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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Donald Trump está atolado num lamaçal

Não é clara a situação bélica que se vive no estreito de Ormuz, nem no Irão, nem nos países do golfo Pérsico, embora todos os dias haja comentadores televisivos que não têm dúvidas e que tudo explicam.
Ontem, a edição do The Washington Post anunciava em primeira página que “war has Trump in a quagmire”, o que significa que “a guerra deixou Trump atolado num lamaçal”. As últimas sondagens mostram que o apoio interno a Donald Trump caiu ao nível mais baixo do seu mandato e que é rejeitado por 64% dos americanos, insatisfeitos com a guerra e os seus efeitos, com a situação económica e com o comportamento quotidiano do presidente que, ao tomar posse, prometera “evitar conflitos militares prolongados”.
Assim não aconteceu e Donald Trump decidiu apoiar o extremista Netanyahu e atacar directamente o Irão na noite de 21 para 22 de junho de 2025. Terá sido avisado para não se meter nisso, mas não ouviu ninguém. Passaram alguns meses e, em março de 2026, declarou que “war will last four weeks”, disse “we don’t need Nato help against Iran” e, já em abril, afirmou “make a deal by tonight or entire country can be taken out”. Com estas declarações mais ou menos fantasiosas e propagandísticas, até os americanos se cansaram de tanta mentira, tanta trapalhada e tanta fanfarronice – eram quatro semanas, mas já vai em 14 meses.
Não se sabe exactamente o que se passa, mas o mundo ficou estarrecido quando o Donald veio declarar que “will declare Strait of Hormuz a U.S. territory when Iran war ends”.
Embora não conheça os actuais indicadores da economia americana e estejamos sujeitos a muita desinformação, este tipo de declarações presidenciais e as suas constantes ameaças, dão total credibilidade à notícia do The Washington Post: o presidente Donald Trump está atolado num lamaçal.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

A Cisjordânia sofre e a Europa assobia

O Estado da Palestina já foi reconhecido por 157 dos 193 estados membros das Nações Unidas e o seu território actual, depois das anexações que se seguiram às diversas guerras de expansão territorial em que os israelitas se envolveram, está reduzido à Cisjordânia e à Faixa de Gaza, recentemente destruída com mais de setenta mil mortos, numa acção de brutal violência que foi classificado como genocídio.
A política expansionista e agressiva de Israel não se limitou à destruição de Gaza e, como hoje denuncia o jornal francês Libération, os actos de violência multiplicam-se, não só em Gaza onde continua a haver bombardeamentos, mas agora de forma continuada na Cisjordânia, onde a violência é encorajada por Netanyahu e por vários dos seus ministros, enquanto a comunidade internacional aceita passiva e cobardemente, a autêntica anexação dos territórios palestinianos pelos colonos judeus. É uma “annexation de fait” diz o jornal Libération que, em manchete, escreve que “a Cisjordânia está entregue ao terror dos colonos”, pois a anexação progride a um ritmo sem precedentes e multiplicam-se os ataques às aldeias palestinianas, com total impunidade dos colonos judeus, que têm a protecção de soldados israelitas.
A Cisjordânia tem cerca de 5.000 quilómetros quadrados, que é uma área semelhante ao Algarve, aí vivendo três milhões de palestinianos. Os colonos têm actuado no sentido de fragmentar o território e isolar as aldeias que ficam cercadas, para depois serem atacadas com violência, numa ação de verdadeira “limpeza étnica”.
Tudo isto é sabido e não é novo, mas a Europa da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos parece aceitar tudo isto passivamente e sem um grito de revolta. Nunca pensei que o presidente do Conselho Europeu pudesse ser cúmplice desta situação.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Os americanos e a guerra do Irão

O futebol e o Mundial mobilizaram todas as atenções do mundo e os mass media quase ignoraram os problemas importantes, como as guerras da Ucrânia e do Irão, as alterações climáticas, as migrações descontroladas ou a instabilidade económica global.
Agora todos esses temas regressam às agendas da comunicação internacional e, em relação às guerras, ficamos a saber que está tudo na mesma, ou talvez não.
De facto, os maiores jornais americanos, entre os quais o The Wall Street Journal, publicam hoje com destaque de primeira página, uma fotografia da chegada a Dover, no Delaware, das urnas de quatro militares americanos mortos na guerra do Irão, onde foram recebidas pelo presidente Donald Trump e por Peter Hegseth, o ex-apresentador de televisão que é Secretário de Defesa dos Estados Unidos. 
Ao contrário dos nossos comentadores encartados de política internacional – que têm andado desaparecidos dos écrãs televisivos – nós pouco sabemos do que se passa nas guerras em curso, porque só sabemos aquilo que as agências noticiosas e aqueles que as controlam querem que nós saibamos e tudo nos é servido para consumo, isto é, as verdades e as mentiras, a informação e a desinformação.
Porém, a fotografia da chegada das urnas dos militares americanos vai agitar o subconsciente americano e recordar a tragédia que foi a guerra do Vietnam (1955-1975) e a derrota americana, mas também vai abalar ainda mais o decadente prestígio interno de Donald Trump, cuja continuada fanfarronice em relação aos sucessos contra o Irão parece não ter fundamento.
Dizem muitos especialistas que os Estados Unidos perderam a guerra do Vietnam porque perderam o apoio da sua opinião pública, que assistia pela televisão às trágicas e brutais imagens da guerra. Os tempos são outros, mas a fotografia hoje publicada na imprensa americana vai certamente produzir efeitos na opinião pública americana

