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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Ainda sobre a festa argentina no Qatar

O futebol é, certamente, o mais importante fenómeno social do nosso tempo. As suas características, simultaneamente de espectáculo artístico e de jogo, geram um entusiasmo único e universal, mesmo nos países e regiões onde ainda não conquistou a unanimidade do gosto popular. Por isso, a vitória da Argentina no Qatar 2022 ocupa as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo, incluindo alguns países onde o futebol ainda não foi adoptado pelas elites e não conquistou as multidões, como acontece nos Estados Unidos, na China, na Índia ou na Indonésia.
Todos os grandes jornais mundiais de referência destacam hoje a vitória argentina e desfazem-se em elogios a Lionel Messi que, na realidade, tem um talento futebolístico único. Habituados a ver que as notícias argentinas que nos chegam se costumam referir a crises económicas, a bancarrotas, a hiperinflações ou a situações de instabilidade política, quem imaginaria que o The Washington Post ou o The Wall Street Journal, bem como o The Times of India ou o China Daily, viessem hoje destacar nas suas edições o futebol e a Argentina, mas também a figura de Lionel Messi? São sinais dos tempos, que podem inspirar novas soluções, para novas situações. Assim, bom seria que o conflito que está a destruir a Ucrânia e a levar a dor à população ucraniana, pudesse ser resolvido de forma semelhante a um jogo de futebol, com ou sem prolongamento, com ou sem penaltis.
Não é tolerável que no território da Ucrânia haja tanta teimosia, tanto sofrimento e tanta destruição, ao contrário do que aconteceu no Qatar, onde houve tanta arte, tanta alegria e tanta festa.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Qatar: aconteceu a vitória da Argentina

Os jornais desportivos de todo o mundo destacaram nas suas edições de hoje a realização da final do Campeonato do Mundo de Futebol que iria ser disputada no estádio Lusail, no Qatar, entre as equipas da Argentina e da França. Cada uma daquelas equipas tinha dois títulos mundiais e, portanto, quem vencesse a final de hoje iria acrescentar mais um troféu ao seu palmarés e posicionar-se no ranking mundial depois do Brasil (cinco títulos) e da Alemanha e da Itália (ambas com quatro títulos). Porém, a expectativa parecia estar menos concentrada nas equipas finalistas e mais nas duas estrelas que se iam defrontar, que por acaso jogam na mesma equipa do Paris Saint-Germain: o argentino Lionel Messi de 35 anos de idade e o francês Kylian Mbappé de 23 anos de idade.
Ao fim do tempo regulamentar as duas equipas estavam empatadas por 2-2. Depois do prolongamento o empate persistiu e o marcador assinalava 3-3. Depois de duas horas de jogo muito disputado e emotivo, a solução foi encontrada nos pontapés de grande penalidade. A Argentina foi mais feliz, tornando-se a nova campeã mundial. Messi foi eleito o melhor jogador do torneio e Mbappé foi o melhor marcador com oito golos.
Emmanuel Macron foi ao Qatar apoiar a equipa francesa e a França perdeu. Os nossos dignitários institucionais foram ao Qatar e Portugal já tinha perdido. Ganhou a Argentina cujo presidente Alberto Fernández não se deslocou ao Qatar. Afinal, parece que ganham aqueles que não se distraem com a presença dos seus presidentes e que perdem aqueles que são atropelados pelos seus próprios presidentes que foram ao Qatar apenas para atrapalhar.
Portanto, parabéns à Argentina, a terra de Carlos Gardel, Juan Manuel Fangio, Ernesto Che Guevara, Jorge Luis Borges, Diego Armando Maradona e Jorge Mario Bergoglio.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Qatar: a Argentina chega à sua sexta final

