terça-feira, 24 de março de 2020

A memória da batalha de Cuito Canavale


O dia 23 de Março foi assinalado ontem em Angola com o feriado do Dia da Libertação da África Austral, que celebra a vitória angolana na batalha do Cuito Canavale, na província do Cuando-Cubango. Nessa batalha que se iniciou no dia 15 de Novembro de 1987 e terminou no dia 23 de Março de 1988, combateram de um lado as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), apoiadas pelos internacionalistas cubanos das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Cuba, e do outro lado o braço armado da UNITA com o apoio da South African Defence Force (SADF) da República da África do Sul.
Hoje o Jornal de Angola evoca essa efeméride e o dia em que as forças sul-africanas retiraram derrotadas do território angolano, pois foi a partir de então que se avançou para negociações que vieram a dar origem ao acordo de Nova Iorque, assinado no dia 22 de Dezembro de 1988 entre os governos de Angola, Cuba e África do Sul. Desse acordo resultou a retirada de todas as forças estrangeiras de Angola, mas também o cumprimento das Resoluções das Nações Unidas e o consequente fim do regime do apartheid na África do Sul, o reconhecimento da South West Africa People’s Organization (SWAPO) e a independência da Namíbia. A batalha do Cuito Canavale teve, portanto, um grande significado para a libertação da África Austral e para o  reforço do MPLA no contexto da guerra civil angolana.

A RTP e o mau serviço público de alguns

O programa prós e contras da RTP1 é um programa de debate que vai para o ar desde 2002, sempre com a mesma apresentadora. 
São demasiados anos e a apresentadora não só perdeu qualidades ao longo de todo este tempo, como adquiriu muitos defeitos que vão desde um serôdio autoritarismo a uma arrogante falta de educação, que se revela na forma abusiva como corta a palavra aos seus convidados. Talvez precise de reforma e que os netos precisem dela. Se alguma vez prestou, agora já não presta. Qualquer cidadão perde a paciência com as suas atitudes grosseiras e arrogantes, pelo que desde há muito tempo que eu fujo da RTP para não assistir às medíocres exibições desta figura.
Ontem, porém, o programa intitulava-se Para onde  vamos? e juntou o ministro dos Negócios Estrangeiros, o Comandante Geral da GNR, o Director Nacional da PSP e um médico especializado em Pneumologia, pelo que me interessou ouvir as suas opiniões sobre a situação que atravessamos. Imaginava que o programa procuraria esclarecer os telespectadores e dar uma palavra de confiança e de esperança aos portugueses, que nos ajudaria a perceber o que podemos esperar ou sobre o que está a ser feito para nos ajudar. Fiquei estarrecido porque, durante cerca de duas horas, a apresentadora interrompeu todos e a todos inquiriu na busca de qualquer coisa que não estivesse a correr bem, procurando apenas o sensacionalismo e o protagonismo pessoal. Um jornalismo de vão de escada. Uma ridícula noção de serviço público. Uma enorme irresponsabilidade. Uma completa ignorância sobre a grave situação em que nos encontramos. Por fim, um dos participantes disse-lhe exactamente isso, mas a obcecada apresentadora nem sequer percebeu. Estamos em emergência e era bom que a RTP pusesse esta figura em casa e de quarentena para não nos incomodar com o seu lamentável comportamento disfarçado de reportagem jornalística..