A Segunda Guerra
Mundial deixou a Europa em ruinas, mas os seus dirigentes souberam ultrapassar
rivalidades e divergências, promover a paz, estimular a conciliação e criar uma
comunidade económica e social que evoluiu para a União Europeia, uma
instituição que une 27 países, que é uma das maiores potências globais e que é
considerado um espaço de abundância e de prosperidade.
Apesar de não
terem sido ultrapassadas as assimetrias existentes entre países e regiões, os
avanços conseguidos foram notáveis no que respeita a muitas políticas comuns, à
livre circulação de bens, serviços e pessoas, à moeda única e à consolidação de
um sentimento de pertença a uma comunidade de bem-estar e de futuro.
Porém, a promessa
ou a convicção de um futuro melhor para os europeus, tem-se confrontado com
crescentes dificuldades e as novas gerações, em vez da abundância e da
prosperidade que lhes foi prometida, encontram-se perante graves dificuldades
no que respeita ao emprego e à habitação, mas também ameaçados por sentimentos de pobreza, de desemprego, de insegurança e de guerra.
O
descontentamento tem aumentado face às injustiças sociais e às desigualdades e, quando instrumentalizado, esse descontentamento gera protestos que tendem a tornar-se
violentos com os mais variados argumentos, pelo direito à habitação, pela
dignidade do emprego, contra o custo de vida, pelo cumprimento dos seus
direitos sociais, ou das promessas que lhes foram feitas.
Em maior ou menor
grau, este fenómeno de descontentamento social está a inquietar a Europa e a
esperança das novas gerações num futuro melhor é cada vez menor.
Os actuais
dirigentes europeus não têm práticas nem princípios semelhantes aos dos
dirigentes que há cerca de oitenta anos sonharam a Europa como um espaço de paz,
de coesão, de harmonia e de prosperidade.














