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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A disputa fronteiriça sensata e amigável

Nos confins do mundo e no extremo norte do Atlântico, para além do círculo polar Ártico, encontra-se a Hans island, uma pequena ilha rochosa, sem recursos, desabitada e com cerca de 1,2 quilómetros quadrados de superfície, que está localizada no estreito de Nares, entre o território canadiano de Nanavut e a Gronelância, um território autónomo da Dinamarca. Em 1973 os dois países definiram e acordaram as suas fronteiras marítimas, mas a soberania da ilha Hans ficou sem resolução definitiva.
O estreito de Nares tem cerca de 35 km (19 milhas) de largura mas, segundo a lei marítima internacional, a soberania de um país estende-se até 12 milhas da sua orla costeira. Assim, tanto o Canadá como a Dinamarca passaram a considerar a ilha Hans como fazendo parte dos seus respectivos territórios. Essa indefinição nunca gerou quaisquer problemas, mas quando um ministro dinamarquês visitou a ilha em 1984, tendo hasteado uma bandeira dinamarquesa e deixado uma garrafa de conhaque, a situação alterou-se. Logo que soube deste episódio, o governo canadiano enviou ao local alguns militares que substituíram a bandeira dinamarquesa pela bandeira canadiana e, com humor, deixaram uma garrafa de uísque. Essa ritual de troca de bandeiras e de bebidas continuou por muitos anos, com os dois países a alternarem visitas à ilha para reafirmar simbolicamente as suas reivindicações territoriais e para deixar os seus simbólicos “presentes”.
Finalmente, no dia 11 de junho de 2022, os governos da Dinamarca, Groenlândia, Canadá e Nunavut concordaram em dividir a Ilha Hans ao meio, após 17 anos de negociações. A situação ficou conhecida mundialmente como a “guerra do Uísque”, um nome para classificar este conflito que, provavelmente, foi o mais amigável da história geopolítica recente.
O jornal National Post que se publica em Toronto, dedicou a sua edição de hoje a esta história como uma lição exemplar em que, sem ameaças nem tiros, se resolveu, pacificamente e com bom senso, um problema de soberania, semelhante a outros que, tantas vezes, geram litígios e provocam guerras. Talvez seja uma crítica às ambições de Donald Trump...

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Portugal é campeão do mundo de futebol

Ontem foi um dia de grande festa e de regozijo nacional porque a selecção portuguesa de futebol triunfou no FIFA U-17 World Cup, isto é, o Campeonato do Mundo de Futebol Sub-17 da FIFA disputado no Qatar e tornou-se campeão do mundo de futebol, que é uma coisa que acontece poucas vezes e a muito poucos países.
Os portugueses que assistiram à final com a equipa austríaca ficaram eufóricos com o espectáculo a que assistiram e com o desempenho dos jovens futebolistas portugueses. A imprensa portuguesa refletiu essa euforia nas suas edições de hoje, publicando manchetes alusivas a esse “feito” desportivo e à “arte” dos atletas, designadamente na chamada “bíblia” do futebol, ou seja, o jornal A Bola.
Eram 48 equipas em competição e a selecção nacional portuguesa ultrapassou a Nova Caledónia (6-1), Marrocos (6-0), Japão (1-2), México (5-0), Bélgica (2-1) e Suiça (2-0). Chegou às meias-finais e encontrou-se com o Brasil (0-0), mas a lotaria dos penaltis foi-lhe favorável e chegou à final, que foi disputada ontem. O adversário era a equipa da Áustria, mas a equipa portuguesa triunfou por 1-0 e tornou-se campeã do mundo, como muito merecimento – digo eu que vi.
Uma vitória deste tipo no futebol tem um valor relativo, mas num país com tantos problemas na saúde, na educação, na habitação e na justiça, mas também com dificuldades em muitas outras áreas da nossa vida colectiva, este triunfo futebolístico e a forma como os jovens jogadores portugueses jogaram, cantaram o hino e empunharam a bandeira nacional, é um forte contributo para aumentar a nossa auto-estima e para reforçar a coesão nacional, mas também para que alguns países estrangeiros nos olhem com um olhar mais atento e menos sobranceiro.
Aqui fica o justo aplauso aos nossos campeões do mundo!

