O governo português anunciou a venda
da TAP ao grupo alemão Lufthansa e, dessa forma, o nosso país perdeu o controlo
de mais uma das suas empresas estratégicas que, neste caso, é quase um símbolo
de soberania nacional, mas que também é uma alavanca e um importante pilar
estruturante da economia nacional.
A TAP é uma das maiores empresas
exportadoras do país (através da venda de bilhetes a não residentes), somando uma receita de quase quatro mil milhões de euros anuais que vale cerca de 1,5% do PIB
nacional, mas a empresa também emprega, direta e indiretamente, milhares de
pessoas e adquire bens e serviços a mais de 1.200 empresas nacionais. Porém, o
peso da TAP na nossa economia estende-se muito para além da aviação comercial,
pois atrai investimento e dinamiza o turismo.
O governo selecionou a Lufthansa para
a aquisição de 44,9% do capital social da companhia, ao qual acresce até 5%,
caso os trabalhadores não exerçam o seu direito de aquisição. O
Estado mantém 50,1% do capital, preservando o controlo da companhia e a potencial
valorização futura da sua participação. Dessa forma, o grupo Air
France-KLM saiu derrotado, o que foi destacado na edição de hoje do jornal
financeiro francês Les Échos. O valor total da operação corresponde a 1.201
milhões de euros, que é cerca de 16% superior ao que foi apresentada pelo outro
concorrente.
Segundo foi informado pelo governo, a
integração da TAP no Grupo Lufthansa salvaguarda os interesses estratégicos
nacionais e garante as condições necessárias para o crescimento sustentável da
TAP, a manutenção da marca TAP, a sede e o robustecimento do hub em Lisboa, o reforço das operações
no Aeroporto Francisco Sá Carneiro e salvaguarda as ligações às Regiões
Autónomas. Assim seja! Ainda, segundo o governo, essa integração coloca a TAP numa plataforma global que, em termos
de receitas, é o maior grupo europeu e o 4.º maior a nível global, em número de
aviões é o maior grupo europeu e o 6.º maior a nível global e, em número de
passageiros, é o 2.º maior a nível europeu e o 6.º maior a nível global.
Assim, parece que vamos ter uma TAP com gestão
alemã, com mais dinheiro, com mais aviões, com mais investimento, mais
contrapartidas e, espera-se, com mais futuro.














