Mostrar mensagens com a etiqueta UCRÂNIA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta UCRÂNIA. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Quatro anos de derramamento de sangue

O dia 24 de fevereiro de 2022 marca o início da tentativa russa de ocupar Kiev e da guerra que, desde então, se intensificou na Ucrânia. Quatro anos depois, alguns jornais evocaram essa data a priori e aqui foram referenciados, mas outros trataram-na a posteriori e apresentam-no nas suas edições de hoje, evidenciando uma grande solidariedade para com a resistência e coragem ucranianas. Porém, são evidentes dois tipos de posicionamento: alguns jornais anunciam mais solidariedade e mais apoio de armas e dinheiro à Ucrânia, com a presença em Kiev de António Costa, Ursula von der Leyen e outros líderes, enquanto outros jornais mostram a fotografia dos cemitérios ucranianos numa verdadeira mensagem de apelo à paz.
Entre estes destaca-se o jornal canadiano Toronto Star que, para além do título “quatro anos de derramamento de sangue”, publica uma fotografia de um cemitério em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, em que foram colocadas bandeiras nacionais nas campas dos mortos.
É sabido que a guerra tem sido muito violenta e que até o próprio Donald Trump argumenta que é preciso acabar com “a matança e o massacre”, porque está a morrer muita gente jovem, mas nenhuma das partes tem sido clara na divulgação dessa informação. Segundo algumas estimativas, o número combinado de militares mortos, feridos ou desaparecidos dos dois lados pode chegar a 1.800.000.
Como aqui desde sempre tem sido salientado, é necessário que a guerra acabe depressa para que o povo ucraniano tenha a paz, o sossego e o progresso a que tem direito e  possa escolher livremente as suas opções, sem a pressão de Moscovo, nem de Bruxelas, nem de Washington.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Ucrânia: quatro anos de guerra e de dor

Estão decorridos quatro anos desde o dia em que as tropas russas iniciaram a sua “operação militar especial” com o ataque à Ucrânia e hoje, de entre os muitos jornais publicados no mundo, apenas encontramos três jornais que evocam essa data, através de reportagens assinadas pelos seus enviados especiais às frentes de combate. Este facto mostra como a imprensa internacional está cansada desta guerra e, naturalmente, também mostra como as opiniões públicas se têm desinteressado deste folhetim, em que poucos se preocupam com o povo ucraniano que é a grande vítima desta “guerra civil”, ou deste choque de interesses e de vaidades entre a Europa e a Rússia ou, ainda, deste confronto que prenuncia uma futura luta mais intensa entre o Ocidente e o Oriente.
Os jornais que hoje evocam os quatro anos de guerra na Ucrânia são os franceses La Dépêche du Midi (Toulouse) e La Croix (Paris) e o espanhol el Periódico (Barcelona). Os títulos e subtítulos apresentados nas suas primeiras páginas dão-nos algum esclarecimento sobre a situação.
O jornal La Dépêche du Midi diz que “a Ucrânia oscila entre a esperança da paz e o medo de um atoleiro” e que “o conflito só terminará quando russos e ucranianos compreenderem que o custo da guerra é superior aos ganhos possíveis”.
O jornal católico La Croix escreve apenas que são “1500 km de linha da frente” e que “em Kherson, aqueles que restam são os velhos, os pobres e os doentes”.
O jornal el Periódico escreve que “quatro anos de guerra deixam a Ucrânia sem forças”, acrescentando que “a população aceita cada vez mais renunciar a territórios”, que “o conflito, com as frentes estancadas, já dura mais que a guerra da Coreia” e que “a Europa, encurralada por Trump, busca o seu lugar nas negociações”.
Neste quadro, é tudo muito difícil e na Europa há erros acumulados e muitas divergências. Parece, agora, que Macron e Meloni querem falar com Putin, que Friedrich Merz não vê o final possível da guerra, que von der Leyen quer mais um pacote de sanções contra a Rússia e que Viktor Órban bloqueia financiamentos à Ucrânia e sanções à Rússia. Agora, também reapareceu o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson, provavelmente um dos maiores responsáveis por esta guerra não ter terminado ao fim de uma ou duas semanas, a sugerir que o Reino Unido deveria enviar tropas não combatentes para a Ucrânia, isto é, mandar gasolina para a fogueira. Com esta gente e como se tem visto, é mesmo muito difícil acabar com o conflito e há mesmo quem queira que prossiga, para depois tirar partido da desgraça dos outros.
Como alguém disse, ou escreveu, a guerra vai acabar pela exaustão e não com negociações.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Conversar é preciso, morrer não é preciso