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Acordo de paz entre o Irão e os EUA

Foi anunciado o imediato cessar-fogo e a reabertura do estreito de Ormuz para pôr fim ao conflito entre o Irão e os Estados Unidos que se prolongava há vários meses e essa grande notícia faz a manchete da edição de hoje do jornal espanhol El País, curiosamente com maior destaque do que fazem as edições do The New York Times e do The Washington Post, o que pode ter algum significado.
Se houve um acordo, quer dizer que essa foi a vontade das partes e que não há vencedores nem vencidos, que a dignidade das partes foi acautelada e que pode estar aberto um ciclo de desanuviamento na região. 
Porém, o regime extremista de Netanyahu não deve ter gostado nada deste acordo, pois não mostra sinais de contenção nem de respeito pela soberania dos vizinhos, o que pode configurar a continuação da sua agressão ao Líbano com o apoio dos americanos. Só o tempo dirá se este acordo entre o Irão e os Estados Unidos “tem pernas para andar”, ou se é apenas uma manobra para Donald Trump se exibir internamente e para menorizar os líderes que vão estar com ele na reunião do G7.
A credibilidade de Donald Trump está muito baixa e muitos têm dúvidas sobre este acordo. Há poucos dias, um canal televisivo referiu-se às “palavras vazias de Trump” e avançava com o conteúdo das suas declarações sobre a guerra no Irão: “acordo iminente (38 vezes), Irão derrotado (55 vezes), Irão destruído (35 vezes) e estreito de Ormuz aberto (25 vezes)”. Com tão intensa e tão mentirosa propaganda, muita gente desconfia. Porém, se o acordo vingar como desejam os amantes da paz, representará um passo importante para a redução das tensões no Médio Oriente, embora continuem por resolver questões relacionadas com o programa nuclear iraniano e outros pontos estratégicos, que deverão ser discutidos numa nova fase de negociações, dos quais Israel será certamente o mais importante.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Um míssil que não chegou ao seu destino

Embora as notícias sejam muito contraditórias e estejam viciadas pela propaganda, parece evidente que Israel, a pretexto de garantir a sua segurança, está a seguir uma política expansionista agressiva e ilegal, que passou pela destruição de Gaza, pela presença militar activa na Cisjordânia que é solo palestiniano, pela ocupação de território de um país soberano que é a Síria e, mais recentemente, pela operação em curso que quer fazer ao sul do Líbano o mesmo que fez em Gaza. Como argumento, o regime do carniceiro Netanyahu invoca o seu direito para combater o Hamas e o Hezbollah, bem como a humilhação permanente da Autoridade Nacional Palestiniana, criada em 1994 e que, desde 2012, tem assento nas Nações Unidas com o estatuto de observador.
Porém, na sua desenfreada e criminosa corrida bélica contra tudo o que não se lhe submeta, o carniceiro de Israel decidiu atacar a cidade de Beirute, até porque continua a tirar partido da hipocrisia europeia e dos seus líderes medíocres e desprovidos de coragem, que uma vez mais se calaram. O mesmo não fez o Irão, cujo regime é controlado de forma autoritária e opressiva por líderes religiosos fanáticos, que, em solidariedade para com o Líbano, decidiu responder à ofensiva israelita com uma vaga de mísseis, no primeiro ataque desde o cessar-fogo de abril. Acontece que, no dia 8 de junho, um grande míssil balístico iraniano lançado contra Israel, caiu e ficou encravado no solo perto de Jericó, na Cisjordânia. 
Muitos jornais internacionais, como por exemplo o diário belga DeMorgen, ilustraram as suas primeiras páginas com a insólita fotografia do míssil iraniano.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

