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sábado, 18 de julho de 2026

Festas do Povo regressam a Campo Maior

Onze anos depois, regressam a Campo Maior as Festas do Povo, também conhecidas como Festa das Flores, o que é um acontecimento cultural importante. Desde o dia 8 até ao dia 16 de agosto o centro histórico da vila alentejana vai cobrir-se com milhões de flores de papel, feitas artesanalmente pelos moradores de cada rua ao longo de vários meses de preparação. 
As ruas transformam-se e enchem-se de cor e criatividade, com as casas caiadas e as ruas “enramadas” que transformam a vila de Campo Maior num jardim florido e proporcionam um cenário único e inesquecível para quem o idealizou e preparou, mas também para os milhares de visitantes que não perdem a oportunidade de assistir a esta espectacular mostra da cultura popular portuguesa.
As Festas do Povo já se realizam há 137 anos, sem periodicidade certa e apenas quando o povo assim entende e, por isso, neste século XXI apenas se realizaram em 2000, 2004, 2011 e 2015. Porém, em dezembro de 2021 as Festas do Povo de Campo Maior foram classificadas como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, o que representou o reconhecimento da importância cultural deste evento e veio aumentar o entusiasmo, a dedicação e o brio dos campomaiorenses pela realização da Festa das Flores.
As Festas do Povo de Campo Maior são um acontecimento singular no panorama da cultura popular portuguesa pela originalidade, pela estética, pela arte e pela indiscutível beleza que proporcionam, pelo que merecem ser visitadas. Porém, há que evitar os dias e as horas de ponta, em que a vila é demasiado pequena para receber tanta gente… Faltam 19 dias!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau é atracção para o turismo chinês

Através do jornal ponto final. que é um dos jornais em língua portuguesa que se publica na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, vamos conhecendo alguma coisa do que por lá se passa, quando já são decorridos 26 anos desde o fim da soberania portuguesa no território.
A mais recente edição do jornal destaca na capa uma fotografia das Ruinas de São Paulo, isto é, da antiga Igreja da Madre de Deus e do anexo Colégio de São Paulo, que em 1835 foram destruídos por um incêndio, dando notícia da Semana Dourada e do movimento turístico no território. A Semana Dourada abrange os cinco dias de feriado do Dia do Trabalhador que se festeja no território continental da China e, nesses dias, o território de Macau atrai ainda mais multidões de chineses. 
De acordo com as autoridades macaenses, nos primeiros três dias e meio da Semana Dourada o território recebeu 772 mil visitantes e, só no dia 2 de maio, entraram cerca de 248 mil visitantes, mais 20 mil que no mesmo dia do ano anterior, o que representava o número máximo de visitantes de Macau num só dia.
Nos nove postos fronteiriços de acesso ao território, as Portas do Cerco concentraram quase metade (49,3%) do total de entradas registadas nos três primeiros dias de feriado, em que foram contabilizadas 2.481.619 entradas e saídas de visitantes e não visitantes, perfazendo uma média diária de 827.206 movimentos transfronteiriços diários, o que significa que há milhares de chineses que todos os dias entram e saem de Macau, uns como turistas e outros para trabalhar, estudar ou fazer compras.
Macau, que muitos portugueses bem conhecem, tem atualmente cerca de 700 mil habitantes e em 2025 recebeu 40,1 milhões de turistas, enquanto Portugal recebe anualmente cerca de 30 milhões de turistas. Estes números mostram que Macau é uma atracção para o turismo chinês, mas que continua a ser uma bela memória da expansão marítima portuguesa.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Destroços de guerra são atração turística

O devastador ataque que Donald Trump e o seu parceiro Benjamin Netanyahu desencadearam contra o Irão é uma violação do direito internacional, sem a cobertura das Nações Unidas e sem justificação, mesmo considerando a extrema violência do regime iraniano sobre a sua população. É um confronto de regimes cujos dirigentes são fanáticos que excluem qualquer negociação para as suas divergências e que tudo querem resolver através das bombas, da morte e da destruição. Como mostram todas as sondagens conhecidas, a maioria dos americanos está contra a guerra. Na Europa, embora não se conheçam sondagens sobre essa questão, certamente que a maioria também não quer a guerra. Porém, os seus líderes calam-se, encolhem-se, amedrontam-se e deixam-se humilhar por essa parelha de fanáticos, com a honrosa excepção de Pedro Sánchez que, corajosamente, afirmou que “não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e contrário aos nossos interesses, simplesmente por medo de represálias de alguém”.
Quanto ao que se passa no terreno, apenas sabemos aquilo que as partes querem que se saiba. É sempre assim. A guerra da propaganda é tão intensa como a guerra das bombas, dos mísseis e dos drones, mas não há dúvidas que os pontos estratégicos iranianos estão a ser massacrados e que os iranianos estão a tentar atingir Israel e as bases americanas da região com os seus mísseis.
Hoje o jornal holandês AD - Algemeen Dagblad, que se publica em Roterdão, destacou na sua primeira página a fotografia de um míssil iraniano que errou o alvo junto do aeroporto de Qamishli, no Curdistão sírio, que não explodiu. Esse míssil tornou-se uma quase atracção turística e foi muito fotografado, tendo servido de ilustração de primeira página a muitos jornais americanos e europeus. 
Vai ser, certamente, uma fotografia que ficará para a história desta guerra,

