quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Os lucros da RTP são uma ficção

Desde que o assessor Borges foi à televisão para fazer um frete a outros ou, simplesmente, para alimentar a sua própria vaidade, que o tema da privatização da RTP se fixou na agenda política e passou a suscitar opiniões muito diversas.
A RTP tem sido irresponsavelmente tutelada e gerida desde há muitos anos. Habituou-se a gastar o que tinha e o que não tinha. A contratar quem precisava e quem não precisava. A pagar salários milionários e mordomias de luxo. A viver com uma exploração cronicamente deficitária. Perdeu a guerra das audiências e a maior fatia do bolo publicitário para a TVI e a SIC. Endividou-se e nem os milhões das injecções de capital, das indemnizações compensatórias e da taxa audiovisual, têm chegado para travar aquela desgraça de gestão.
Ainda ontem em Londres, o nosso primeiro afirmou que a RTP “custa ao Estado mais de 300 milhões de euros”, enquanto o ministro da tutela passeia por Timor e nada diz. Porém, têm sido divulgadas notícias muito imprecisas quanto à gestão da RTP e até tem sido escrito que a empresa é lucrativa. É uma maneira de branquear aquela velha nódoa de gestão e de atirar poeira para os olhos dos contribuintes. Tal como existe, a empresa não é nem pode ser lucrativa, mesmo que uma contabilidade criativa valorize o seu Activo e desvalorize o seu Passivo. Desejavelmente, poderia ao menos ter uma conta de exploração equilibrada, mas com tantas “estrelas” a encherem-se e com a publicidade em crise, isso não é possível. Por isso, como bem refere o Jornal de Notícias, os lucros da RTP são uma ficção. O que aconteceu foi que em 2011 houve uma receita extraordinária pela venda do arquivo histórico da RTP ao Estado e a alienação dos estúdios do Lumiar. Foram 200 milhões de receita que não se voltarão a repetir. Foram lucros “só para inglês ver”.
A nossa democracia precisa da RTP, mas não precisa desta RTP, despesista e esbanjadora e, ainda por cima, com uma qualidade quase sempre medíocre.