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Preservando a memória lusíada em Macau

Não são muitos os portugueses que conheceram os territórios que, até 1951, constituíram o Império Colonial Português que, como então se dizia, ia do Minho a Timor, nem são muitos os que viram os benefícios da colonização e os malefícios do colonialismo. Independentemente das opiniões que cada português tenha sobre estas circunstâncias históricas, ninguém ignora que os portugueses deixaram marcas culturais intensas nas terras por onde passaram, visíveis na língua, nos costumes, no património edificado e nas mais diversas práticas culturais.
A cidade de Macau da República Popular da China é um exemplo de território onde permanecem as marcas culturais portuguesas. Em finais de 2024 o Instituto Cultural de Macau (IC) recomendou 12 manifestações culturais para serem integradas na lista do património cultural intangível, que incluía a Dança Folclórica Portuguesa e a Confecção de Pastéis de Nata. Essa lista foi sujeita a alargada consulta pública e os seus resultados foram agora revelados, designadamente pelo jornal Tribuna de Macau.
O IC recebeu 931 opiniões, tendo as 12 manifestações propostas obtido cerca de 70% ou mais de concordância, o que indica terem tido amplo apoio social. A inscrição da Dança Folclórica Portuguesa teve um apoio de 83,8%, por ser considerada “uma tradição antiga, que reflecte a diversidade cultural de Macau e o processo histórico”, além de que “faz parte da cultura única de Macau” e assinala os “laços históricos” com Portugal. Quanto à Confecção de Pastéis de Nata, verificou-se que houve 72,1% de opiniões favoráveis pois “reflecte a fusão das culturas chinesa e ocidental” e “representa a tradição e inovação culinária de Macau”. 
Aqui está um bom exemplo de preservação da memória portuguesa em terras asiáticas por iniciativa das respectivas autoridades.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Diogo Ribeiro é o nosso maior campeão!

Depois de ter vencido a prova dos 50 metros mariposa nos 2024 World Aquatics Championships, que se estão a disputar em Doha, no Qatar, o nadador Diogo Ribeiro ganhou ontem a prova de 100 metros mariposa. 
Não se imaginava que a natação portuguesa se distinguisse no plano internacional, mas estes sucessos talvez sejam os mais brilhantes resultados alguma vez alcançados pelo desporto português. Que me desculpem todos os grandes ídolos que estão sentados na galeria dos mais famosos desportistas portugueses, como Carlos Lopes e Rosa Mota, Alves Barbosa e Joaquim Agostinho, Fernamdo Pimenta e Teresa Portela, Eusébio e Cristiano Ronaldo, Fernando Adrião e António Livramento e tantos outros mais, mas Diogo Ribeiro é mesmo um caso singular.
Luís de Camões, o nosso poeta maior, escreveu na estância III do Canto I d’Os Lusíadas os versos seguintes:

Cesse tudo o que a Musa antiga canta / Que outro Valor mais alto se alevanta.

Estes versos aplicam-se, sem grande exagero, ao nadador de Coimbra que se tornou bicampeão mundial de natação e que, de facto, é “um valor mais alto que se alevanta”. Todos podemos gritar: Bravo!!! O jornal A Bola que se distingue por ser a bíblia do futebol e por se esquecer demasiadas vezes das outras modalidades desportivas, destacou na sua edição de hoje o extraordinário sucesso de Diogo Ribeiro e até alterou o layout da sua edição. Viva Diogo Ribeiro, que é o nosso maior campeão!

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Um naufrágio em que não houve vítimas

O jornal El Diario Vasco que se publica na cidade de Donostia-San Sebastián, destaca na sua edição de hoje o afundamento do pesqueiro Maria Reina Madre, publicando uma sugestiva fotografia de primeira página a seis colunas. O pesqueiro hasteava bandeira francesa e tinha a sua base no porto galego de Burela, um dos mais importantes portos de pesca da costa cantábrica, tendo largado na madrugada de quinta-feira, com 14 homens a bordo, em direcção ao porto de Pasages, nas vizinhanças San Sebastián, onde seria submetido a uma revisão técnica periódica de rotina, antes de seguir para águas francesas onde se dedicaria à pesca da pescada. 
Cerca de 24 horas depois, na manhã de sexta-feira, o pesqueiro navegava a norte da costa guipuzcoana a cerca de nove milhas do porto de S. Sebastián, quando a maioria da tripulação ainda dormia. Nessa altura foi detectada a entrada abundante de água a bordo e, como referiu um dos tripulantes, “nos despertaron con el agua en el camarote”. De imediato foi emitido um pedido de socorro que foi recebido às 08.57 horas no Centro de Coordenação e Salvamento Marítimo de Bilbau, que mobilizou o salva-vidas Órion e um helicóptero Helimer 21, alertando também a navegação naquela área como é a prática de solidariedade entre as gentes do mar. Às 09.12 horas o mestre do pesqueiro decidiu que 13 dos tripulantes abandonassem o pesqueiro e embarcassem numa balsa salva-vidas. 
O salva-vidas Órion chegou às 09.35 horas, recolheu os homens que estavam na balsa e, depois, resgatou o mestre do pesqueiro que, corajosamente, não abandonara o seu navio. Todos os 14 homens do pesqueiro seguiram depois, sãos e salvos, para o porto de Pasages. Foi tudo muito rápido e a prontidão dos serviços espanhóis de salvamento marítimo foi exemplar. A edição de hoje do jornal El Diario Vasco divulgou esta boa notícia, ao publicar a fotografia do afundamento do Maria Reina Madre que ocorreu pelas 14.31 horas.