O futebol continua a suscitar o entusiasmo do planeta quando faltam apenas quatro dias para se conhecer o novo campeão do mundo a coroar no Qatar.
Ontem, a Argentina venceu a Croácia por 3-0 e foi apurada para a final. Nem a guerra na Ucrânia, nem as tensões fronteiriças entre a China e a Índia, nem o abalo por que passa o Parlamento Europeu ou as inundações em Portugal, têm hoje tanto destaque na imprensa mundial como a vitória argentina e a superior exibição de Lionel Messi. O diário Clarín que se publica em Buenos Aires e que se julga ser o maior jornal de língua espanhola, destaca com uma fotografia a toda a largura da sua primeira página, mais este passo “por el tercer Mundial”. De facto, a Argentina já venceu o Mundial por duas vezes, em 1978 e 1986, pelo que aspira a uma terceira vitória, embora também já tenha perdido três finais em 1930, 1990 e 2014. Hoje será conhecido o outro finalista no jogo que vai ser disputado entre a França, que é o actual campeão do Mundo, com a surpreendente equipa de Marrocos. Desde que os marroquinos derrotaram os portugueses e se tornaram a primeira equipa africana a atingir as meias-finais de um campeonato do mundo, que a tensão é enorme entre a comunidade marroquina em França. 
No jogo de hoje entre franceses e marroquinos vai estar em disputa muito mais do que o acesso à final, pois estarão em confronto relações históricas de dependência e de desigualdade, com o ex-oprimido a ter a oportunidade de lutar em igualdade com o ex-opressor, mas também as tensões herdadas do domínio colonial e da emigração marroquina. O futebol já não é apenas uma actividade desportiva, um grande espectáculo e um poderoso negócio de contornos pouco conhecidos, mas tornou-se numa expressão do prestígio das nações, das suas ambições e das suas reivindicações por verdadeiros estatutos de igualdade.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Qatar: Ronaldo não teve paz nem sossego

Perú: o diário Líbero, 11 de dezembro de 2022
A imprensa internacional registou o sensacional apuramento de Marrocos para as meias-finais do Campeonato do Mundo do Qatar e a inesperada eliminação de Portugal, mas o destaque mediático assentou na derrota e nas lágrimas de Cristiano Ronaldo. A sua fotografia foi publicada nas primeiras páginas dos jornais do mundo inteiro, porque ele é uma figura mundial e a sua notoriedade é maior do que a do seu próprio país. Não foi Portugal que perdeu. O derrotado foi Cristiano Ronaldo, um ídolo para milhões de adeptos do futebol.
Cristiano Ronaldo é uma personalidade muito apreciada e é a única pessoa no mundo que tem mais de 500 milhões de seguidores na rede social Instagram. Vestiu a camisola da selecção em cinco Campeonatos do Mundo, proporcionou muitas alegrias ao povo e, só por isso, é merecedor da gratidão dos portugueses, cuja alegria e orgulho nacional estiveram muitas vezes associadas aos golos que marcou. Com ele, a selecção portuguesa saiu da penumbra e passou a posicionar-se no patamar mais elevado do futebol mundial, enquanto o país passou a ser conhecido mundialmente por ser o país do Ronaldo.
Por cá discute-se se o que aconteceu foi por mérito marroquino ou por demérito português, ou se foi por culpa do Ronaldo, do seleccionador Santos ou por quaisquer outras razões, mas nunca haverá respostas para essas questões. Não sei se Ronaldo devia ou não devia ter jogado mais tempo, não sei se podia ou não podia ter jogado melhor. Porém, ficará como registo histórico que, depois de ter sido endeusado durante muitos anos, Ronaldo foi criticado e maltratado por muitos jornalistas e muitos comentadores. Irresponsavelmente. Não lhe deram paz nem sossego. No dia 9 de dezembro, na véspera do jogo com Marrocos, o seleccionador pediu aos jornalistas que “deixem o Ronaldo em paz”, mas seis dias antes, no dia 3 de dezembro, já aqui tinha sido escrito “deixem o Ronaldo em sossego”. Cercados por agitadores mediáticos, era difícil que o Ronaldo e os seus companheiros fizessem melhor. Ficaram nas oito melhores equipas. Foi bem bom, apesar do amargo da derrota com os marroquinos.

