domingo, 30 de agosto de 2020

A língua portuguesa é viva e renova-se


A língua portuguesa é uma das línguas mais faladas no mundo e não é muito importante saber qual a sua posição no ranking of the most spoken languages of the world. Este ranking é divulgado anualmente pelo Ethnologue, um centro científico de estudos linguísticos integrado na organização não-governamental SIL Internacional, fundada em 1934 e com sede em Dallas.
Sempre confiei no Ethnologue. Porém, entre as edições de 2019 e 2020, o Ethnologue parece ter sido infectado e, para mim, a sua credibilidade está sob suspeita. Então não é que, segundo o Ethnologue, em apenas um ano, o espanhol passou da segunda para a quarta posição e o português passou da sexta para a nona posição, enquanto o inglês passou da terceira para a primeira posição e o francês deu um monumental salto da décima-quinta para a quinta posição do ranking. Mesmo que tenha havido mudanças de critério no apuramento do número de falantes de cada língua, as enormes e tão rápidas alterações no ranking of the most spoken languages of the world descridibilizam o Ethnologue.
Tudo isto vem a propósito da edição de ontem do jornal angolano folha 8, cuja manchete de carácter político recorreu com grande criatividade a uma expressiva palavra que, embora existindo no vocabulário português, não é usada habitualmente. Diz-se que está a ficar mais pequeno, que está a encolher, que se está a reduzir, que está a diminuir ou que está a ficar menor, mas não é costume dizer-se que qualquer coisa esteja a apequenar-se.
Este é, portanto, um bom exemplo da riqueza de uma língua que se valoriza continuamente, quer pela criatividade popular ou de autores como Mia Couto ou José Eduardo Agualusa, mas também pela renovada utilização de palavras em vias de extinção, como parecia ser o apequenar-se.