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segunda-feira, 25 de maio de 2026

A maturidade democrática de Cabo Verde

A República de Cabo Verde, ou simplesmente Cabo Verde, é um país constituído por dez ilhas, divididas entre o grupo de Barlavento e o grupo de Sotavento e com a sua capital na cidade da Praia, na ilha de Santiago. 
Cabo Verde tem um pouco mais de 500 mil habitantes, mas haverá mais caboverdianos em Portugal, em França e nos Estados Unidos, do que no próprio país. Independente desde 1975, é uma democracia estável em que existe paz social e uma verdadeira alternância do poder.
No passado dia 17 de maio realizaram-se eleições legislativas para escolher os seus 72 deputados. Havia 414.088 eleitores inscritos e entraram nas urnas 192.746 votos, isto é, o país também sofre da "abstencionite", embora o fenómeno da emigração caboverdiana justifique uma boa parte dessa elevada abstenção.
Apresentaram-se ao sufrágio cinco partidos, com destaque para o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) de Francisco Carvalho que conseguiu eleger 36 deputados e para o Movimento para a Democracia (MpD) de Ulisses Correia e Silva, que conseguiu 32 deputados. Estes partidos inverteram posições: o PAICV ganhou 6 lugares e ficou com a maioria absoluta, enquanto o MpD perdeu 6 deputados e vai perder o atual 1º ministro Ulisses Correia e Silva, que vai ceder o cargo a Francisco Carvalho. Tudo com exemplar normalidade democrática e, assim, Cabo Verde avança.
Também concorreram às eleições a União Caboverdiana Independente e Democrática (UCID) que elegeu 2 deputados, o Partido de Trabalho e Solidariedade (PTS) e o Partido Social Democrata (PSD) que não elegeram quaisquer deputados.
O que aqui se regista com agrado é a exemplar maturidade democrática de Cabo Verde, que a edição do semanário Expresso das Ilhas acentua e, porque aí vem o Mundial de Futebol, aqui se deseja que a equipa de Cabo Verde tenha muito sucesso para alegria de caboverdianos e de portugueses.

terça-feira, 31 de março de 2026

Portugal e Cabo Verde unidos e fraternos

A última edição do semanário Expresso das Ilhas que se publica na cidade da Praia, inclui uma desenvolvida reportagem sobre o primeiro transplante renal realizado em Cabo Verde, que “foi um sucesso”. É um marco histórico na medicina em Cabo Verde que aconteceu no dia 24 de março no Hospital Universitário Agostinho Neto e, segundo a equipa médica, tanto a dadora como o receptor que são irmãos, estão a recuperar bem da intervenção. A intervenção durou cerca de três horas e contou com uma equipa de cerca de 30 pessoas cabo-verdianas e portuguesas, chefiada pelo cirurgião português António Norton de Matos que, há 43 anos, realizou o primeiro transplante renal na cidade do Porto.
Evandro Monteiro, o gestor do Hospital Universitário Agostinho Neto, reconheceu o mérito da parceria estabelecida entre Cabo Verde e Portugal nesta matéria, com  o empenho da equipa cabo-verdiana e da equipa portuguesa, “sobretudo do Hospital de Santo António, no Porto, que estiveram directamente envolvidos no processo de preparação e realização do transplante” e afirmou que “é para continuar”.
A mesma edição do Expresso das Ilhas noticia, também em primeira página, que o jornal assegura a distribuição em exclusivo em Cabo Verde de uma edição especial de “Os Lusíadas”, no âmbito das comemorações do V Centenário de Luís de Camões. Essa edição será publicada em fascículos a serem distribuídos na última edição do jornal de cada mês, durante dez meses.
Esta edição mostra que, tanto no plano da cooperação médico-cientifica, como nas vertentes culturais, é realmente enorme a proximidade (e a fraternidade) entre Portugal e Cabo Verde e que não passa apenas pela emoção da morna, ou a da gula pela cachupa.