A verborreia do Donald foi longe demais

O Papa Leão XIV fez um apelo à paz no Médio Oriente face à ”violência absurda e desumana”, o que é natural num chefe da Igreja Católica, mas o fanfarrão que governa os Estados Unidos não gostou e tratou de o atacar duramente, afirmando que o Papa “era fraco no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”. 
Donald Trump nunca tinha ido tão longe na sua verborreia mas ainda resolveu divulgar na sua rede social - a Truth Social - uma imagem gerada por inteligência artificial, que o mostrava vestido com uma túnica branca como Jesus Cristo. Nessa imagem, o presidente dos Estados Unidos aparece a confortar um doente num hospital, de forma semelhante ao que se vê em algumas pinturas religiosas que retratam Jesus a curar os enfermos, enquanto em segundo plano, se veem alguns símbolos americanos, como a Estátua da Liberdade, uma grande bandeira dos Estados Unidos, alguns aviões de combate, uma águia e uma enfermeira. Perante este narcisismo ridículo, as críticas surgiram imediatamente de todos os lados e a imagem foi retirada, mas a imprensa inglesa estava atenta e publicou-a, acompanhada de severas críticas, com destaque para o diário The Daily Telegraph que dedicou toda a sua primeira página da edição de ontem a este indescritível excesso de Trump, embora refira que ele se “arrepende desta farsa com Jesus”.
Segundo alguns relatos, o movimento MAGA que tem apoiado Donald Trump não gostou e veio acusá-lo de blasfémia e de possessão demoníaca, enquanto a sua amiga Giorgia Meloni, que é a primeira-ministra da Itália, declarou que as declarações do Donald eram “inaceitáveis”. 
Parece que nenhum outro líder europeu refutou as declarações de Donald Trump…

sábado, 11 de abril de 2026

O ‘duo infernale’ e o regresso à barbárie

A expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras” é muito utilizada nos modernos processos de comunicação, porque é sabido que as imagens facilitam a compreensão e são processadas no cérebro humano muito mais rapidamente do que qualquer texto ou explicação verbal.
Por isso, a capa da última edição da revista alemã Stern recorreu a esse princípio da comunicação para definir as figuras de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu, que classifica como o duo infernale, mostrando as suas expressões furiosas e agressivas, que dizem mais do que tudo o que se possa escrever a respeito da forma violenta, brutal, cruel e desumana como conduzem as suas injustas e destruidoras guerras.
Na história recente da Humanidade não há quaisquer outros exemplos de agressividade, brutalidade e crueldade como as que são exibidas diariamente por aquele duo infernale, tanto nas suas atitudes ameaçadoras e boçais, como nos bombardeamentos que ordenam sem piedade e sem compaixão, que tudo arrasam e que levam a morte a milhares de pessoas indefesas, o que representa uma enorme falta de respeito pela lei internacional e uma contínua violação dos direitos humanos. Há cada vez mais gente a denunciar este duo infernale pela prática de crimes de guerra, pois assim se define o sistemático e cruel ataque que autorizam contra populações e instalações não militares, incluindo escolas e hospitais. Assim, é muito preocupante assistirmos à indiferença, ou ao apoio explícito que estes tiranos têm nas agências noticiosas internacionais, mas também nas televisões portuguesas onde têm demasiado tempo de antena, considerando-se natural que Trump declare que “uma civilização inteira vai morrer esta noite”, ou que Netanyahu afirme que vai destruir o Líbano, como fez em Gaza. 
O que aconteceu em Gaza, tal como o que está a acontecer no Líbano e no Irão, envergonha a Humanidade, é um regresso à barbárie e à lei da selva, enquanto a Europa e os seus líderes assistem a esta regressão civilizacional com uma chocante cumplicidade, com a excepção honrosa da Espanha, que aqui se saúda.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O recuo de Trump e o fanatismo do Donald

O presidente dos Estados Unidos anunciou um cessar-fogo por duas semanas no conflito que o opõe ao Irão, na sequência dos esforços diplomáticos do Paquistão. Ambos os países reclamam vitória, mas o importante é que a guerra está parada e fica atenuada a hipótese de uma crise económica global. 
O diário The Wall Street Journal, mas também outros jornais americanos, destaca o recuo de Donald Trump e exibe uma fotografia em que se destaca a bandeira do Irão e não a bandeira dos Estados Unidos, mostrando assim que estão do lado do agredido e não apoiam o agressor. O fanfarrão Donald Trump recuou, mas deve ter ficado aliviado porque tinha afirmado e repetido que iria “destruir o Irão esta noite se o estreito de Ormuz não for reaberto” e ter acrescentado, também, que “uma civilização inteira morrerá esta noite”. A sua ameaça é uma declaração criminosa que viola todas as regras da guerra que protegem civis, feridos e prisioneiros, tendo sido tão grave que Paul Krugman, um prémio Nobel da Economia, veio dizer que “a civilização que pode ser destruída esta noite é a nossa”. 
Agora que a agressão está suspensa, começaram a ouvir-se mais vozes denunciando a credibilidade e a moralidade de Donald Trump e da sua equipa, particularmente dessa figura igualmente sinistra que é Pete Hegseth, o secretário da Defesa, ou da Guerra, que foi denunciado pelo ex-presidente Bill Clinton por defender neste conflito “no quarter, no mercy”, isto é, não prisioneiros, não piedade, não misericórdia”. Ora isto é crime de guerra, como disse Bill Clinton que criticou sabiamente os desvarios de Trump.
Donald Trump nunca teve o apoio da maioria dos americanos para fazer esta guerra como mostram as sondagens e basta ver a imprensa americana para constatar essa verdade. Inexplicavelmente, as nossas televisões estão cheias de comentadores que apreciam e elogiam Trump e Hegseth, para além do criminoso Netanyahu, numa postura de evidente subdesenvolvimento cultural.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A voz do Papa também chega à América

