quinta-feira, 19 de março de 2026

Viva o SNS, marca da nossa democracia

O nosso país vive demasiadas situações contraditórias, como por exemplo os obscenos lucros anunciados recentemente pela Caixa Geral de Depósitos e pela Petrogal, que comparam com o risco de pobreza ou exclusão social que atinge 19,7% da população, isto é, há cerca de 2,1 milhões de portugueses em situação de vulnerabilidade.
Porém, há muitos outros sinais contraditórios e perturbadores na sociedade portuguesa, que vão desde a morosidade da Justiça até à crise demográfica, passando pela desertificação continuada do interior, pela limpeza urbana, pela indisciplina do trânsito, pela ausência da polícia de proximidade, pela degradação do património arquitetónico e natural, pela desinformação generalizada que nos cerca e, sobretudo, pelas incertezas que nos esperam no Serviço Nacional de Saúde (SNS), onde os sinais são bem contraditórios. De facto, enquanto se ouvem muitos utentes do SNS elogiando a qualidade e eficiência dos serviços prestados, também são recorrentes as más notícias quanto ao encerramento de serviços de urgência e às listas de espera para cirurgias e consultas.
O SNS tem sido uma bandeira do regime democrático que temos desde 1974, mas tem sido demasiadas vezes desconsiderado e prejudicado pela ganância dos grupos de saúde privados e por aqueles que se prestam a servir os seus apetites.
O facto é que, com as suas forças e fraquezas, o SNS continua a ser uma marca do nosso regime democrático e um exemplo de bem servir os que dele carecem, comparando bem com os serviços de saúde estrangeiros, designadamente com o “modelar” National Health Service (NHS) do Reino Unido. Ontem o jornal Daily Express anunciava que nos hospitais ingleses as pessoas morrem nos corredores sem alívio da dor”… Por cá não chegamos a esse ponto.
O SNS é uma equação bem difícil e, por isso, é preciso que esteja nas mãos de quem saiba resolver equações e não à mercê de carreiristas e de gente impreparada.

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