segunda-feira, 27 de março de 2023

O Brasil regressa ao seu lugar no mundo

O ano de 2023 começou com uma onda de esperança para os brasileiros depois de quatro anos de presidência de Jair Bolsonaro, caracterizados pela anestesia geral da população e pelo isolamento internacional do país. Luiz Inácio Lula da Silva, o novo presidente, assumiu a presidência da República Federativa do Brasil no dia 1 de Janeiro de 2023 e, desde então, tem trazido o seu país de volta ao protagonismo que merece e a que a nação brasileira deve ter no seio da comunidade internacional.
Como presidente eleito, Lula da Silva esteve no Egipto para participar na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas e, depois, recebeu em Portugal os abraços dos seus irmãos portugueses. Em Janeiro fez a sua primeira viagem como presidente em exercício do Brasil, primeiro à Argentina (22 a 25 de janeiro) e, depois, ao Uruguai (25 de janeiro). Seguiu-se uma viagem aos Estados Unidos (9 a 11 de fevereiro) para se encontrar como presidente Joe Biden e estava anunciada uma viagem à China para se encontrar com o presidente Xi Jinping e aos Emirados Árabes Unidos, que tiveram que ser adiadas por motivos de saúde.
De acordo com o programa que se conhece, entre os dias 22 e 25 de abril o presidente do Brasil visitará Portugal e, provavelmente, a Espanha; em maio prevê-se que visite Angola e o Senegal e em Julho participará na Cimeira da CPLP em São Tomé e Príncipe.
Em setembro o presidente Lula da Silva participará na Cimeira do G20 que se realizará na Índia e na Assembleia Geral das Nações Unidas, que se realizará em Nova Iorque.
O Brasil está realmente de volta ao seu lugar no mundo como salienta a última edição da revista IstoÉ e, nessa caminhada, há que destacar o homem que, pelo seu prestígio e pelo seu passado, pode protagonizar essa mudança: Luiz Inácio Lula da Silva. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Fernando Pimenta é o rei da canoagem

Nas pistas de Montemor-o-Velho, o canoísta Fernando Pimenta sagrou-se este sábado pela primeira vez campeão do mundo na categoria K1 1000 metros, depois de ter conquistado a medalha de bronze em 2015 e a medalha de prata em 2017.  No dia seguinte, se não fosse a manchete do Diário de Coimbra, poucos teriam sabido desta notável proeza de Fernando Pimenta, porque nem a imprensa generalista nem a imprensa desportiva compreendem que isto de se conseguir ser campeão do mundo deve ser coisa que dá muito trabalho, que implica devoção e que exige muito sacrifício, mas que também carece de reconhecimento. Por isso, essas figuras são tão raras em Portugal e podem contar-se pelos dedos das mãos. É o caso de Nélson Évora e Rosa Mota, de Rui Costa e de Carlos Lopes e poucos mais. Esses é que são os nossos campeões, mas a nossa imprensa não é sensível aos grandes feitos desportivos e prefere o sensacionalismo e os julgamentos na praça pública.
Passaram 24 horas e Fernando Pimenta apresentou-se para disputar a final da prova de K1 5000, a mais longa do programa, na qual iria defender o seu título de campeão mundial conquistado no ano passado em Racice, na República Checa. Foram 21 minutos e 43 segundos de luta e Fernando Pimenta ganhou. Foi a sua segunda medalha de ouro e, dessa forma, Portugal aparece em 7º lugar no medalheiro do Campeonato do Mundo de canoagem de velocidade. É realmente um acontecimento.
Hoje, o jornal A Bola dedicou a sua primeira página, ao bicampeão do mundo, o que é raro e se saúda. Porém, as manchetes dos outros jornais desportivos são a vinda de Ramires para o Benfica e os reforços para a defesa do Porto. Tanta mediocridade jornalística até dá vontade de rir.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Ronaldo: um génio ou um extra-terrestre?