domingo, 11 de dezembro de 2022

Qatar: Marrocos desfez o sonho luso

Ontem foi um dia muito triste para os portugueses! Depois de vários dias de endeusamento das qualidades dos nossos futebolistas, das viagens dos nossos principais dignitários ao Qatar (feitas em nome do interesse nacional) e do massacre televisivo a que fomos sujeitos com as reportagens dos enviados especiais, por vezes muito desinteressantes e medíocres, a selecção nacional perdeu com a selecção de Marrocos. Foi apenas um golo, mas bastou. Podia ter sido ao contrário, mas aconteceu assim. Os jogadores bateram-se bem mas não foram felizes e, na sua edição de hoje, o jornal A Bola publica a fotografia do desalentado Ronaldo e convida os portugueses a chorar.
Foi pena, porque os portugueses andam pouco entusiasmados com o seu quotidiano e precisavam desta alegria. Porém, não há drama nenhum e há mais futebol e mais desafios para além deste Qatar 2022. Com a equipa portuguesa também saíram as equipas do Brasil, da Holanda e da Inglaterra e, antes, já a Alemanha, a Espanha, a Bélgica, a Dinamarca e o Uruguai tinham ido para casa mais cedo. A selecção nacional tinha chegado aos quartos-de-final depois de humilhar a Suíça e estava no grupo das oito melhores equipas, mas ontem foi derrotada por Marrocos que antes batera a Bélgica e a Espanha. Os marroquinos chegaram às meias-finais e são a maior surpresa deste Qatar 2022, pois nunca uma equipa africana conseguira ir tão longe.
Agora a discussão será entre a Argentina, a Croácia, a França e Marrocos. No que respeita a Portugal, “é preciso levantar a cabeça”, como costumam dizer os derrotados. Porém, uma vez que os jogadores portugueses são realmente muito talentosos, talvez se justifique uma análise mais profunda sobre as causas das nossas frustrações futebolísticas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Qatar: o apoio dos goeses aos portugueses

O Campeonato do Mundo de Futebol está a interessar quase todo o mundo e, por isso, a vitória de Portugal sobre a Suiça teve uma enorme repercussão na imprensa mundial.
Um dos casos mais curiosos do entusiasmo pela selecção portuguesa acontece em Goa, um território que os portugueses governaram durante 451 anos e que em 1961 foi integrado pela força na República da Índia. Mudou a soberania em Goa e houve tentativas dos novos poderes para apagar a memória lusitana, mas os traços culturais portugueses permaneceram na sociedade goesa. O entusiasmo com que os goeses apoiam a selecção nacional de futebol que está no Qatar, demonstra exactamente isso.
A goleada portuguesa sobre a Suíça por 6-1 foi destacada na edição do centenário jornal oHeraldo que se publica em Pangim, com quatro fotografias que mostram o entusiasmo dos goeses pela selecção portuguesa, quer em Goa, quer na diáspora goesa que vive no Qatar. Diz o jornal que “casas, autocarros e gente de Goa se vestem com as cores portuguesas” e que os apoiantes de Portugal “não querem outra coisa que não seja que a taça vá para Lisboa no dia 18 de dezembro”.
O apoio dos goeses à equipa portuguesa de futebol é emocionante, tal como é emocionante o entusiasmo com que se festejam os seus êxitos nas comunidades portuguesas e nos territórios onde deixamos as nossas marcas culturais, que nem sempre foram positivas. Porém, a alegria do futebol faz esquecer essas coisas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Portugal entre “los 8 grandes” do futebol

Ontem foi um dia de festa para o futebol português pela robusta e até inesperada vitória obtida sobre a equipa da Suíça, que colocou a selecção portuguesa nos quartos de final do Campeonato do Mundo e deu uma enorme alegria aos portugueses, em especial aos que vivem e trabalham naquele país. A imprensa portuguesa escreveu em letras bem grandes as palavras demolidor e fulminante. No mundo do futebolez, em que se usa e abusa do adjectivo “histórico” para tudo e mais alguma coisa, a exibição de ontem e o resultado de 6-1, bem justificam a título excepcional a utilização da palavra histórica, até porque veio mostrar que a maravilha de que aqui se falara como sendo um atributo futebolístico brasileiro, afinal também é português. Aqueles jogadores são notáveis em talento e em determinação e, para muita gente, até merecem as fortunas que lhes pagam.
Com aquele resultado, como hoje lembra o jornal peruano Líbero, estão encontrados los 8 grandes, isto é, Portugal está entre as oito melhores equipas de futebol do mundo. Naturalmente que isso é agradável pela alegria que transmite ao povo – que bem precisa de alegrias – mas seria bem mais interessante se estivéssemos entre os oito melhores do mundo em prosperidade económica e qualidade de vida, em protecção social e solidariedade, no combate às desigualdades e à pobreza, no apoio aos mais necessitados, em responsabilidade ambiental e na luta contra o clientelismo que tanto afecta a harmonia da sociedade portuguesa. Lamentavelmente, todas essas causas ficam subordinadas aos interesses políticos imediatos e à busca de popularidade que a generalidade dos políticos persegue à boleia do futebol. 
Assim, eu aplaudo e fico muito satisfeito com o desempenho da selecção nacional de futebol, mas não me agrada nada tanta euforia.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

