui uma desenvolvida reportagem sobre o primeiro transplante renal realizado em Cabo Verde, que “foi um sucesso”. É um marco histórico na medicina em Cabo Verde que aconteceu no dia 24 de março no Hospital Universitário Agostinho Neto e, segundo a equipa médica, tanto a dadora como o receptor que são irmãos, estão a recuperar bem da intervenção. A intervenção durou cerca de três horas e contou com uma equipa de cerca de 30 pessoas cabo-verdianas e portuguesas, chefiada pelo cirurgião português António Norton de Matos que, há 43 anos, realizou o primeiro transplante renal na cidade do Porto.
Evandro Monteiro, o gestor do Hospital Universitário Agostinho Neto, reconheceu o mérito da parceria estabelecida entre Cabo Verde e Portugal nesta matéria, com  o empenho da equipa cabo-verdiana e da equipa portuguesa, “sobretudo do Hospital de Santo António, no Porto, que estiveram directamente envolvidos no processo de preparação e realização do transplante” e afirmou que “é para continuar”.
A mesma edição do Expresso das Ilhas noticia, também em primeira página, que o jornal assegura a distribuição em exclusivo em Cabo Verde de uma edição especial de “Os Lusíadas”, no âmbito das comemorações do V Centenário de Luís de Camões. Essa edição será publicada em fascículos a serem distribuídos na última edição do jornal de cada mês, durante dez meses.
Esta edição mostra que, tanto no plano da cooperação médico-cientifica, como nas vertentes culturais, é realmente enorme a proximidade (e a fraternidade) entre Portugal e Cabo Verde e que não passa apenas pela emoção da morna, ou a da gula pela cachupa.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Os americanos em protesto contra Trump

Já passou um mês desde que a aliança Netanyahu-Trump decidiu atacar o Irão e, apesar destes dois fanfarrões anunciarem vitórias todos os dias, não parece que os seus adversários estejam derrotados. O evidente controlo da informação que a referida aliança deixa passar todos os dias para os mass media não nos permite saber o que realmente se passa no campo de batalha.
O que é sabido desde o primeiro dia é que não houve justificação para atacar um regime brutal de um país soberano e que, tal como aconteceu com o Iraque em 2003, o ataque ao Irão resulta de uma mentira grosseira. A maioria dos americanos está contra a agressão americana ao Irão desde o primeiro dia e parece que perdeu a paciência com o Donald e com o seu estilo autoritário de governo, com a guerra do Irão que pode ser trágica e humilhante para os Estados Unidos, mas também com as contínuas ameaças à soberania da Venezuela e de Cuba, com a negação das alterações climáticas e com as políticas de imigração e a violência e desumanidade com que são impostas.
No passado fim-de-semana calcula-se que cerca de nove milhões de americanos saíram à rua em todos os 50 estados americanos e sob o lema No Kings, participaram em mais de três mil eventos nas principais cidades, subúrbios e zonas rurais para protestar contra o Presidente dos Estados Unidos. Os organizadores afirmaram que "Trump quer governar-nos como um tirano, mas isto é a América e o poder pertence ao povo – não a aspirantes a reis ou aos seus comparsas bilionários". Em várias cidades do mundo, como Paris, Londres e até no Porto, realizaram-se acções de protesto contra Trump.
O jornal nova-iorquino Daily News dedicou a primeira página da sua edição de ontem ao protesto No Kings em Nova Iorque, em que participaram “tens of thousands”.
E aí está como são sábios os ensinamentos de Sun Tzu, isto é, a derrota de Trump vai acontecer dentro da própria América porque “manter um exército fora do seu país leva ao empobrecimento do povo” e os americanos não aceitam isso.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Uma mulher à frente da Igreja Anglicana

A Igreja da Inglaterra nomeou Sarah Mullally para ocupar o cargo de arcebispa de Cantuária, a posição mais alta da hierarquia da Igreja Anglicana de que passa a ser líder espiritual a nível mundial, sendo a primeira vez que uma mulher lidera aquela instituição religiosa em 1400 anos de história. O jornal The Times destaca este acontecimento com grande destaque na sua edição de hoje e não é caso para menos.
Sarah Mullally tem 63 anos de idade, foi nomeada bispa em 2015 e era a Bispa de Londres desde 2018. Antes de se tornar sacerdotisa aos 40 anos de idade, foi directora da enfermagem da Inglaterra com 37 anos de idade, tendo sido a pessoa mais jovem de sempre a ocupar o cargo.
A nova arcebispa tem um importante papel na vida pública inglesa pois tem assento na câmara alta do Parlamento (Câmara dos Lordes) e participa em em debates sobre questões sociais e religiosas e pode intervir em eventos de importância nacional. Porém, a nova arcebispa de Cantuária inicia o seu mandato num momento difícil para a Igreja Anglicana pois há muitos desacordos e controvérsias em questões sensíveis como o papel das mulheres, a benção a casais do mesmo sexo, os abusos sexuais revelados nos últimos anos e o tratamento das pessoas LGBTQ. A entronização da nova arcebispa decorreu na catedral de Cantuária, na presença do príncipe William e da mulher, do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, bem como de representantes do Vaticano, da Igreja Ortodoxa e de representantes de muitas das 42 igrejas anglicanas. 
O exemplo da Igreja Anglicana e da Inglaterra pode ser que inspire o Vaticano e a Igreja Católica a repensar o papel das mulheres no seu futuro.