Foi um momento de glória de Cristiano Ronaldo que o mundo do futebol reconheceu.
Aconteceu ontem no Allianz Stadium em Turim aos 64 minutos do jogo em que se defrontavam a equipa italiana da Juventus e o Real Madrid, quando a equipa espanhola vencia por 1-0. Jogava-se no meio-campo da Juventus quando a bola foi lançada para a sua grande área onde estava Cristiano Ronaldo que, de costas para a baliza, se elevou e estendeu a perna para chutar a bola a 2,38 metros do solo, com um pontapé de bicicleta. O pé direito de Ronaldo transformou-se numa verdadeira arma que fez um disparo a 72 quilómetros por hora em direcção à baliza de Buffon. Foi um golo excepcional e um momento raro no futebol. Ninguém ficou indiferente àquele momento e muitos adeptos de ambas as equipas aplaudiram aquele gesto que logo foi considerado uma obra-prima ou coisa feita por um extra-terrestre.
A fotografia do remate de Cristiano Ronaldo correu mundo e ilustrou inúmeras capas de jornais europeus e sul-americanos, como aconteceu com o diário desportivo espanhol Marca que escolheu para título ”o golo”. Porém, para além daquela fotografia, sucederam-se as reportagens e as declarações sobre aquele artístico e genial gesto de Cristiano Ronaldo e sobre as suas invulgares qualidades atléticas. Nunca um português teve tanta notoriedade no nosso planeta. Ele é realmente um génio futebolístico que muitas alegrias continua a dar aos portugueses. Agora, a expressiva fotografia vai rapidamente decorar o Museu CR7 no Funchal que retrata a história do mais famoso futebolista português.

sábado, 18 de março de 2017

A paz está de regresso ao País Basco

A Euskadi Ta Askatasuma que é conhecida pela sigla ETA e que em língua basca significa “Pátria Basca e Liberdade”, anunciou ontem que vai entregar todas as suas armas e abandonar em definitivo a luta armada, o que significa que a paz está de regresso ao País Basco.
A ETA foi fundada em 1959 como uma organização cívica e cultural e integrou-se no movimento de libertação nacional basco, mas depressa evoluiu para uma organização paramilitar e separatista, lutando pela independência do País Basco, um território que se distribui por Espanha e França.
Depois de alguns anos de interrupção das suas actividades violentas e de discretas negociações, a ETA veio anunciar o seu desarmamento completo e o fim da luta armada, ao mesmo tempo que anunciou um plano para a entrega das armas e explosivos escondidos no País Basco francês, até ao próximo dia 8 Abril. A operação será difícil e complexa, porque envolve muita gente que apoiou a ETA e porque uma parte dessas armas está escondido em casas particulares, cujos donos ainda não estão seguros da não intervenção policial. Embora o governo espanhol exija que a ETA também anuncie a sua dissolução, o facto é que o seu anúncio gerou uma onda de optimismo por estar à vista o fim de mais de 50 anos de violência e terror, em que a ETA foi responsável pelo assassínio de 829 pessoas.
Mariano Rajoy e Iñigo Urkullu, o presidente do governo autónomo do País Basco espanhol, assim como as associações da sociedade civil do País Basco francês que têm conduzido o processo no terreno, têm sobre os seus ombros a importante tarefa de fazer com que a paz regresse ao País Basco, que é destacada hoje em toda a imprensa espanhola.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Está a terminar a Vendée Globe 2016-2017

 
Ontem à tarde em Les Sables d’Olonne na costa francesa da Biscaia o velejador francês Armel Le Cléac’h terminou a 8ª edição da Vendée Globe, isto é, a volta ao mundo à vela em solitário, tendo gasto 74 dias, 3 horas, 35 minutos e 46 segundos. Foi um feito notável deste velejador de 39 anos de idade que estabeleceu um novo recorde desta prova, na qual já participara em 2009 e 2013, tendo-se classificado em 2º lugar nessas suas duas participações.
Hoje espera-se a chegada do inglês Alex Thomson que foi o maior rival de Armel Le Cléac’h, mas o terceiro classificado ainda demorará alguns dias até cruzar a meta.
A dura prova iniciou-se no dia 6 de Novembro e teve 29 participantes, dos quais já desistiram onze. Dos 18 concorrentes que ontem estavam em prova, o último encontrava-se a mais de nove mil milhas da meta e havia quatro que ainda navegavam no Pacífico em direcção ao cabo Horn, para depois “subirem” o Atlântico até à meta.
A proeza de Armel Le Cléac’h foi notável e a imprensa francesa dá-lhe hoje grande destaque, com o diário desportivo L’Équipe a dedicar-lhe toda a sua primeira página. O Banque Populaire VIII, a embarcação vencedora, é um monocasco inovador com 18,20 metros, especialmente concebida para esta prova e, naturalmente, deu um grande contributo para o resultado final.
A prova pode ser acompanhada através de um portal que, em tempo real, nos permitia “entrar na corrida”, pois fornecia todas as informações da prova e exibia uma cartografia especial com as posições dos concorrentes. Foram 74 dias e 74 noites de mar, certamente uns de calmaria e outros de mar alteroso, uns de calor e outros de frio, sempre sozinho, sem dormir mais que alguns minutos. Um espectacular feito desportivo e de resistência humana.

