sábado, 30 de abril de 2016

As fortalezas lusas do Algarve d’Além-Mar


A cidade portuguesa de Mazagão (El Jadida)

Durante alguns dias fui conhecer Ceuta e alguns locais da costa atlântica de Marrocos, a começar por Alcácer-Ceguer, Arzila e Tânger, a que se seguiram Azamor, Mazagão e Safim, onde as fortificações portuguesas com as suas muralhas e bastiões integram o património arquitectónico local e impressionam pela sua grandiosidade e até pelo seu estado de conservação. A aventura portuguesa em Marrocos começou em 1415 com a conquista de Ceuta, a que se seguiu a tomada de Alcácer-Ceguer (1458) e, depois, de Arzila e de Tânger (1471), pelo que o rei D. Afonso V passou a usar o título de “Rei de Portugal e dos Algarves, d’Áquem e d'Além-Mar em África”.
O senhorio português sobre este Algarve d’Além-Mar, nome que designava o conjunto de praças dominadas pelos portugueses no Norte de África, alargou-se com a ocupação de Safim (1508) e a conquista de Azamor (1514), a que se seguiu a construção de uma nova cidade em Mazagão. A orla costeira marroquina e o acesso ao mar Mediterrâneo, assim como as actividades marítimas na região, passaram a estar controlados pelos portugueses, embora pareça ser incontroverso que, por falta de meios, nunca procuraram o domínio territorial, tendo inclusive abandonado algumas das praças que dominavam. Após a restauração da independência em 1640, a praça de Ceuta optou por permanecer sujeita à coroa espanhola e em 1662 a praça de Tânger foi cedida à coroa inglesa como dote de D. Catarina de Bragança aquando do seu casamento com Carlos II de Inglaterra. Ficou Mazagão como a única fortaleza portuguesa, mas que veio a ser abandonada em 1769 por decisão régia.
Em 2004 as fortificações portuguesas de Mazagão, que hoje se integram na cidade de El Jadida, foram classificadas como património da Humanidade pela UNESCO e hoje são a melhor das memórias portuguesas em Marrocos.