quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Donald Trump: o predador de serviço

Uma boa parte do mundo e da sua imprensa parecem ter ficado anestesiadas com a espectacular operação militar que conduziu à captura de Nicolás Maduro, embora essa detenção (alegadamente por envolvimento no narcotráfico) não signifique o fim da ditadura chavista. A recente aprovação da Estratégia de Segurança Americana veio reafirmar a doutrina Monroe e consolidar as intenções de Donald Trump para, entre outros objectivos, proteger os interesses dos Estados Unidos no hemisfério ocidental.
A operação realizada sobre Caracas e outras cidades venezuelanas enquadra-se naquele desígnio e permitiu-lhe afirmar com arrogância que “manda nos Estados Unidos e no mundo”.
Donald Trump não tem interesse numa democracia venezuelana e tratou de desautorizar e afastar Maria Corina Machado, a líder da oposição venezuelana e recente galardoada com o Prémio Nobel da Paz, ao declarar que “ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o apoio, nem o respeito do país”. Por agora, Trump aposta na presidência interina de Delcy Rodriguez, que espera manipular e dirigir a partir de Washington, tendo já avisado que “se não fizer o que está certo, vai pagar um preço mais alto do que Maduro”.
Ficam assim definidas algumas linhas do novo imperialismo americano, isto é, não interessa qual é o regime nem quem está no poder em Caracas, mas tão só o petróleo venezuelano que, por acaso, constitui a maior reserva mundial que se conhece.
Há dias, a imprensa informava que num só ano do seu mandato, Donald Trump quase duplicou a sua fortuna pessoal. Ele não é apenas o presidente dos Estados Unidos, mas é também um empresário para o qual parece valer tudo nos negócios, desde o imobiliário aos campos de golfe, passando pelos perfumes, pelas criptomoedas e por muitos outro negócios. 
Não demorará a ter interesses pessoais no petróleo, se não os tem já. É um predador, como dizia na sua edição de ontem o jornal La Dépêche du Midi, que se publica em Toulouse.