terça-feira, 10 de outubro de 2023

As guerras e as lições de Clausewitz

A guerra está instalada nas fronteiras da Europa e as lições de Clausewitz tornam-se muito actuais, apesar de terem sido escritas há quase duzentos anos. Foi em 1832 que, postumamente, foi publicado um livro sobre guerra e estratégia militar intitulado “Da Guerra”, que desde logo se tornou uma referência nas doutrinas militares, tal como o seu autor Karl von Clausewitz, um general prussiano que, entre muitos outros princípios, escreveu que “a guerra é uma simples continuação da política por outros meios”. Quando nos nossos dias, depois de muitos anos de paz, de progresso e de prosperidade dos povos europeus, vemos a violência, a brutalidade e a desumanidade da guerra, as lições de Clausewitz são lembradas por muita gente. As situações de guerra entre a Rússia e a Ucrânia, tal como entre Israel e a Palestina, são “a simples continuação da política por outros meios”. Em ambos os casos, não terão sido acauteladas as realidades históricas e as aspirações dos povos, tendo imperado a intransigência negocial e uma lógica belicista. Os políticos das grandes potências não só deviam cuidar do bem-estar e da segurança das suas populações, mas também deveriam assumir a responsabilidade pela promoção da cooperação internacional, pelo apaziguamento das tensões, pela arbitragem de contenciosos e pela preservação da paz no mundo, mas não foram capazes de encontrar entendimentos e soluções negociadas para as históricas conflitualidades que afectam as regiões actualmente em guerra. Objectivamente, os políticos das grandes potências, sobretudo os que têm assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, não só contribuíram como, em alguns casos, estimularam a guerra, para satisfação das suas ganâncias económicas ou estratégicas.
Hoje o Daily News, um dos principais jornais de Nova Iorque, anuncia o contra-ataque israelita e a imagem utilizada mostra a enorme violência da guerra na Faixa de Gaza.