terça-feira, 24 de março de 2026

A grave agressão em curso contra o Irão

A guerra que está em curso no Médio Oriente contra o Irão e o seu regime é mais um caso em que a força se sobrepõe a todos os princípios do direito internacional e das regras de convívio entre as nações. Israel e os seus amigos americanos, ou os Estados Unidos e os seus amigos israelitas, decidiram agredir um país soberano com falsos pretextos, sobretudo em relação ao seu programa nuclear. Já com o Iraque de Saddam Hussein aconteceu algo de semelhante e o mundo não ficou melhor.
Mais uma vez a informação a que temos acesso através da imprensa, da televisão e da internet está formatada num só sentido, isto é, não se denuncia a agressão nem os agressores, mas critica-se o agredido apenas porque se defende e usa as armas de que dispõe. O massacre desinformativo interno e internacional a que nos sujeitam é tão intenso que muita gente fica condicionada e esquece não só os crimes cometidos pelo regime de Netanyahu contra os palestinianos, mas também este desvario do presidente Trump e a agressão americano-israelita contra o Irão.
Estamos na era da desinformação e as narrativas construídas para servir determinados objectivos ocupam completamente os espaços noticiosos e a cognição dos seres humanos, condicionando-os e manipulando-os, como se o interesse dos poderosos fosse a verdade. No conflito da Ucrânia, aqueles que criticam a Europa por ter sido parte no conflito em vez de ser moderadora, são “amigos de Putin”; no conflito do Irão, aqueles que criticam a agressão desencadeada durante a negociação são “amigos dos aiatólas”. É este o caminho de falsidades que o mundo está a fazer, nesta nova era da pós-verdade e das fake news.
No entanto, ainda há jornais que se destacam, como mostra a edição de hoje do jornal argelino Le Quotidien d’Oran que, sem hesitações, chama agressão à injustificada ofensiva da parelha Netanyahu-Trump.   

Angola evoca a batalha de Cuito Cuanavale

Ontem, dia 23 de março, celebrou-se o Dia da Libertação da África Austral, uma data que está associada à histórica batalha do Cuito Cuanavale, considerada um marco decisivo na luta contra o regime sul-africano do apartheid, na consolidação da independência da Namíbia e até na libertação de Nelson Mandela.
Desde que se tornou independente em 1975 que Angola viveu em guerra civil, sobretudo entre as forças do exército angolano (FAPLA) e as tropas da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que ocupava o sudoeste de Angola e tinha a sua base na Jamba do Cuando. Em 1987 o governo angolano decidiu retomar o controlo dessa região e, entre os dias 15 de novembro de 1987 e 23 de março de 1988, ocorreu uma grande batalha na extinta província angolana do Cuando-Cubango que opôs as FAPLA e as tropas cubanas às tropas do exército sul-africano e da UNITA, sendo considerada uma das maiores batalhas no terreno do século XX. Foi uma dura e prolongada batalha com o envolvimento de milhares de soldados angolanos, cubanos, sul-africanos, namibianos e outros, com trincheiras, barricadas, artilharia, carros de combate e helicópteros. O sucesso militar foi reclamado por ambos os contendores, mas o facto é que os angolanos conseguiram expulsar os sul-africanos do seu território.
Em dezembro de 1988 o MPLA e a UNITA assinaram um acordo em Nova Iorque que levou à possibilidade da implementação da Resolução 435/78 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A batalha de Cuito Cuanavale foi o maior confronto militar da guerra civil angolana e alterou profundamente o panorama político e o futuro da África Austral. Na sua edição de ontem o Jornal de Angola recordou essa página da história de Angola.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Que acabe a guerra antes que seja tarde

A edição de hoje do diário inglês The Independent inclui uma importante proclamação na sua primeira página que, pela sua originalidade e oportunidade, merece ser transcrita e traduzida.