sábado, 15 de novembro de 2025

Cartagena e o Desfile de la Independencia

A cidade de Cartagena de Indias, ou simplesmente Cartagena, é a quinta cidade da Colômbia e o seu historial atesta que foi a sede do governo e a residência dos vice-reis durante o período colonial espanhol até 1811, quando a cidade declarou a sua independência. Situada na orla marítima do mar das Caraíbas, a cidade de Cartagena de Indias conserva as suas fortificações e a sua estrutura arquitectónica militar colonial, que em 1984 foram declaradas Património Mundial pela Unesco.
Todos os anos a histórica cidade comemora o 11 de novembro de 1811 com as Fiestas de Independencia, mas no corrente ano em que se festejavam 214 anos desse dia libertador, as autoridades locais decidiram investir fortemente no sentido de promover a internacionalização do evento e fazer de Cartagena um destino turístico e cultural ainda mais apetecido. O ponto principal das festas foi o Desfile de la Independencia de Cartagena em que participaram “más de 10.000 artistas, 200 comparsas y 28 carrozas elaboradas por 40 artistas plásticos locales”, a que assistiram mais de cem mil pessoas, entre cartageneros e visitantes.
O mais importante jornal da cidade é o El Universal que, na sua última edição, dedicou um alargado espaço ao Gran Desfile de la Independencia de Cartagena 2025 e salientou que num cenário tão especial como a avenida Santander, entre o mar das Caraíbas e o Centro Histórico da cidade, houve tradição e cultura, música, dança, arte e cor, lembrando os famosos desfiles carnavalescos brasileiros.
Satisfeito com a festa, el alcalde Mayor de Cartagena agradeceu aos cartageneros e disse-lhes: “Viva Cartagena de Indias!”.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

A inauguração do Grande Museu Egípcio

O Grande Museu Egípcio (GEM na sua sigla em inglês) foi inaugurado no passado sábado na cidade do Cairo, numa cerimónia faraónica que a edição de domingo do jornal Kuwait Times classificou como “luxuosa”. Parece que o caso não era para menos, pois nela estiveram presentes dezenas de chefes de Estado e de Governo, bem como membros de casas reais de vários países.
O GEM ocupa uma área de 47 hectares e tem cerca de 100 mil artefactos, reunindo as mais emblemáticas peças da história egípcia como a colossal estátua de Ramsés II, com 83 toneladas, que dá as boas-vindas aos visitantes no átrio principalo lendário Barco Solar do Rei Khufu, a colecção completa do Rei Tutankhamon, composta por 5.398 objetos, os tesouros da Rainha Hetepheres, entre muitas outras raridades que fazem do GEM o maior museu arqueológico do mundo.
A sua construção iniciou-se no ano de 2005, durante a presidência de Hosni Mubarak mas, por circunstâncias imprevistas como a turbulência política durante e após a Primavera Árabe de 2011, a pandemia de covid-19 e as guerras na Ucrânia e em Gaza, o projecto sofreu atrasos e a sua construção demorou vinte anos. 
Trata-se de um investimento de 1.000 milhões de dólares, que é dedicado à antiga civilização egípcia e tem como objectivo impulsionar a indústria do turismo e a economia da República Árabe do Egipto, que espera que o museu atraia sete milhões de turistas por ano e se torne um dos mais visitados museus do mundo.
Entre os convidados do presidente egípcio Abdul Fatah Khalil Al-Sisi encontrava-se o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, mas não é conhecida a composição da sua comitiva, nem como se deslocou.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Angola quer atrair turismo internacional

