sábado, 8 de agosto de 2026

As eleições presidenciais no Brasil

As eleições presidenciais no Brasil vão realizar-se no próximo dia 4 de outubro e, nesse dia, mais de 150 milhões de brasileiros irão escolher o presidente e o vice-presidente da República, os governadores e vice-governadores dos 26 estados e do Distrito Federal e, ainda, 78 senadores, 513 deputados federais e 1035 deputados estaduais.
Apesar desta diversidade de cargos a eleger, é a eleição presidencial que atrai todas as atenções. Nesta altura, a menos de dois meses da votação, as candidaturas estão lançadas, mas as sondagens já estão a ser conhecidas desde há alguns meses, embora a mais credível de todas seja aquela que é recolhida pelo Datafolha, um instituto independente de pesquisa de opinião do Grupo Folha de S. Paulo.
Na sua edição de ontem a revista Veja apresenta os dois principais candidatos presidenciais, respetivamente Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores) que procura a reeleição, e Flávio Bolsonaro (Partido Liberal) que tenta ocupar o lugar antes ocupado pelo pai, que está preso e impedido de concorrer.
Na última sondagem divulgada pelo Datafolha há cerca de duas semanas, o candidato Lula da Silva aparece com 40% das intenções de voto e o candidato Bolsonaro com 32%, seguindo-se nove outros candidatos com intenções de voto abaixo dos 4%. Se, como se espera, houver necessidade de realizar uma segunda volta, então os brasileiros irão às urnas no dia 25 de outubro e, nesse cenário, o petista Lula da Silva aparece com 48% contra 43% de intenções de voto do seu adversário direto.
Com as incertezas próprias de todas as sondagens, com a evidente interferência externa dos aliados de Bolsonaro, sobretudo nos Estados Unidos e na Argentina e, ainda, com os efeitos da desinformação veiculada pelas redes sociais, todos os cenários são possíveis.
Como aqui escrevi antes, os brasileiros que se cuidem...

Os rios da Europa em estado crítico

A edição de ontem do jornal Libération escolheu uma fotografia do rio Danúbio para ilustrar o tema da seca na Europa e a frase “e no meio há um rio”, acrescentando que “depois de um inverno sem chuva e de repetidas ondas de calor, o nível dos caudais dos rios da Europa nunca foram tão baixos e as consequências económicas estão a ser muito graves”. Aquela fotografia “vale mais que mil palavras” e mostra o areal seco do leito do rio e a estreita faixa do leito por onde corre a água.
O rio Danúbio é o segundo rio mais longo da Europa e atravessa o continente de oeste para leste, desde a sua nascente na Alemanha até à sua foz no mar Negro, em território romeno, passando por uma dezena de países e por várias capitais como Viena, Bratislava, Budapeste e Belgrado, ao longo de quase três mil quilómetros de extensão.
Porém, o problema não existe apenas no Danúbio, pois também está a acontecer no Reno e em outros rios europeus, levando os seus caudais a mínimos históricos e justificando as generalizadas preocupações com esta emergência hídrica, resultante da emergência climática por que passa a Europa.
A imprensa tem relatado algumas curiosidades derivadas desta situação, como o aparecimento de navios que foram afundados durante a 2ª Guerra Mundial e que, com a descida histórica do nível da água, ficaram a descoberto. No entanto, o problema é bem mais importante e pode tornar-se dramático, designadamente em relação ao abastecimento público de água de muitas regiões, à produção de energia eléctrica nas centrais nucleares, ao transporte fluvial de mercadorias e, até, ao fluxo do turismo fluvial europeu, de que dependem muitas empresas e muitos trabalhadores.
É caso para dizer que o declínio da Europa até se vê no declínio dos rios, ou que o Danúbio já não seria inspirador para o compositor vienense Johann Strauss II, como foi em 1866, quando compôs a famosa valsa O Danúbio Azul.