terça-feira, 26 de abril de 2011

Soluções à portuguesa

A Publicidade é um mundo de surpresas e de criatividade, que muitas vezes ultrapassa a compreensão do cidadão comum.
Assim sucede com a campanha publicitária promovida pelo famosíssimo Licor Beirão que foi distribuída por diferentes suportes - outdoors, mupis, televisão e internet – além de também incluir um concurso cujo prémio é um Porsche 924.
A marca decidiu contratar o ex-futebolista Paulo Futre para ser o rosto dessa campanha. As razões dessa escolha terão resultado das suas polémicas e hilariantes declarações numa conferência de imprensa realizada durante as eleições do Sporting Clube de Portugal, que se transformaram em motivo de chacota nacional.
A campanha procura aproveitar essa ridícula trapalhada a que Futre deu voz e rosto, com o objectivo de melhorar a notoriedade da marca e, eventualmente, o aumento das vendas do Licor Beirão. Porém, a mediocridade gráfica e a pobreza intelectual dos slogans, associada às “soluções à portuguesa” apresentadas, tornam esta campanha um exercício publicitário de alto risco. Ou não.
Eventualmente, o histórico Licor Beirão poderá ganhar notoriedade e poderá aumentar as suas vendas, mas não se livrará tão cedo desta “marca” popularunha.

Um bom exemplo

O Presidente da República decidiu convidar os seus antecessores para tomarem parte nas comemorações do 25 de Abril, que se realizaram no Palácio de Belém.
Foi uma ideia inovadora e louvável, porque a simples imagem conjunta dessas quatro personalidades, que a generalidade dos jornais reproduziu nas suas edições de hoje, é um bom exemplo de consenso e pode funcionar como inspiração para que os líderes políticos lhes sigam o caminho.
De facto, a complexa situação por que passamos, fez juntar quatro homens com estilos pessoais, perfis ideológicos e práticas políticas distintas que, nesta quase emergência nacional, ultrapassaram as suas próprias rivalidades e se uniram nas críticas à situação actual e nos apelos ao consenso.
Como titulava o jornal i, eles "pedem acordo urgente".
Nos discursos proferidos, os partidos e os seus dirigentes foram particularmente visados, mas os cidadãos e a sua falta de empenhamento na vida democrática também não foram poupados.
No entanto, o que vai ficar na memória dos portugueses não são os discursos, mas a fotografia conjunta do Presidente da República e dos seus antecessores, porque “uma imagem vale mais do que mil palavras”.