Alguns jornais de referência americanos, nomeadamente The Philadelphia Inquirer, mas também o The Washington Post, o The Boston Globe e o Los Angeles Times, destacaram nas suas edições de hoje a imagem do Papa Leão XIV, que até há bem pouco tempo era o cardeal americano Robert Francis Prévost Martinez, repetindo e ampliando o apelo à paz que fez nas cerimónias pascais, ontem realizadas em Roma – choose Peace!
Como notícia secundária, esses jornais referem o resgate do piloto americano que foi abatido no Irão e as continuadas ameaças de Donald Trump que, aparentemente, está fora de si por não ter tido o resultado militar com que sonhou, por ter a opinião pública americana cada vez mais contrária à sua política e porque começa a sofrer internamente o efeito de recessão económica que resultou da crise que provocou com o seu ataque ilegal ao Irão.
O presidente dos Estados Unidos está a ficar encurralado e a tornar-se muito perigoso, não só para o mundo, mas também para os próprios americanos. Exige que os iranianos "abram" o estreito de Ormuz e ameaça destruir o Irão numa só noite, vangloriando-se pessoalmente de tudo o que os militares americanos têm feito. Hoje é evidente que ele não tem agenda, nem propósitos, nem maneiras. É grosseiro e boçal. Envergonha a América. Exibe o seu instinto de narcisismo doentio e de fanfarronice serôdia, seguindo os diktats do criminoso e fanático tirano que é Benjamin Netanyahu.  
A Europa e os seus líderes estão escandalosamente calados – à excepção de Pedro Sánchez – porque, eventualmente têm medo de Trump, mas já não se entende o silêncio cúmplice destes líderes em relação ao criminoso de guerra que é Netanyahu.
E como é triste ver o papel do presidente do Conselho Europeu e, naturalmente, também dessa pequena espécie de estadista que é um tal Rangel…

sábado, 4 de abril de 2026

O erro do Donald e o sorriso de Xi Jinping

A capa da mais recente edição da revista The Economist é ilustrada com uma fotomontagem que mostra o presidente chinês Xi Jinping a sorrir atrás de Donald Trump, enquanto a manchete ajuda a esclarecer ainda mais aquele sorriso: "Nunca interrompa o seu inimigo quando ele está a cometer um erro".
O texto principal da edição explica que foram consultados diplomatas, académicos e especialistas e que quase todos consideram a guerra no Irão como “um grave erro americano”, acrescentando que “muitos chineses dizem que a guerra acelerará o declínio dos Estados Unidos”, o que reforça a ideia dominante na China de que caminham para a perda da sua hegemonia no cenário mundial. Apesar de ser aliada do Irão, a China mantém o seu princípio da não intervenção e defende o fim imediato das hostilidades, esperando vir a tirar proveito do desgaste americano que já se começa a notar.
De facto, já passou mais de um mês desde o início da ilegal agressão americano-israelita ao Irão e são muito contraditórias as notícias que nos chegam da guerra, com ambas as partes a afirmar que vão destruir o adversário. O fanfarrão Donald anda desorientado e diz tudo e o seu contrário, enquanto o fanático Netanyahu continua a matar e destruir barbaramente os seus vizinhos, sem que a Europa o condene com clareza pelo seu comportamento criminoso e atentatório dos direitos humanos.
A iniciativa de Trump foi criticada por alguns líderes como António Guterres, Pedro Sánchez, Emmanuel Macron e poucos mais, mas nos Estados Unidos são cada vez mais as vozes que condenam a guerra e a loucura do Donald, com destaque para Robert de Niro e Bruce Springsteen.
Como mostra The Economist o sorriso de Xi Jinping vale mais do que mil palavras.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Os americanos em protesto contra Trump

