sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A gigantesca dívida pública americana

“A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassa os 40 biliões de dólares” é o título mais destacado da edição de hoje do The Wall Street Journal, o diário que tem sede em Nova Iorque e é o jornal impresso com maior circulação nos Estados Unidos.
Este montante é o valor mais elevado de sempre na história das Finanças Públicas americanas e, tão relevante como este valor astronómico, é o alarmante ritmo com que a dívida pública tem aumentado devido a circunstâncias diversas que se conjugam. De entre elas salientam-se a redução de impostos promovida por Donald Trump, o serviço da dívida, ou os juros pagos aos financiadores da dívida cujo montante atinge um bilião de dólares por ano e, naturalmente, os gastos militares que se acentuaram com o conflito no Irão e estão a consumir biliões de dólares. Dessa forma, o nível de despesa da administração americana ultrapassa em cerca de dois biliões de dólares anuais as suas receitas fiscais, daí resultando que o défice público americano esteja actualmente em cerca de 6% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB).
A dívida pública americana representa 125% do PIB dos Estados Unidos, que é um valor elevado e que compara com os grandes devedores da União Europeia que são a Grécia (143,5%) e a Itália (138.9%), mas também com a França (117,6%), com a Bélgica (109,1%) e com a Espanha (101,6%). A média da União Europeia está em 82,9% e Portugal está com 89,6%, mas a sua dívida pública em valor absoluto é 123 vezes menor do que a dos Estados Unidos.
Acontece que, quando o défice americano se situava entre 3% e 4% do PIB já causava preocupação nos mercados financeiros, pelo que é grande a preocupação internacional pelo actual quadro financeiro exibido pelos Estados Unidos e, muitos especialistas, lembram as grandes crises financeiras mundiais, como a Grande Depressão (1929-1939), a crise do petróleo (1973-195) e a crise financeira em que faliu o Lehman Brothers e muitos outros bancos (2007-2009).
O senador democrata Mark Kelly afirmou que "o presidente disse que liquidaria a dívida no seu primeiro mandato. Bem, todos nós sabíamos que era mentira. Em vez disso, ele deixou-a crescer até 40 biliões de dólares, enquanto ele e a sua família acumulavam biliões”. 
Ontem foi o The New York Times, hoje é o The Wall Street Journal a mostrar que ainda pode haver informação independente.