segunda-feira, 19 de junho de 2017

A enorme tragédia de Pedrógão Grande

Foi uma tragédia, das maiores que aconteceram em Portugal desde há muitos anos! Foi a brutalidade da perda de pelo menos 62 vidas em condições dramáticas, que deixaram o nosso país impressionado, comovido e de pesado luto, quando no passado sábado o fogo cercou aldeias e atravessou estradas, apanhando na sua fúria muita gente, sobretudo na estrada nacional A 236, onde pereceram 47 pessoas dentro ou junto dos seus automóveis.
Segundo tudo indica, o incêndio que deflagrou na região de Pedrógão Grande terá sido causado por uma trovoada seca, provavelmente com vários focos, tendo sido muito rápida a propagação do fogo. Para isso terão contribuido as altas temperaturas, o aparecimento de vento forte e desencontrado, o elevado estado de secura da floresta, a orografia do terreno com ravinas e desfiladeiros muito acentuados, para além dos problemas existenciais do nosso ordenamento florestal e da falta de limpeza da floresta. Para quem conhece o nosso país e o percorre de automóvel, sobretudo no centro do país onde predominam grandes manchas florestais, este quadro nem é surpreendente.
Agora, é uma hora de profunda dor e não é altura para apontar o dedo a eventuais responsáveis, nem para louvar quem o possa merecer, mas é tempo para uma reflexão sobre as razões de tudo isto, desta crueldade que é a perda de tantas vidas nestas circunstâncias. Porquê, pergunta o Público. Agora, como referiu o Presidente da República, há que reforçar a nossa solidariedade para com os que sofreram ou sofrem e unirmo-nos “todos como um só”.
O dramatismo deste incêndio teve grande repercussão na imprensa internacional e encheu as primeiras páginas de jornais estrangeiros, sobretudo espanhóis, tendo gerado a solidariedade de vários países que de imediato decidiram ajudar com meios aéreos e bombeiros.
A tragédia de Pedrógão Grande não nos sairá da memória.