terça-feira, 15 de setembro de 2026

Os BRICS afirmam-se como o Global South

No passado fim-de-semana realizou-se em Nova Delhi a 18ª Cimeira dos BRICS, uma organização intergovernamental criada pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a que se juntaram posteriormente o Egipto, Etiópia, Irão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Indonésia. 
O anfitrião da cimeira foi o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que recebeu Vladimir Putin, Xi Jinping e Cyril Ramaphosa, mas também Masoud Pezeshkian, presidente do Irão, Prabowo Subianto, o presidente da Indonésia, enquanto Lula da Silva se fez substituir pelo seu ministro das Relações Exteriores. 
Os BRICS representam cerca de 49% da população mundial e cerca de 41% do PIB mundial, controlando cerca de 26% do comércio global. Segundo relatou a imprensa, a cimeira de Nova Delhi foi marcada pelas guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, pelas crescentes tensões entre os Estados e a China, pela questão do petróleo e pela defesa de uma ordem internacional mais multipolar, baseada em regras e no diálogo, com mais equilíbrio e maior participação dos países em desenvolvimento. Os países que constituem os BRICS procuram uma nova ordem internacional, designadamente mais assentos no Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas também pretendem aumentar a sua influência no mundo e construir caminhos conjuntos de cooperação para enfrentar os desafios globais. 
O documento final, ou Declaração de Nova Delhi, inclui 140 pontos e foi assinado por unanimidade, pedindo a “máxima contenção” no Médio Oriente, manifestando forte oposição ao deslocamento forçado de palestinianos e afirmando a unidade do Global South, como mostra a capa do jornal indonésio The Jakarta Post. Quando onze países com regimes políticos, interesses económicos e visões geopolíticas tão diferentes, mostram esta unidade em torno da ideia do Global South e esta vontade de cooperar, é porque encontram um elemento comum que os une. Será a Europa, ou os Estados Unidos, ou apenas Donald Trump e a sua ambição de dominar o mundo?