Na sua edição de hoje o jornal The Irish Times, que se publica em Dublin e é considerado o mais influente diário irlandês, insere na sua primeira página um interessante texto de opinião assinado pelo jornalista Jack Power, o correspondente do jornal em Bruxelas. Nesse texto intitulado “Europe may seek direct talks with Russia”. Power escreveu que “os líderes europeus estão a considerar a reabertura de uma linha directa de diálogo com a Rússia, acabando com o efectivo silêncio diplomático de quatro anos, numa tentativa de evitar a sua marginalização nas negociações para acabar com a guerra na Ucrânia”. A ser assim, finalmente, ficaria aberta uma porta que nunca deveria ter sido fechada pela cegueira política de alguns dirigentes europeus míopes e incultos, como Boris Johnson, Ursula von der Leyen e Mark Rutte que, cada um deles à sua maneira, convenceram Zelensky que podia ganhar a guerra e que teria ajuda “o tempo que for preciso”.
Actualmente, as propagandas não nos permitem conhecer a realidade no terreno, nem o andamento das negociações entre Trump e Putin, nem o envolvimento de Zelensky, mas parece evidente que os líderes europeus deixaram de ser ouvidos e respeitados. Apesar disso, na recente cimeira de Bruxelas conseguiram disfarçar as suas diferenças de opinião e concordar com um empréstimo de 90 mil milhões de euros para apoiar a guerra da Ucrânia contra a Rússia, no qual não participarão a Hungria, a Eslováquia e a Chéquia. Uma vez que nem a União Europeia nem os seus estados-membros têm esse volume de capital disponível, a Comissão Europeia irá endividar-se nos mercados financeiros e emitirá obrigações de curto e longo prazo. Ninguém sabe se é possível ou não angariar esse volume de capital, nem quem o vai pagar porque, disse António Costa, “a Ucrânia apenas vai pagar este empréstimo quando a Rússia pagar as reparações de guerra”. Foi uma fuga para a frente...
O melhor é mesmo seguir o conselho de Jack Power e do jornal The Irish Times, ou seja, é preciso conversar porque morrer não é preciso!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

DT, VP, a Ucrânia e o "ataque à Europa"

Estão quase a completar-se quatro anos desde que começou a guerra na Ucrânia, embora haja muita gente que entende que esse conflito começou em 2014, ou mesmo em 1990. As primeiras tentativas de cessar-fogo aconteceram em Março e Abril de 2022, menos de um mês após o início da invasão russa, em que os representantes dos dois países se reuniram em Istambul pelo menos sete vezes, para negociar o cessar-fogo e a paz. Nessa altura, os russos não exigiam territórios, mas apenas garantias de segurança nas suas fronteiras, a neutralidade permanente da Ucrânia e a sua não-entrada na NATO, a recusa de tropas estrangeiras no seu território e a possibilidade de adesão ucraniana à União Europeia, se o país o desejasse. Então, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson foi a Kiev no dia 9 de Abril de 2022 para persuadir Zelensky a prosseguir a sua luta “até à derrota da Rússia” e impedindo-o de assinar o acordo de paz com a Rússia. Estava escolhido o caminho da guerra e a escalada belicista, com muitos milhares de mortos, milhões de refugiados, muitas cidades destruídas e a crescente militarização da Europa.
A partir de então, a guerra intensificou-se, os mass media colocaram-na nas suas agendas e surgiram os inúmeros comentadores televisivos alinhados com a ideia de guerra, enquanto aqueles que defendiam a paz passaram a ser considerados putinistas. As notícias da guerra, verdadeiras ou falsas, passaram a inundar o nosso quotidiano, agora amplificadas pelas posições belicosas de Emmanuel Macron, Mark Rutte, Ursula von der Leyen, Kaja Kallas e outros estrategas. A histeria instalou-se e só falta ressuscitar a famosa comédia "vêm aí os russos". Enquanto isto, apareceu Donald Trump, que tem hostilizado todos esses líderes europeus e que, movido por interesses económicos e outros, se mostra em sintonia com Putin que, naturalmente, quer agora muito mais do que queria em 2022.

Na sua mais recente edição, a capa da revista Der Spiegel mostra “dois vilões e um objectivo [de atacar a Europa]”, isto é, mostra Putin a retalhar a União Europeia com o apoio e o sorriso de Trump.

É evidente que ninguém pensa no povo ucraniano e que cada uma das personalidades que, no ocidente e no oriente, dizem defender a Ucrânia, apenas pensam nos seus próprios interesses. Pobres ucranianos!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A paz na Ucrânia está difícil de atingir

