quinta-feira, 12 de março de 2026

A guerra de Trump e a resposta iraniana

O violento ataque que as forças da parceria Trump/Nenanyahu têm conduzido desde o dia 28 de fevereiro contra o Irão já terá causado grandes destruições e provocado mais de 1.200 mortos, mas na realidade as informações de que dispomos não são credíveis. O fanático Donald Trump já afirmou que ganhou a guerra e que o Irão foi destruído, mas o regime dos aiatolás promete atacar com a “máxima severidade” e continua a lançar drones e mísseis sobre os vizinhos, ou sobre as bases militares americanas. Por isso, pode afirmar-se que não sabemos a verdade sobre a situação.
Porém, como retaliação aos ataques da parelha fanática, desde o início que o Irão passou a atacar os navios-petroleiros que navegam no golfo Pérsico e no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, tendo já sido atingidos pelo menos 16 navios, segundo divulgou a agência marítima britânica UKTMO.
Ontem foi o dia mais intenso dos ataques iranianos à navegação do golfo Pérsico e pelo menos cinco navios foram atingidos, dois deles no porto iraquiano de Basra. Um outro navio atacado foi o MV Mayuree Naree, de bandeira tailandesa, atingido no estreito de Ormuz por dois mísseis iranianos, porque “ignorou os avisos “ que lhe foram feitos. Muitos jornais internacionais, como por exemplo o londrino The Times, publicaram fotografias dos navios atingidos.
O prolongamento da guerra e os ataques iranianos elevaram as preocupações quanto ao temor por um choque global de petróleo e um responsável iraniano até já avisou: “Preparem-se para o barril de petróleo a 200 dólares”. Assim, para além dos gigantescos prejuízos que a guerra de Trump trouxe para o mundo, embora com avultados lucros para as empresas do universo empresarial Trump, ainda estamos para saber se a vitória de Trump foi tão rápida e retumbante como ele tem afirmado.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O petróleo e a crise provocada por Trump

Na sua edição de ontem Le Journal de Montréal destaca na sua primeira página que, num mês, o petróleo subiu de 50 para 120 dólares e que “a culpa é do presidente Trump”, pelo que o título principal é, simplesmente, Merci Donald.
Estamos perante mais um choque petrolífero. Esta subida exponencial do preço do petróleo tem repercussões graves em todas as economias e, portanto, vai perturbar os mercados, aumentar os custos de produção e os preços e, certamente, também vai conduzir a recessões e ao consequente desemprego, a não ser que a situação se altere rapidamente, isto é, até que o fanfarrão Donald Trump e o seu parceiro israelita parem com a injustificada agressão a um estado soberano, embora seja dominado por um regime ditatorial, cruel e sanguinário, que se inspira num fundamentalismo religioso. Porém, não é este exibicionismo de força e destruição, sob as ordens de dois tiranetes que actuam à revelia das Nações Unidas, que tem legitimidade para atacar o Irão.
A crise que já está a chegar à Europa, perante a submissão dos seus principais líderes às ameaças de Trump, também tenderá a transformar-se num choque alimentar, como consequência do aumento dos custos de produção agrícolas, sobretudo adubos e fertilizantes, enquanto os consumidores passarão a defrontar-se com a escassez de produtos e os preços mais elevados nos supermercados.
Portanto, tudo aponta para uma crise global em que só a indústria do armamento irá prosperar e em que Donald Trump e os filhos continuarão a enriquecer, agora com a sua ligação à indústria de produção de drones...
Porém, os canadianos do Quebec que acusam Donald Trump pelo aumento do petróleo e pela crise que já está a gerar, não estão sozinhos. 

