quarta-feira, 23 de maio de 2018

Prémio Camões 2018 foi para Cabo Verde

O escritor cabo-verdiano Germano de Almeida foi galardoado com o Prémio Camões 2018 e o semanário Expresso das Ilhas, que se publica na cidade da Praia, destaca essa notícia na primeira página da sua edição de hoje, homenageando dessa forma o premiado.
O Prémio Camões foi instituído em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil para distinguir os autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa. Desde então houve 13 portugueses, 12 brasileiros, 2 angolanos, 2 moçambicanos e 2 cabo-verdianos que receberam aquele prestigiado prémio e, nessa lista de 31 nomes, figuram por exemplo Miguel Torga, João Cabral de Melo Neto, Vergílio Ferreira, Jorge Amado, Mia Couto, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, José Craveirinha, António Lobo Antunes e Manuel Alegre.
Germano de Almeida, o vencedor do Prémio Pessoa 2018, estudou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e exerce a profissão de advogado na cidade do Mindelo, na ilha de S. Vicente. No campo literário a sua obra é vasta, destacando-se O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, publicado em 1991 e que teve grande êxito internacional. É uma obra que se recomenda vivamente.
Naturalmente, que aqui ficam expressas as minhas felicitações ao autor e a minha congratulação por este prémio ter ido para Cabo Verde, a terra da sôdade, da morna, da coladera e da cachupa.

R.I.P. Júlio Pomar

Ainda se sucediam as justas declarações elogiosas sobre a vida e a obra de António Arnaut, quando fomos surpreendidos pela morte de Júlio Pomar, que nos deixou aos 92 anos de idade e era um dos mais inspirados pintores do modernismo e uma figura fundamental da arte portuguesa.
Ao longo de sete décadas de actividade não foi apenas a arte nas suas múltiplas facetas que o atraiu, pois foi também um democrata convicto e um homem de grande empenho social e político, de que resultou ter sido preso pela PIDE nos anos 1950 e ter passado quatro meses no Forte de Caxias, ao lado de Mário Soares, de quem ficou amigo.
Na sua multifacetada obra destacam-se os temas do erotismo, do fado e da tourada mas, sobretudo, os retratos, em especial os que fez de Fernando Pessoa e de Mário Soares, que figura na galeria dos Presidentes do Museu da Presidência da República. Em 2013 a sua vasta obra foi depositada no Atelier-Museu Júlio Pomar, uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, onde pode ser visitada pelo público.
O percurso artístico de Júlio Pomar e o tempo que viveu em Paris, tornaram-no um ícone da arte contemporânea portuguesa e a sua partida é um momento triste para a cultura portuguesa.
Os principais jornais portugueses prestam-lhe hoje uma justa homenagem nas suas edições, a que me associo.