quinta-feira, 15 de julho de 2021

África do Sul: tensão, violência e morte

Ontem o jornal The Star que se publica em Joanesburgo, destacava como título de primeira página as palavras morte e destruição, enquanto as televisões nos mostravam imagens de tiroteios, estradas bloqueadas, assaltos a lojas e pilhagens a centros comerciais. A tensão e a violência que atingem grande parte do país, que alguns já referem como uma quase guerra civil, resulta da condenação do ex-presidente Jacob Zuma a 15 meses de prisão por se recusar a testemunhar num processo sobre corrupção durante o seu mandato, mas também é uma consequência de uma grave situação económica com o desemprego a ultrapassar os 32% e de uma preocupante situação sanitária devida ao covid-19, pois apenas 1% da população está vacinada e há uma incontrolável onda de contágios e de mortes. 
Jacob Zuma é suspeito de corrupção, mas durante o apartheid passou dez anos na prisão de Robben Island, ao lado de Nelson Mandela, pelo que é uma figura de prestígio na política sul-africana. Tendo começado por recusar o cumprimento da pena de 15 meses a que foi condenado por desrespeito ao tribunal e não por corrupção, por fraude ou por extorsão que terão marcado a sua presidência (2009-2018), veio a decidir entregar-se. O facto é que irrompeu de imediato uma onda de grande violência com mortes e destruições na sua província de Kwazulu-Natal, que alastrou a Joanesburgo e a outras regiões do país.
Daí que haja profundas preocupações na República da África do Sul quanto ao caos e à violência que se está a instalar no país, tendo o ANC – African National Congress que Jacob Zuma liderou entre 2007 e 2017, apelado aos seus militantes para que “fiquem calmos”. A apreensão é grande entre os 500 mil membros da comunidade portuguesa e luso-descendente na África do Sul.