A situação que se vive na Ucrânia é muito complexa e a tragédia da guerra iniciada em 24 de fevereiro de 2022 continua – já lá vão 1.384 dias e muitos milhares de mortos –sem que se vislumbre um cessar-fogo, apesar dos planos de paz apresentados pelos americanos que as partes ucraniana e russa quase aceitam, mas que os líderes europeus sempre rejeitam.
O primeiro plano de paz de Donald Trump para a Ucrânia que foi conhecido no dia 21 de novembro constava de 28 pontos, sendo reconhecido que favorecia largamente os propósitos de Putin. No seu ponto 3, esse plano dizia: “Espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a NATO não proceda a mais alargamentos”.
Este ponto parece ser um dos “ossos mais difíceis de roer” e as dezenas de comentadores que nos entram em casa todos os dias nunca o mencionam, isto é, quando os russos de Gorbachov aceitaram “a perda da RDA e a reunificação alemã” em 1990, tiveram a garantia de que a NATO não se alargaria para oriente. Porém, isso não aconteceu e, desde então, a NATO passou de 16 para 32 membros, pelo que a Rússia se considerou humilhada.
Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca os dados do problema alteraram-se e os Estados Unidos parecem comportar-se como aliados da Rússia e adversários da Europa. A pressão de Trump sobre Zelensky é enorme mas, como ontem salientava o jornal The Guardian, estamos num “momento crítico”, pois “os líderes europeus unem-se em apoio à Ucrânia”, numa altura em que a National Security Strategy of the United States, recentemente enunciada em apenas 33 páginas, é bem clara ao enunciar o “declínio económico e o apagamento civilizacional da Europa” e ao colocar a Europa e a NATO em segundo plano, para além de avisar que “em poucas décadas alguns membros da NATO serão maioritariamente não-europeus e terão outras alianças diferentes daquelas que tinham quando aderiram à NATO.
Portanto, o braço de ferro na Ucrânia está a acontecer, mais entre americanos e europeus e menos entre russos e ucranianos. As voltas que estas coisas dão...

sábado, 22 de novembro de 2025

O plano de Trump para a paz na Ucrânia

Na sua actual fase, o conflito da Ucrânia já dura desde o dia 24 de fevereiro de 2022, isto é, há 1344 dias, mas durante todo este tempo falou-se mais da guerra do que da paz, ficando muitas vezes no ar a ideia de que há muita gente mais interessada nos negócios de armamento do que no fim das hostilidades. Muita gente já morreu, muitas cidades e infraestruturas foram destruídas e milhões de ucranianos ficaram com as suas vidas arruinadas. Todos assistimos ao corrupio de dirigentes europeus, com destaque para essa figura menor que é Ursula von der Leyen, que foram a Kiev para ser vistos e para empurrar Zelensky para o abismo, ao convencerem-no que não lhe faltaria apoio e que ganharia uma guerra em que do outro lado está uma potência nuclear.
Agora, provavelmente entusiasmado com a sua obsessão pelo prémio Nobel, o presidente Donald Trump preparou um plano de paz em 28 pontos que é um verdadeiro ultimato a Zelensky, como refere o jornal londrino The Independent: se aceita o plano será uma traição face aos seus compromissos que assumiu perante os seus concidadãos, mas se o rejeita perderá o apoio do armamento do seu aliado americano que tem sido o seu principal instrumento nas operações militares. É um grande dilema para Zelensky.
O plano de paz de Trump é muito duro e até humilhante para a Ucrânia e para a Europa, pois prevê que a Ucrânia faça a cedência de cerca de 20% do seu território à Rússia, incluindo a Crimeia, que não aderirá à NATO, que as suas forças armadas terão um limite máximo de 600 mil efectivos, que não haverá tropas da NATO no seu território e que deverão ser realizadas eleições dentro de 100 dias, o que parece mostrar que os americanos se querem ver livres de Zelensky, bem como das teimosias e das utopias que os líderes europeus lhe têm metido na cabeça, sem olharem à diversidade e natureza cultural, religiosa e étnica da população ucraniana.
Entre os 28 pontos do plano está inscrito um ponto que diz que “espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a NATO não se expanda ainda mais” e esta simples frase parece sintetizar a razão desta guerra.
Ninguém sabe se a Ucrânia aceita ou não aceita o plano de Trump, com alterações ou sem alterações, mas é tempo de acabar com esta guerra e com o crescente belicismo que anda por aí.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Gripens e Rafales a caminho da Ucrânia?

Há menos de um mês foi anunciado que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson tinham assinado uma carta de intenções para a venda de 150 aviões de combate Saab Gripen-E destinados à Força Aérea da Ucrânia, faltando definir os termos exactos quanto a custos e data de entrega, embora o valor do contrato possa oscilar entre 12 e 18.000 milhões de euros. Entretanto, Zelensky foi a Paris e, como hoje anuncia a edição do jornal La Dépêche du Midi, assinou com o presidente Emmanuel Macron uma outra carta de intenções para a aquisição de 100 aviões Rafale F-4, num valor estimado entre 10 e 15.000 milhões de euros.
Qualquer destas notícias foi adjectivada como histórica, tanto pelos construtores suecos como pelos construtores franceses, mas Donald Trump deve estar furioso por esta “deslealdade ucraniana” e por estarem a ser ignorados os seus Lockheed Martin F-35.
Porém, há muita gente que deve estar boquiaberta com estas operações e com os colossais valores que estão em jogo, porque se levanta a questão do financiamento destas aquisições num país em guerra e que é altamente dependente da ajuda de vários países europeus, onde as opiniões públicas estão perplexas com as notícias sobre a corrupção no país de Zelensky.
É sabido que nem a Saab nem a Dassault Aviation têm capacidade de produção para satisfazer estas “encomendas” de aviões, pelo que os ucranianos “não os terão tão cedo”, até porque é necessário formar mecânicos e pilotos.
Parece, portanto, que há uma indústria do armamento que está interessada em continuar a guerra da Ucrânia, mesmo quando alguns dirigentes políticos dizem o contrário.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Os drones: da vigilância a arma de guerra