Já passou um mês desde que a aliança Netanyahu-Trump decidiu atacar o Irão e, apesar destes dois fanfarrões anunciarem vitórias todos os dias, não parece que os seus adversários estejam derrotados. O evidente controlo da informação que a referida aliança deixa passar todos os dias para os mass media não nos permite saber o que realmente se passa no campo de batalha.
O que é sabido desde o primeiro dia é que não houve justificação para atacar um regime brutal de um país soberano e que, tal como aconteceu com o Iraque em 2003, o ataque ao Irão resulta de uma mentira grosseira. A maioria dos americanos está contra a agressão americana ao Irão desde o primeiro dia e parece que perdeu a paciência com o Donald e com o seu estilo autoritário de governo, com a guerra do Irão que pode ser trágica e humilhante para os Estados Unidos, mas também com as contínuas ameaças à soberania da Venezuela e de Cuba, com a negação das alterações climáticas e com as políticas de imigração e a violência e desumanidade com que são impostas.
No passado fim-de-semana calcula-se que cerca de nove milhões de americanos saíram à rua em todos os 50 estados americanos e sob o lema No Kings, participaram em mais de três mil eventos nas principais cidades, subúrbios e zonas rurais para protestar contra o Presidente dos Estados Unidos. Os organizadores afirmaram que "Trump quer governar-nos como um tirano, mas isto é a América e o poder pertence ao povo – não a aspirantes a reis ou aos seus comparsas bilionários". Em várias cidades do mundo, como Paris, Londres e até no Porto, realizaram-se acções de protesto contra Trump.
O jornal nova-iorquino Daily News dedicou a primeira página da sua edição de ontem ao protesto No Kings em Nova Iorque, em que participaram “tens of thousands”.
E aí está como são sábios os ensinamentos de Sun Tzu, isto é, a derrota de Trump vai acontecer dentro da própria América porque “manter um exército fora do seu país leva ao empobrecimento do povo” e os americanos não aceitam isso.

terça-feira, 24 de março de 2026

A grave agressão em curso contra o Irão

A guerra que está em curso no Médio Oriente contra o Irão e o seu regime é mais um caso em que a força se sobrepõe a todos os princípios do direito internacional e das regras de convívio entre as nações. Israel e os seus amigos americanos, ou os Estados Unidos e os seus amigos israelitas, decidiram agredir um país soberano com falsos pretextos, sobretudo em relação ao seu programa nuclear. Já com o Iraque de Saddam Hussein aconteceu algo de semelhante e o mundo não ficou melhor.
Mais uma vez a informação a que temos acesso através da imprensa, da televisão e da internet está formatada num só sentido, isto é, não se denuncia a agressão nem os agressores, mas critica-se o agredido apenas porque se defende e usa as armas de que dispõe. O massacre desinformativo interno e internacional a que nos sujeitam é tão intenso que muita gente fica condicionada e esquece não só os crimes cometidos pelo regime de Netanyahu contra os palestinianos, mas também este desvario do presidente Trump e a agressão americano-israelita contra o Irão.
Estamos na era da desinformação e as narrativas construídas para servir determinados objectivos ocupam completamente os espaços noticiosos e a cognição dos seres humanos, condicionando-os e manipulando-os, como se o interesse dos poderosos fosse a verdade. No conflito da Ucrânia, aqueles que criticam a Europa por ter sido parte no conflito em vez de ser moderadora, são “amigos de Putin”; no conflito do Irão, aqueles que criticam a agressão desencadeada durante a negociação são “amigos dos aiatólas”. É este o caminho de falsidades que o mundo está a fazer, nesta nova era da pós-verdade e das fake news.
No entanto, ainda há jornais que se destacam, como mostra a edição de hoje do jornal argelino Le Quotidien d’Oran que, sem hesitações, chama agressão à injustificada ofensiva da parelha Netanyahu-Trump.   

sexta-feira, 20 de março de 2026

Que acabe a guerra antes que seja tarde

A edição de hoje do diário inglês The Independent inclui uma importante proclamação na sua primeira página que, pela sua originalidade e oportunidade, merece ser transcrita e traduzida.