Depois de muitos anos de guerra intensa, parece que Angola está a seguir um firme rumo de progresso económico e social, embora essas situações não sejam lineares e, por vezes, conduzam a maiores desequilíbrios do que seria desejável. Daí tem resultado um crescente prestígio internacional do estado de Angola, reconhecível na diplomacia, no desporto e na cultura, mas também uma evidente procura de novos eixos de desenvolvimento em sectores económicos, como por exemplo o turismo.
Nesse sentido, a recente realização da Bolsa Internacional do Turismo em Angola, a BITUR 2025, constituiu uma oportunidade para o governo anunciar que o turismo é uma área estratégica para o desenvolvimento angolano, que está aberto a essa realidade e que conta com os operadores turísticos para melhorar e fortalecer este sector da economia nacional. O representante governamental presente na BITUR 2025 anunciou algumas medidas para intensificar a formação profissional nos sectores turístico e hoteleiro, pediu que fossem identificadas áreas atractivas para o turismo e que fossem criados roteiros turísticos inovadores, em linha com a procura internacional. Apelou, ainda, à divulgação do grande potencial turístico de Angola e pediu que as necessidades do sector fossem apresentadas ao governo.
A edição de hoje do jornal O País destacou o discurso governamental sobre o turismo e ilustrou a sua primeira página com um dos maiores ex-libris do turismo angolano: as quedas de Calandula, situadas na província de Malange e no leito rio Lucala, que é afluente do rio Quanza. São as maiores quedas de água de África com 410 metros de comprimento e 105 metros de altura e, até 1975, eram conhecidas como as Quedas do Duque de Bragança. Localizam-se a 420 km de Luanda...

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Macau regista forte procura turística

O ano de 2024 foi um excelente ano para o turismo em Portugal, que recebeu um número recorde de 30 milhões de turistas estrangeiros, que geraram receitas superiores a 27 mil milhões de euros. Alguém escreveu que foi “um marco impressionante” e, de facto, é impressionante ver tantos turistas em Portugal, com todos os benefícios e malefícios que essa realidade nos traz. Ocorre-nos a “Miscelânea” que Garcia de Resende escreveu em 1554, na qual em poema diz: “Vemos no reino meter tantos cativos crescer e irem-se os naturais, que se assim for serão mais eles que nós a meu ver".
Estas notas são aqui evocadas a propósito da notícia da edição de hoje do jornal macaense ponto final que nos informa que “em 2024 entraram em Macau 34,9 milhões de visitantes, o que revela um crescimento de 23,8% face a 2023”, começando a aproximar-se dos 39 milhões de visitantes registados em 2019, antes das restrições pandémicas. Esses visitantes chegaram por terra (27,7 milhões), por via marítima (4 milhões) e por via aérea (3 milhões), destacando-se o número de visitantes do interior da China que foi de cerca de 24,5 milhões, enquanto o número de visitantes internacionais foi de cerca de 2,4 milhões.
O território de Macau tem cerca de 33 km2 de superfície e uma população residente da ordem das 700 mil pessoas, pelo que é espantoso como sendo tão pequeno recebe tanta gente, o que parece mostrar que o seu modo de vida e a herança cultural portuguesa fazem a diferença naquela região e atraem visitantes de todo o mundo. Significativamente, a capa do ponto final mostra as ruinas de S. Paulo e a fachada da antiga igreja da Madre de Deus, ex-libris do território, que estão incluídas no centro histórico de Macau, que é classificado pela Unesco.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Pico, ou a beleza no coração do Atlântico

A revista Volta ao Mundo é uma referência no que respeita à divulgação de destinos turísticos e na sua edição de Janeiro de 2025 destaca a ilha do Pico, referindo-se-lhe como uma “[ilha] de beleza no coração do Atlântico”. Ao escolher a ilha do Pico entre “12 destinos para amantes de séries e filmes”, entre os quais se incluem a cidade de Budapeste e as ilhas Canárias, a revista presta uma boa homenagem àquela ilha açoriana que designa como “a ilha baleeira, a ilha de pedra, a ilha cinzenta, a ilha sofredora, de cujo ‘chão roto’ um frei tirou um vinho ímpar, vai para séculos”. Para quem gosta da ilha ou nela tenha raízes familiares ou culturais, esta reportagem é uma excelente maneira de iniciar o ano de 2023. 
Porém, a leitura da reportagem deixa uma sensação de vazio ao leitor. De facto, a própria reportagem anuncia que “a Volta ao Mundo viajou a convite da Alma do Pico Nature Residence”, um empreendimento localizado na vila da Madalena e, naturalmente, tem o formato editorial que se classifica como publireportagem, isto é, um texto de publicidade que elogia um produto ou serviço, por vezes de forma exorbitante e desproporcionada, que é publicado para parecer um artigo jornalístico objectivo, independente e verdadeiro. Dessa forma, ao comprar a revista, o leitor e o potencial visitante estão a comprar gato por lebre. Evidentemente que o texto se fundamenta na verdade e na recolha de depoimentos de vários residentes mas, como escreveu o poeta popular António Aleixo (1899-1949), “pra mentira ser segura e atingir profundidade, tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade”.
E há tanta coisa grandiosa, interessante, atraente e verdadeira na ilha do Pico, que não é necessário recorrer a este tipo de reportagens por encomenda.

