sábado, 8 de agosto de 2026

Os rios da Europa em estado crítico

A edição de ontem do jornal Libération escolheu uma fotografia do rio Danúbio para ilustrar o tema da seca na Europa e a frase “e no meio há um rio”, acrescentando que “depois de um inverno sem chuva e de repetidas ondas de calor, o nível dos caudais dos rios da Europa nunca foram tão baixos e as consequências económicas estão a ser muito graves”. Aquela fotografia “vale mais que mil palavras” e mostra o areal seco do leito do rio e a estreita faixa do leito por onde corre a água.
O rio Danúbio é o segundo rio mais longo da Europa e atravessa o continente de oeste para leste, desde a sua nascente na Alemanha até à sua foz no mar Negro, em território romeno, passando por uma dezena de países e por várias capitais como Viena, Bratislava, Budapeste e Belgrado, ao longo de quase três mil quilómetros de extensão.
Porém, o problema não existe apenas no Danúbio, pois também está a acontecer no Reno e em outros rios europeus, levando os seus caudais a mínimos históricos e justificando as generalizadas preocupações com esta emergência hídrica, resultante da emergência climática por que passa a Europa.
A imprensa tem relatado algumas curiosidades derivadas desta situação, como o aparecimento de navios que foram afundados durante a 2ª Guerra Mundial e que, com a descida histórica do nível da água, ficaram a descoberto. No entanto, o problema é bem mais importante e pode tornar-se dramático, designadamente em relação ao abastecimento público de água de muitas regiões, à produção de energia eléctrica nas centrais nucleares, ao transporte fluvial de mercadorias e, até, ao fluxo do turismo fluvial europeu, de que dependem muitas empresas e muitos trabalhadores.
É caso para dizer que o declínio da Europa até se vê no declínio dos rios, ou que o Danúbio já não seria inspirador para o compositor vienense Johann Strauss II, como foi em 1866, quando compôs a famosa valsa O Danúbio Azul.

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