 Declare vitória, se for necessário. Afirme que as forças     armadas do Irão estão enfraquecidas e que o seu           programa nuclear (que, segundo o seu chefe dos serviços de informação, não representava uma ameaça) está neutralizado. Mas, com a escalada dos preços do petróleo, é tempo de mostrar ao mundo que é você — e  não Netanyahu — quem controla. Então, Sr. Trump...  Pare com a loucura já – acabe com esta guerra antes que seja tarde

Lamentavelmente, nem a generalidade da imprensa mundial, nem a generalidade dos líderes europeus, têm mostrado desta forma tão afirmativa a necessidade de Donald Trump acabar com esta loucura que é a violação de todas as regras do direito internacional para atacar países soberanos de cujos regimes ele não gosta, mas que têm petróleo, sempre em nome da sua arrogância, narcisismo, ignorância e estupidez. O que Trump tem dito diariamente envergonha os americanos civilizados e a inteligência humana, mas também deveria envergonhar aqueles que se lhe submeteram, isto é, os Macrons e as Ursulas, os Rutte e os Merz, que se têm mostrado incapazes de enfrentar a loucura do Donald e de condenar o criminoso e genocida regime de Netanyahu que tudo destrói, em Gaza e na Cisjordânia, no Irão e no Líbano, sempre com a sua total indiferença ou cumplicidade. A economia mundial já está em crise e com ela vem o sofrimento de muita gente.

Como escreve The Independent é preciso que a guerra acabe, antes que seja tarde!

sábado, 14 de março de 2026

O Irão, o Donald e as lições de Sun Tzu

Há cerca de 25 séculos o grande sábio chinês Sun Tzu escreveu A Arte da Guerra, provavelmente um dos mais importantes tratados militares e estratégicos que alguma vez foi escrito e, logo no início, afirma: “Toda a guerra é baseada no engano”.
Esta lição de Sun Tzu aplica-se ipsis verbis ao conflito no Irão porque se trata de um engano, de um caso de infoxicação, ou de uma situação de pós-verdade, um conceito aparecido em 1992, segundo o qual a verdade é irrelevante e a mentira prevalece como axioma indiscutível.
Donald Trump parece ser um perito no discurso pós-verdade porque mente descaradamente todos os dias e há quem o aplauda, inclusive na Europa, cujos dirigentes ele não desiste de humilhar. Porém, não se sabe o que realmente se passa no terreno porque as notícias são filtradas pelas propagandas de ambos os lados, que continuam a ameaçar-se mutuamente. Embora o Donald afirme diariamente que o Irão está derrotado e destruído, o facto é que o tráfego marítimo no estreito de Ormuz está cortado e que 16 navios já foram atingidos nas margens do golfo Pérsico, no estreito de Ormuz e até no mar de Omã, como mostra um mapa publicado na primeira página da edição de hoje do jornal The New Tork Times.
Anunciou-se que a guerra duraria uns dias, mas já vai em duas semanas…
Recorrendo ainda a Sun Tzu, ele afirma que a arte da guerra depende de vários factores, incluindo o comandante que, neste caso é, Donald Trump, tendo escrito: “O comandante deverá ter as virtudes da sabedoria, honestidade, benevolência, coragem e rigor”.
Como todo o mundo já viu, o comandante americano não possui nenhuma das virtudes apontadas por Sun Tzu e, por isso, Donald Trump vai perder porque, como disse o sábio chinês, “manter um exército fora do seu país leva ao empobrecimento do povo” e os americanos não aceitam isso. Já no Vietnam e no Afeganistão foi assim.

quinta-feira, 12 de março de 2026

A guerra de Trump e a resposta iraniana

O violento ataque que as forças da parceria Trump/Nenanyahu têm conduzido desde o dia 28 de fevereiro contra o Irão já terá causado grandes destruições e provocado mais de 1.200 mortos, mas na realidade as informações de que dispomos não são credíveis. O fanático Donald Trump já afirmou que ganhou a guerra e que o Irão foi destruído, mas o regime dos aiatolás promete atacar com a “máxima severidade” e continua a lançar drones e mísseis sobre os vizinhos, ou sobre as bases militares americanas. Por isso, pode afirmar-se que não sabemos a verdade sobre a situação.
Porém, como retaliação aos ataques da parelha fanática, desde o início que o Irão passou a atacar os navios-petroleiros que navegam no golfo Pérsico e no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, tendo já sido atingidos pelo menos 16 navios, segundo divulgou a agência marítima britânica UKTMO.
Ontem foi o dia mais intenso dos ataques iranianos à navegação do golfo Pérsico e pelo menos cinco navios foram atingidos, dois deles no porto iraquiano de Basra. Um outro navio atacado foi o MV Mayuree Naree, de bandeira tailandesa, atingido no estreito de Ormuz por dois mísseis iranianos, porque “ignorou os avisos “ que lhe foram feitos. Muitos jornais internacionais, como por exemplo o londrino The Times, publicaram fotografias dos navios atingidos.
O prolongamento da guerra e os ataques iranianos elevaram as preocupações quanto ao temor por um choque global de petróleo e um responsável iraniano até já avisou: “Preparem-se para o barril de petróleo a 200 dólares”. Assim, para além dos gigantescos prejuízos que a guerra de Trump trouxe para o mundo, embora com avultados lucros para as empresas do universo empresarial Trump, ainda estamos para saber se a vitória de Trump foi tão rápida e retumbante como ele tem afirmado.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O petróleo e a crise provocada por Trump