sábado, 9 de dezembro de 2023

Icon of the Seas: um navio grande demais

O jornal Diario de Cadiz anunciou há dois dias que “el gigante se pone a punto en Cádiz” e acrescenta que “el Icon of the Seas, el crucero más grande del mundo, ultima en Navantia su viaje inaugural”.
O gigantesco navio que tem um deslocamento de mais de 250 mil toneladas e 365 metros de comprimento, foi encomendado pela Royal Caribbean International e foi construído nos estaleiros Meyer Turku, que ficam situados na costa sudoeste da Finlândia. No passado mês de Junho o navio realizou os seus primeiros testes de mar e, em Outubro, foi iniciada a formação dos cerca de 2.350 tripulantes que vão guarnecer o navio e que irão servir até um máximo de 7.600 passageiros, isto é, o navio transportará normalmente cerca de 10 mil pessoas. Actualmente, o Icon of the Seas encontra-se no porto de Cádiz nos derradeiros preparativos para a sua viagem inaugural, que sairá de Miami em Janeiro e escalará as Caraíbas, sendo de 1.800 dólares por sete noites o preço mínimo a pagar por cada passageiro.
Quando iniciar a sua exploração comercial, o navio oferecerá aos seus passageiros vinte pavimentos (ou decks), 2.805 camarotes, sete piscinas, um parque aquático que será a grande atracção do navio, minigolfe, simulador de surf, três dezenas de restaurantes, bares, casino e, como aparece escrito num texto promocional, “tudo (ou quase tudo) o que se possa imaginar”.
O Icon of the Seas é grande demais e, provavelmente, muitos dos seus passageiros vão estar tão ocupados nesta cidade-flutuante, que nem terão oportunidade para ver o mar.

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Turismo: será a galinha dos ovos de ouro?

A economia portuguesa tem registado boas taxas de crescimento do produto interno bruto e para esses bons resultados tem estado o turismo, que está a contribuir com cerca de 16%. 
Os números do turismo são impressionantes, a começar pelos mais de 31 milhões de passageiros que passaram nos aeroportos portugueses no 1º semestre do ano. O turismo está a ser uma verdadeira galinha dos ovos de ouro, como hoje se lhe refere o jornal i, mas pouco se tem falado das vantagens e das desvantagens de ter tantos turistas que deixam dinheiro na nossa economia, mas descaracterizam as cidades e “expulsam” os moradores dos centros das cidades.
Algumas cidades europeias já vivem o problema do excesso e dos excessos do turismo de massas e aponta-se o caso de Veneza, cujo centro perdeu quase toda a sua população em poucos anos, mas o mesmo se poderá dizer daquilo que está a acontecer em Barcelona, Berlim ou em Roma, mas também em muitas outras cidades europeias. Os moradores protestam porque o seu modo de vida e os seus quotidianos são perturbados porque as cidades estão a descaracterizar-se, com os preços dos arrendamentos e dos serviços a disparar e com a multiplicação dos hotéis. O comércio tradicional morreu. As esplanadas e as lojas de recordações inundam o espaço público, o trânsito tornou-se caótico com autocarros de turismo e os tuk-tuk, havendo multidões de pessoas a correr atrás de guias turísticos. Nos locais, turística ou culturalmente mais atractivos, formam-se filas extensas onde se passam horas de espera. O emprego criado pelo turismo é precário, exige baixas qualificações e é mal remunerado.
Parece ser a altura de se pensar nas vantagens e nas desvantagens de tanto turismo e na descaracterização cultural que provoca num país com 900 anos de história.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