A maravilha brasileira chegou ao Qatar

Estão a decorrer os jogos dos oitavos de final do Campeonato do Mundo e, sem surpresas, estão a ser apuradas as equipas mais fortes e com maior favoritismo. Ontem, o Brasil eliminou a equipa da Coreia do Sul treinada pelo português Paulo Bento e, sobretudo na primeira parte, exibiu-se a um nível artístico que pode igualar-se a um bailado ou a um número de circo, com os artistas bem sincronizados na apresentação das suas habilidades com a bola. Naturalmente, os jornais brasileiros não perderam tempo e trataram de heroicizar os seus neymares, mas o que realmente espanta é a capa do jornal italiano Corrierre dello Sport que se publica em Roma que, para além de publicar uma fotografia da festa brasileira a toda a largura da primeira página, escolheu o título “Maravilha!”, isto é, em vez de escrever a palavra italiana meraviglia, escreveu a palavra portuguesa maravilhaEste tributo ao futebol brasileiro também é uma consequência da frustração italiana de nem sequer ter sido apurada para o Qatar 2022.
Uma outra curiosidade desta edição é o destaque que Ronaldo tem na mesma primeira página, não porque marque golos ou jogue bem, mas apenas porque a Arábia Saudita parece que lhe vai pagar 500 milhões de euros por dois anos e meio de contrato. A ser assim, serão 16 milhões de euros por mês e 547 mil euros por dia. É mesmo uma grande jogada e é um outro tipo de maravilha...

sábado, 3 de dezembro de 2022

Há que deixar o Ronaldo em sossego!

Terminou a primeira fase do Campeonato do Mundo de Futebol com uma curiosidade, pois as três equipas que tinham vencido os seus dois primeiros jogos, assegurando desde logo a passagem aos oitavos de final – França, Brasil e Portugal – perderam o seu terceiro jogo. Contra todas as previsões, a França perdeu com a Tunísia, o Brasil perdeu com os Camarões e Portugal perdeu com a Coreia do Sul, provavelmente porque jogaram sem as principais figuras das suas equipas, ou porque puseram-se a facilitar. 
De entre as dezasseis equipas apuradas para os oitavos de final, destacam-se as dificuldades por que passaram a Espanha e a Argentina para seguir em frente, a surpreendente passagem dos Estados Unidos e da Austrália, bem com as eliminações da Alemanha, da Bélgica e do Uruguai. Das dezasseis equipas apuradas são oito europeias, duas africanas, duas sul-americanas, duas asiáticas, uma americana e uma australiana, a mostrar que a Europa ainda domina o futebol, mas que esse domínio já não é o que era. A selecção portuguesa está no grupo das dezasseis que entram na nova fase do torneio e vai defrontar a Suíça, sendo bem possível que siga em frente para alegrar todos os portugueses e, em especial, aqueles que vivem longe e alimentam a saudade da sua terra com o futebol, o bacalhau e pouco mais.
Porém, começa a ser preocupante a obsessão dos jornalistas portugueses com o Cristiano Ronaldo e a sua vida, o seu contrato, o que disse e o que não disse, os golos que marca ou que não marca, como se fosse apenas ele a integrar a equipa nacional. É uma postura de quase voyeurismo, de seguidismo doentio ou de um jornalismo de subalternos, que só serve para destabilizar e perturbar o desempenho da equipa. Deixem o Ronaldo em sossego e vamos confiar

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Qatar: Cristiano Ronaldo “hace historia”

