A edição de ontem
do jornal Libération escolheu uma fotografia do rio Danúbio para ilustrar
o tema da seca na Europa e a frase “e no meio há um rio”, acrescentando que
“depois de um inverno sem chuva e de repetidas ondas de calor, o nível dos caudais
dos rios da Europa nunca foram tão baixos e as consequências económicas estão a
ser muito graves”. Aquela fotografia “vale mais que mil palavras” e mostra o
areal seco do leito do rio e a estreita faixa do leito por onde corre a água.
O rio Danúbio é o
segundo rio mais longo da Europa e atravessa o continente de oeste para leste,
desde a sua nascente na Alemanha até à sua foz no mar Negro, em território
romeno, passando por uma dezena de países e por várias capitais como Viena,
Bratislava, Budapeste e Belgrado, ao longo de quase três mil quilómetros de
extensão.
Porém, o problema
não existe apenas no Danúbio, pois também está a acontecer no Reno e em outros
rios europeus, levando os seus caudais a mínimos históricos e justificando as
generalizadas preocupações com esta emergência hídrica, resultante da
emergência climática por que passa a Europa.
A imprensa tem
relatado algumas curiosidades derivadas desta situação, como o aparecimento de
navios que foram afundados durante a 2ª Guerra Mundial e que, com a descida
histórica do nível da água, ficaram a descoberto. No entanto, o problema é bem
mais importante e pode tornar-se dramático, designadamente em relação ao
abastecimento público de água de muitas regiões, à produção de energia
eléctrica nas centrais nucleares, ao transporte fluvial de mercadorias e, até,
ao fluxo do turismo fluvial europeu, de que dependem muitas empresas e muitos
trabalhadores.
É caso para dizer
que o declínio da Europa até se vê no declínio dos rios, ou que o Danúbio já não
seria inspirador para o compositor vienense Johann Strauss II, como foi em 1866,
quando compôs a famosa valsa O Danúbio Azul.

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