O Redondo e o regresso das Ruas Floridas

As ruas e o povo da vila alentejana do Redondo vão festejar mais uma vez as Ruas Floridas, isto é, a ornamentação de 24 ruas da vila com flores, figuras e outros motivos em papel colorido, que constituem um belíssimo espectáculo da cultura popular alentejana. Milhares de visitantes correrão para o Redondo desde o dia 29 de Julho (sábado) até ao dia 6 de Agosto (domingo) para assistir a uma festa, repartida por oito dias, que é considerada uma das mais importantes manifestações culturais do Alentejo. Em paralelo com o deslumbramento das ruas floridas, está sempre a qualidade e a autenticidade da gastronomia alentejana, que é apresentada por mais de duas dezenas de restaurantes.
As ruas são ornamentadas e os temas apresentados por cada rua são escolhidos pelos seus moradores, que são verdadeiros artistas populares e que, na maioria dos casos, participam num trabalho voluntário de criatividade e imaginação desde o início do ano, na produção das flores e dos outros elementos decorativos que abrangem os mais variados temas, mas que são mantidos em segredo até ao dia da apresentação do programa da festa. Muitas centenas de moradores participam na preparação desta grande festa popular em que são utilizadas algumas toneladas de papel, de cartão e de madeira para que as Ruas Floridas sejam uma verdadeira atracção.
Os registos escritos mais antigos indicam que a ornamentação das ruas do Redondo remontam a 1838, mas a sua periodicidade bienal só acontece desde 1998. Porém, devido à pandemia do covid-19, as festas de 2021 não se realizaram, regressando agora com redobrado entusiasmo.
A entrada é livre e, permitimo-nos deixar aqui uma recomendação: se nunca viu as Ruas Floridas, não perca esta oportunidade.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Aí estão as grandes festas do Carnaval!

O Carnaval está à porta e começa a ser objecto de notícia. Trata-se de um festival típico do cristianismo ocidental que ocorre 47 dias antes da Páscoa, que é caracterizado por festas de rua e desfiles populares, em que muitas pessoas usam trajes e máscaras que, por uns dias, lhes alteram a individualidade e lhes permitem alguns excessos comportamentais. Nos tempos modernos, em muitas comunidades, o Carnaval também se tornou um espectáculo turístico, tanto pelo entusiasmo e pelo colorido visual e sonoro da participação popular, como pelas multidões de curiosos que atrai, havendo muitos a reivindicar que o seu Carnaval é o melhor Carnaval do mundo, pois cada festividade carnavalesca adquiriu características próprias, mais ou menos exuberantes. Assim acontece em muitas cidades portuguesas e em todo o Brasil, mas também em outras regiões do mundo, sobretudo as que foram aculturadas pela influência ibérica. Do Rio de Janeiro à ilha Terceira, ou de Goa às ilhas Canárias, o Carnaval é sempre uma grande festa e , em alguns casos, um grande negócio.
Ontem em Santa Cruz de Tenerife, numa gala a que assistiram 4.700 pessoas e que foi transmitida em directo pela televisão estatal espanhola, foi eleita a “nueva Reina del Carnaval y sus cuatro damas de honor”. A escolhida chama-se Adriana Peña Fumero, representou o Centro Comercial Añaza Carrefour e apresentou-se com uma fantasia intitulada “Lisboa”. Nas suas edições de hoje, alguns jornais da ilha de Tenerife, como o Diario de Avisos e outros, esqueceram quaisquer outros acontecimentos regionais, nacionais ou internacionais e, nas suas primeiras páginas, destacaram a “nueva Reina del Carnaval 2023 de Santa Cruz de Tenerife”.
Pois que em Tenerife, mas também no Rio de Janeiro, em Ovar, Loulé ou Torres Vedras, todos se divirtam. Eu limito-me a recomendar os bailinhos da ilha Terceira.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

O turismo chinês está de regresso a Macau

A epidemia do covid-19 afectou severamente o turismo de Macau, mas com o fim das quarentenas e das restrições pandémicas impostas pelas autoridades chinesas, muitos milhares de pessoas das regiões vizinhas de Macau voltaram àquela região autónoma especial da República Popular da China. Na sua edição de hoje, o jornal ponto final publica uma fotografia das ruínas de São Paulo, um dos mais expressivos ex-libris da cidade e um dos maiores testemunhos da herança cultural portuguesa, escrevendo que “turistas, sem medo da pandemia, voltam a encher as ruas de Macau”. O jornal fez uma pequena reportagem sobre este enorme afluxo de turistas que aproveitaram os feriados do Ano Novo Lunar e que, mais do que o interesse pelos casinos, vieram à procura da boa comida, da paisagem da cidade e… do ouro. O ouro é um símbolo de sorte para os chineses, que compram ouro no primeiro dia do ano para terem sorte no resto do ano, acontecendo que o ouro de Macau se tornou uma imagem de marca muito apreciada, sobretudo pela falta de confiança no ouro do interior da China.
Depois de três anos de crise, os comerciantes da baixa de Macau estão optimistas, apesar do volume de turistas ainda estar a cerca de 50% do que havia no período equivalente anterior à pandemia. Refira-se que, segundo os números divulgados pelos Serviços de Turismo, no ano de 2022 a cidade recebeu 5,7 milhões de turistas, um número bem longe dos valores de 2019, quando Macau recebeu 40 milhões de turistas, quase sessenta vezes a população da cidade.
O turismo é realmente muito importante para a economia macaense, como também é importante a carga emocional de vermos as ruínas de São Paulo na capa do jornal ponto final.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Um português que não poupa em viagens