terça-feira, 24 de março de 2026

Angola evoca a batalha de Cuito Cuanavale

Ontem, dia 23 de março, celebrou-se o Dia da Libertação da África Austral, uma data que está associada à histórica batalha do Cuito Cuanavale, considerada um marco decisivo na luta contra o regime sul-africano do apartheid, na consolidação da independência da Namíbia e até na libertação de Nelson Mandela.
Desde que se tornou independente em 1975 que Angola viveu em guerra civil, sobretudo entre as forças do exército angolano (FAPLA) e as tropas da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que ocupava o sudoeste de Angola e tinha a sua base na Jamba do Cuando. Em 1987 o governo angolano decidiu retomar o controlo dessa região e, entre os dias 15 de novembro de 1987 e 23 de março de 1988, ocorreu uma grande batalha na extinta província angolana do Cuando-Cubango que opôs as FAPLA e as tropas cubanas às tropas do exército sul-africano e da UNITA, sendo considerada uma das maiores batalhas no terreno do século XX. Foi uma dura e prolongada batalha com o envolvimento de milhares de soldados angolanos, cubanos, sul-africanos, namibianos e outros, com trincheiras, barricadas, artilharia, carros de combate e helicópteros. O sucesso militar foi reclamado por ambos os contendores, mas o facto é que os angolanos conseguiram expulsar os sul-africanos do seu território.
Em dezembro de 1988 o MPLA e a UNITA assinaram um acordo em Nova Iorque que levou à possibilidade da implementação da Resolução 435/78 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A batalha de Cuito Cuanavale foi o maior confronto militar da guerra civil angolana e alterou profundamente o panorama político e o futuro da África Austral. Na sua edição de ontem o Jornal de Angola recordou essa página da história de Angola.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Viva o povo e a democracia de Cabo Verde

A República de Cabo Verde celebrou no passado dia 13 de janeiro o Dia da Liberdade e Democracia, assinalando o 35º aniversário das primeiras eleições multipartidárias realizadas no país, que representaram o fim do regime de partido único e o início do Estado de Direito Democrático. O semanário Expresso das Ilhas, que se publica na cidade da Praia, assinalou a efeméride com uma edição especial.
O dia maior do país é, certamente, o dia 5 de julho de 1975, data em que foi proclamada a independência nacional depois de um processo de negociação entre o governo português e o PAIGC, que resultou da guerra travada no território da Guiné-Bissau e da revolução portuguesa de 25 de Abril de 1974. Porém, o dia 13 de janeiro de 1991 também é considerado um marco histórico na vida do país porque os caboverdianos votaram livremente pela primeira vez e terminaram com o mito da unidade Guiné - Cabo Verde, criado no tempo colonial, bem como com a transformação local do PAIGC em PAICV. Depois, no dia 25 de setembro de 1992, entrou em vigor a nova Constituição da República e essas três datas de 1975, de 1991 e de 1992, são as mais importantes para o povo caboverdiano.
Nas celebrações realizadas este ano destacou-se a inauguração do Monumento da Liberdade e Democracia, reproduzido na capa do Expresso das Ilhas, bem como a realização de muitas outras actividades desportivas e culturais, com destaque para o Festival Liberdade & Democracia, na Achada Grande Frente, na cidade da Praia.
Não há países nem sociedades perfeitas, mas Cabo Verde aproxima-se muito dessa condição, sendo um modelo de harmonia política e cultural, o que naturalmente é um motivo de orgulho para os portugueses, sobretudo os que conhecem o país e não dispensam uma boa cachupa, nem uma morna na voz de Cesárea Évora ou das vozes que a seguiram. E para coroar a exemplaridade caboverdiana, a sua selecção vai estar presente no Campeonato do Mundo de Futebol que se vai realizar este ano.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Angola celebrou 50 anos de independência

A República de Angola e os angolanos festejaram hoje com grande alegria o 50º aniversário da independência nacional e, por razões históricas e culturais, esse acontecimento também foi evocado com alegria em Portugal, como se observou na imprensa portuguesa que evocou a independência angolana, mas também em vários espaços das cadeias televisivas que mostraram os desfiles cívico e militar com que Luanda festejou o acontecimento. De resto, calcula-se que haverá cerca de 100 mil portugueses em Angola, sobretudo empresários, enquanto estão recenseados mais de 92 mil angolanos em Portugal, o que mostra claramente uma íntima relação entre os dois países que vai para além do interesse económico.
Angola é um grande país de 32 milhões de habitantes, sendo o sétimo maior de África e o vigésimo segundo do mundo, estando a assumir cada vez mais o estatuto de potência regional no sul do continente africano e no Atlântico Sul. Porém, ninguém esquece que o país viveu 27 dos seus 50 anos de independência em guerra civil, com muitas mortes e muita destruição, mas os tempos de paz e de reconciliação que os angolanos vivem desde 2002 têm trazido progressos assinaláveis. O presidente João Lourenço falou aos angolanos e disse, num exercício de retórica adequado à efeméride que se celebrava, que “em 50 anos fizemos mais que o regime colonial português em 500 anos”, mas também salientou que estão a ser dados “passos firmes para romper o ciclo de subdesenvolvimento” do país.
É isso exactamente o que se deseja para os angolanos, a partir do estimulante sinal de confiança no futuro que representou a festa dos 50 anos da independência de Angola.