Na sua edição de ontem Le Journal de Montréal destaca na sua primeira página que, num mês, o petróleo subiu de 50 para 120 dólares e que “a culpa é do presidente Trump”, pelo que o título principal é, simplesmente, Merci Donald.
Estamos perante mais um choque petrolífero. Esta subida exponencial do preço do petróleo tem repercussões graves em todas as economias e, portanto, vai perturbar os mercados, aumentar os custos de produção e os preços e, certamente, também vai conduzir a recessões e ao consequente desemprego, a não ser que a situação se altere rapidamente, isto é, até que o fanfarrão Donald Trump e o seu parceiro israelita parem com a injustificada agressão a um estado soberano, embora seja dominado por um regime ditatorial, cruel e sanguinário, que se inspira num fundamentalismo religioso. Porém, não é este exibicionismo de força e destruição, sob as ordens de dois tiranetes que actuam à revelia das Nações Unidas, que tem legitimidade para atacar o Irão.
A crise que já está a chegar à Europa, perante a submissão dos seus principais líderes às ameaças de Trump, também tenderá a transformar-se num choque alimentar, como consequência do aumento dos custos de produção agrícolas, sobretudo adubos e fertilizantes, enquanto os consumidores passarão a defrontar-se com a escassez de produtos e os preços mais elevados nos supermercados.
Portanto, tudo aponta para uma crise global em que só a indústria do armamento irá prosperar e em que Donald Trump e os filhos continuarão a enriquecer, agora com a sua ligação à indústria de produção de drones...
Porém, os canadianos do Quebec que acusam Donald Trump pelo aumento do petróleo e pela crise que já está a gerar, não estão sozinhos. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Os povos da Europa dizem “não à guerra”

É cada vez mais evidente que as lideranças europeias são fracas, medíocres, subalternas, incompetentes e deslumbradas, vivem afastadas dos interesses das populações, protegem os seus amigos com lucrativos tachos em Bruxelas e participam conjuntamente numa espécie de competição de vaidades, de exibicionismos serôdios e de lamentáveis fotos de família a mostrar uma unidade e uma firmeza que não têm.
Não se imagina como é possível haver dirigentes europeus como Friedrich Merz, Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen, Mark Rutte e alguns mais, tão subservientes a Donald Trump e tão cobardemente silenciosos perante o criminoso Benjamin Netanyahu, sem uma palavra de crítica à brutal agressão ao Irão, enquanto outros dirigentes como Winston Churchill, Charles de Gaulle, François Miterrand, Margaret Thatcher, Jacques Dellors e outros mais, devem dar saltos nos seus túmulos por assistirem a esta contínua auto-humilhação da Europa, em que as excepções serão Pedro Sánchez e Mette Frederiksen, pela forma corajosa como enfrentam as exigências de Trump.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que não está em competição directa com franceses e alemães, parecia ser uma voz autónoma e até negou autorização para que os aviões que estão a atacar o Irão usassem as suas bases, mas foi sol de pouca dura e depressa cedeu, esquecendo que o apoio directo para atacar o Irão tem menos de 10% de apoio no Reino Unido e que 50-58% dos britânicos se opõem a que os Estados Unidos ataquem o Irão a partir de bases britânicas.
Essa informação é divulgada hoje pela edição do jornal londrino Morning Star que anuncia que “a opinião pública britânica diz não a guerra”.
Haverá algum país na Europa onde a maioria da população não seja contra a guerra? Será que o Eurobarómetro tem essa resposta?