A guerra na Ucrânia teve início no dia 24 de fevereiro de 2022, quando Vladimir Putin ordenou uma “operação militar especial”, concretizada através de invasão que apenas veio intensificar a tensão e o estado de guerra que se vivia no território ucraniano oriental desde 2014, sobretudo nas regiões separatistas de Lugansk e Donetsk.
Desde há cerca de 45 meses que, todos os dias, somos massacrados com notícias, umas verdadeiras outras falsas, para além de ouvirmos um sem número de comentadores especializados, mas o facto é que não sabemos o que realmente se passa no terreno, embora se perceba que as partes estão cansadas, que desejam o fim do morticínio e da destruição e que não estão disponíveis para aceitar a vitória do outro.
No campo especificamente do confronto militar, porque os recursos humanos e materiais são escassos, os dois adversários transformaram a utilização de drones — veículos aéreos não tripulados, tanto civis como militares — numa ferramenta estratégica e simbólica que passou a marcar o ritmo, a eficácia e até a moral das tropas. Pelo seu baixo custo, precisão e autonomia os drones tornaram-se elementos cruciais naquele conflito, onde o controlo do espaço aéreo é essencial e é disputado pela tecnologia, pela inteligência artificial e pela logística.
À medida que o conflito se prolonga, os drones evoluíram de ferramentas de vigilância para armas ofensivas e plataformas de guerra psicológica, substituindo-se aos disparos da artilharia, aos bombardeamentos aéreos e aos mísseis. O uso intensivo de drones, tanto por russos como por ucranianos, responde à necessidade de reduzir perdas humanas e de compensar as deficiências da logística, mostrando que o futuro das guerras já não depende apenas do factor humano mas, cada vez mais, da capacidade de possuir e programar drones.
A última edição do jornal catalão ara que se publica em Barcelona, dedica uma desenvolvida reportagem à la guerra dels drons.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

É preciso acabar com a guerra na Ucrânia

A notícia foi dada ontem depois de “uma longa chamada telefónica” entre ambos e, na sua edição de hoje, o jornal The Independent confirma que Donald Trump e Vladimir Putin se vão encontrar brevemente em Budapeste, para uma segunda cimeira sobre a guerra na Ucrânia, depois de se terem encontrado no Alaska no dia 16 de Agosto.
O encontro directo e presencial entre os homens que comandam as duas principais potências nucleares do nosso planeta é sempre positivo, embora na agenda destes encontros esteja apenas o problema da Ucrânia.
Há dois meses a reunião entre Trump e Putin foi cordial, mas inconclusiva. A pretensão russa para que fosse reconhecida a anexação dos territórios ucranianos ocupados não foi aceite e, para além disso, os Estados Unidos deram o seu apoio ao ataque ucraniano às infraestruturas energéticas russas. Não se sabe como evoluíram as visões de Trump e de Putin sobre o conflito e que cedências estão as partes dispostas a fazer. Porém, haverá mais de um milhão de baixas dos dois lados, há milhões de ucranianos afectados pela guerra, há uma enorme destruição do património construído e parece haver um impasse na linha da frente. O apoio à Ucrânia de Zelensky está a ser um pesado fardo para os seus amigos ocidentais e Donald Trump, com o apoio de Ursula von der Leyen e de Mark Rutte, já enviou essa factura aos europeus para que a paguem.
Os líderes europeus que deveriam ter sido os intermediários e os moderadores desta crise, foram incompetentes, desastrados e convenceram Zelensky que podia ganhar. Erraram, tornaram-se actores secundários e, agora, são simples espectadores.
Trump disse várias vezes que “essa guerra nunca teria começado se fosse presidente” e Putin confirmou que “se Trump fosse presidente em 2022 não haveria guerra na Ucrânia”. 
É a altura de resolverem este imbróglio.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Que cessar-fogo e paz cheguem à Ucrânia

O entusiasmo que provocou o cessar-fogo em Gaza e o mérito que tem sido atribuído a Donald Trump por ter promovido as negociações entre os beligerantes e os seus aliados, desperta em muita gente o desejo de que a mesma receita seja aplicada ao conflito da Ucrânia, embora eles sejam diferentes. O conflito de Gaza tem as características de um embate civilizacional entre dois mundos que se têm hostilizado desde sempre, enquanto o conflito da Ucrânia tem muitas características de uma guerra civil que está a acontecer como cortina de uma confrontação entre dois blocos político-militares, que parecem querer reacender o clima da Guerra Fria. Porém, a História mostra-nos que todas as guerras tiveram sempre um fim e, por isso, também na Ucrânia há que esperar um fim. 
Segundo a edição de ontem do The Daily Telegraph, o presidente Donald Trump declarou que “vamos acabar com a guerra na Ucrânia”, embora também tivesse declarado que “é amigo de Putin e “que vai falar com ele”, mas que “Putin” não quer acabar com a guerra”.
Enquanto isto, alguma imprensa tem noticiado que a fórmula de Donald Trump para a paz na Ucrânia passa por “menos negociações e mais armas” que os Estados Unidos venderão à NATO e que serão pagas pelos países europeus, nelas se incluindo os potentes mísseis de cruzeiro Tomahawk que, a serem utilizados, significam um agravamento da situação. Porém, os tempos na Europa não estão nada fáceis para ajudar a Ucrânia, porque a crise está no horizonte e os europeus não aceitam perder as suas conquistas sociais para pagar armas fabricadas pelos americanos, além de que a França está ameaçada de ingovernabilidade e de haver greves gerais anunciadas na Bélgica, Grécia, Itália, Espanha e Lituânia.
Realmente é tempo de acabar com a guerra. As reivindicações das partes são conhecidas. É tempo de negociar e de acabar com a ideia de que alguém sairá vencedor desta guerra. É tempo de calar os que querem a guerra e de dar voz aos que querem a paz. Assim, o que disse Donald Trump, é um bom ponto de partida: “let’s end Ukraine war”.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