sábado, 18 de outubro de 2025

A reconciliação nacional em Angola

Aproxima-se a data em que a República de Angola celebra os 50 anos da sua independência, que aconteceu depois de cerca de 13 anos de luta de libertação nacional contra o colonialismo português, na qual os movimentos que combateram as tropas portuguesas eram o MPLA dirigido por Agostinho Neto, a FNLA dirigida por Holden Roberto e a UNITA dirigida por Jonas Savimbi.
Estes três movimentos tinham origens diferentes e eram rivais, não tinham implantação nacional e tinham ideários e apoios internacionais distintos, pelo que algumas vezes se combateram entre si, o que acabou por auxiliar indirectamente as tropas portugueses. Porém, como se verificou com o movimento do 25 de Abril, o problema de Angola era político e não militar, pelo que em face da pressão interna e internacional, o Estado Português se limitou a reconhecer o direito à autodeterminação e independência de Angola. Porém, durante o período de transição da soberania, os três movimentos de libertação combateram-se intensamente, mas foi possível chegar aos Acordos do Alvor assinados no dia 28 de Janeiro de 1975 entre o Estado Português e os três movimentos de libertação, em que era aceite que o governo de Angola seria exercido por um Alto-comissário português em conjunto com representantes de cada movimento. As rivalidades acentuaram-se e à guerra de libertação nacional, sucedeu-se a guerra civil que durou até 2002 e terminou com a vitória do MPLA. Os derrotados foram proscritos mas, lentamente, tanto a FNLA como a UNITA foram integrados na democracia angolana.
Com a aproximação da festa dos 50 anos da independência e de acordo com o jornal O País, o presidente João Lourenço decidiu condecorar a título póstumo os homens que assinaram os Acordos do Alvor, num gesto de reconciliação nacional que vence muitos tabus da história recente de Angola e está em linha com a verdade histórica.
O progresso e o futuro dos 35 milhões de angolanos também passa por este tipo de medidas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Cabo Verde está no FIFA World Cup 2026

A República de Cabo Verde, ou simplesmente Cabo Verde, tem o seu território com cerca de quatro mil quilómetros quadrados de superfície repartido por dez ilhas atlânticas e nele vivem cerca de 500 mil pessoas, embora outras tantas vivam em comunidades fora do país, sobretudo Portugal, Estados Unidos, França, Holanda, Luxemburgo, Angola e Senegal.
Diz-se que os brasileiros são nossos irmãos e que os espanhóis são nuestros hermanos, mas nessa perspectiva os cabo-verdianos são mais do que isso porque, como alguém classificou, eles são os portugueses dos trópicos.
Independente desde 1975 depois de seis séculos de história em comum, a pátria de Amílcar Cabral, Cesárea Évora, Corsino Fortes, Germano de Almeida, Pedro Pires e Tito Paris, mas de tantos outros ilustres cabo-verdianos, tem-se afirmado como um dos mais estáveis países do continente africano. Do ponto de vista cultural, o país que o mundo conhece pela sua musicalidade, é uma conjugação harmoniosa de elementos europeus e africanos, incluindo a língua portuguesa, as práticas religiosas, o estilo de vida, a música, a gastronomia e… o futebol.
E o futebol está na ordem do dia. Na passada segunda-feira a selecção cabo-verdiana de futebol venceu por 3-0 a selecção de Essuatíni (antiga Suazilândia) e garantiu a presença no Mundial de Futebol de 2026. O entusiasmo foi enorme, como se viu nas imagens televisivas, mas o semanário Expresso das Ilhas saudou especialmente este “sonho” que une as dez ilhas cabo-verdianas.
Quando, no dia 11 de Junho de 2026, começar o FIFA World Cup 2026, que pela primeira vez incluirá 48 equipas e se disputará no Canadá, Estados Unidos e México, aqui em Portugal não faltarão adeptos à selecção de Cabo Verde. 
Bravo!

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Angola quer atrair turismo internacional

Depois de muitos anos de guerra intensa, parece que Angola está a seguir um firme rumo de progresso económico e social, embora essas situações não sejam lineares e, por vezes, conduzam a maiores desequilíbrios do que seria desejável. Daí tem resultado um crescente prestígio internacional do estado de Angola, reconhecível na diplomacia, no desporto e na cultura, mas também uma evidente procura de novos eixos de desenvolvimento em sectores económicos, como por exemplo o turismo.
Nesse sentido, a recente realização da Bolsa Internacional do Turismo em Angola, a BITUR 2025, constituiu uma oportunidade para o governo anunciar que o turismo é uma área estratégica para o desenvolvimento angolano, que está aberto a essa realidade e que conta com os operadores turísticos para melhorar e fortalecer este sector da economia nacional. O representante governamental presente na BITUR 2025 anunciou algumas medidas para intensificar a formação profissional nos sectores turístico e hoteleiro, pediu que fossem identificadas áreas atractivas para o turismo e que fossem criados roteiros turísticos inovadores, em linha com a procura internacional. Apelou, ainda, à divulgação do grande potencial turístico de Angola e pediu que as necessidades do sector fossem apresentadas ao governo.
A edição de hoje do jornal O País destacou o discurso governamental sobre o turismo e ilustrou a sua primeira página com um dos maiores ex-libris do turismo angolano: as quedas de Calandula, situadas na província de Malange e no leito rio Lucala, que é afluente do rio Quanza. São as maiores quedas de água de África com 410 metros de comprimento e 105 metros de altura e, até 1975, eram conhecidas como as Quedas do Duque de Bragança. Localizam-se a 420 km de Luanda...