Não temos vontade de conduzir esta Rua dos Navegantes para a área da futebolice, mas o facto é que o futebol está a dominar a agenda mediática. Certos temas importantes saíram das manchetes da imprensa e da televisão, assim acontecendo com as guerras da Ucrânia e do Iémen, a tensão no estreito de Taiwan, as alterações climáticas, a crise energética, a agitação no Irão, a fome no mundo, a transferência de poderes no Brasil e muitos outros temas. A tematização mediática é o que é e, agora, é o futebol que manda!
Ontem a selecção portuguesa entrou com o pé direito no Mundial do Qatar e venceu a sua congénere do Gana por 3-2, mas foi uma vitória sofrida, com muitos erros e pouca ambição. Aqueles jogadores podem fazer melhor e o entusiasmo popular merecia mais. A presença de Marcelo Rebelo de Sousa nada acrescentou de positivo à exibição portuguesa, embora as suas declarações sobre direitos humanos, obviamente, tivessem feito tremer o xeque Tamim bin Hamad bin Khalifa Al Thani que, com 42 anos de idade, é o emir do Qatar.
Hoje toda a imprensa portuguesa destaca que, com o golo que ontem marcou ao Gana, o capitão Cristiano Ronaldo se tornou no único jogador que marcou golos em cinco edições do Mundial. É um feito notável de um jogador notável, que todo o mundo conhece e admira, embora já tenha perdido o fulgor atlético de outros anos. Na sua edição de hoje o jornal espanhol Marca homenageou Cristiano Ronaldo com uma fotografia em que abraça a bola com que iria marcar o penalti que transformou em golo de Portugal e, como legenda, escreveu “CR7 hace historia”. 
Parabéns ao Cristiano Ronaldo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Portugal e Brasil em estreia hoje no Qatar

Portugal está hoje a viver um dia de grande excitação e euforia a propósito do Mundial de Futebol do Qatar, porque esta tarde vai acontecer a estreia da selecção nacional contra a equipa do Gana. Os jornais e as televisões não falam noutra coisa e as pessoas a quem se pede um prognóstico, tratam de manifestar um enorme optimismo, avançando com a sua previsão do resultado e até com os nomes dos jogadores que vão marcar os golos...
Naturalmente que todos os portugueses desejam que a sua selecção triunfe porque será sempre uma grande alegria e nós bem precisamos delas, mas a onda de optimismo criada até pode ser contraproducente, a não ser que o apoio do presidente da República possa ajudar a meter alguns golos. Logo se verá…
Hoje também se estreia a selecção brasileira contra a equipa da Sérvia e nesse jogo há uma curiosidade e uma grande dúvida: com que equipamento se vai apresentar a selecção canarinha, que é sempre uma das grandes favoritas para ganhar a competição? O verde e o amarelo são as suas cores identitárias e é assim que todo o mundo a reconhece, mas essas cores e essa camisola foram recentemente apropriadas pelo presidente Jair Bolsonaro na campanha eleitoral para a sua reeleição, que perdeu a favor de Luiz Inácio Lula da Silva. 
Como salienta a última edição da revista Isto É a propósito do equipamento da selecção brasileira, "a camisa é do povo”. Por isso ficamos com a curiosidade de ver, daqui a algumas horas, como vai ou não vai apresentar-se a selecção brasileira, pois a camisa que for escolhida terá algum significado político.
Por fim, o nosso voto muito directo e muito simples: que Portugal vença o Gana e que o Brasil triunfe sobre a Sérvia. Os portugueses e os brasileiros merecem essas alegrias!

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Há Qatar e Qatar... há gastar e gastar

Na semana passada, quando a selecção nacional de futebol bateu a sua congénere da Nigéria por 4-0, um desmedido entusiasmo tomou conta daqueles que mais influenciam o nosso país, isto é, as televisões e os seus gatekeepers. O presidente da República associou-se a essa onda e logo tratou de anunciar que estaria no Qatar para apoiar a selecção, porque disse ser “de interesse nacional”, tendo essa intenção aqui sido criticada, mais por razões económicas do que por razões políticas.
Nos dias seguintes muitas vozes se levantaram contra aquela intenção do presidente da República, porque a sua deslocação iria caucionar o regime do Qatar, que viola os direitos humanos e discrimina as mulheres, mas que também iria dar cobertura ao duvidoso processo que levou à sua escolha para acolher o Mundial de Futebol. 
Inteligente e hábil, Marcelo Rebelo de Sousa desdobrou-se então em explicações e tratou de garantir que iria falar em direitos humanos aos qataris e que iria apenas para apoiar a selecção. Todos ficamos mais sossegados, embora sem saber se o presidente iria falar antes ou depois do jogo, mas também sem saber se só leva cachecol ou também leva uma bandeirinha, ou se usaria outros adereços próprios das claques...
Hoje o Expresso Curto publica um texto intitulado “Marcellum Falcon”, que nos esclarece sobre o Falcon que Marcelo tantas vezes utiliza e que já voa a caminho do Qatar. São cerca de 15.000 quilómetros de ida e volta a gastar combustível, para ver um jogo de futebol, em tempos que deveriam ser de contenção. E de bons exemplos. Por isso, a questão do custo para o erário público desta deslocação para apoiar a selecção num jogo de futebol contra a equipa do Gana, não pode ser ignorada. Quem integra a comitiva do Senhor Presidente? Onde ficará instalada a comitiva do Senhor Presidente? Quanto custa toda esta operação destinada a satisfazer a vontade pessoal do Senhor Presidente?
Todos os contribuintes deveriam conhecer as respostas a estas questões, devidamente discriminadas e quantificadas em euros. Ponto final.