O “cara a cara” que não vai acontecer

Embora o assunto não seja para graças, porque morre muita gente e o património dos beligerantes está a sofrer grandes danos, a guerra da Ucrânia e os seus principais protagonistas têm servido para alimentar o anedotário das redes sociais e até está a chegar aos jornais que, em princípio, são menos sujeitos ao fenómeno da desinformação.
As diligências feitas por Donald Trump, tanto em Anchorage como em Washington, para encontrar uma solução para o conflito ucraniano, inspiraram o diário alemão Die Tageszeitung, que é conhecido como taz e que, face à ideia trumpiana para a realização de um encontro bilateral entre os vladimires de Moscovo e de Kiev, isto é, o Putin e o Zelensky, tratou de fazer uma interpretação gráfica desse desafio na primeira página da sua edição de hoje. Vai daí e com o apoio da IA, o jornal berlinense publicou a imagem de um combate de boxe entre os dois líderes em que, como escreve o jornal, estão cara a cara.
Não há muita gente que tenha passado pela experiência de lutar com todas as suas forças contra um qualquer inimigo e depois, em poucos dias, abraçá-lo fraternalmente como se nada tivesse acontecido. Isso dificilmente acontece. A passagem do estado de guerra para o estado de paz é lento e é feito passo a passo, pelo que muito do que se diz e escreve, corresponde a um estilo comunicacional que precisa de ser alimentado com notícias ou não-notícias, verdadeiras ou não.
Assim, não é provável que Putin e o Zelensky se encontrem cara a cara, sem que antes as suas equipas de negociadores e os mediadores, ou os seus diplomatas, tenham acordado os termos do acordo de paz. É exactamente isso que se espera que aconteça, sobretudo se não houver aquele tipo de beija-mão dos líderes europeus que estiveram em Washington, cuja vaidade só atrasa e dificulta o processo de paz. 

sábado, 16 de agosto de 2025

Anchorage foi uma cimeira de esperança

O encontro de Anchorage correu muito bem, ao contrário do que disseram ontem os comentadores portugueses nas televisões ao afirmarem que “foi uma mão cheia de nada” e do que hoje escreve a generalidade da imprensa internacional, que destaca ideias como “no breakthrough” (The Wall Street Journal) e “no deal” (The Dallas Morning News). Porém, outros jornais foram mais substantivos ao escreverem “Trump says historic peace talks make progress” (New York Post), ou que “Trump acaba com o aislamiento internacional de Putin” (El País), embora o título mais animador venha de Londres e afirme “Peace in their hands“ (The Times).
É verdade. Não houve acordo, mas a paz está nas mãos daqueles duas controversas personagens, como hoje escreve The Times. O formalismo do encontro de Anchorage entre Trump e Putin foi um grande acontecimento porque nos trouxe algum desanuviamento em relação à crescente tensão que nas últimas semanas se vivia entre Washington e Moscovo, inclusive com veladas ameaças nucleares, além de ter sido um passo no sentido da paz na Ucrânia.
Ninguém sabe o que se passou naquele encontro embora muito se especule, mas certamente já estão a ser negociados todos os aspectos de um acordo de paz, parecendo que tudo caminha para a solução que Henry Kissinger sugeriu em 2014, num artigo publicado no jornal The Washington Post.
Ainda é cedo para fazer a história deste conflito, expurgada da propaganda e da desinformação, mas parece cada vez nais evidente que os líderes europeus deveriam ter sido os mediadores desta “guerra entre irmãos” mas que, por vaidade, inexperiência e ignorância, escolheram outro caminho e enganaram Zelensky e os ucranianos, prometendo, enquanto fosse preciso, o que podiam e o que não podiam.
Agora, o que é preciso é fazer avançar o “diálogo de Anchorage” e chegar rapidamente à paz!