Mudança em Belém: gratidão e confiança

Há menos de 48 horas aconteceu o render da guarda em Belém, isto é, aconteceu a mudança do titular do mais alto cargo da nação portuguesa, deixado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa após ter cumprido dois mandatos entre 2016 e 2026, substituído pelo novo presidente António José Seguro, depois de ter jurado defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República.
A presidência de Marcelo Rebelo de Sousa foi globalmente positiva e foi dominada por uma íntima ligação afetiva aos portugueses, acompanhando-os nos momentos em que foram vítimas das tragédias naturais que nos aconteceram, mas também nos momentos de grande euforia nacional e de celebração de vitórias desportivas. Muitas vezes, o presidente Marcelo pareceu um de nós, na sua simplicidade, irreverência e proximidade mas, quando necessário, também soube afirmar-se como um homem de cultura erudita, um académico e um cosmopolita. Ele soube defender a Liberdade e a Democracia, esteve sempre e sem equívocos ao lado dos valores do 25 de Abril, o que nem sempre aconteceu no seio da sua família política. Não foi perfeito e demasiadas vezes falou demais e nunca ficou esclarecido o seu papel em algumas “conspirações”, como foi a queda do governo de António Costa.
Porém, a presidência de Marcelo merece a nossa gratidão.
António José Seguro chega a Belém como o presidente que conseguiu a maior vitória presidencial de sempre, com um discurso de serenidade e de moderação, com palavras mobilizadoras e agregadoras, livre, independente e “atento às desigualdades e comprometido com a justiça social e a dignidade humana”. Leva consigo para Belém uma diversificada carreira política, um singular conhecimento dos nossos desequilíbrios regionais e de um “interior abandonado e esquecido” e, last but not the least, leva consigo para Belém o espírito e os valores de Abril, tendo saudado “os Capitães de Abril, homens de coragem que abriram as portas da esperança a Portugal e devolveram a liberdade ao povo português”.
A presidência de Seguro merece a nossa confiança.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Os povos da Europa dizem “não à guerra”

É cada vez mais evidente que as lideranças europeias são fracas, medíocres, subalternas, incompetentes e deslumbradas, vivem afastadas dos interesses das populações, protegem os seus amigos com lucrativos tachos em Bruxelas e participam conjuntamente numa espécie de competição de vaidades, de exibicionismos serôdios e de lamentáveis fotos de família a mostrar uma unidade e uma firmeza que não têm.
Não se imagina como é possível haver dirigentes europeus como Friedrich Merz, Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen, Mark Rutte e alguns mais, tão subservientes a Donald Trump e tão cobardemente silenciosos perante o criminoso Benjamin Netanyahu, sem uma palavra de crítica à brutal agressão ao Irão, enquanto outros dirigentes como Winston Churchill, Charles de Gaulle, François Miterrand, Margaret Thatcher, Jacques Dellors e outros mais, devem dar saltos nos seus túmulos por assistirem a esta contínua auto-humilhação da Europa, em que as excepções serão Pedro Sánchez e Mette Frederiksen, pela forma corajosa como enfrentam as exigências de Trump.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que não está em competição directa com franceses e alemães, parecia ser uma voz autónoma e até negou autorização para que os aviões que estão a atacar o Irão usassem as suas bases, mas foi sol de pouca dura e depressa cedeu, esquecendo que o apoio directo para atacar o Irão tem menos de 10% de apoio no Reino Unido e que 50-58% dos britânicos se opõem a que os Estados Unidos ataquem o Irão a partir de bases britânicas.
Essa informação é divulgada hoje pela edição do jornal londrino Morning Star que anuncia que “a opinião pública britânica diz não a guerra”.
Haverá algum país na Europa onde a maioria da população não seja contra a guerra? Será que o Eurobarómetro tem essa resposta?

domingo, 8 de março de 2026

A famosa "mão invisível" de Adam Smith

Adam Smith (1723-1790) foi um filósofo e economista escocês que em 1776 publicou An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, ou simplesmente The Wealth of Nations, uma obra que é considerada como um importante contributo para que a Economia se tivesse tornado uma ciência autónoma e que fez com que o seu autor seja considerado o pai da economia moderna. 
Ontem, o jornal canadiano National Post que se publica em Toronto, evocou Adam Smith e os 250 anos da publicação da sua mais importante obra, que continua a ser estudada nas escolas de economia e se popularizou pelo uso da expressão “mão invisível”. 
Esta expressão foi usada para explicar como os sistemas económicos e outros sistemas naturais e sociais se auto-regulam naturalmente e sem intervenção exógena, isto é, a economia é regulada por uma “mão invisível”. Segundo Adam Smith, os agentes económicos atuam no mercado em concorrência livre sendo movidos pelo seu próprio interesse. Assim, para vencerem a concorrência e venderem os seus produtos, os produtores fazem constantes inovações para valorizar os seus produtos e para baixar o seu preço. Tudo isto acontecia sem intervenção do Estado, com os mercados a ser controlados por uma “mão invisível”, que os regulava automaticamente, chegando à situação óptima ou de máxima eficiência. Dessa forma e segundo Adam Smith, é a “mão invisível” que determina as regras da oferta e da procura, que fixa os preços, que indica os limites da produção e do consumo, que orienta o mercado do trabalho.
Porém, as necessidades de equilíbrio social implicam a intervenção do moderno Estado na prestação de serviços sociais - saúde, justiça, educação, segurança e outros - pelo que a economia passou a ser planeada e, não contrariando a iniciativa individual, trata de “corrigir” as lições de Adam Smith.

