terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A Dinamarca repudia o Gangster-Trump

A questão da Gronelândia está agora no topo da agenda de Donald Trump, como antes estiveram outras questões como a sua vontade de baptizar o golfo do México como golfo da América, ou a sua proposta para fazer do Canadá o 51º estado americano, ou a sua obsessão pelo petróleo venezuelano. Agora assistimos, incrédulos e até angustiados, ao ataque que Donald Trump está a fazer à soberania e à integridade territorial de um país que é membro da União Europeia e da NATO.
A Europa que é uma miscelânea de interesses, de vaidades e de bem instalados, não foi capaz de arbitrar, moderar ou resolver os problemas da Ucrânia, nem teve a dignidade de condenar os massacres e a destruição de Gaza pelo regime de Netanyahu, está agora com um problema eventualmente mais sério entre mãos e bem pode anunciar que vai ser firme, pois poucos acreditam nisso. Afinal os abraços com que Macron, Merz e Starmer têm repetidamente saudado Donald Trump são simples exercícios de hipocrisia política, ou são elementares afirmações de submissão.
Porém, nem tudo é assim e, como noutro contexto escreveu o poeta Manuel Alegre na “Trova do vento que passa”, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”. A pequena Dinamarca e a sua região autónoma da Gronelândia têm reagido sem tibiezas e têm suscitado alguma solidariedade europeia. Hoje o jornal Ekstra Bladet, que se publica em Copenhaga desde 1904, é bem a imagem do repúdio dinamarquês pela agressividade de Donald Trump e publica a sua fotografia com o título Gangster-Trump, acrescentando que ele é um “especialista que utiliza métodos da mafia” e que “exige o controlo total da Gronelândia”.
Estamos mesmo perante um verdadeiro imbróglio.