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Todos à espera da cimeira de Anchorage

Faltam apenas dois dias para o encontro de Anchorage entre Donald Trump e Vladimir Putin e muito se tem especulado sobre essa reunião que, entre outros assuntos, vai procurar uma solução para o problema da Ucrânia, onde tem morrido muita gente. Seria muito bom que houvesse “fumo branco” e que o povo e as cidades ucranianas voltassem a viver em paz.
Muito se tem especulado, sobretudo através dos incontáveis comentadores que tomaram conta das televisões portuguesas, sobre o que pode acontecer nesse encontro, se Zelensky estará ou não presente no Alasca, se haverá ou não um cessar-fogo, se haverá cedências das partes e que tipo de cedências. Há demasiada especulação daqueles que precisam de alimentar espaços noticiosos e audiências, esquecendo-se que a diplomacia está a trabalhar e que a sua principal regra de conduta é a discrição.
A capa do jornal New York Post diz quase tudo. Os europeus estarão fora a reunião de Anchorage e a sua voz vale cada vez menos, porque tem dirigentes medíocres que, desde 2014, se demitiram da sua função de árbitros de um conflito com características de “guerra civil”, preferindo ressuscitar as tensões da “guerra fria” ao prometerem ajudar a Ucrânia enquanto fosse preciso. Agora estão amuados com a iniciativa do Donald e sabem que a continuar com a sua teimosia vão ter de gastar muito dinheiro.
Não sei se há optimistas quanto ao que vai acontecer em Anchorage. Porém, desde já, há um aspecto bem positivo no encontro porque, certamente, vai arrefecer a tensão nuclear entre a Casa Branca e o Kremlin. Da mesma forma, o frente a frente entre Trump e Putin, que parecem ser homens de negócios, também parece ser um passo no bom sentido para o regresso da paz ao território ucraniano, como quase todos desejam.
Volodymyr Zelensky deveria estar nesse encontro, mas a sua presença talvez perturbasse em vez de ajudar…

terça-feira, 15 de julho de 2025

A NATO assume envolvimento na Ucrânia

A guerra da Ucrânia já dura há muito tempo e parece evidente que os defensores da paz têm perdido no confronto com os apoiantes da guerra, embora a distorção noticiosa, a manipulação informativa e a intensa propaganda não permitam saber exactamente o que se passa, nem o que querem as partes em confronto.
Donald Trump sempre afirmou que acabaria com a guerra em 24 horas e parece que tentou a paz com o seu amigo Putin, mas desde que arranjou um secretário-geral da NATO sem dignidade e sem vergonha, viu que tinha uma janela de oportunidade para fazer negócio e vender a produção do seu aparelho industrial. Esse cretino que é Mark Rutte passou a ser o interlocutor privilegiado do Donald e senta-se presidencialmente na Casa Branca ao seu lado, como mostra a edição de hoje do Financial Times. Nenhum outro jornal de referência mostra a fotografia deste encontro, o que também demonstra que se trata de uma operação do mundo dos negócios, isto é, os americanos fornecem o material e os europeus pagam tudo, como foi desejo expresso da parceria entre Donald Trump e o seu lacaio Mark Rutte. O negócio à frente da diplomacia e da política, tal como Trump sempre aspirou.
Porém, o Donald dá as armas que os europeus vão pagar, mas também deu 50 dias ao seu sócio, ou simplesmente amigo Putin, para parar a guerra e aceitar a paz.
Humildemente não sei o que vai acontecer, mas esta entrada já indisfarçada da NATO no conflito sob o comando de Rutte e a teimosia russa de Putin em garantir a posse dos territórios ocupados não casam nada bem, como também não é de esperar que a Rússia aceite este tipo de ultimatos trumpianos.
Entretanto, deve haver muitos líderes europeus que não se reveem neste comportamento bajulatório, indecente e indigno de Mark Rutte e não estejam para o aturar, nem para apoiar o envolvimento directo da NATO na Ucrânia.

terça-feira, 17 de junho de 2025

A marca americana nas guerras actuais

Hoje, a edição internacional do The New York Times publica com grande destaque de primeira página três fotografias alusivas às guerras que estão em curso e que tanto preocupam o mundo. Nas respectivas legendas, surge sempre destacada a figura de Donald Trump, num caso porque “acabava a guerra em 24 horas” e, nos outros casos, porque já se transformou num porta-voz do regime de Netanyahu. O facto é que há três guerras na Europa ou junto das fronteiras da Europa, é enorme o nível de destruição em Gaza, em Kiev, em Teerão ou em Telavive, enquanto as indústrias do armamento continuam a engordar…
Todos estes conflitos mostram, uma vez mais, como a propaganda funciona e manipula os acontecimentos, bem como se usam sem pudor dois pesos e duas medidas. Tanto na Ucrânia, como na Palestina e agora no Irão, os Estados Unidos protegem os regimes de Zelensky e de Netanyahu, enquanto a Europa continua hesitante, pequenina e ineficaz, a exibir-se de cimeira em cimeira em desfile de vaidades.
Quando Israel decidiu atacar o Irão para anular o seu programa nuclear, de forma semelhante ao que se passou com às armas de destruição maciça de Sadam Hussein, os Estados Unidos mostraram como estão envolvidos no apoio a um criminoso de guerra que tem conduzido um genocídio em Gaza, enquanto Donald Trump já tratou de afirmar que “domina os céus do Irão” e de exigir a “rendição incondicional”.
A Europa deveria ter moderado o conflito da Ucrânia e não tomar partido, deveria ter condenado o regime de Netanyahu pela sua acção cruel e genocida em Gaza e, no conflito entre Israel e o Irão, deveria reclamar à diplomacia para procurar resolver a situação, mas em vez disso fornece armas a Israel e tem afirmado que “Israel tem direito a defender-se”, como diria um qualquer senhor de La Palisse.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Não haverá “rendez-vous” em Istambul

