terça-feira, 25 de junho de 2013

A nossa governação é uma triste sina

A crise que nos afectava em 2011 e que levou ao memorando de entendimento com a troika por vontade de quem chumbou o PEC 4, aprofundou-se nos dois últimos anos. Os portugueses empobreceram, perderam o emprego ou emigraram, enquanto o Estado aumentou a sua dívida e o seu défice. A economia regrediu, aumentaram as falências, a procura interna reduziu-se e não há investimento... apesar de não ter chovido. As cidades e as ruas estão a tornar-se desertas e os espaços vazios para vender e para alugar multiplicam-se. A insegurança é cada dia maior e existe uma ameaça de ruptura social. O desespero e até a fome entraram na vida de muita gente.
Porém, estes resultados têm responsáveis.
Durante dois anos fomos enganados e o poder produziu um discurso mentiroso, arrogante e de grande insensilidade social. Não estudaram. Não se prepararam. Tinham uma ambição desmedida. Diziam que não haveria cortes nos subsídios nem nas pensões e mentiram. Diziam que não subiriam impostos e mentiram. Diziam que nunca se desculpariam com o passado e mentiram. Diziam que não pediriam mais tempo nem mais dinheiro e mentiram. Ouvi-los, ou vê-los rodeados de guarda-costas, é um exercício confrangedor.
É verdade que os tempos são difíceis, mas foram eles que semearam ventos e se deixaram humilhar pela troika. A Espanha não foi nisso. Agora, vivem isolados numa espécie de condomínio de luxo, onde não faltam os carros topo de gama, os assessores, as viagens e os guarda-costas, como se viu naquele triste passeio a Alcobaça, em jeito de piquenique. Agora descobrem-se as verdades e cada vez é mais evidente que o caminho tão servilmente percorrido tem sido errado e tem servido para alimentar os especuladores que têm enriquecido com as nossas desgraças. Já ninguém acredita neste caminho errado, nem em quem nos conduz. Não acredita a oposição, nem acreditam os senadores do partido, nem os amigos da coligação, nem os patrões, nem os sindicatos. Agora nem o FMI acredita. É uma triste sina a nossa.