Um americano fanfarrão, narciso e cruel

Ninguém imaginava que a grandeza e o poderio económico e militar dos Estados Unidos ficassem entregues a um psicopata louco e mentiroso, dominado por um narcisismo doentio, que manifesta uma brutal crueldade para com aqueles que não concordam consigo ou que não lhe obedecem, mesmo que tenha que violar todas as regras do direito internacional.
Tem sido dessa forma grosseira e sem pudor que Donald Trump tem ameaçado meio mundo e tem atuado, ou se propõe atuar, na Ucrânia e na Gronelândia, em Gaza e na Venezuela, no Irão ou em Cuba. O ataque agora feito ao Irão em coligação com o bárbaro extremista de Israel, tem sido comparado com “a infâmia” do ataque japonês a Pearl Harbour em 1941. De resto é cada vez mais evidente que o Donald segue as cruéis diretivas da lei da bomba impostas por Benjamin Netanyahu, acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, perante a vergonhosa cumplicidade de uma Europa sem rumo e sem princípios, em que a corajosa excepção tem sido Pedro Sánchez.
A opinião pública americana é contra a guerra e contra os ataques ao Irão, ou seja, é contra a política externa do fanfarrão Donald e o seu belicismo, enquanto a imprensa europeia de referência designa as operações em curso no Irão como a ”guerra de Trump”. Assim acontece na mais recente edição da revista alemã Stern, que mostra o homem do boné na sua habitual agressiva e arrogante pose.
É cada vez mais difícil que alguém sustente que haja qualquer tipo de legitimidade nesta agressão terrorista da parelha Trump/Netanyahu, os dois tiranos que o mundo enfrenta e que estão a destabilisar o nosso planeta. Contra Saddam Hussein inventou-se que possuia armas de destruição maciça, o que era falso. Agora contra o regime dos aiátolas inventou-se que o Irão teria armas nucleares e mísseis balísticos intercontinentais, o que também é falso. 
E ainda há quem elogie Trump e critique o Irão por se defender.

sexta-feira, 6 de março de 2026

R.I.P. António Lobo Antunes

António Lobo Antunes morreu ontem em Lisboa com 83 anos de idade e de imediato surgiu um coro de elogios à sua obra literária, que um crítico sintetizou numa simples frase: “O Nobel perdeu Lobo Antunes, não foi ele quem perdeu o Nobel”.
Nascido em Lisboa e licenciado em Medicina, foi mobilizado como médico militar para a guerra colonial no Leste de Angola e, no regresso, especializou-se em Psiquiatria. Porém, depressa  o gosto pela Medicina cedeu à sua paixão pela Literatura e aos 37 anos de idade publicou Memória de Elefante, o seu primeiro romance. Depois sucederam-se cerca de três dezenas de romances que levaram a crítica a considerá-lo um revolucionário da literatura portuguesa, sendo também considerado um dos grandes nomes da literatura mundial e sendo traduzido em mais de trinta línguas. O reconhecimento interno e internacional da sua obra levou a que em 2007 fosse distinguido com o Prémio Camões, o mais importante prémio da literatura em língua portuguesa, bem como com mais de uma dezena de prémios literários de grande prestígio em diversos países.
A notoriedade de António Lobo Antunes como escritor era grande até no estrangeiro e um dia, nos anos 1990 em Paris, um amigo francês que estava a ler António Lobo Antunes estranhou que eu nunca o tivesse lido. Fui a correr comprar Os Cus de Judas para não voltar a ser humilhado pela minha ignorância literária. 
António Lobo Antunes foi uma das mais importantes figuras da cultura portuguesa contemporânea e na sua obra, entre outras temáticas, retrata uma geração que viveu a experiência da guerra colonial e do fim do império, sempre com um olhar de grande sensibilidade e humanidade.
Na sua edição de hoje o jornal Público presta-lhe uma justa homenagem.
A cultura portuguesa está de luto.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Destroços de guerra são atração turística

