André
Mountbatten-Windsor foi o filho favorito da Rainha Isabel II e é irmão do Rei
Carlos III, ocupando a oitava posição na linha de sucessão ao trono britânico.
Serviu na Royal Navy durante cerca de vinte anos e durante a guerra das
Falklands em 1982, foi copiloto de helicópteros Sea King a bordo do porta-aviões Invencible.
Nos últimos meses foram divulgadas as suas relações com
Jeffrey Epstein e alguns escândalos sexuais pelo que lhe foram retirados todos
os títulos nobiliárquicos. Ontem foi detido por suspeita de “irregularidades enquanto titular
de um cargo público” e a comunicação social de todo o mundo “não falou de outra
coisa”, tendo havido cadeias de televisão portuguesas que, propositadamente, mandaram repórteres a correr para Londres para noticiar o acontecimento. Um exagero
mundial e um exagero nacional.
A detenção do
cidadão André Mountbatten-Windsor ocupou a primeira página da edição de hoje do
jornal The Times, mas também de muitos jornais de todo o mundo,
reproduzindo a fotografia do detido na viatura em que foi conduzido aos
calabouços da Polícia para ser interrogado. Embora o André não seja um cidadão
qualquer, não se percebe a razão por que em Portugal, na Espanha, no Reino
Unido, na França, na Suiça, na Irlanda, nos Estados Unidos, na Alemanha, na
Austrália, na Argentina, na Áustria, na Itália, na Grécia e certamente em muitos
outros países, esse seja o tema central do interesse jornalístico. Não é aceitável
tanta conversa sobre o André e haja um quase silêncio sobre o que está
acontecer com o embargo americano a Cuba que, tendo sido iniciado em 1962, assumiu
nas últimas semanas o carácter de um assassinato generalizado ao povo cubano, nem
se fale na pressão israelo-americana para atacar o Irão, nem se fale do sofrimento
dos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia, nem em muitos outros problemas com que
o mundo se debate. Não parece ser jornalismo
sério. Até parece que o problema do mundo é o André…














