domingo, 12 de abril de 2026

Lula e o Brasil reconhecidos na Europa

A revista francesa Challenges que é especializada em assuntos económicos e negócios, na sua mais recente edição destacou em manchete de forma muito elogiosa o presidente do Brasil, a quem chamou Lula superstar.
Numa época em que as manchetes das grandes revistas internacionais são ocupadas pelos líderes da Ucrânia e da Rússia, de Israel e do Líbano e, também, do Irão e principalmente dos Estados Unidos, o aparecimento do Brasil e do seu presidente na capa de uma prestigiada revista europeia deve encher de orgulho metade do país e deve deixar os bolsonaristas muito irritados, porque significa que o Brasil e o seu presidente são ouvidos, procurados e respeitados no exterior. 
A revista dedicou a sua capa ao Brasil e ao presidente Lula numa reportagem que se estende por 15 páginas, evidenciando o êxito que foi a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ou COP30, que se realizou em novembro de 2025 na cidade de Belém e que juntou cerca de duas centenas de países, mas também em relação ao Acordo Comercial EU-Mercosul, acelerado pelo Brasil e assinado no Paraguai no dia 9 de janeiro de 2026. Este acordo que abre boas perspectivas comerciais foi negociado durante cerca de 26 anos e espera-se que venha a dinamizar a integração das economias da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai que, com os seus 270 milhões de habitantes, constituem o 6º maior bloco económico do mundo.
O trabalho jornalístico da Challenges também destaca a Embraer, uma “joia da coroa” brasileira que, embora de forma limitada, começa a desafiar o duopólio Airbus-Boeing.
Aqui deixamos o nosso aplauso pelo justo reconhecimento internacional que vem sendo feito ao Brasil e de que os portugueses também muito se orgulham.

O estreito de Ormuz e Afonso Albuquerque

O mundo tem estado suspenso pelo que se passa no Irão e, sobretudo, pelo que se passa no estreito de Ormuz, que é dominado pela ilha de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, destinado principalmente à China, à Índia, ao Japão e à Coreia do Sul.
O estreito liga o golfo Pérsico ao mar Arábico e tem uma largura média inferior a 40 quilómetros mas, no seu ponto mais estreito, que é um corredor por onde os navios podem navegar, tem apenas 3,2 quilómetros de extensão em cada direção, o que o torna facilmente congestionável e perigoso para a segurança da navegação.
O tráfego marítimo no estreito de Ormuz é controlado pelo Irão e, como diz o jornal francês Libération na sua edição de ontem - que publica na capa uma expressiva fotografia do estreito captada por satélite - Ormuz é a “carte maîtresse de l’Iran”, ou o cartão de crédito do Irão. Perante a agressão israelo-americana, as autoridades iranianas tomaram a decisão de “fechar o estreito” para combater os países que acolhem bases militares americanas no golfo Pérsico, o que também introduziu uma grave perturbação na economia mundial.
Há 500 anos este estreito era controlado pelos portugueses, o que significa que “D. Manuel I chegou antes de Trump”, como escreveu a revista Sábado, com base nas crónicas coevas de João de Barros e de Fernão Lopes de Castanheda. O terribil Afonso de Albuquerque ocupou Ormuz em 1507 e iniciou a construção de uma fortaleza, mas teve que abandonar a ilha. Depois conquistou Goa e Malaca e, em 1515, regressou a Ormuz, que dominou e onde fez concluir o forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz que, embora em ruinas, ainda existe.
O estreito de Ormuz está hoje no centro das atenções mundiais, mas entre 1515 e 1622 foi dominado pelos portugueses. Agora é para dominar o estratégico jogo do petróleo, antes era para dominar o negócio das pérolas do Bahrein e dos cavalos persas.
O que a História nos ensina…