domingo, 25 de setembro de 2016

Doñana: um parque único aqui tão perto

A excelente fotografia escolhida pelo Diario de Sevilla para ilustrar a sua edição de hoje fala por si só, pois mostra a boa saúde do Espacio Natural de Doñana que em 1994 foi declarado pela UNESCO como Património da Humanidade. Situado na Andaluzia e ocupando a margem direita do estuário do rio Guadalquivir, o Parque Nacional de Doñana é a maior reserva biológica espanhola e estende-se pelas províncias de Huelva, Sevilha e Cádis numa extensão de cerca de 50 mil hectares. É uma enorme área protegida e é notável pela grande variedade e diversidade da fauna e da flora, mas também pelos seus acidentes naturais, como por exemplo as lagoas, as marismas e as dunas. Nele habitam várias espécies de aves em perigo de extinção e uma grande população de garças mediterrânicas, além de nele se procurarem abrigo durante o inverno mais de meio milhão de aves aquáticas, em busca de temperaturas mais amenas.
O parque está incluido na Lista Verde da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o que significa que está de “boa saúde”, apesar do Verão excepcionalmente quente deste ano o ter ameaçado e ter gerado receios de poder ser considerado “em perigo”. A reportagem que o Diário de Sevilla hoje dedicou a Doñana merece aplauso, pois mostra como a imprensa não tem necessariamente de abusar dos temas sensacionalistas e da futebolice, como acontece frequentemente em Portugal.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Rio 2016 e o adeus a Michael Phelps

Além de imagens deslumbrantes, os Jogos Olímpicos oferecem-nos surpresas desportivas todos os dias, proporcionadas por atletas de países tão diferentes como a Argentina e a Colômbia, a Espanha e a Grécia, ou Singapura e o Vietnam. A respectiva imprensa vai glorificando os atletas vencedores através da publicação das suas fotografias com as medalhas conquistadas. Alguns desses atletas, porém, ultrapassam a esfera nacional e são reconhecidos universalmente, como sucede com a ginasta Simone Biles, com o velocista Usain Bolt ou com o nadador Michael Phelps, entre alguns outros. No entanto, há uma absoluta unanimidade em relação ao nadador americano, que tem sido justamente considerado como o atleta que mais se destacou no Rio de Janeiro ao ganhar cinco medalhas de ouro. Com este resultado, Michael Phelps totalizou 23 medalhas de ouro nas últimas quatro Olimpíadas, o que constitui uma marca de longevidade ímpar no topo da natação mundial. A imprensa mundial tem destacado o feito desportivo de Michael Phelps e publicado repetidamente a fotografia do nadador americano, mas a homenagem que hoje lhe é feita pelo diário Gulf News, o mais conhecido jornal do Dubai, um dos sete emirados dos Emirados Árabes Unidos (UAE), é muito interessante. O jornal recolheu as fotografias das 23 vitórias de Phelps em Atenas (2004), Beijing (2008), Londres (2012) e agora Rio de Janeiro, assinalando que bateu o record estabelecido por Leónidas de Rodes no ano 152 AC.
Leónidas foi um dos mais famosos atletas olímpicos da Antiguidade e competiu em quatro Olimpíadas, tendo conquistado doze coroas de louros. Segundo refere o jornal, Michael Phelps superou esse feito 2168 anos depois, ao conquistar 23 medalhas de ouro, das quais treze a título individual. nunca acontecera nada disto, nem com Mark Spitz nem com qualquer ginasta.
Agora, com 31 anos de idade, o nadador que nasceu em Baltimore e que bateu records mundiais por 37 vezes, vai retirar-se. Como diz o Gulf News: Goodbye!