Depois de mais de três anos de guerra, está previsto para hoje em Istambul, um encontro directo entre russos e ucranianos, o que é uma boa notícia para aqueles que defendem uma solução pacífica e negociada para um conflito que muito tem sacrificado o povo ucraniano, a principal vítima da cegueira política de muitos dirigentes daquela região e do mundo. O tema é melindroso – rivalidades históricas, provocações, feridas de guerra, cessar-fogo, paz – mas as duas partes conhecem-se bem e podem ir directamente ao assunto. 
Havia a expectativa de Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky se encontrarem frente-a-frente, mas nas últimas horas foi anunciado que Putin não iria falar com Zelensky e o “rendez-vous d’Istambul”, que hoje era anunciado pelo jornal francês La Dépêche du Midi, não se irá realizar, o que até pode facilitar o arranque do processo.
Tanto Donald Trump como Recep Tayyip Erdogan investiram muito neste encontro e estarão atentos ao que se vai passar, porque “é inútil prolongar a matança”, enquanto os líderes europeus estarão mais uma vez a fazer um papel de actores secundários neste drama. O verdadeiro objectivo de todos estes líderes não é a protecção do povo ucraniano, mas tão só a satisfação dos seus interesses nacionais, ou mesmo pessoais, como se vê com a ultrapassagem que Donald Trump fez aos europeus que, nesta matéria, têm sido incompetentes e pouco inteligentes, como têm mostrado Boris Johnson, Jens Stoltemberg, Ursula von der Leyen, ou essa nova estrela do belicismo que é o luterano Mark Rutte.
No encontro de hoje em Istambul não surgirão quaisquer conclusões, mas é um importante primeiro encontro das duas partes para, passo a passo e cara a cara, caminharem para o entendimento, a pacificação e a reconciliação.
Um dia, libertado da propaganda e na posse da verdade histórica, o sacrificado povo ucraniano saberá quem o empurrou para a tragédia que está a viver.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Um cessar-fogo que é um sinal animador

As conversações que têm sido realizadas em Riad entre russos e ucranianos com a mediação dos Estados Unidos, conduziram a um acordo de cessar-fogo parcial e à aceitação de uma trégua relativamente aos ataques às redes energéticas dos dois países e à navegação no mar Negro, embora os russos condicionem essa aceitação ao levantamento das sanções ocidentais impostas ao sector agrícola russo. Os Estados Unidos comprometeram-se a assegurar o cumprimento destes acordos e a ajudar a restabelecer as exportações russas de produtos agrícolas e fertilizantes.
Porém, um dos aspectos mais significativo deste acordo é que não é indicado que o cessar-fogo seja por 30 dias, como estava planeado inicialmente, o que pode indiciar que as partes podem ir mais longe nas suas negociações e que Putin e Zelensky já terão compreendido que ambos terão que fazer cedências, sem as quais não se resolve o complexo imbróglio ucraniano. Há que ter esperança que as negociações avancem.
Como hoje escrevia o El Pais, este cessar-fogo é “la primera señal que apunta a una salida negociada en tres años de guerra” e é mais um pequeno passo a caminho da paz. Esse mérito é dos americanos, sendo mais uma “bofetada de luva branca” nos líderes europeus, que nada fizeram pelo fim da guerra e que continuam a pavonear-se em sucessivas cimeiras, antes para ganhar a guerra e, agora, para ajudar Zelensky e o seu regime. Quase todos adoptaram a narrativa que tem sido propagandeada, que exige o rearmamento da Europa para fazer face à ameaça russa, embora ela pareça preocupar muito pouco os povos da Europa como vem mostrando o Eurostat.