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Desigualdade social e pobreza em Angola

Por razões históricas, culturais e emocionais, Angola é um país irmão de Portugal. O traço mais evidente desta relação fraterna é a língua portuguesa, que faz com que o que se passa em Portugal interesse aos angolanos, da mesma forma que o que se passa em Angola interessa aos portugueses.
É por isso que a notícia revelada pelo jornal O País na sua edição de hoje, na qual informa que nas províncias de Luanda, Huíla, Huambo e Ícolo e Bengo houve “arruaças e vandalismo com saldo de 22 mortes, 197 feridos e 1.214 detidos”, desperta a atenção dos portugueses e, naturalmente, gera muita preocupação.
Desde o início de Julho que se vinham realizando acções de protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis e dos transportes, uma medida de política económica com que o governo de Angola pretende reduzir os subsídios a esses bens e serviços, com vista à estabilização das suas finanças públicas.
Na sequência de uma paralisação convocada pela Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA) para a passada segunda-feira como protesto contra esses aumentos, que teve o apoio das populações, surgiram desacatos, tumultos e pilhagens, por vezes muito violentos, em várias províncias de Angola. A Polícia Nacional de Angola interveio para conter esses desacatos e foi acusada de recorrer ao uso excessivo e desproporcionado da força, inclusivamente por balear alguns manifestantes.
O que se espera é que a paz social regresse rapidamente às cidades angolanas e que as autoridades adoptem políticas que contribuam para a redução da pobreza e para a diminuição das profundas desigualdades sociais angolanas, que são sempre focos de muita tensão e até podem afectar a coesão nacional.

sábado, 5 de julho de 2025

Viva a independência de Cabo Verde

A República de Cabo Verde celebra hoje 50 anos de independência e está anunciada uma grande celebração oficial que conta com a presença de quatro chefes de Estado, entre os quais Marcelo Rebelo de Sousa. Aqui, também saudamos essa efeméride e associamo-nos ao semanário Nação que se publica na Cidade da Praia.
O país consta de um arquipélago de dez ilhas com uma superfície total de cerca de 4.033 km2, que fica situado na costa ocidental africana na latitude do Senegal. Descoberto pelos navegadores portugueses e colonizado desde meados do século XV, o arquipélago esteve sob soberania portuguesa até à proclamação da sua independência no dia 5 de Julho de 1975. A reivindicação independentista foi dirigida por Amílcar Cabral e pelo PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), embora só tivesse tido expressão armada na Guiné. Porém, o sentido descolonizador do movimento do 25 de Abril em Portugal e os princípios da Carta das Nações Unidas, levaram a que, através do Acordo de Argel de 26 de Agosto de 1974, o governo português tivesse reconhecido formalmente "o direito do povo de Cabo Verde à autodeterminação e independência".
Desde então, a República de Cabo Verde afirmou-se na cena internacional como um exemplo no contexto dos países africanos, com uma população instruída e com bons índices de desenvolvimento económico e social. O sentimento nacional é grande entre a população e “não há saudades do tempo colonial”, embora Portugal seja uma referência permanente para os cabo-verdianos, pela língua, pelas tradições culturais, pela memória histórica, pelos seus emigrantes que vivem em Portugal e pelo entusiasmo com o futebol, mas também por coisas que os portugueses muito apreciam como as mornas e coladeiras e por essa maravilha gastronómica que é a cachupa.
O país de Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Pedro Pires, Cesária Évora, Germano de Almeida, Corsino Fortes, Titina, Bana, B Leza, Tito Paris e tantas outras ilustres personalidades, é um grande país. E aqui neste velho Portugal, onde gostamos de chamar “nuestros hermanos” aos espanhõis e irmãos aos brasileiros, o que haveremos de chamar às gentes de Cabo Verde, que nos estão tão próximas histórica e culturalmente e que aprenderam connosco a dizer sodade?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Tempos muito difíceis para Moçambique!