O devastador ataque que Donald Trump e o seu parceiro Benjamin Netanyahu desencadearam contra o Irão é uma violação do direito internacional, sem a cobertura das Nações Unidas e sem justificação, mesmo considerando a extrema violência do regime iraniano sobre a sua população. É um confronto de regimes cujos dirigentes são fanáticos que excluem qualquer negociação para as suas divergências e que tudo querem resolver através das bombas, da morte e da destruição. Como mostram todas as sondagens conhecidas, a maioria dos americanos está contra a guerra. Na Europa, embora não se conheçam sondagens sobre essa questão, certamente que a maioria também não quer a guerra. Porém, os seus líderes calam-se, encolhem-se, amedrontam-se e deixam-se humilhar por essa parelha de fanáticos, com a honrosa excepção de Pedro Sánchez que, corajosamente, afirmou que “não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e contrário aos nossos interesses, simplesmente por medo de represálias de alguém”.
Quanto ao que se passa no terreno, apenas sabemos aquilo que as partes querem que se saiba. É sempre assim. A guerra da propaganda é tão intensa como a guerra das bombas, dos mísseis e dos drones, mas não há dúvidas que os pontos estratégicos iranianos estão a ser massacrados e que os iranianos estão a tentar atingir Israel e as bases americanas da região com os seus mísseis.
Hoje o jornal holandês AD - Algemeen Dagblad, que se publica em Roterdão, destacou na sua primeira página a fotografia de um míssil iraniano que errou o alvo junto do aeroporto de Qamishli, no Curdistão sírio, que não explodiu. Esse míssil tornou-se uma quase atracção turística e foi muito fotografado, tendo servido de ilustração de primeira página a muitos jornais americanos e europeus. 
Vai ser, certamente, uma fotografia que ficará para a história desta guerra,

terça-feira, 3 de março de 2026

A exemplar autonomia política da Espanha

Antigamente, dizia-se que não se podia esperar da Espanha, “nem bom vento, nem bom casamento”, mas esses tempos já estão muito distantes porque da Espanha soberana, independente e orgulhosa, nos chegam estimulantes exemplos de uma política externa própria e de não subserviência aos arrogantes disparates, como aquele que está a ser conduzido por Donald Trump contra o Irão, talvez por causa do petróleo, talvez pelo caso Epstein, ou sabe-se lá porquê. Tal como a guerra do Iraque em 2003, também agora se inventou uma ameaça enquanto se negociava. Ao contrário do que acontece com outros países europeus e como hoje anuncia a manchete do jornal El País, a “España rechaza las bases para los ataques de EE UU a Irán”, mas esta recusa já levou o fanfarrão a anunciar o corte de todas as relações comerciais com a Espanha. Há poucos meses, o governo de Espanha acusou o regime de Netanyahu de “exterminar o povo palestiniano” e anunciou medidas contra Israel, porque “da mesma forma que condenou o Hamas, também condena o genocídio em Gaza”, quando toda a Europa se calou perante a destruição e as atrocidades cometidas pelos extremistas de Israel no território de Gaza.
Os espanhóis são uns valentes, mas não só na festa brava em que enfrentam os touros. A sua política externa também é corajosa e merece todo o respeito, até porque compara com a generalizada subserviência europeia às ameaças e às excentricidades belicosas de Donald Trump. Daí que a situação nos evoque o texto que José de Almada Negreiros escreveu em 1915 e que intitulou Manifesto anti-Dantas, em que criticou com ironia o escritor teatral Júlio Dantas e escreveu:

    O Dantas é o escárnio da Consciência!
    O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!
    O Dantas é a meta da decadência mental!
    Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!

