segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Islândia: vince il no, la Ue non attrae più

A Islândia é um país situado numa ilha do Atlântico Norte nas proximidades do Círculo Polar Ártico, com cerca de 193 mil quilómetros quadrados e aproximadamente 396.500 habitantes, a maior parte dos quais vive na região da sua capital, a cidade de Reykjavik.
É uma ilha vulcânica, com mais de duas centenas de vulcões, dos quais há cerca de três dezenas activos e alguns deles com erupções recentes, mas também tem glaciares e fiordes, lagos, alguns rios e muito gelo. A economia islandesa assenta sobretudo no sector das pescas, especialmente a pesca do bacalhau, mas também na exploração de alguns recursos minerais como o alumínio.
No passado sábado os islandeses foram chamados a participar num referendo em que lhes era pedido para responder à pergunta: “A Islândia deve reabrir as negociações de adesão com a União Europeia?”
Segundo foi ontem divulgado, houve 225.031 votos contabilizados, tendo 52,8% dos eleitores rejeitado a proposta do governo e 47,2% votado a favor. O governo islandês que é chefiado pela primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, uma economista de 38 anos de idade que também é líder do partido social-democrata, de centro-esquerda, sofreu uma derrota, mas a União Europeia e os seus principais dirigentes em Bruxelas. também foram derrotados.
Como anuncia hoje a primeira página da edição do jornal romano La Reppublica - um diário fundado em 1976 e que adoptou o seu nome em homenagem ao jornal República que então existia em Portugal – na “Islanda, vince il no, la Ue non attrae più”. De facto, a União Europeia parece cada vez mais um navio sem rumo, desgovernado, sem coesão, sem liderança e a meter água por várias brechas.
Os islandeses mostraram que a União Europeia já não atrai como antes.

R.I.P. Narana Coissoró

No passado sábado, faleceu com 94 anos de idade o cidadão Narana Sinai Coissoró, que foi advogado e professor universitário, mas que teve uma actividade política relevante como deputado na Assembleia da República em oito legislaturas, tendo sido seu vice-presidente durante seis anos e líder parlamentar do seu partido durante treze anos.
Era natural de Goa, mas com 18 anos de idade veio estudar para a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou, tendo mais tarde valorizado a sua carreira académica ao doutorar-se em Ciência Política na Universidade de Londres.
Em junho de 1976 foi eleito, pela primeira vez, deputado à Assembleia da República pelo Centro Democrático Social (CDS), quando esse partido existia e era representado por deputados democratas cristãos, antes da recente deriva intelectual e ética daqueles que usam o nome do partido, mas que vivem pendurados no PSD.
Narana Coissoró era um democrata cristão muito respeitado por todos os partidos parlamentares, coerente, inteligente e de bom humor e, seguramente, não apoiaria aqueles que hoje dirigem o seu antigo partido, “um incapaz de pensar e outro capaz de pensar o pior”, como alguém escreveu nas redes sociais.
Originário de uma família brâmane hindu de Goa, o professor Narana Coissoró visitava regularmente o território onde nascera e foi aí que, depois de ter sido meu professor no ISCSP, tive a oportunidade de o conhecer mais de perto e beneficiar da cordialidade com que ele me distinguia, apesar de saber que eu navegava em águas políticas diferentes das suas. Depois, enquanto presidente da Casa de Goa, a que presidiu e de que sou um interessado membro, nunca deixou de me distinguir com a sua atenção e a sua amizade. 
Aqui lhe presto a minha homenagem com gratidão e afirmo que homens como Narana Coissoró fazem muita falta à nossa democracia!