terça-feira, 5 de maio de 2015

O inacreditável discurso da queijaria

Desde há alguns dias que estou quase em estado de choque, depois daquela intervenção do nosso primeiro na inauguração de uma queijaria em Aguiar da Beira, ao branquear " de forma muito amiga e muito especial" um indivíduo que está ligado às mais negras páginas do nosso passado recente, com perigosíssimas ligações a interesses libaneses, marroquinos e portoriquenhos, para além de ser um dos mais destacados rostos do BPN. Trata-se de alguém que, segundo revelam os jornais, acumulou em poucos anos um património de muitos milhões, mas que o nosso primeiro apresentou como “um empresário bem sucedido e que viu muitas coisas por este mundo fora”.  Em vez de fazer o elogio do mérito, do esforço e da seriedade, o nosso primeiro fez o contrário e fez a apologia de quem andou pela política, a partir da qual criou uma rede de influências poderosas e que “venceu na vida” à custa de favores, esquemas, heranças e negociatas pouco transparentes, muitas delas associadas a buracos de muitos milhões que os contribuintes portugueses estão a pagar, como sucede com a gestão ruinosa e criminalmente suspeita do BPN. É caso para perguntar ao Passos, se se passou.
O que se passou naquela queijaria em Aguiar da Beira quando o nosso primeiro fez o elogio de um tipo de carreira sem princípios de ética nem de responsabilidade social, foi um insulto para os portugueses de bem, que se esforçam e trabalham e que não recorrem à política para se servirem. O discurso da queijaria classifica um homem e vai ficar no mais triste historial da política portuguesa.
Realmente, é verdade: estou quase em estado de choque, porque ainda não quero acreditar que o nosso primeiro quis dizer o que disse.