Moçambique é um país da costa oriental africana com fortes relações históricas e emocionais com Portugal, sendo governado pela Frelimo desde que o país conquistou a sua independência em 1975, mas o que se passa em Moçambique interessa aos portugueses no plano simbólico e no campo dos afectos.
No passado dia 9 de Outubro de 2024 realizaram-se as eleições presidenciais, em simultâneo com a eleição dos 250 deputados para a Assembleia da República e com a eleição dos membros das dez assembleias provinciais. No dia 16 de Outubro os relatórios preliminares mostravam que Daniel Chapo, um professor de Direito que foi o candidato da Frelimo, liderava a contagem dos votos. No dia 24, a Comissão Nacional de Eleições anunciou que Chapo vencera as eleições com 71% dos votos, que ganhara todas as eleições provinciais e que conquistara 195 dos 250 lugares de deputados. Vivendo o país em crise económica e com o desgaste de quase meio século de poder da Frelimo, aqueles resultados foram de imediato contestados pelo Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos) e pelo seu líder Venâncio Mondlane, que afirmaram que houve fraude eleitoral. 
Mondlane declarou-se vencedor e, poucos dias depois, eclodiram tumultos e muita violência por todo o território moçambicano, contestando os resultados eleitorais. Os confrontos entre a polícia e os manifestantes já provocaram quase três centenas de mortos e mais de cinco mil pessoas baleadas, segundo foi divulgado por diversas organizações não governamentais.
Apesar da contestação, Daniel Chapo foi investido como presidente de Moçambique no dia 15 de Janeiro, conforme noticiou o jornal O País que se publica no Maputo.
Porém, Mondlane não desiste e tem convocado manifestações em que a palavra de ordem é “matar um polícia por cada manifestante morto”, ou “dente por dente, olho por olho”, significando a vontade de continuar a contestação com violência e vingança.
Tempos muito difíceis para Moçambique!

domingo, 5 de janeiro de 2025

Baixa do Cassange: massacre há 64 anos

O dia 4 de Janeiro é o Dia dos Mártires da Repressão Colonial em Angola e, na sua edição de ontem, o Jornal de Angola prestou tributo às vítimas dos acontecimentos que ficaram registados na história como o “massacre da Baixa do Cassange”.
Aconteceu que nos primeiros dias do ano de 1961 os trabalhadores agrícolas das plantações algodoeiras da Companhia Geral de Algodões de Angola (Cotonang), uma sociedade luso-belga com actividade na Baixa do Cassange, um território localizado entre os distritos de Malange e da Lunda-Norte, decidiram protestar contra as suas condições de trabalho, armaram-se de catanas e canhangulos e desafiaram as autoridades portuguesas, destruindo plantações, casas e pontes. A reacção dos colonos portugueses foi violenta e teve apoio militar, designadamente da Força Aérea Portuguesa, que bombardeou a região e provocou baixas entre os manifestantes.
Controlada pela censura, a imprensa portuguesa da época não noticiou estes acontecimentos, mas houve quem tivesse estudado o assunto e publicado (Revista Militar, nº 2517, Outubro, 2011). Esse estudo conclui que “teria havido entre duzentas e trezentas mortes entre os revoltosos, muitos das quais poderiam ter sido evitadas se não fosse a histeria inicial de que estavam imbuídos e cerca de uma centena de feridos, tratados no Hospital de Malange”.
Porém, o MPLA tem aproveitado estes acontecimentos para condenar o regime colonial, para justificar a sua luta de libertação e para fortalecer a unidade nacional do país. Assim, instituíu o Dia dos Mártires da Repressão Colonial, afirmando que “o heróico feito de 4 de janeiro de 1961 deve ser transformado em fonte de inspiração para todos os cidadãos, de Cabinda ao Cunene” e considerando que “o exército colonial matou milhares de camponeses”. Porém, parece que em boa verdade, o condenável massacre colonial da Baixa do Cassange, que aconteceu há 64 anos, atingiu algumas centenas e não milhares de trabalhadores.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Angola celebrou 49 anos de independência