Calem-se os canhões e avance o diálogo

O violento e brutal ataque contra o Irão que foi desencadeado pela parelha Trump-Netanyahu e está em curso, não é apenas uma grosseira violação da ordem e da lei internacionais, mas é também uma tentativa de controlar o petróleo iraniano e um crime contra as populações indefesas e, esperemos, que não seja uma provocação aos aliados do Irão, sobretudo a Rússia e a China.
Donald Trump revela cada vez mais desequilíbrios mentais, vive obcecado com a sua promessa de fazer a América grande outra vez e já afirmou várias vezes que defende os interesses americanos, isto é, a pilhagem dos recursos naturais dos outros países, seja o petróleo da Venezuela ou do Irão, sejam as terras raras da Ucrânia e da Gronelândia.
Se Luís XIV dizia que “l’État c’est moi”, o Donald sonha em poder um dia afirmar “I rule the world”. Não lhe interessam os regimes políticos desde que os países se submetam à sua vontade e para esse desígnio subversivo, usa o poder das suas armas, o terror das suas bombas, a violência da sua destruição. As imagens que nos chegam pela televisão mostram-nos mais uma vez o horror da guerra, tal como faz a primeira página do jornal britânico The Guardian, porque os jornais americanos não mostram a face hedionda da guerra e preferem enfatizar a morte do clérigo ditador Ali Khamenei, talvez para ajudar o Donald, ou por ter medo dele.
Porém, os cidadãos americanos não estão com o Donald e estão maioritariamente contra esta ação da parelha Trump/Netanyahu. Segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos há 43% dos americanos que estão contra e apenas 27% apoiam os ataques militares ao Irão, mas uma sondagem da CNN revela que 59% dos americanos desaprovam a iniciativa de Trump. 
Por isso, que se calem os canhões e que avance o diálogo.

domingo, 1 de março de 2026

A nova guerra de Donald Trump

Os figurões Donald Trump e Benjamin Netanyahu que governam os Estados Unidos e Israel, têm sob as suas ordens poderosas forças militares com as quais decidiram atacar o Irão, uma república teocrática islâmica que possui abundantes recursos petrolíferos.
Foi no sábado e, embora as informações que nos chegam pela comunicação social sejam vagas e até contraditórias, tudo aponta para que o ataque tenha sido devastador, tendo sido mortos muitos dirigentes iranianos, incluindo o líder supremo que era, desde há 35 anos, o aiatolá Ali Khamenei.
Decorriam negociações entre os Estados Unidos e o Irão para encontrar uma solução para a questão nuclear iraniana, havendo algumas declarações que referiam que havia progressos, pelo que a decisão daqueles dois figurões foi criminosa, injusta, violadora do direito internacional e um atentado à paz mundial. É certo que o regime iraniano é uma ditadura, autoritário e arrogante, que o país vive sob um regime de terror, ou próximo dele, mas nem Trump nem Netanyahu são polícias do mundo, nem têm qualquer legitimidade para alterar desta forma o regime iraniano.
Com esta iniciativa que vários países europeus condenaram abertamente, tanto Trump como Netanyahu revelaram, uma vez mais, o seu alinhamento com práticas que violam a soberania de outros estados e o direito internacional, além de serem cruéis e desumanas e tenham características bem próximas de um terrorismo.
O que Netanyahu fez em Gaza, tal como o que Trump fez na Venezuela e em Cuba merecem o repúdio da comunidade internacional, embora a Europa tivesse ficado calada. Agora os dois figurões juntaram forças e atacaram o Irão, provavelmente a pensar no seu petróleo. 
Na sua edição de hoje o jornal Público fez jornalismo e, ao contrário da generalidade da imprensa internacional que noticiou a morte de Ali Khamenei, o jornal português disse e bem que é “a nova guerra de Trump”.
Esse Donald queria ganhar o Nobel da Paz, mas só pensa na guerra. Está a ser um problema para a América e para o mundo…

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Quatro anos de derramamento de sangue