domingo, 7 de agosto de 2016

Rio 2016 com inauguração deslumbrante

Ontem realizou-se a cerimónia oficial da abertura dos Jogos Olímpicos e, depois de tantos meses em que se amontoaram dúvidas quanto à capacidade brasileira para organizar um acontecimento de tamanha complexidade, o espectáculo apresentado no Maracanã foi uma resposta esclarecedora e deslumbrante. A imprensa internacional não se poupou a elogios à imaginação e à criatividade que “invadiram” o maior estádio do Rio de Janeiro, às cores, às luzes, à tecnologia e aos conteúdos musicais exibidos. Através de sucessivas representações servidas por luz, cor e muita música, foi feita a história do Brasil e da cidade fundada no século XVI pelos portugueses, foram apresentadas as áreas verdes e urbanas da cidade e foi representada a diversidade cultural brasileira.
A cerimónia iniciou-se com uma sugestiva interpretação do hino brasileiro por Paulinho da Viola num palco a evocar Óscar Niemeyer e prosseguiu com a “presença” de muitas celebridades brasileiras, desde Santos Dumont e dos seus voos pioneiros, até à famosa modelo Gisele Bündchen e dos seus desfiles pelas passerelles do mundo.
Foi realmente um grande espectáculo. O público participou activamente e até Michel Temer, o presidente brasileiro, foi apupado no estádio, enquanto no exterior surgiu alguma contestação aos custos dos Jogos Olímpicos, num país onde estão por satisfazer muitas necessidades básicas e em que prevalece uma situação económica desfavorável, com muito desemprego e muita insegurança.
Na sua edição de hoje o jornal O Estado de S. Paulo diz que “o Brasil fez bonito”. É verdade, o Brasil fez bonito e passou ao mundo e a três mil milhões de pessoas que assistiram à cerimónia pela televisão, uma mensagem paz, de criatividade e de imaginação que supera quaisquer desgostos que tenham no futebol. Mas foi um desregramento de dinheiro que era necessário para outras coisas, dizem alguns. É verdade. Tal como foi verdade que a festa impressionou o mundo.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Campeões também no hóquei em patins

A selecção nacional de hóquei em patins sagrou-se campeã da Europa no passado sábado, o que já não acontecia há 18 anos. Na sua caminhada bateu os espanhóis por 6-1 na fase de grupos e, depois, derrotou os italianos na final por 6-2. Foi uma coisa que já não acontecia há muitos anos.
Embora o hóquei em patins não seja uma modalidade desportiva com implantação mundial, nem por isso deixa de ser relevante que Portugal seja uma das potências mundiais nessa modalidade e de, seis dias depois do futebol, também se ter tornado campeã europeia, parecendo recuperar a sua antiga hegemonia mundial. Como titulava o diário desportivo O Jogo, virou moda Portugal ganhar. O título é feliz e traduz alguma euforia desportiva que tanto nos anima, face a tantas outras coisas menos agradáveis que por aí se passam.
Depois de muitos anos a posicionar-se atrás da Espanha e da Argentina, parece que Portugal reentrou nas vitórias no hóquei em patins. No registo dos campeonatos europeus de hóquei em patins verifica-se que Portugal segue à frente com 21 vitórias enquanto a rival Espanha tem 16 vitórias, mas nos campeonatos do mundo a situação é inversa, com 16 vitórias espanholas e 15 vitórias portuguesas.
O Presidente da República tratou de condecorar os campeões e fez bem. O problema é que, com tantos êxitos desportivos, qualquer dia não há medalhas para tanta gente.

sábado, 5 de julho de 2014

Um prémio e um incompreensível silêncio

Carlos do Carmo foi distinguido com o mais prestigiado prémio da indústria discográfica – o Grammy Lifetime Achievement Awardpela sua carreira, pelo seu estilo “único e definitivo” e pelo seu papel no enriquecimento do património cultural mundial. É uma satisfação para a cultura portuguesa, pois nunca um cidadão português recebera uma tal distinção que apenas é atribuída a figuras reconhecidas mundialmente e que vai contribuir para uma maior internacionalização do fado e de todos os seus cultores.
Carlos do Carmo é um homem inteligente e culto que tem sabido gerir uma carreira de 50 anos e que adquiriu projecção internacional, tendo dado um importante contributo para a afirmação mundial do fado, que culminou com a sua classificação pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade, num processo em que, segundo o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ele foi “um grande, enérgico, incansável e insubstituível embaixador”. Essa distinção única e prestigiante, mereceu felicitações de três ex-presidentes da República - António Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio - mas foi ignorada pelo Presidente da República em exercício, provavelmente por Carlos do Carmo ser um seu assumido crítico.
No entanto, é preciso notar que no dia 23 de Janeiro de 2011 quando foi eleito para o seu segundo mandato com 53,14% dos votos, o cidadão Aníbal Cavaco Silva se tornou o Presidente de todos os Portugueses, isto é, dos que votaram e dos que não votaram nele, dos que gostam e dos que não gostam dele, dos que o elogiam e dos que o criticam. Nessa linha, ele tem o dever institucional de homenagear os portugueses que se destacam no panorama interno e internacional, atribuindo comendas a uns e enviando mensagens de felicitações a outros, sem cuidar de saber se fazem parte do seu grupo de amigos ou de outro qualquer grupo. É assim que se deve comportar o supremo magistrado da Nação, pelo que não se compreende porque saiu da sua linha de rumo e assumiu este incompreensível silêncio em relação ao prémio atribuído a Carlos do Carmo.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O porto de Lisboa renasce e está no topo