A edição de hoje do Diário de Notícias destaca, com uma fotografia a quatro colunas, a presença de Marcelo Rebelo de Sousa na Califórnia, num dos habituais registos populistas de que tanto gosta. O título é simplesmente “Marcelo na Califórnia”, mas podia ter sido “Um presidente que não poupa em viagens”.
De facto, nos últimos trinta dias o nosso Presidente da República: (1) esteve em Angola para tomar parte no funeral de José Eduardo dos Santos, (2) foi ao Brasil para participar nas festas do Bicentenário da Independência do Brasil, (3) regressou a Angola para assistir à tomada de posse de João Lourenço, (4) seguiu depois numa uma viagem ao Reino Unido para se integrar nas cerimónias fúnebres da rainha Isabel II e, por fim, (5) viajou até aos Estados Unidos para cumprir a sua promessa de visitar as comunidades portuguesas da Califórnia. Feitas as contas, são cerca de 62.000 quilómetros que correspondem a uma volta e meia à Terra, voando sobre o Equador, além de terem sido mais de 15 dias de ausência física do território nacional, embora ele esteja sempre presente através dos tempos de antena televisivos que lhe são assegurados e que muito vão cansando os portugueses.
Com ele viaja sempre uma comitiva que nunca é divulgada, mas que através das inúmeras reportagens televisivas, verificamos que é bem numerosa e, obviamente, muito cara. Num tempo de dificuldades económicas crescentes, o país havia de gostar de saber quanto custam todas estas viagens e, também, que interesse objectivo têm para o nosso bem-estar. Na comitiva também segue o comentador Marcelo, que é uma personagem irritante que acompanha sempre o Venerando Chefe do Estado e que se faz rodear de microfones para os quais vai falando de tudo, pois ultimamente fala sobre tudo, quase sempre a dizer banalidades e lapalissades.
Portanto, os portugueses da Califórnia estão em festa e, nestes dias, farão fila para se fotografarem como o nosso Presidente da República, um homem que incarna, simultaneamente, as figuras do senhor Feliz e do senhor Contente.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

A retoma do turismo de navios de cruzeiro

As cidades portuárias das orlas atlânticas e mediterrânicas europeias têm beneficiado da indústria do turismo dos cruzeiros que se desenvolveu nos últimos decénios, mas esse tipo de turismo esteve inactivo devido às restrições sanitárias que foram adoptadas durante a pandemia de covid que surgiu em 2019. 
Neste ano de 2022, essa actividade parece ter recuperado todo o seu dinamismo e a procura parece estar a ultrapassar as melhores expectativas e a superar a procura dos tempos anteriores à pandemia. O jornal El Correo que se publica em Bilbao, a capital da comunidade autónoma do Euskadi ou País Basco, na sua edição de hoje dá notícia da presença simultânea de três navios de cruzeiro de grandes dimensões no Puerto de Getxo, na periferia da cidade de Bilbao, respectivamente o MSC Virtuosa (331 metros), o Enchanted Princess (330 metros) e o Seabourn Ovation (221 metros). Segundo o jornal, “la estampa inusual de los tres barcos juntos ne se volverá a repetir hasta el 4 de octubre” e houve oito mil pessoas, das quais cinco mil eram turistas e três mil tripulantes, que estiveram no porto de Getxo.
Um elevado número de autocarros recolheu os passageiros que se inscreveram para as várias excursões, com destaque para a visita ao Museu Guggenheim e à cidade de Bilbau, mas também para outros circuitos, como Gernika e San Sebastian.
As autoridades portuárias e turísticas bascas estão eufóricas. Este ano, houve 32 navios que já visitaram o Euskadi, mas até ao fim do ano esperam-se oito dezenas de navios de cruzeiro que, a verificar-se, baterá o recorde histórico de 59 navios de cruzeiro que, num só ano, atracaram no Puerto de Getxo.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Macau reabriu as portas aos portugueses

