sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Ambição marroquina sobre Ceuta e Melilla

O Reino de Espanha inclui no seu território as cidades de Ceuta e de Melilla, que se situam na costa norte de África e que estão encravadas entre o mar Mediterrâneo e o Reino de Marrocos. Distam entre si cerca de 225 quilómetros, têm áreas semelhantes da ordem da dezena e meia de quilómetros quadrados, têm ambas cerca de 80 mil habitantes e, desde 1995, têm o estatuto de cidades autónomas de Espanha, sendo as únicas fronteiras terrestres da União Europeia no continente africano.
Ceuta foi conquistada em 1415 pelo rei D. João I de Portugal e em 1640, depois da dissolução da União Ibérica, a cidade optou por ficar ligada a Espanha. Melilla foi ocupada em 1497 pelos exércitos dos Reis Católicos, durante o período da reconquista cristã, depois de já terem  expulso os marroquinos de Granada e da Andaluzia.
Quando o Reino de Marrocos se tornou independente em 1956, as duas cidades continuaram sob soberania espanhola, mas não demorou muito tempo para que Marrocos começasse a reclamar a sua soberania sobre os dois enclaves espanhóis com base em direitos históricos, mas o governo da Espanha tem recusado qualquer negociação e tem reafirmado que os territórios são intocáveis, o que gera alguma tensão entre os dois reinos.
A “invasão” de Ceuta ocorrida entre os dias 30 e 31 de julho de 2026, veio colocar o problema na ordem do dia, com um ministro marroquino a defender a “libertação” dos enclaves espanhóis numa cerimónia presidida pelo rei Mohamed VI, ao mesmo tempo que o governo espanhol endurecia o seu discurso com a ministra da Defesa a afirmar que as cidades autónomas “são Espanha” e são “intocáveis”. O assunto despertou o nacionalismo espanhol e têm sido realizadas muitas manifestações populares a defender a soberania espanhola sobre as duas cidades.
Hoje, a edição do jornal Melilla Hoy, anuncia que a cidade “se prepara para vivir un dia para la Historia: los Reyes Don Felipe y Doña Letizia visitarán la ciudad el 14 de octubre”.
Aí está como a Monarquia espanhola não hesita em tomar posição e dá o seu contributo para o reforço da unidade e da coesão espanholas, em tempos que podem ser complexos.

O turismo chinês em corrida para Macau

Quando em 1999 ocorreu a transferência da soberania de Macau de Portugal para a China, passaram a escutar-se com frequência alguns políticos portugueses a anunciar que Macau seria uma plataforma para potenciar as relações económicas e outras, entre Portugal e a China. Recentemente, aqui lamentamos que a China tenha escolhido a Espanha para construir várias fábricas de automóveis, ou seja, a teoria da plataforma parece que não tem funcionado.
Porém, à margem dessa conversa da plataforma, o facto é que quatro séculos e meio de permanência portuguesa em Macau deixaram muitos traços culturais na vida quotidiana e no património arquitectónico de Macau, com destaque para a existência de três jornais diários em português, um dos quais é o hojemacau, que foi fundado em 1990.
Há dois dias o jornal destacou a aproximação da Semana Dourada, que decorre de 1 a 7 de outubro e que é uma espécie de semana de férias chinesas, correspondente aos festejos dos feriados do Dia Nacional da China. De acordo com as autoridades macaenses prevê-se a entrada diária de 770 mil pessoas no território, com picos acima de 800 mil no sábado e no domingo, em que haverá fogo-de-artifício, espectáculos de drone e entradas gratuitas nos museus. Serão cerca de 5,4 milhões de passagens fronteiriças e entradas em Macau, uma região administrativa especial da República Popular da China que tem uma população residente estimada em 686.000 pessoas. 
É uma maré cheia como escreveu em manchete o jornal hojemacau e é caso para perguntar onde vai caber tanta gente...