No dia 11 de Novembro de 2024 a República Popular de Angola celebrou o 49º aniversário da sua independência e o Jornal de Angola deu o devido destaque a essa efeméride, numa altura em que o país vive um período de grande estabilidade política, dinamismo económico e afirmação internacional.
A luta armada pela independência de Angola teve início em 1961 com o assalto às cadeias de Luanda (4 de Fevereiro) e o ataque às fazendas do norte, onde foram mortas centenas de pessoas (15 de Março). Depois de alguma hesitação, no dia 13 de Abril, surgiu a famosa declaração de Salazar: 
“Para Angola, rapidamente e em força”. 
Começava a guerra entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças nacionalistas da UPA, do MPLA e, mais tarde, da UNITA, que alastrou do Norte para o Leste do território angolano e se prolongou até 1974. Não há unanimidade quanto à avaliação do estado da guerra em Angola em 1974, pois há quem defenda que Portugal controlava militarmente a situação e que os movimentos de libertação estavam a perder em todas as frentes, numa altura em que Angola vivia um tempo de progresso e prosperidade, mas também há quem sustente que o isolamento internacional de Portugal estava a levá-lo à derrota militar. 
Com o 25 de Abril, iniciou-se um complexo processo de descolonização, fortemente condicionado pela existência de três movimentos de libertação com ideários e apoios internacionais diferentes. A independència veio a ser proclamada pela voz de Agostinho Neto ao princípio da noite de 11 de Novembro de 1975. Foi há 49 anos. Seguiram-se tempos muito difíceis, mas o povo angolano ultrapassou todas as adversidades e tem vindo a construir um grande país que os portugueses admiram.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Contestação e violência em Moçambique

As eleições gerais moçambicanas foram realizadas no passado dia 9 de Outubro, com o propósito de eleger o novo Presidente da República, os 250 deputados da Assembleia da República e os membros das dez assembleias provinciais. Alguns dias depois, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou que Daniel Chapo, o candidato do partido Frelimo que está no poder, tinha vencido as eleições com 71% dos votos e que o partido conquistara 195 dos 250 assentos parlamentares. A CNE informou, também, que o Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos) conquistara 31 assentos e que a Renamo conquistara 20 assentos parlamentares.
O Podemos contestou estes resultados com base na sua própria contagem de votos e reivindicou que o seu candidato Venâncio Mondlane vencera a corrida presidencial com 53% dos votos e que o partido conquistara 138 assentos parlamentares, ameaçando lançar uma greve e uma contestação nacional se a Frelimo fosse declarada vencedora. De facto, a oposição conseguiu mobilizar a população um pouco por todo o território nacional num movimento de contestação dos resultados eleitorais e, no dia 28 de Outubro, Venâncio Mondlane apelou à formação de um governo de unidade nacional em que participassem todos os partidos da oposição, para formar uma frente unida contra a Frelimo. Entretanto, aconteceram assassinatos, há violência nas ruas da capital, distúrbios em várias cidades, estão contabilizadas mais de três dezenas de mortos e muitos reclamam a “reposição da verdade eleitoral”. Há dois dias, o jornal O País informava que “manifestantes assaltam o centro de Maputo”, enquanto o semanário Savana, que é crítico da Frelimo, escolheu como título “Guerrilha urbana”, parecendo mais uma sugestão ou um apelo aos manifestantes do que uma notícia.
A realidade é que a situação é grave e que aqui esperamos que a razão e a pacificação cheguem depressa a Moçambique.

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

O centenário de Amílcar Cabral

A edição de ontem do semanário caboverdiano Expresso das Ilhas dedica a sua manchete a Amílcar Cabral, seguramente a personalidade maior de Cabo Verde, que hoje completaria 100 anos de idade.
Nascido em Bafatá (Guiné-Bissau) no dia 12 de setembro de 1924, veio a ser assassinado no dia 20 de janeiro de 1973 em Conacri (República da Guiné), quando tinha apenas 48 anos de idade e era a principal figura da luta pela independência das colónias portuguesas, mas também um respeitado líder anticolonialista mundial.
Em 1945 rumou a Lisboa onde frequentou o Instituto Superior de Agronomia, cujo curso concluiu com sucesso em 1950, mas nesse período envolveu-se em actividades políticas contra o regime de Salazar, sobretudo no âmbito da Casa dos Estudantes do Império, daí nascendo a sua adesão aos movimentos de libertação colonial, aparecidos depois da 2ª Guerra Mundial e acelerados com a conferência de Bandung. Em 1956, na cidade de Bissau, fundou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que dirigiu até à sua morte, acontecida em circunstâncias trágicas, quando “a independência estava ao virar da esquina”.
Durante a luta armada contra a presença portuguesa na Guiné iniciada em 1963, o PAIGC de Amílcar Cabral ameaçou seriamente as tropas coloniais com uma derrota militar, mas muitas vezes afirmou que a sua luta era contra o colonialismo e não contra o povo português e, várias vezes também, propôs negociações com as autoridades portuguesas para acabar com a guerra, mas a intransigência marcelista e o seu regime recusaram essa hipótese.
O insuspeito professor Adriano Moreira escreveu que “talvez Cabral tenha sido o mais lusotropicalista dos chefes do movimento revolucionário, com um notável uso da língua portuguesa, e uma invocação constante dos valores que são os da Carta da ONU”. Apesar de ter estado na Guiné do outro lado da luta armada, aqui presto a minha homenagem a Amílcar Cabral.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Cabo Verde brilha nos jogos de Paris 2024