domingo, 8 de março de 2026

Um americano fanfarrão, narciso e cruel

Ninguém imaginava que a grandeza e o poderio económico e militar dos Estados Unidos ficassem entregues a um psicopata louco e mentiroso, dominado por um narcisismo doentio, que manifesta uma brutal crueldade para com aqueles que não concordam consigo ou que não lhe obedecem, mesmo que tenha que violar todas as regras do direito internacional.
Tem sido dessa forma grosseira e sem pudor que Donald Trump tem ameaçado meio mundo e tem atuado, ou se propõe atuar, na Ucrânia e na Gronelândia, em Gaza e na Venezuela, no Irão ou em Cuba. O ataque agora feito ao Irão em coligação com o bárbaro extremista de Israel, tem sido comparado com “a infâmia” do ataque japonês a Pearl Harbour em 1941. De resto é cada vez mais evidente que o Donald segue as cruéis diretivas da lei da bomba impostas por Benjamin Netanyahu, acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, perante a vergonhosa cumplicidade de uma Europa sem rumo e sem princípios, em que a corajosa excepção tem sido Pedro Sánchez.
A opinião pública americana é contra a guerra e contra os ataques ao Irão, ou seja, é contra a política externa do fanfarrão Donald e o seu belicismo, enquanto a imprensa europeia de referência designa as operações em curso no Irão como a ”guerra de Trump”. Assim acontece na mais recente edição da revista alemã Stern, que mostra o homem do boné na sua habitual agressiva e arrogante pose.
É cada vez mais difícil que alguém sustente que haja qualquer tipo de legitimidade nesta agressão terrorista da parelha Trump/Netanyahu, os dois tiranos que o mundo enfrenta e que estão a destabilisar o nosso planeta. Contra Saddam Hussein inventou-se que possuia armas de destruição maciça, o que era falso. Agora contra o regime dos aiátolas inventou-se que o Irão teria armas nucleares e mísseis balísticos intercontinentais, o que também é falso. 
E ainda há quem elogie Trump e critique o Irão por se defender.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Destroços de guerra são atração turística

O devastador ataque que Donald Trump e o seu parceiro Benjamin Netanyahu desencadearam contra o Irão é uma violação do direito internacional, sem a cobertura das Nações Unidas e sem justificação, mesmo considerando a extrema violência do regime iraniano sobre a sua população. É um confronto de regimes cujos dirigentes são fanáticos que excluem qualquer negociação para as suas divergências e que tudo querem resolver através das bombas, da morte e da destruição. Como mostram todas as sondagens conhecidas, a maioria dos americanos está contra a guerra. Na Europa, embora não se conheçam sondagens sobre essa questão, certamente que a maioria também não quer a guerra. Porém, os seus líderes calam-se, encolhem-se, amedrontam-se e deixam-se humilhar por essa parelha de fanáticos, com a honrosa excepção de Pedro Sánchez que, corajosamente, afirmou que “não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e contrário aos nossos interesses, simplesmente por medo de represálias de alguém”.
Quanto ao que se passa no terreno, apenas sabemos aquilo que as partes querem que se saiba. É sempre assim. A guerra da propaganda é tão intensa como a guerra das bombas, dos mísseis e dos drones, mas não há dúvidas que os pontos estratégicos iranianos estão a ser massacrados e que os iranianos estão a tentar atingir Israel e as bases americanas da região com os seus mísseis.
Hoje o jornal holandês AD - Algemeen Dagblad, que se publica em Roterdão, destacou na sua primeira página a fotografia de um míssil iraniano que errou o alvo junto do aeroporto de Qamishli, no Curdistão sírio, que não explodiu. Esse míssil tornou-se uma quase atracção turística e foi muito fotografado, tendo servido de ilustração de primeira página a muitos jornais americanos e europeus. 
Vai ser, certamente, uma fotografia que ficará para a história desta guerra,

terça-feira, 3 de março de 2026

A exemplar autonomia política da Espanha

Antigamente, dizia-se que não se podia esperar da Espanha, “nem bom vento, nem bom casamento”, mas esses tempos já estão muito distantes porque da Espanha soberana, independente e orgulhosa, nos chegam estimulantes exemplos de uma política externa própria e de não subserviência aos arrogantes disparates, como aquele que está a ser conduzido por Donald Trump contra o Irão, talvez por causa do petróleo, talvez pelo caso Epstein, ou sabe-se lá porquê. Tal como a guerra do Iraque em 2003, também agora se inventou uma ameaça enquanto se negociava. Ao contrário do que acontece com outros países europeus e como hoje anuncia a manchete do jornal El País, a “España rechaza las bases para los ataques de EE UU a Irán”, mas esta recusa já levou o fanfarrão a anunciar o corte de todas as relações comerciais com a Espanha. Há poucos meses, o governo de Espanha acusou o regime de Netanyahu de “exterminar o povo palestiniano” e anunciou medidas contra Israel, porque “da mesma forma que condenou o Hamas, também condena o genocídio em Gaza”, quando toda a Europa se calou perante a destruição e as atrocidades cometidas pelos extremistas de Israel no território de Gaza.
Os espanhóis são uns valentes, mas não só na festa brava em que enfrentam os touros. A sua política externa também é corajosa e merece todo o respeito, até porque compara com a generalizada subserviência europeia às ameaças e às excentricidades belicosas de Donald Trump. Daí que a situação nos evoque o texto que José de Almada Negreiros escreveu em 1915 e que intitulou Manifesto anti-Dantas, em que criticou com ironia o escritor teatral Júlio Dantas e escreveu:

    O Dantas é o escárnio da Consciência!
    O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!
    O Dantas é a meta da decadência mental!
    Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!