A pressão
migratória sobre a Europa continua a ser muito intensa e esse é um dos temas
políticos, económicos e humanitários mais complexos da actualidade, colocando
desafios à gestão das fronteiras, à integração dos migrantes nas sociedades de acolhimento e à cooperação
entre os diferentes estados-membros da União Europeia.
Este movimento
migratório tem raízes essencialmente económicas, mas também resulta do
crescimento demográfico, de conflitos armados, de efeitos das alterações
climáticas e de perseguição política ou religiosa, mas representa sempre uma
fuga à pobreza, à fome e, de uma forma geral, às condições indignas em que
vivem milhões de pessoas no mundo, esquecidas pelos ricos e poderosos que se
vão ocupando a fazer guerras. A Grécia, a
Itália e a Espanha são os destinos mais procurados pelos migrantes através do
mar Mediterrâneo mas, actualmente, a rota do Mediterrâneo Ocidental parece ser a
que está a ser mais usada e, por terra ou por mar, a cidade autónoma espanhola
de Ceuta é um dos objectivos dos migrantes legais ou ilegais que querem entrar na Europa.
Nas últimas
horas, segundo informaram as autoridades espanholas, cerca de 49.000 migrantes
entraram no enclave de Ceuta em apenas 24 horas, a nado ou saltando vedações, havendo já
o registo de 19 mortos. Este número de entradas representa um aumento de quase
50% na população da cidade que tem 83.600 habitantes, resultando numa pressão
insustentável sobre alojamentos e alimentos, vendo-se muitas centenas de jovens
migrantes a dormir nas ruas, enquanto mais migrantes continuam a entrar no
território.
O jornal ABC diz hoje que Ceuta foi
“invadida”, mas toda a imprensa espanhola se mostrou alarmada. E tem boas
razões de alarme, porque se trata uma de violação da integridade territorial da Espanha e do espaço comunitário, que não tem ar de ser espontânea e terá sido "organizada" pelo governo marroquino. Esta situação vem provar quão irresponsáveis e
incompetentes são os líderes europeus que continuam a assustar-nos com a ameaça
russa e que não sabem o que são direitos humanos, nem que há outros tipos de ameaças ao nosso modo de vida e bem estar.
Como dizia o Velho do Restelo no
Canto IV d’Os Lusíadas, “deixas criar
às portas o inimigo, por ires buscar outro de tão longe”. Nem mais, nem menos.