Qatar 2022: don’t cry for me Argentina

Estão disputados os primeiros oito dos sessenta e quatro jogos do Mundial do Qatar e a primeira grande surpresa já aconteceu com a derrota da Argentina perante a Arábia Saudita. Em termos de lógica futebolística esse resultado era impensável e a imprensa argentina, mas também a de alguns outros países, relatou esse inesperado resultado de uma equipa que aspirava chegar à final (e pode continuar a aspirar). 
“De la euforia a la decepción” é o título mais comum da imprensa argentina e o suplemento desportivo El Hincha que se publica na cidade de Rosário, curiosamente a cidade natal do ídolo Leonel Messi, mas também do revolucionário Ernesto “Che” Guevara, publicou a fotografia de um Messi derrotado, triste e cabisbaixo, tendo escolhido como título a frase “Desilusión total”. Um jornal inglês destacou essa mesma notícia e escolheu como título “cry for me Argentina”, numa alusão à famosa canção de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice do musical “Evita”. As televisões mostraram as imagens da desilusão argentina e da euforia saudita e essa foi a única surpresa que aconteceu até agora no Qatar, porque todos os outros resultados eram esperados. Porém, uma derrota num jogo de futebol não pode ser motivo para que a nação argentina chore…
Nos dias de chuva e de algum frio que temos suportado, os adeptos do futebol, enquanto arte e espectáculo, estão em festa com as transmissões televisivas, embora todos continuemos a ser incomodados com as longas lengalengas dos comentadores e com o facto dos canais televisivos se terem esquecido que há mais notícias para além do futebol, ao mesmo tempo que passam de forma sublimar, a mensagem enganadora e mentirosa, de que o futebol é a coisa mais importante do mundo.

domingo, 20 de novembro de 2022

Aí está o FIFA World Cup Qatar 2022

Depois de muitos meses de expectativa e de impaciência, o 22º Campeonato do Mundo de Futebol ou o FIFA World Cup começa hoje em Doha, a capital do Qatar. O entusiasmo é enorme em todo o mundo e os meios de comunicação, como a televisão, a internet ou a imprensa, colocaram o Mundial no topo das suas agendas e até houve quem tivesse pedido a suspensão das guerras que perturbam o mundo, enquanto durasse a competição. As críticas ao regime do Qatar têm sido muito duras, mas há quem considere que são um exercício de mera hipocrisia. As ambições das 32 selecções participantes são grandes, embora algumas recolham mais favoritismos que outras, como acontece com o Brasil e a Argentina, mas também com a França e a Espanha. Outros países, como por exemplo Portugal, também publicitam as suas ambições e há quem diga que “estamos aqui para ganhar”, ou que “só iremos para casa no dia 18 de Dezembro”. Como se tem visto em algumas reportagens televisivas, a equipa portuguesa e o seu capitão Cristiano Ronaldo têm muitos apoiantes e suscitam ondas de entusiasmo entre os emigrantes asiáticos no Qatar, sobretudo os que são originários de Goa, mas também de outras regiões da Índia.
A selecção portuguesa está integrada no grupo H e na primeira fase da competição terá que defrontar as equipas do Gana (24 Nov), do Uruguai (28 Nov) e da Coreia do Sul (2 Dez), mas todas as equipas que estão no Qatar estão bem preparadas e a tarefa não será fácil. Felizmente estão anunciadas as transmissões televisivas dos jogos da selecção portuguesa e todos poderemos acompanhar as suas prestações e torcer pelo seu sucesso, embora sejam de rejeitar os excessos de histerismo da imprensa, dos repórteres in loco, dos comentadores televisivos e até de algumas figuras públicas com os seus despropositados comentários.
Porém, a verdade é que “o mundo está de olho na Copa”, como hoje anuncia um jornal brasileiro.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Marcelo não resiste e quer ir ao Qatar