O dia 24 de fevereiro de 2022 marca o início da tentativa russa de ocupar Kiev e da guerra que, desde então, se intensificou na Ucrânia. Quatro anos depois, alguns jornais evocaram essa data a priori e aqui foram referenciados, mas outros trataram-na a posteriori e apresentam-no nas suas edições de hoje, evidenciando uma grande solidariedade para com a resistência e coragem ucranianas. Porém, são evidentes dois tipos de posicionamento: alguns jornais anunciam mais solidariedade e mais apoio de armas e dinheiro à Ucrânia, com a presença em Kiev de António Costa, Ursula von der Leyen e outros líderes, enquanto outros jornais mostram a fotografia dos cemitérios ucranianos numa verdadeira mensagem de apelo à paz.
Entre estes destaca-se o jornal canadiano Toronto Star que, para além do título “quatro anos de derramamento de sangue”, publica uma fotografia de um cemitério em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, em que foram colocadas bandeiras nacionais nas campas dos mortos.
É sabido que a guerra tem sido muito violenta e que até o próprio Donald Trump argumenta que é preciso acabar com “a matança e o massacre”, porque está a morrer muita gente jovem, mas nenhuma das partes tem sido clara na divulgação dessa informação. Segundo algumas estimativas, o número combinado de militares mortos, feridos ou desaparecidos dos dois lados pode chegar a 1.800.000.
Como aqui desde sempre tem sido salientado, é necessário que a guerra acabe depressa para que o povo ucraniano tenha a paz, o sossego e o progresso a que tem direito e  possa escolher livremente as suas opções, sem a pressão de Moscovo, nem de Bruxelas, nem de Washington.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Ucrânia: quatro anos de guerra e de dor

Estão decorridos quatro anos desde o dia em que as tropas russas iniciaram a sua “operação militar especial” com o ataque à Ucrânia e hoje, de entre os muitos jornais publicados no mundo, apenas encontramos três jornais que evocam essa data, através de reportagens assinadas pelos seus enviados especiais às frentes de combate. Este facto mostra como a imprensa internacional está cansada desta guerra e, naturalmente, também mostra como as opiniões públicas se têm desinteressado deste folhetim, em que poucos se preocupam com o povo ucraniano que é a grande vítima desta “guerra civil”, ou deste choque de interesses e de vaidades entre a Europa e a Rússia ou, ainda, deste confronto que prenuncia uma futura luta mais intensa entre o Ocidente e o Oriente.
Os jornais que hoje evocam os quatro anos de guerra na Ucrânia são os franceses La Dépêche du Midi (Toulouse) e La Croix (Paris) e o espanhol el Periódico (Barcelona). Os títulos e subtítulos apresentados nas suas primeiras páginas dão-nos algum esclarecimento sobre a situação.
O jornal La Dépêche du Midi diz que “a Ucrânia oscila entre a esperança da paz e o medo de um atoleiro” e que “o conflito só terminará quando russos e ucranianos compreenderem que o custo da guerra é superior aos ganhos possíveis”.
O jornal católico La Croix escreve apenas que são “1500 km de linha da frente” e que “em Kherson, aqueles que restam são os velhos, os pobres e os doentes”.
O jornal el Periódico escreve que “quatro anos de guerra deixam a Ucrânia sem forças”, acrescentando que “a população aceita cada vez mais renunciar a territórios”, que “o conflito, com as frentes estancadas, já dura mais que a guerra da Coreia” e que “a Europa, encurralada por Trump, busca o seu lugar nas negociações”.
Neste quadro, é tudo muito difícil e na Europa há erros acumulados e muitas divergências. Parece, agora, que Macron e Meloni querem falar com Putin, que Friedrich Merz não vê o final possível da guerra, que von der Leyen quer mais um pacote de sanções contra a Rússia e que Viktor Órban bloqueia financiamentos à Ucrânia e sanções à Rússia. Agora, também reapareceu o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson, provavelmente um dos maiores responsáveis por esta guerra não ter terminado ao fim de uma ou duas semanas, a sugerir que o Reino Unido deveria enviar tropas não combatentes para a Ucrânia, isto é, mandar gasolina para a fogueira. Com esta gente e como se tem visto, é mesmo muito difícil acabar com o conflito e há mesmo quem queira que prossiga, para depois tirar partido da desgraça dos outros.
Como alguém disse, ou escreveu, a guerra vai acabar pela exaustão e não com negociações.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Milano-Cortina 2026 acabou em festa

