A cidade francesa
de Toulouse é considerada a capital europeia da aeronáutica e nela está
localizada a sede e as principais linhas de montagem do Grupo Airbus, o que representa
o emprego para dezenas de milhares de trabalhadores da cidade e arredores. Por
isso, a aviação comercial e a actividade aeronáutica fazem parte da vida desta
região e o diário local La Dépêche du Midi, que se publica
na cidade desde 1870 e que reclama ser “le journal de la démocratie du Midi”,
acompanha regularmente o tema da aviação e da indústria aeronáutica.
Assim, na sua
edição de hoje o jornal destaca como principal tema o “duel au sommet” entre a
Boeing e a Airbus, os dois maiores gigantes da indústria aeronáutica mundial
que, por vezes, até parece um duelo entre a América e a Europa.
Segundo é
referido nessa notícia, desde 2019 que a Boeing tem passado por “anos difíceis”
com a “empresa de Toulouse” a ultrapassar claramente a “empresa de Seattle”,
tanto em encomendas como em entregas. Nos anos mais recentes, as entregas da
Airbus corresponderam a uma quota de mercado de cerca de 60% de aviões
comerciais novos, ficando-se a Boeing por cerca de 40%. Porém, parece que a
rivalidade, ou mesmo a luta entre os dois fabricantes, se reacendeu no ano
passado, quando a Boeing voltou a ter mais encomendas do que o seu concorrente
europeu e a conseguir superar a Airbus em encomendas líquidas: aproximadamente 908
contra 889.
No início do
corrente ano, num quadro de forte aumento da procura mundial, os dois
fabricantes tinham carteiras de encomendas “para muitos anos”, com a Airbus a
registar 8.800 e a Boeing 6.200. Porém, o problema que se coloca actualmente é
a capacidade de fabricar/entregar aviões e, nesse aspecto, a Boeing perde
claramente com a Airbus. Hoje, a discussão sobre as características técnicas e
económicas dos aviões produzidos pelos dois fabricantes tem pouco sentido. O
que interessa, cada vez mais, é saber como respondem às necessidades do
mercado, ou seja, a discussão passa menos por “quem consegue vender
mais” e passa mais por “quem
consegue fabricar e entregar mais depressa”.