O porto de Lisboa recebeu hoje seis navios de cruzeiro com 13 mil turistas a bordo e com cerca de cinco cinco mil tripulantes, perfazendo um total de 18 mil visitantes, o que tornou o dia de hoje como o melhor de sempre da sua história em termos de recepção de navios de cruzeiro. É realmente um dia ímpar para um dos mais belos portos do mundo e e para uma cidade que cada vez mais tem estreitado a sua ligação ao estuário do Tejo.
Lisboa tornou-se o quarto porto do mundo a receber em simultâneo os três grandes navios de cruzeiro mais emblemáticos da frota britânica da Cunard Line – o RMS Queen Elizabeth 2 (1969), o RMS Queen Mary 2 (2004) e o MS Queen Victoria (2007). É a quarta vez na história que as “Três Rainhas” do operador inglês se juntam no mesmo porto, sendo Lisboa o terceiro a recebê-las em simultâneo, depois de esse facto já ter acontecido em Southampton e Nova Iorque. Além dos três navios da Cunard Line, o porto de Lisboa também recebeu hoje o Rotterdam, o Silver Whisper e o Ruby Princess.
Um estudo realizado em 2013 pelo Observatório de Turismo de Lisboa em parceria com a Administração do Porto de Lisboa traçou o perfil do passageiro de cruzeiro com escala em Lisboa, concluindo que cada um deles “efectua uma despesa diária de 97,40 euros”, um montante em que estão incluídas despesas em alimentação, alojamento, compras diversas, deslocações na cidade e visitas a monumentos e museus. Dessa forma, estima-se que só nos consumos dos passageiros o dia de hoje possa ter rendido cerca de 1,4 milhões de euros à cidade de Lisboa o que, em tempos de crise, é um importante acontecimento a justificar os investimentos de modernização que têm sido feitos na orla ribeirinha do porto de onde sairam “as naus que descobriram o mundo”.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Há quem lute contra a arrogância do FMI

É sobejamente sabido que o FMI foi criado para ajudar os seus membros com dificuldades a equilibrarem as suas balanças de pagamentos, não sendo propriamente uma associação de solidariedade internacional. No entanto, a instituição e os seus funcionários podiam ter um comportamento menos arrogante e que não fosse tão humilhante para os cidadãos dos países em que põem os pés, mas aqui em Portugal tem sido exactamente assim.  
Em 2011 foi chumbado o PEC IV, que a Comissão Europeia e a Alemanha já tinham aprovado, tendo havido mudança na governação. Os novos governantes estavam convencidos que a solução passava por um corte de gorduras e, na sua juvenil ambição e ignorância, apressaram-se a dizer que governariam com o FMI sem quaisquer problemas. O FMI veio a correr para cá e passamos a conviver com os seus funcionários – o dinamarquês Poul Thomsem, depois o etíope Abebe Selassie e, mais recentemente, o indiano Subir Lall. Juntos com os nossos gaspares e albuquerques, eles têm desgraçado o nosso país com políticas de cortes nos salários e nas pensões, com redução brutal das políticas sociais, com uma desenfreada onda de privatizações e com o aumento do desemprego, da dívida, da pobreza e da desigualdade, para além de comprometerem o nosso futuro, sobretudo daqueles milhares de jovens que continuam a sair do país. Hoje o país não é o mesmo e os portugueses estão pior, como de resto afirmou esse inteligente e esclarecido dirigente que é o montenegro.
Ontem, no aeroporto de Lisboa, segundo destaca hoje o Correio da Manhã, um zeloso funcionário do SEF ou um patriota travestido de funcionário aduaneiro, barrou o caminho ao agente do FMI que entrava em Portugal sem ter a necessária documentação em ordem. O homem do SEF fez muito bem! Parece um assunto sem importância, mas não é. Estes funcionários do FMI julgam-se de outro planeta e permitem-se entrar no nosso país e dar opinião sobre todos os nossos assuntos internos, desde o salário mínimo às privatizações, sem que ninguém os ponha na ordem. Ao menos o funcionário do SEF apertou com ele e com a sua arrogância. Esse homem devia ser promovido já pelos relevantes serviços que prestou.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Uma obra para ver - Ode Marítima

