“A dívida pública
dos Estados Unidos ultrapassa os 40 biliões de dólares” é o título mais
destacado da edição de hoje do The Wall Street Journal, o diário
que tem sede em Nova Iorque e é o jornal impresso com maior circulação nos Estados Unidos.
Este montante é o valor mais elevado de sempre na
história das Finanças Públicas americanas e, tão relevante como este valor
astronómico, é o alarmante ritmo com que a dívida pública tem aumentado devido
a circunstâncias diversas que se conjugam. De entre elas salientam-se a redução
de impostos promovida por Donald Trump, o serviço da dívida, ou os juros pagos aos
financiadores da dívida cujo montante atinge um bilião de dólares por ano e,
naturalmente, os gastos militares que se acentuaram com o conflito no Irão e
estão a consumir biliões de dólares. Dessa forma, o nível de despesa da
administração americana ultrapassa em cerca de dois biliões de dólares anuais
as suas receitas fiscais, daí resultando que o défice público americano esteja
actualmente em cerca de 6% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB).
A dívida pública
americana representa 125% do PIB dos Estados Unidos, que é um valor elevado e que
compara com os grandes devedores da União Europeia que são a Grécia (143,5%) e
a Itália (138.9%), mas também com a França (117,6%), com a Bélgica (109,1%) e
com a Espanha (101,6%). A média da União
Europeia está em 82,9% e Portugal está com 89,6%, mas a sua dívida pública em
valor absoluto é 123 vezes menor do que a dos Estados Unidos.
Acontece que,
quando o défice americano se situava entre 3% e 4% do PIB já causava
preocupação nos mercados financeiros, pelo que é grande a preocupação
internacional pelo actual quadro financeiro exibido pelos Estados Unidos e,
muitos especialistas, lembram as grandes crises financeiras mundiais, como a
Grande Depressão (1929-1939), a crise do petróleo (1973-195) e a crise
financeira em que faliu o Lehman Brothers e muitos outros bancos (2007-2009).
O senador
democrata Mark Kelly afirmou que "o presidente disse que liquidaria a
dívida no seu primeiro mandato. Bem, todos nós sabíamos que era mentira. Em vez
disso, ele deixou-a crescer até 40 biliões de dólares, enquanto ele e a sua
família acumulavam biliões”.
Ontem foi o The New York Times, hoje é o The Wall Street Journal a mostrar que ainda pode haver informação independente.