A competição olímpica dá visibilidade a cada um dos países participantes e, para os mais pequenos, é um factor de afirmação da identidade nacional e de prestígio internacional, mas também um sinal de resistência aos atropelos por que vai passando o ideal olímpico. A maioria desses países participa nas Olimpíadas apenas pela vontade de se mostrar ao mundo e sem que os resultados desportivos ou as medalhas sejam o seu objectivo principal, isto é, segue o lema do Barão Pierre de Coubertin - “O importante não é vencer mas competir… com dignidade".
Porém, por vezes acontecem excepções, como aconteceu agora em Paris com a participação do atleta cabo-verdiano David de Pina, que se tornou o primeiro atleta do seu país a ganhar uma medalha olímpica. Aconteceu no boxe na categoria de menos de 51 kilos, em que venceu um tailandês e um zambiano, mas perdeu nas meias-finais com um uzbeque que fora campeão olímpico em 2016. Ficou com a medalha de bronze e tornou-se o primeiro medalhado cabo-verdiano em Jogos Olímpicos.
David de Pina vive em Portugal desde há vários anos e, há poucos meses, viu-se forçado a deixar de treinar para trabalhar na construção civil, “porque a bolsa que recebe todos os meses é insuficiente para ser atleta e sustentar a família”. Voltou a dedicar-se ao boxe a tempo de competir em Paris e protagonizar este “feito histórico”, fruto de “muito trabalho, dedicação e sacrifício”, como se lhe referiu a Embaixada de Cabo Verde em Portugal. 
O semanário Expresso das Ilhas, que se publica na cidade da Praia, dedicou-lhe a sua primeira página na edição de hoje e, porque “a nação cabo-verdiana está em festa”, a Embaixada de Cabo Verde em Portugal “convida todos os cabo-verdianos a acolher o jovem herói cabo-verdiano David de Pina no aeroporto de Lisboa no dia 12 de Agosto, pelas 22:30, com ‘a morabeza de sempre’ dos cabo-verdianos.
Um grande aplauso para David de Pina.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Angola e Portugal em onda de cooperação

A edição de hoje do Jornal de Angola destaca a visita do primeiro-ministro português a esse grande país a que nos ligam demasiadas memórias históricas e em cujo mercado actuam mil empresas portuguesas. As relações entre Portugal e Angola, mas também entre todos os nove países da CPLP, são muito importantes porque assentam num íntimo conhecimento histórico, em afinidades culturais e numa língua comum.
No Livro do Desassossego, que é considerado pela crítica como uma obra-prima ou uma verdadeira obra de arte da literatura portuguesa, “composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, por Fernando Pessoa”, publicado pela primeira vez em 1982, quase meio século após a sua morte acontecida em Lisboa no dia 30 de novembro de 1935, o poeta escreveu:
“Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa”.
Essa frase escrita há quase cem anos é uma âncora emocional para milhões de pessoas que se exprimem em português. Durante os séculos da sua expansão marítima os portugueses fixaram-se em muitas das terras que encontraram em todos os continentes e, desse processo histórico muito complexo e nem sempre respeitador das culturas locais, resultaram algumas fricções mas também um rico processo de aculturação, cujo principal vector foi a língua portuguesa. Com o movimento do 25 de Abril de 1974, foram criadas as condições de pacificação, de cooperação e de solidariedade entre Portugal e os países nascidos da sua era colonial, com base nas suas relações históricas e na língua comum.  Actualmente, segundo anuncia o Instituto Camões, cerca de 260 milhões de pessoas falam o português, que é a quarta língua materna mais falada do mundo, depois do mandarim, do inglês e do espanhol, enquanto nove países da CPLP e Macau têm o português como língua oficial.
A visita a Angola de Luís Montenegro é um passo dado no sentido certo e estimula a necessária onda de cooperação entre os dois países.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

