Uma boa parte do
mundo e da sua imprensa parecem ter ficado anestesiadas com a espectacular
operação militar que conduziu à captura de Nicolás Maduro, embora essa detenção
(alegadamente por envolvimento no narcotráfico) não signifique o fim da ditadura
chavista. A recente aprovação da Estratégia
de Segurança Americana veio reafirmar a doutrina Monroe e consolidar as
intenções de Donald Trump para, entre outros objectivos, proteger os interesses
dos Estados Unidos no hemisfério ocidental.
A operação
realizada sobre Caracas e outras cidades venezuelanas enquadra-se naquele
desígnio e permitiu-lhe afirmar com arrogância que “manda nos Estados Unidos e
no mundo”.
Donald Trump não
tem interesse numa democracia venezuelana e tratou de desautorizar e afastar Maria
Corina Machado, a líder da oposição venezuelana e recente galardoada com o Prémio
Nobel da Paz, ao declarar que “ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o
apoio, nem o respeito do país”. Por agora, Trump aposta na presidência interina
de Delcy Rodriguez, que espera manipular e dirigir a partir de Washington,
tendo já avisado que “se não fizer o que está certo, vai pagar um preço mais
alto do que Maduro”.
Ficam assim
definidas algumas linhas do novo imperialismo americano, isto é, não interessa
qual é o regime nem quem está no poder em Caracas, mas tão só o petróleo
venezuelano que, por acaso, constitui a maior reserva mundial que se conhece.
Há dias, a
imprensa informava que num só ano do seu mandato, Donald Trump quase duplicou a
sua fortuna pessoal. Ele não é apenas o presidente dos Estados Unidos, mas é
também um empresário para o qual parece valer tudo nos negócios, desde o
imobiliário aos campos de golfe, passando pelos perfumes, pelas criptomoedas e por
muitos outro negócios.
Não demorará a ter interesses pessoais no petróleo, se
não os tem já. É um predador,
como dizia na sua edição de ontem o jornal La Dépêche du Midi, que se publica
em Toulouse.
