A guerra que está
em curso no Médio Oriente contra o Irão e o seu regime é mais um caso em que a
força se sobrepõe a todos os princípios do direito internacional e das regras
de convívio entre as nações. Israel e os seus amigos americanos, ou os Estados
Unidos e os seus amigos israelitas, decidiram agredir um país soberano com
falsos pretextos, sobretudo em relação ao seu programa nuclear. Já com o Iraque
de Saddam Hussein aconteceu algo de semelhante e o mundo não ficou melhor.
Mais uma vez a informação
a que temos acesso através da imprensa, da televisão e da internet está
formatada num só sentido, isto é, não se denuncia a agressão nem os agressores,
mas critica-se o agredido apenas porque se defende e usa as armas de que
dispõe. O massacre desinformativo interno e internacional a que nos sujeitam é
tão intenso que muita gente fica condicionada e esquece não só os crimes
cometidos pelo regime de Netanyahu contra os palestinianos, mas também este
desvario do presidente Trump e a agressão americano-israelita contra o Irão.
Estamos na era da
desinformação e as narrativas construídas para servir determinados objectivos
ocupam completamente os espaços noticiosos e a cognição dos seres humanos,
condicionando-os e manipulando-os, como se o interesse dos poderosos fosse a
verdade. No conflito da Ucrânia, aqueles que criticam a Europa por ter sido
parte no conflito em vez de ser moderadora, são “amigos de Putin”; no conflito
do Irão, aqueles que criticam a agressão desencadeada durante a negociação são
“amigos dos aiatólas”. É este o caminho de falsidades que o mundo está a fazer, nesta nova era da pós-verdade e das fake news.
No entanto, ainda há jornais que se destacam, como mostra a edição de hoje do
jornal argelino Le Quotidien d’Oran que, sem hesitações, chama agressão à injustificada ofensiva da parelha Netanyahu-Trump.

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