Os XXV Jogos Olímpicos de Inverno que se disputaram nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, terminaram hoje e se as cerimónias de abertura realizadas no Milano San Siro Olympic Stadium foram “inesquecíveis”, como então escreveu a organização, as cerimónias de encerramento que aconteceram hoje em Verona, na imponente Verona Olympic Arena, ou Coliseu de Verona, foram uma festa formidável de exibição da cultura italiana e, em especial, da erudita arte da ópera.
Verona é uma cidade histórica e simbólica, tendo sido o cenário escolhido por William Shakespeare em finais do século XVI para situar a sua peça trágica “Romeu e Julieta”, havendo na cidade um palácio, conhecido como o Palácio dos Capuletos, onde até se pode ver a famosíssima “varanda da Julieta”…
Relativamente aos resultados desportivos desta Olimpíada destacou-se o norueguês Johannes Klæbo, que foi o primeiro atleta a conquistar seis medalhas de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno, ao vencer todas as competições em que entrou e que já acumula 11 medalhas de ouro olímpicas. Só os nadadores Mark Spitz com sete medalhas de ouro em Munique 1972 e Michael Phelps com oito medalhas de ouro em Pequim 2008, fizeram melhor. Porém, na lista dos mais medalhados olímpicos de sempre, a seguir a Phelps que ganhou 23 medalhas de ouro, está agora Klæbo que tem onze na sua vitrina.
As medalhas em Milano-Cortina 2026 foram distribuídas por atletas de 29 países, com destaque para a Noruega (41 medalhas das quais 18 de ouro), Estados Unidos (33 medalhas das quais 9 de ouro), os Países Baixos (20 medalhas das quais 10 de ouro) e a Itália (30 medalhas das quais 10 de ouro). Os atletas da China, que nos últimos anos apareceram nestes Jogos, já conquistaram 15 medalhas, das quais cinco foram de ouro, pelo que a edição de hoje do jornal China Daily destaca em primeira página os campeões chineses. No “medalheiro” destacaram-se ainda a Espanha com três medalhas, incluindo uma medalha de ouro) e o Brasil com uma medalha de ouro. 
Milano-Cortina 2026 terminou. A 36ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno será realizada em 2030 nos Alpes Franceses. Até lá...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

André Mountbatten-Windsor e a imprensa

André Mountbatten-Windsor foi o filho favorito da Rainha Isabel II e é irmão do Rei Carlos III, ocupando a oitava posição na linha de sucessão ao trono britânico. Serviu na Royal Navy durante cerca de vinte anos e durante a guerra das Falklands em 1982, foi copiloto de helicópteros Sea King a bordo do porta-aviões Invencible
Nos últimos meses foram divulgadas as suas relações com Jeffrey Epstein e alguns escândalos sexuais pelo que lhe foram retirados todos os títulos nobiliárquicos. Ontem foi detido por suspeita de “irregularidades enquanto titular de um cargo público” e a comunicação social de todo o mundo “não falou de outra coisa”, tendo havido cadeias de televisão portuguesas que, propositadamente, mandaram repórteres a correr para Londres para noticiar o acontecimento. Um exagero mundial e um exagero nacional.
A detenção do cidadão André Mountbatten-Windsor ocupou a primeira página da edição de hoje do jornal The Times, mas também de muitos jornais de todo o mundo, reproduzindo a fotografia do detido na viatura em que foi conduzido aos calabouços da Polícia para ser interrogado. Embora o André não seja um cidadão qualquer, não se percebe a razão por que em Portugal, na Espanha, no Reino Unido, na França, na Suiça, na Irlanda, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Austrália, na Argentina, na Áustria, na Itália, na Grécia e certamente em muitos outros países, esse seja o tema central do interesse jornalístico. Não é aceitável tanta conversa sobre o André e haja um quase silêncio sobre o que está acontecer com o embargo americano a Cuba que, tendo sido iniciado em 1962, assumiu nas últimas semanas o carácter de um assassinato generalizado ao povo cubano, nem se fale na pressão israelo-americana para atacar o Irão, nem se fale do sofrimento dos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia, nem em muitos outros problemas com que o mundo se debate. Não parece ser jornalismo sério. Até parece que o problema do mundo é o André…