quarta-feira, 11 de junho de 2014

A guerra no Iraque e a lição da História

Lajes, 16 de Março de 2003
As notícias que nos últimos dias nos têm chegado do Iraque são demasiado preocupantes e mostram que, com todas as suas trágicas consequências, a guerra se intensifica nas regiões da antiga Mesopotâmia, que foi um dos berços da nossa civilização.
Ontem, chegou uma informação anunciando que “os rebeldes tomaram o controlo total de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, após dias de combates” e, mais tarde, outra notícia destacava que os rebeldes apoderam-se da província de Ninive e de sectores das províncias iraquianas de Kirkuk e Saladino”. Hoje, uma outra notícia informa que “militantes islâmicos avançam sobre a maior refinaria iraquiana na cidade de Baiji. Significa que a guerra se instalou no norte do Iraque e que as autoridades de Bagdad estão a perder o controlo da situação. Estas forças, ora designadas por rebeldes ora por militantes, estão agrupadas em torno do grupo jihadista EIIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) que já controla a cidade de Mossul e que, aparentemente, também já controla a maior refinaria do país. Na Síria, no contexto da sua luta contra o governo de Bashar al-Assad, os jihadistas também têm sob o seu controlo as regiões do leste do país, que fazem fronteira com o Iraque. Desta forma concertada, o EIIL procura expandir os territórios sob o seu controlo, a fim de criar um Estado islâmico entre a Síria e o Iraque. Esta preocupante situação tem origens muito complexas, sobre as quais não é fácil emitir opinião.
Nestes casos, porém, a História ajuda-nos e mostra-nos que na origem desta turbulência e desta guerra está a famosa cimeira realizada em 2003 na Base das Lajes, nos Açores, quando George W. Bush (E.U.A.), Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha) foram recebidos pelo primeiro-ministro português Durão Barroso na tarde de 16 de Março de 2003, para uma cimeira que culminou quatro dias depois, na madrugada de 20 de Março, com o início da intervenção militar contra o regime de Saddam Hussein, porque alegadamente este possuia armas de destruição maciça, incluindo armas químicas. Era mentira como todos, um a um, reconheceram depois. E aqui temos como uma mentira dos falcões do costume e dos seus ajudantes, levou a instabilidade, o desassossego e a guerra até às regiões da antiga Mesopotâmia. Então, como a fotografia mostra, Barroso sorria.