A epidemia de covid-19 afectou meio mundo e impôs restrições mais ou menos severas à vida das comunidades, perturbando a sua vida económica e cultural a uma escala quase global. No caso da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China essas restrições foram muito rigorosas e, desde Março de 2020, que as autoridades macaenses proibiam a entrada de não residentes, como medida de controlo e prevenção da covid-19.
Calcula-se que Macau tenha cerca de 650 mil habitantes dos quais haverá cerca de nove mil residentes com nacionalidade portuguesa, uma parte dos quais nasceu em Macau, uma outra parte permaneceu no território depois da transferência da soberania em 1999 e, outra parte, instalou-se mais recentemente. Para os portugueses não residentes, ou que não possuem o Bilhete de Identidade de Residente (BIR), a medida de proibição de entrada no território era uma enorme contrariedade, pois representava a separação de famílias e o abandono de muitos projectos.
Porém, as autoridades decidiram agora abrir as portas aos portugueses não residentes, que passam a poder entrar no território sem autorização prévia dos Serviços de Saúde macaenses, desde que nos 21 dias anteriores não tenham estado fora da China, de Hong Kong ou de Portugal. Esta medida é dirigida especificamente aos portugueses não residentes e significa a possibilidade de reunião familiar de muitas famílias, a retoma de projectos profissionais e académicos interrompidos desde há dois anos e até o renascimento do turismo português para Macau. Por isso, o jornal Hoje Macau saudou esta medida com uma expressiva saudação: bem-vindos a Macau!

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Uma estátua para o turismo e o emprego

Na pequena cidade brasileira de Encantado, situada no estado do Rio Grande do Sul, foi anunciada a conclusão de uma estátua do Cristo Protetor que, com os seus 43,5 metros de altura, fica a constituir o maior monumento brasileiro desse tipo, superando os 38 metros do Cristo Redentor do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, que foi informalmente escolhido como uma das sete maravilhas do mundo moderno e que desde 2012 foi incluído na lista do património mundial da Unesco. O Cristo de Encantado foi construído em betão e aço, pesa 1,7 toneladas e tem 39 metros de envergadura, isto é, de distância entre a ponta de um braço e a outra ponta.
Encantado é um município que se localiza no Vale do Taquari, a cerca de 140 quilómetros de Porto Alegre, a capital do estado, a 820 quilómetros de São Paulo e a cerca de 400 quilómetros da cidade de Rivera, na fronteira com o Uruguai. A ideia da construção desta estátua teve em vista a criação de um polo de atracção de turismo religioso na cidade de Encantado, tendo sido custeada por empresários da região e por doações de particulares, visando “transmitir a fé do povo e alavancar o turismo na região”. Assim se gera a criação de emprego e se anima a economia da região. De resto, está constituída a Associação Amigos de Cristo do Encantado que é a entidade responsável pela execução desta obra e que vem preparando as estruturas comerciais que apoiarão os futuros visitantes.
O Cristo do Encantado começou a ser construído em 2019 e foi concebido pelos escultores cearenses Genésio Moura e seu filho Markus Moura. Um dos destaques da obra é o coração da estátua, que será envidraçado e terá funções de miradouro, havendo um elevador que levará os visitantes até lá, de onde será possível ter uma vista panorâmica da cidade e do vale onde está implantada.
O jornal Estado de S. Paulo noticiou a conclusão da obra e publicou uma fotografia do Cristo do Encantado com destaque de primeira página. A ideia bem merece esse destaque.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

‘Wonder of the Seas’ é o maior do mundo

O maior navio de cruzeiro alguma vez construído fez esta semana uma escala técnica em Cádis e encheu as páginas dos jornais gaditanos, porque as suas excepcionais dimensões suscitaram o interesse público.
O gigantesco navio chama-se Wonder of the Seas, foi construído nos Chantiers de L’Atlantique em Saint-Nazaire e foi entregue à Royal Caribbean no passado dia 27 de Janeiro, passando a liderar a frota daquela companhia que até agora tinha o Symphony of the Seas, como a sua maior unidade. O navio foi registado em Nassau, nas Bahamas, tem uma tonelagem bruta de 236.857 toneladas, um comprimento de 362 metros que equivale a “tres campos y medio de fútbol, uno a continuación del otro” e 66 metros de largura. A área habitacional do navio tem dezoito decks, pode acomodar até 6.988 passageiros que dispõem de quatro piscinas e vinte restaurantes, sendo servidos por 2.300 tripulantes!
As dimensões do Wonder of the Seas podem ser melhor avaliadas quando comparadas com as dimensões de cada uma das dez unidades porta-aviões americanas da classe Nimitz, que deslocam “apenas” 100.000 toneladas, têm um comprimento máximo de 333 metros e que, em condições normais, alojam “apenas” 5.680 tripulantes.
O navio dirige-se para Fort Lauderdale, na Florida, para iniciar a sua actividade nas Caraíbas, esperando-se que no Verão seja deslocado para o Mediterrâneo, mas a intenção é que seja transferido para a Ásia Oriental para realizar cruzeiros a partir de Xangai e de Hong Kong para os portos do Japão, Vietnam, Correia do Sul e Taiwan.O jornal La Voz de Cádiz publicou uma desenvolvida reportagem sobre o novo navio e destacou que necessitou de “unos 70 camiones y 800 palés com material y comida para aprovisionarse”.
A viagem inaugural do Wonder of the Seas está anunciada para o dia 4 de Março de 2022 a partir de Fort Lauderdale. Para reservas, contacte a Royal Caribbean.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

