sábado, 1 de agosto de 2020

O brutal colapso das economias europeias


Começaram a conhecer-se os desempenhos económicos da maioria dos países e o jornal espanhol ABC tratou hoje de publicar na primeira página da sua edição um gráfico que representa as quebras do PIB em alguns países, entre os quais os do sul da Europa.
Assim, o gráfico mostra que no 2º trimestre de 2020, em relação ao trimestre anterior, o produto nacional dos Estados Unidos caiu 9,5%, da Alemanha 10,1%, da Itália 12,4%, da França 13,8%, de Portugal 14,1% e de Espanha 18,5%.
O jornal, que é desafecto ao actual governo espanhol, salienta “o descalabro histórico da riqueza espanhola” e coloca a fotografia do primeiro-ministro Pedro Sánchez numa clara insinuação de que este descalabro resulta da acção do governo, o que não é verdade e é injusto, pois o governo espanhol, tal como os governos dos outros países da União Europeia, têm feito tudo para controlar a pandemia e para minimizar os seus efeitos económicos. É verdade que este descalabro não tem precedentes desde a Guerra Civil de Espanha (1936-1939) e que, este resultado do 2º trimestre triplica o mau resultado do 1º trimestre, quando a economia espanhola caira 5,1%. O facto é que os resultados são todos maus com a economia da Zona Euro a cair 12,1% e com o produto do conjunto da União Europeia a cair 11,9%, segundo os dados revelados pelo Eurostat. A queda do produto espanhol junta-se à tragédia que tem sido a morte de quase 30 mil cidadãos espanhóis devido ao covid-19 e, no momento difícil que vive a Espanha, o jornal ABC prestou-se a divulgar uma notícia verdadeira, mas com insinuações ligeiras e nada sérias. O mesmo poderia ter acontecido com qualquer jornal português porque Portugal, tal como a Espanha, tem a sua economia muito dependente do turismo e teve uma quebra no produto de 14,1%. Porém, com mais ou menos confinamentos, com mais ou menos críticas de uma ou outra corporação, parece que por cá ainda puxamos todos para o mesmo lado a pensar em melhores dias.

O trambolhão da economia americana


O anúncio feito pelo Bureau of Economic Analysis dos Estados Unidos de que o Produto Interno Bruto (PIB) americano diminuiu 32,9% no segundo trimestre de 2020, em relação ao mesmo período do ano anterior, deixou os americanos estupefactos, pois tamanha quebra no produto nacional não acontecia desde 1945, quando se processou a desmobilização militar depois do fim da 2ª Guerra Mundial.
Perante estes números, o jornal New York Post pergunta aos seus leitores “quando é que chegaremos ao fundo”, parecendo ter perspectivas pouco animadoras quanto aos próximos meses, com base nas respostas pouco apropriadas que têm sido dadas pela administração de Donald Trump. A desejada retoma da economia confronta-se com a hipótese de uma segunda vaga da pandemia, o que torna a incerteza muito maior numa altura em que a economia americana entrou oficialmente em recessão.
O desempenho e o resultado económico dos Estados Unidos resultam da rapidez e da intensidade com que o surto de covid-19 atingiu o país, mas também da forma incompetente e arrogante como o presidente encarou a pandemia, chegando mesmo a desautorizar os seus assessores científicos e os governadores de vários estados.
Porém, há que salientar que existem diferentes critérios para medir a evolução do PIB, umas vezes comparando-o com o período homólogo do ano anterior e nesse caso o resultado foi de 32,9%, enquanto se a comparação for feita com o trimestre anterior a queda do produto foi de 9,5%. De qualquer forma, é a maior queda do produto americano desde que existem os actuais registos e esse facto tem forte repercussão nas outras economias.