Ontem, em Nova
Iorque, o presidente Donald Trump discursou durante a 81ª Assembleia Geral das
Nações Unidas e as suas palavras eram esperadas com grande curiosidade, mas o
homem esteve ao seu nível habitual como um exemplo raro de fanfarrão, de vaidoso,
de gabarola e de mentiroso.
A generalidade da imprensa americana escolheu para
título das suas edições a frase “Trump threatens to ‘annihilate’ Iran”, isto é,
“Trump ameaça “aniquilar’ o Irão”, mas o jornal diário La Opinión, que se
publica em espanhol desde 1926 na cidade de Los Angeles – fez um século de
idade há uma semana – escolheu para a capa da sua edição de hoje a fotografia
do Donald e como manchete escreveu a frase “amenaza tras amenaza”.
Realmente, foi verdadeiramente insólito ver e ouvir o Donald, em plena Assembleia Geral, a “anunciar
com orgulho que a América está de volta e que está mais forte hoje do que nunca”; que “a nossa economia é o orgulho do mundo”;
que “o nosso exército é o mais poderoso da Terra”; que “a nossa tecnologia é
superior a qualquer outra”. Porém, sua arrogância não se ficou por aí e disse que
“há dois anos, nosso país estava morto. Antes de eu assumir o cargo, tínhamos a
pior e mais perigosa fronteira da Terra, e agora temos a fronteira mais segura
da história americana”.
O Donald também falou do Irão e disse que “não há
melhor exemplo de um perigo do que o primeiro fundador do terror, a República
Islâmica do Irão. Por 51 anos, o regime iraniano fanático tem governado com
sangue e assassinatos em massa, espalhando morte e caos por todo o Médio Oriente”
e, com grande deselegância política, ameaçou “aniquilá-lo”, acrescentando que "devo
conduzi-los ao inferno, sem chance de sobrevivência e sem esperança de grandeza
futura ou de descendência". Disse, também, que “estamos
trabalhando muito com os líderes da Rússia e da Ucrânia” e disse acreditar na paz
“mais rapidamente do que as pessoas entendem”, talvez uma das poucas coisas boas de ouvir.
Para além de muitos outros assuntos
em que se foi elogiando, também quis “reconhecer o extraordinário trabalho da
nossa primeira-dama”, que “este ano, também se tornou a única primeira-dama na
história a presidir a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU”, o que parece mostrar que a presidência é um negócio da família.
Donald Trump
falou de muita coisa mas nada disse sobre a fortuna da sua família que aumentou
pelo menos 2,2 mil milhões de dólares desde que regressou à Casa Branca em Janeiro de 2025. Este
volume inédito de lucros, que num ano subiram 17 vezes e que são considerados estratosféricos,
fez com que o património líquido de Donald Trump subisse cerca de 60%,
atingindo em 2026 uma fortuna estimada entre 6,3 mil milhões e 6,7 mil milhões
de dólares,
consolidando-o como o presidente mais rico da história dos Estados Unidos.