O mau momento do turismo de Macau

O jornal Tribuna de Macau anunciou na sua última edição que o turismo macaense está de rastos devido às restrições adoptadas devido à pandemia. Esta constatação revelou-se durante a recente “semana dourada” de Outubro, que se iniciou no primeiro dia do mês e que agrega sempre vários feriados, incluindo os que se referem à implantação da República Popular da China. 
Depois do Ano Novo Lunar, que é a principal festa das famílias chinesas, a “semana dourada” é o período de festividades que gera o maior movimento de massas na China. Por isso, o número de pessoas que visitam Macau durante a “semana dourada” é um indicador da vitalidade da indústria turística macaense, mas revela uma preocupante paralisia que afecta todas as actividades e o emprego turístico. Em 2019, antes da pandemia, um total de 985 mil pessoas visitaram Macau e, na “semana dourada” de 2020, houve 156.300 pessoas que visitaram o território. Este ano, Macau registou a entrada de apenas 8.159 visitantes. Os números falam por si.
A grande massa de visitantes de Macau é oriunda da República Popular da China (60%) e do vizinho território de Hong Kong (40%). Apesar da taxa de ocupação hoteleira ainda estar elevada devido ao alojamento de residentes e de pessoas retidas devido à quarentena imposta pelas autoridades dos territórios vizinhos, os representantes do sector afirmam que “o sector do turismo continua numa situação de quase total paralisação” e reclamam medidas que deverão ser coordenadas com as autoridades de Hong Kong e da República Popular da China.
No entanto, o que suscita a atenção da primeira página do jornal macaense não é tanto a notícia do “turismo de rastos”, mas a fotografia das ruinas da igreja de S. Paulo, o ex-libris de Macau, vazias e sem a habitual multidão de turistas.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

A publicidade insólita e absurda da SATA

Anúncio da SATA na ilha do Pico 
A Publicidade é uma forma de comunicação que, entre outros objectivos, visa intervir no espaço público para informar consumidores, mas também para chamar a atenção, suscitar o interesse e levar à aquisição do produto ou do serviço anunciado. A Publicidade é também uma técnica de comunicação e uma arte que codifica mensagens através de textos, de imagens e de sons, a fim de as tornar mais apetecíveis e mais compreensíveis pelos públicos a quem se destinam. Na óptica empresarial, a Publicidade é um investimento, pois representa uma aplicação de recursos com vista à obtenção de benefícios no futuro.
Estas considerações sobre a Publicidade vêm a propósito de uma mensagem publicitária insólita e absurda, difundida em algumas ilhas açorianas através de grandes cartazes outdoor pela companhia açoriana de transporte aéreo – a SATA ou Azores airlines. A SATA tem carreiras regulares entre os Açores e a Madeira que, provavelmente não têm rentabilidade comercial, nem constituem obrigação de serviço público, sendo uma opção de gestão cujo fundamento desconheço mas que, provavelmente, apenas visa satisfazer um qualquer ego.
As ligações aéreas entre os Açores e a Madeira não têm viabilidade comercial porque o mercado é limitado. A SATA não conseguirá os passageiros de que precisa. Assim, em vez de recomendar aos açorianos que visitem as várias ilhas do arquipélago, vai por outro caminho e recomenda-lhes a Madeira – um lugar onde tu pertences!, mostrando-lhes uma imagem de miradouros e montanhas, que é coisa que algumas ilhas bem conhecem. Ou será que esta mensagem é para lembrar aos turistas que visitam os Açores, que existe a Madeira que é um destino turístico mais apetecível?