A enorme força dos festivais da Lusofonia

O jornal Correio da Manhã-Canadá que se classifica como “o melhor jornal em língua portuguesa do Canadá”, aparece semanalmente em Brampton, uma comunidade localizada na área metropolitana de Toronto. Na sua última edição, o jornal anuncia que é “já este fim-de-semana” que se inicia o 5º Lusofonia Festival e, ao mesmo tempo, convida cada um dos seus leitores para que “celebre connosco os 50 anos da cidade de Brampton e o Dia de Portugal”. A notícia é ilustrada com o logotipo do 5º Lusofonia Festival, onde se reconhecem as bandeiras dos nove países da CPLP e, também, a bandeira da Região Administrativa Especial de Macau.
A questão da Lusofonia é muito falada em Portugal, mas quase sempre com um conteúdo demasiado retórico e inconsequente. Por outro lado, em muitas das comunidades da diáspora, a Lusofonia é celebrada com orgulho e junta todos aqueles que falam português, com as suas músicas, as suas gastronomias, o seu folclore e artesanato, as suas festividades religiosas e as suas práticas culturais. Assim acontece no Canadá e nos Estados Unidos, na África do Sul e em Macau, mas também em outras comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo e em especial na Europa.
Segundo os seus organizadores esta sequência de eventos na cidade canadiana de Bampton ”celebra a diversidade, fortalece laços económicos e sociais e promove a inclusão”, enriquecendo a comunidade lusófona. Aqueles que vivem ou viveram fora do território nacional envolvem-se com maior entusiasmo nas festividades lusófonas, atenuando as "saudades do fado e do bacalhau", mas evocando também as memórias mais profundas das suas origens. O facto é que estas iniciativas da sociedade civil, designadamente na diáspora, fazem mais pela língua portuguesa do que as conferências, os simpósios e os colóquios que as instituições públicas promovem, muitas vezes com elevados custos para o erário público.

sábado, 27 de abril de 2024

25 de Abril: património comum do PALOP

As comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, numa feliz iniciativa do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, trouxeram a Lisboa os presidentes das Repúblicas de Angola, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique, de S. Tomé e Príncipe e de Timor Leste, apenas faltando o presidente Lula da Silva que se fez representar pelo seu Ministro dos Negócios Estrangeiros.
A par das grandes manifestações populares realizadas por todo o país e das habituais cerimónias promovidas na Assembleia da República, a sessão realizada no Centro Cultural de Belém em que participaram aqueles sete presidentes de países de língua oficial portuguesa, foi um marco relevante nas comemorações, mas tammbém no futuro da CPLP. Foram sete discursos de grande importância histórica e política, que condenaram o colonialismo salazarista e a guerra colonial, que elogiaram a liberdade reconquistada pelo 25 de Abril e a abertura de negociações para a paz, mas que reforçaram os sentimentos de amizade e de cooperação entre os países de língua oficial portuguesa. Como refere o Jornal de Angola e foi salientado por João Lourenço, o presidente da República Popular de Angola, “a nossa causa era a mesma que a do povo português”. O 25 de Abril foi, portanto, um movimento que libertou o povo português de uma ditadura cruel e retrógrada, mas também se pode afirmar que resgatou os povos colonizados e muitos dos excessos do colonialismo português.
Não é frequente que os presidentes dos países que têm a língua portuguesa como língua oficial se encontrem pessoalmente e, por isso, este encontro proporcionado pelas comemorações do 25 de Abril foi um ponto alto, que demonstra como aquele movimento libertador é um património comum que foi incorporado na história das antigas colónias portuguesas.

domingo, 10 de março de 2024

A comunidade cabo-verdiana e as eleições

Estão a decorrer hoje em Portugal as eleições para a Assembleia da República e, logo de manhã, eu cumpri o meu dever cívico e exerci o meu direito de votar.
A campanha eleitoral foi muito longa e a “caça ao voto” foi muito intensa, com muitas promessas, demasiado irrealismo, muita demagogia e alguma promiscuidade na comunicação social que, demasiadas vezes, manipula o eleitorado através da divulgação de sondagens e de comentários que sendo alinhados partidariamente, são publicitados como se fossem independentes. Não houve um verdadeiro esclarecimento do eleitorado e, por isso, os eleitores votam mais com a emoção e menos com a razão.
O eleitorado português é uma espécie de caleidoscópio com residentes de múltiplas origens, com nacionalidade portuguesa ou com dupla nacionalidade, mas também com não residentes, sobretudo as gentes da diáspora. Por isso, as eleições portuguesas interessam a muita gente, dentro e fora do território nacional.
Acontece que, por razões históricas, sociológicas e emocionais, existe em Portugal uma importante comunidade de origem cabo-verdiana que tem direito a voto e vota. As suas escolhas são certamente semelhantes às dos outros eleitores, mas a comunidade tem aspirações próprias, como revela o jornal cabo-verdiano A Nação, que é um diário que se publica na cidade da Praia desde 2007 e que, para além da sua edição impressa, pode ser assinado online. Na sua primeira página, o jornal publica uma fotografia de uma manifestação realizada por uma associação cabo-verdiana em defesa de uma “vida justa”, contra o racismo e de alerta pela ”ameaça da extrema-direita”, informando sobre “a presença de filhos dos imigrantes em listas de partidos políticos” e revelando que existem muitas preocupações quanto ao possível “recuo nas conquistas dos últimos anos”. Sintetizando, as eleições portuguesas são importantes para os portugueses de Cabo Verde, onde quer que vivam.