 Declare vitória, se for necessário. Afirme que as forças     armadas do Irão estão enfraquecidas e que o seu           programa nuclear (que, segundo o seu chefe dos serviços de informação, não representava uma ameaça) está neutralizado. Mas, com a escalada dos preços do petróleo, é tempo de mostrar ao mundo que é você — e  não Netanyahu — quem controla. Então, Sr. Trump...  Pare com a loucura já – acabe com esta guerra antes que seja tarde

Lamentavelmente, nem a generalidade da imprensa mundial, nem a generalidade dos líderes europeus, têm mostrado desta forma tão afirmativa a necessidade de Donald Trump acabar com esta loucura que é a violação de todas as regras do direito internacional para atacar países soberanos de cujos regimes ele não gosta, mas que têm petróleo, sempre em nome da sua arrogância, narcisismo, ignorância e estupidez. O que Trump tem dito diariamente envergonha os americanos civilizados e a inteligência humana, mas também deveria envergonhar aqueles que se lhe submeteram, isto é, os Macrons e as Ursulas, os Rutte e os Merz, que se têm mostrado incapazes de enfrentar a loucura do Donald e de condenar o criminoso e genocida regime de Netanyahu que tudo destrói, em Gaza e na Cisjordânia, no Irão e no Líbano, sempre com a sua total indiferença ou cumplicidade. A economia mundial já está em crise e com ela vem o sofrimento de muita gente.

Como escreve The Independent é preciso que a guerra acabe, antes que seja tarde!

quinta-feira, 19 de março de 2026

Viva o SNS, marca da nossa democracia

O nosso país vive demasiadas situações contraditórias, como por exemplo os obscenos lucros anunciados recentemente pela Caixa Geral de Depósitos e pela Petrogal, que comparam com o risco de pobreza ou exclusão social que atinge 19,7% da população, isto é, há cerca de 2,1 milhões de portugueses em situação de vulnerabilidade.
Porém, há muitos outros sinais contraditórios e perturbadores na sociedade portuguesa, que vão desde a morosidade da Justiça até à crise demográfica, passando pela desertificação continuada do interior, pela limpeza urbana, pela indisciplina do trânsito, pela ausência da polícia de proximidade, pela degradação do património arquitetónico e natural, pela desinformação generalizada que nos cerca e, sobretudo, pelas incertezas que nos esperam no Serviço Nacional de Saúde (SNS), onde os sinais são bem contraditórios. De facto, enquanto se ouvem muitos utentes do SNS elogiando a qualidade e eficiência dos serviços prestados, também são recorrentes as más notícias quanto ao encerramento de serviços de urgência e às listas de espera para cirurgias e consultas.
O SNS tem sido uma bandeira do regime democrático que temos desde 1974, mas tem sido demasiadas vezes desconsiderado e prejudicado pela ganância dos grupos de saúde privados e por aqueles que se prestam a servir os seus apetites.
O facto é que, com as suas forças e fraquezas, o SNS continua a ser uma marca do nosso regime democrático e um exemplo de bem servir os que dele carecem, comparando bem com os serviços de saúde estrangeiros, designadamente com o “modelar” National Health Service (NHS) do Reino Unido. Ontem o jornal Daily Express anunciava que nos hospitais ingleses as pessoas morrem nos corredores sem alívio da dor”… Por cá não chegamos a esse ponto.
O SNS é uma equação bem difícil e, por isso, é preciso que esteja nas mãos de quem saiba resolver equações e não à mercê de carreiristas e de gente impreparada.

domingo, 15 de março de 2026

Memória e devoção a S. Francisco Xavier

Quase 15.000 peregrinos reuniram-se ontem à volta do castelo de Javier, na Comunidade Foral de Navarra, para celebrar a figura de S. Francisco Xavier, conforme relata a edição de hoje do Diário de Navarra, que se publica em Pamplona.
Celebrava-se o 86º aniversário da Javierada, uma peregrinação que é organizada pelo Arcebispado de Pamplona e Tudela desde 1940, mas cuja origem remonta ao século XIX, quando foi atribuída a S. Francisco Xavier a responsabilidade por livrar o povo navarro de uma epidemia de cólera. A peregrinação acontece todos os anos durante os dois primeiros fins-de-semana de março, quando milhares de peregrinos, sobretudo fiéis católicos e outros seguidores da sua obra missionária, inundam as estradas que levam ao castelo de Javier para venerar o santo.
Francisco de Azpilcueta (1506-1552) nasceu no castelo de Xavier, estudou em Paris e foi um dos fundadores da Companhia de Jesus. Em 1540 instalou-se em Lisboa, em 1541 embarcou para a Índia na nau Santiago e em 1543 foi nomeado como superior das missões orientais desde o cabo da Boa Esperança até à China. A partir de Goa e em missão de evangelização viajou depois para a costa do Coromandel, Malaca, Molucas, Macau, China e Japão. Faleceu na ilha chinesa de Sanchoão, mas as suas relíquias foram trazidas para Goa.
Em 1622 foi canonizado pelo Papa Gregório XV e em 1748 foi declarado Padroeiro do Oriente pelo Papa Bento XIV. É o “santo de Goa” e para os católicos goeses é o Goencho Saib. O seu túmulo encontra-se na Basílica do Bom Jesus, em Velha Goa, sendo visitado anualmente por cerca de dois milhões de peregrinos de todas as religiões, que querem ver o seu corpo e pedir a sua proteção.