As imagens dos
recentes protestos acontecidos nas cidades francesas que nos chegaram
pela televisão, valem mais que mil palavras e vários jornais franceses
interrogam-se: como chegamos a isto?
Depois de vários
dias de manifestações em que a violência se foi acentuando, instalou-se o caos
no espaço público, aumentaram os tumultos e os actos de grande vandalismo, intensificando-se as pilhagens a estabelecimentos comerciais e a edifícios
públicos, com a destruição de montras, de viaturas, de edifícios e de
mobiliário urbano, que assumiram proporções gravíssimas na noite de sábado. A
imprensa refere o enorme ódio social expresso pela generalidade dos
manifestantes e revela que a França está em estado de choque. Houve cerca de
2.400 detenções em todo o país e 997 polícias e agentes da autoridade ficaram
feridos, numa situação em que muitas vezes se perdeu o controlo policial.
Emmanuel Macron e as autoridades francesas condenaram a desordem e a violência
que se estima ter causado centenas de milhões de euros de prejuízos.
Porém, o protesto que aconteceu em França, também está a chegar a outros países e a Europa está realmente preocupada, até porque tem andado distraída em cimeiras em que tratam de tudo, exceto do bem-estar dos europeus. O jornal La Croix pergunta na sua edição de hoje
“comment on est arrivés là” e o jornal diário La Dépêche du Midi, face
à gravidade da situação, escolheu a frase “sortir de l’ímpasse”, numa tentativa de ultrapassar esta grave e dolorosa situação.
Não nos atrevemos
a ensaiar aqui qualquer análise sociológica ou política sobre o que se está a
passar em França, onde os problemas políticos, económicos e sociais se acumulam, numa quase “tempestade
perfeita”, mas lembramos Luís de Camões que no Canto IV d’Os Lusíadas pôs o Velho do Restelo a dizer: “Deixas criar às portas
o inimigo, por ires buscar outro de tão longe”.
Quer isto dizer
que, provavelmente, Emmanuel Macron não cuidou dos franceses que se aborreceram
com os autoritarismos, com as desigualdades, com as injustiças e com a vida que
levam.