A selecção nacional de futebol parte hoje para o Qatar onde vai participar no Campeonato do Mundo de Futebol e é natural que os portugueses lhe desejem muitos sucessos, que bem nos podem vir a dar algumas alegrias. A vitória de ontem sobre a Nigéria por 4-0 num jogo de preparação disputado em Alvalade, parece ter excitado muita gente, a começar pelos nossos canais televisivos que, de forma desmedida, parecem prognosticar a vitória portuguesa na competição. Porém, tem que haver contenção, tanto na ambição, como no entusiasmo.
O Supremo Magistrado da Nação também alinha neste espectáculo, pois não só comentou o jogo como anunciou que, independentemente do preço que tem para o erário público, no próximo dia 24 lá estará no Qatar para apoiar a equipa portuguesa. Segundo afirmou, desloca-se “pelo interesse nacional”. Como é possível que, num tempo de incerteza e de dificuldade, alguém considere que um jogo de futebol com o Gana é de “interesse nacional”. A presença do Venerando Chefe do Estado no Qatar será um simples acto de lazer presidencial que não se justifica sob a capa do interesse nacional, custa muito dinheiro aos contribuintes portugueses e até pode ser perturbadora para o treinador e para os jogadores. É mais um exagero do Senhor Presidente a que nos vai habituando com o seu voraz apetite por viagens. 
O Mundial do Qatar está envolto em grandes polémicas, designadamente porque os direitos humanos não são respeitados no país e porque a construção dos estádios parece ter usado mão-de-obra escrava, mas Sua Excelência já desvalorizou essa realidade e disse que esse assunto é para esquecer. Melhor andou o presidente do nosso Comité Olímpico que foi convidado pelo seu homónimo do Qatar para estar no Mundial e declinou o convite, o que é de saudar.
Nesta confusão em que abunda muito populismo e muita ausência de serenidade, ainda se destacou o jornal i, cuja edição de hoje escolheu uma capa de mau gosto, inestética e não apelativa a dar as boas-vindas ao Mundial das Arábias. 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

O Brasil já prepara o Mundial do Qatar

O 22º Campeonato Mundial de Futebol da FIFA vai ter início no Qatar no próximo dia 20 de Novembro e terá a participação de 32 equipas, entre as quais a equipa portuguesa.
Nesta altura, em que estamos a menos de duas semanas do início da prova, cada uma das federações nacionais participantes começou a fazer a escolha dos jogadores que integrarão as suas equipas.
Em nenhum país a escolha dos jogadores teve tanto destaque na comunicação social como no Brasil. De facto, enquanto essa escolha não mereceu notícia ou não teve mais do que uma nota de rodapé na imprensa na generalidade dos países participantes, na imprensa brasileira a notícia teve larga cobertura nas primeiras páginas de todos os jornais, com as fotografias dos eleitos de quem os brasileiros esperam a conquista do hexa, uma vez que, até agora, já conquistaram cinco dos vinte e um campeonatos anteriores. 
A edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo destaca a fotografia do seleccionador brasileiro e apresenta um gráfico de barras que indica o número de jogadores escolhidos por campeonato nacional em que jogam, verificando-se que os 26 jogadores escolhidos actuam na Inglaterra (12), na Espanha (5), na Itália e no Brasil (3), em França (2) e no México (1), mas com a particularidade de sete deles já terem jogado em equipas portuguesas.
Depois das eleições de 30 de Outubro, em que o eleitorado brasileiro se dividiu entre Lula e Bolsonaro e em que se disse que o Brasil estava partido ao meio, alguns comentadores avançaram que o Mundial do Qatar poderia unir os brasileiros em torno de um interesse comum que é a sua paixão pelo futebol e o seu entusiasmo pela conquista do hexa.
A imprensa brasileira já está a dar uma boa ajuda para essa unidade nacional.