quarta-feira, 19 de março de 2025

“Il primo passo” para a paz que se saúda

Na guerra que tem arrasado parte da Ucrânia e provocado centenas de milhares de mortos, os líderes europeus não quiseram e continuam a não querer, ser os mediadores de um conflito entre eslavos, com raízes históricas muito antigas. Ignorando o que tinha sido combinado com Mikhail Gorbachev quando da reunificação alemã, os falcões da NATO avançaram para oriente e incorporaram mais de uma dúzia de países, incluindo os estados bálticos, a Bulgária e a Roménia, a Albânia e o Montenegro. Faltava a Ucrânia. Os russos sentiram-se ameaçados, tal como Kennedy se sentiu ameaçado com a crise dos mísseis de Cuba em 1962. A fricção russo-ucraniana intensificou-se em 2014 com a anexação da Crimeia e com a agitação no Donbass (Donetsk e Luhansk). Depois, tudo se complicou e logo se tratou de vender a narrativa de haver santos e diabos, quando afinal os ucranianos e os russos são primos uns dos outros. Neste grande imbróglio, em Fevereiro de 2022 houve realmente um agressor e um agredido, mas antes houve demasiadas provocações feitas por gente que nunca procurou a paz nem a mediação. Hoje as narrativas da ameaça russa fazem lembrar as aparições de Fátima de 1917 e, sem que as populações europeias tenham sido ouvidas, já está decidido o rearmamento que vai abalar os alicerces, os orçamentos e o modo de vida da União Europeia.
Por tudo isto e, independentemente das motivações pessoais de Donald Trump e dos interesses estratégicos americanos, há que saudar os esforços que estão a ser feitos para negociar um cessar-fogo e a paz.
Hoje, o jornal romano Secolo d’Italia diz que os telefonemas de Donald Trump para Putin e para Zelensky são il primo passo e eu concordo, embora lamente profundamente que os europeus não tenham sido capazes de fazer telefonemas e se limitassem a acusar Putin, mas sem que usem a mesma condenação contra Benjamin Netanyahu pelo genocídio que está a fazer em Gaza.

sexta-feira, 14 de março de 2025

O cessar-fogo e a paz para a Ucrânia...

No cenário de muita propaganda e muita desinformação que tem rodeado o conflito na Ucrânia, são regularmente divulgadas as mais desencontradas informações quanto ao número de baixas de ambos os lados. Há quatro dias, um jornal de Barcelona destacava em título de primeira página, que “Rusia sufre 1.500 muertos y heridos diarios en Ucrania”, enquanto outras notícias indicam algumas centenas de milhares de baixas de ambos os lados.
Por tudo isto, sejam russos ou ucranianos, ou mesmo de outras nacionalidades, é necessário acabar com esta mortandade muito trágica e com esta permanente ameaça à paz na Europa e no mundo. Embora com controversos objectivos pessoais, o facto é que Donald Trump já conseguiu qualquer coisa que os europeus não conseguiram, pois fez uma proposta de cessar-fogo por 30 dias, que é um passo em frente muito positivo no sentido do fim das hostilidades e que, até agora, não foi rejeitado pelas partes. É um sinal de esperança, muito ténue como hoje sugere o jornal Libération, mas tem que se começar por qualquer lado. 
A situação é muito complexa porque as partes se extremaram. Existe uma resolução das Nações Unidas que exige a retirada das tropas russas da Ucrânia, há a ocupação ilegal da Crimeia desde 2014 e há cerca de 20% do território ucraniano que está ocupado pelos russos, que se sentem ameaçados se a Ucrânia for admitida na NATO. Por outro lado, apesar da ideia que tem sido posta a circular sobre a necessidade do rearmamento da Europa, sem que os europeus até agora se tenham pronunciado sobre isso, o apoio militar à Ucrânia tende a diminuir apesar das declarações em contrário.
Ao fim de mil dias de guerra, enganaram-se aqueles que pensaram que haveria um vencedor no terreno, embora alguns deles – de ambos os lados – continuem a insistir nessa tese, talvez impulsionados pela indústria do armamento. Donald Trump tem procurado a paz, enquanto a Europa está cada vez mais insignificante. O que se deseja é que o cessar-fogo seja aceite, que comecem as negociações e que se possa caminhar para a paz. 

sábado, 8 de março de 2025

“Missão de resgate” para salvar Zelensky

O doloroso conflito que vem destruindo a Ucrânia desde Fevereiro de 2022, ou mesmo desde 2014, já vai longo e, tanto o invasor como o invadido, devem estar cansados e ansiosos para que termine aquela mortandade e destruição, que são características comuns a todas as guerras.
Volodymyr Zelensky e o seu regime tiveram desde sempre o apoio dos Estados Unidos e da União Europeia, mas também da NATO, pelo que puderam resistir à invasão russa. Entretanto os tempos mudaram desde que Donald Trump se instalou na Casa Branca e os Estados Unidos diminuíram ou ameaçaram cancelar todo o seu apoio à Ucrânia. Essa decisão, ou essa ameaça, não só alteraram completamente os contextos da guerra, como vieram mostrar a fraqueza militar de uma Europa que, em questões de Segurança e Defesa, tem vivido sob a protecção americana. O infeliz encontro de Washington entre Trump e Zelensky agravou a situação e, a partir de então, os europeus perceberam que era necessário envolverem-se ainda mais no apoio à Ucrânia. Daí que agora se pergunte se a Europa pode salvar a Ucrânia sem o apoio dos Estados Unidos, até como reforço à sua própria Defesa e Segurança.
Fizeram-se muitas reuniões e emitiram-se muitos comunicados, mas foram as iniciativas de Emmanuel Macron e de Keir Starmer que se destacaram, ao liderarem uma “rescue mission”, conforme satiriza a última edição da revista americana The Week: a sua primeira página exibe uma ilustração que mostra Macron e Starmer, com as bandeiras da União Europeia e do Reino Unido, a navegar numa pequena embarcação em mar encapelado, que procura resgatar o náufrago Zelensky, isto é, mesmo em tempos de incerteza há espaço para algum humor, embora aqui também haja uma crítica americana à debilidade militar da Europa.