quinta-feira, 30 de março de 2023

Memória portuguesa subsiste em Malaca

A edição de hoje do jornal The Star, que é publicado pelo maior grupo malaio de media, anunciou com destaque de primeira página que “Melaka CM is out”, isto é, que o primeiro-ministro de Malaca, com o título honorífico de Datuk Seri e com o nome de Sulaiman bid Md Ali,  resignou do seu cargo. 
Datuk Seri Sulaiman bid Md Ali foi o 12º Chief Minister do estado de Melaka que é o mais pequeno dos treze estados que constituem a Federação da Malásia, onde se localiza a histórica cidade de Melaka que se situa a cerca de 150 quilómetros da cidade de Kuala Lumpur, a capital do país.
A palavra Melaka, ou Malaca, remete-nos para uma cidade costeira da península da Malásia que Afonso de Albuquerque conquistou em 1511 e que foi governada pelos portugueses até 1641, depois pelos holandeses que expulsaram os portugueses da cidade e, de seguida, pelos britânicos que tinham estabelecido o Império Britânico na península da Malásia, a partir de 1786. O estado de Melaka tem actualmente menos de um milhão de habitantes, sobretudo malaios, chineses e indianos, para além de uma pequena comunidade mestiça kristang, que descende dos portugueses que lá viveram nos séculos XVI e XVII, que ainda conserva algumas das suas tradições culturais e utiliza o papiá kristáng, uma lingua creoula de base portuguesa. Do património construído pelos portugueses pouco resta, para além da igreja de São Paulo e da Porta de Santiago da Fortaleza de Malaca, vulgarmente conhecida como “A Famosa”, mas essa herança patrimonial portuguesa foi decisiva para que em 2008 a UNESCO classificasse “Melaka and George Town, Historic Cities of the Straits of Malacca” e as incluísse na World Heritage List.