A apresentação em Lisboa da Ode Marítima de Álvaro de Campos - um dos heterónimos de Fernando Pessoa  - que está em cena desde o dia 6 até ao dia 16 de Março no Teatro Municipal de São Luiz, é um acontecimento cultural relevante que assinala o centenário da criação desta obra.
Frequentemente considerada como uma das maiores obras poéticas da literatura portuguesa, a Ode Marítima tem uma excelente interpretação de Diogo Infante, música original de João Gil e direcção cénica de Natália Luiza, estando a despertar o interesse do público, atraído pela oportunidade de “conhecer ao vivo” uma das mais belas obras literárias de Fernando Pessoa. É um poema futurista, mas é sobretudo uma história que entusiasma pelo seu ritmo e diversidade, que trata de marinheiros e de navios, de viagens e de faróis, de portos e de cais...
Relembrando:

     Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
     Olho prò lado da barra, olho prò Indefinido,
     Olho e contenta-me ver,
     Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
     ...
     Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
     E quando o navio larga do cais
     E se repara de repente que se abriu um espaço
     Entre o cais e o navio,
     ...
     As viagens agora são tão belas como eram dantes
     E um navio será sempre belo, só porque é um navio.
     ...
     O olhar humanitário dos faróis na distância da noite...

Numa época em que o teatro tem vindo a perder público relativamente a outras artes do palco, é encorajador verificar como Fernando Pessoa e um dos textos mais clássicos da literatura portuguesa sobem ao palco e atraem o interesse do público jovem e menos jovem.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Humor inteligente, oportuno e divertido


Esta manhã em Lisboa, quando a partir do Saldanha eu descia a avenida em direcção às Picoas, fui surpreendido ao verificar que a Avenida Fontes Pereira de Melo tinha sido “rebaptizada” e que passara a ser a Avenida Álvaro Santos Pereira, “grande obreiro da reindustrialização de Portugal”. A “nova placa sinalética” impressa sobre papel foi colocada em vários locais de boa visibilidade e, naturalmente, percebi que se tratava de uma iniciativa satírica dedicada ao ministro que pediu para ser apenas Álvaro. 
Depois, mais abaixo, verifiquei que a Avenida da Liberdade passou a ser Avenida Miguel Relvas, "herói da liberdade de expressão” e vim a saber depois que, durante a noite, um grupo de cidadãos anónimos “tinha alterado” a toponímia de algumas avenidas, ruas e praças da cidade, para celebrar o segundo aniversário do governo, conforme uma mensagem que esse mesmo grupo fez chegar ao semanário “Expresso”.
Soube, também, que para além daqueles dois gurus do governo, houve outros governantes que foram escolhidos pelo humor daquele grupo de cidadãos anónimos: a Praça dos Restauradores e o Rossio tornaram-se a Praça Pedro Passos Coelho, o "restaurador da independência financeira de Portugal" e a Rua Augusta foi baptizada como Rua Vítor Gaspar, o "grande inspirador do Portugal Novo". Os autores da iniciativa não resistiram e também elegeram os "enviados especiais" do Goldman Sachs, respectivamente António Borges, o "grande ideólogo da competitividade de Portugal" e Carlos Moedas, o “zeloso guardião do ajustamento de Portugal”.
Eu aplaudo esta inteligente, oportuna e divertida sátira a mostrar que, mesmo na eminência de um naufrágio, ainda há espaço para o humor.

domingo, 24 de março de 2013

Lisboa valorizada com a Ribeira das Naus

A zona ribeirinha do rio Tejo situada entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, constitui um dos mais simbólicos locais da cidade de Lisboa. Aí existiram, pelo menos desde o século XIV, as carreiras de construção de navios ou Ribeira das Naus, onde nasceram muitos dos navios da expansão marítima portuguesa e que serviu de modelo aos estaleiros que se construíram nas ribeiras de Goa, de Cochim, do Rio de Janeiro e do Recife. Depois da destruição provocada pelo terramoto de 1755 os estaleiros foram reconstruídos e a Ribeira das Naus passou a ser designada por Arsenal Real da Marinha que, até ao fim do século XIX, foi o mais importante pólo de construção naval português. Em 1910 os estaleiros passaram a ser designados por Arsenal da Marinha, mas em 1938 foram extintos quando foi inaugurado o novo Arsenal do Alfeite.
O acesso da carreira de construção ao rio Tejo foi então cortado e foi construída a Avenida Ribeira das Naus. Porém, o recente e justificado interesse pela frente ribeirinha da cidade levou à decisão de requalificar a Avenida Ribeira das Naus e o seu espaço adjacente. A primeira fase desse projecto ficou agora concluída por iniciativa da CML: um largo passeio pedonal, um novo jardim público e uma larga escadaria em suave plano descendente até ao rio, como recriação de uma praia existente antes do terramoto. A cidade de Lisboa “que deve tudo ao rio”, foi enriquecida com a recuperação da sua memória histórica e ganhou mais um espaço de lazer. Bem precisamos destas coisas positivas para nos animarmos!